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As Leis do Amor

por Andrusca ღ, em 08.03.12

Parte 10 – Inocente Até Prova em Contrário/Novas Escolhas

 

- O réu é, por unanimidade, considerado… inocente do homicídio a John Ling – proclamou o porta-voz do júri, causando uma agitação enorme. Pessoas amaldiçoavam o júri, outras agradeciam-lhe, e o pobre homem foi obrigado a levantar a voz – No entanto, por ter tido contacto com o mundo das drogas, mais do que uma vez, será forçado a cumprir trabalho comunitário por dois meses.

- É justo – ouvi Luke dizer, ao meu lado.

- Declaro esta sessão terminada – declarou a juíza, batendo com o martelo.

As pessoas apressaram-se a brindar Luke, aos abraços e beijinhos, e ele próprio me abraçou. Vi Félix bater com a pasta do caso na mesa, visivelmente enervado, mas não lhe liguei mais atenção nenhuma. Também estava na altura de eu festejar. Depois de abraçar o irmão, Tom veio até mim e abraçou-me, levantando-me no ar para segundos depois me voltar a pousar.

- Conseguiste! – Exclamou, com um sorriso do tamanho do universo – Obrigado. O que acontece agora?

Respirei fundo e aproximei o meu rosto do dele, devagar, dando-lhe um beijo suave e voltando a desviar-me logo a seguir. Estava no tribunal, não ia faltar ao respeito ao meu “santuário”.

- Agora aproveitamos a liberdade do teu irmão – respondi-lhe. Ele riu-se e deu-me um beijo na bochecha.

Quando saímos do tribunal os flashes começaram a disparar, os jornalistas a gritarem perguntas, e as pessoas a felicitar-me. Eles já sabiam o que se tinha passado, estava lá dentro um jornalista a fazer um relato de tudo o que acontecia. Foi de loucos.

 

*

 

Uma semana passou. Uma semana em que mal parei. Tive várias ofertas de trabalho de várias empresas bastante prestigiadas por todo o mundo, algumas delas em DC, e o meu telemóvel não parou de tocar também devido às entrevistas que queriam que desse. Este caso mudou, definitivamente, o rumo em que a minha vida ia.

O Luke andava a cumprir o seu trabalho comunitário, trabalhando umas quantas horas por dia num lar de idosos, e Tom tinha voltado ao seu dia-a-dia normal na clínica veterinária.

O Félix foi despedido da firma de DC. O seu chefe – meu antigo chefe – descobriu que ele aceitava subornos, e pô-lo na rua. Agora arranjar trabalho vai ser difícil é para ele.

Os meus pais andavam orgulhosos, porém também um pouco tristes. Sabiam que agora era apenas uma questão de tempo até que eu saísse daqui e voltasse para alguma grande cidade, como eu sempre fizera questão de realçar.

- Outro – disse o meu pai, entrando no meu quarto depois de bater, dando-me um papel – Apontei o nome da firma e o número de telefone.

Ele e a minha mãe também atendiam bastantes chamadas, pois quando o meu telemóvel estava incontactável era o de casa que começava a ecoar pelas salas.

- Obrigado pai.

Ele sorriu-me e deu meia volta, saindo do quarto. Suspirei e levantei-me da cadeira, indo até à janela. Estava um dia demasiado bonito para ficar em casa.

O meu telemóvel começou a tocar de novo e apressei-me a atendê-lo, porém desta vez a chamada interessava-me.

- “Oi” – ouvi, do outro lado.

- Oi Tom – cumprimentei – Como está o teu dia na clínica? Já me desorganizaste a secretária toda?

Ele riu-se.

- “Isso é óbvio. Ouve, queria saber se estavas livre esta noite. Podíamos ir jantar…”

Respirei fundo e olhei de novo para a rua. Tom. Não tinha planeado apegar-me tanto a ele, e isso fazia com que a minha saída já não fosse assim um desejo tão grande.

- Às oito horas? – Perguntei.

- “Pode ser. Eu vou-te buscar”.

- Combinado.

Desliguei a chamada e fui buscar um casaco e saí. Andei um pouco apenas a respirar este ar de Iowa e a pensar, e foi então que a vi. Desocupada, espaçosa, a um bom preço. Numa palavra: perfeita. Imaginei logo o letreiro por cima da porta, talvez pudesse arranjar um sócio… e de certeza que com preços acessíveis clientes não faltariam. Fui até à porta e espreitei melhor, imaginando como poderia ficar se eu ficasse com ela. Seria uma loja completamente transformada… um ar mais moderno, mais profissional… duas secretárias, uma em cada compartimento… um sofá na sala de espera. Vi o número de telemóvel que estava na janela e premi logo a tecla de chamar.

 

*

 

- Gostei desta noite – comentou Tom, enquanto caminhávamos pela rua, sob o enorme manto de estrelas – Acho… acho que é provavelmente uma das últimas, estou certo?

- Porque dizes isso?

Tom suspirou e parou de andar, fazendo-me imitar-lhe o gesto. Passou a mão pelos cabelos nervosamente e depois enfiou-as às duas nos bolsos das calças de ganga.

- O teu pai disse-me que tinhas tido bastantes propostas de trabalho de sítios importantes – admitiu.

Eu ri-me e ele franziu as sobrancelhas, sem nada perguntar.

- É engraçado termos parado aqui – fi-lo voltar-se para a loja desocupada ao pé da qual estávamos, apenas do outro lado da rua da sua clínica veterinária.

- Porquê? É uma loja vazia. Está assim há séculos.

- Comprei-a esta tarde – Tom arregalou os olhos, e eu aproximei-me da janela enorme que a loja possuía – Também posso ser uma advogada aqui. O processo do teu irmão deu-me uma enorme notoriedade, é verdade, e se alguém me quiser pode-me vir cá buscar. Não preciso de estar em DC, ou Nova Iorque, para ser boa.

- Isso quer dizer…?

Não o deixei acabar. Voltei-me para ele e agarrei nas suas mãos, aproximando a minha face ligeiramente da dele.

- Quer dizer que me podes continuar a trazer o pequeno-almoço a meio da manhã, e que podemos ir na mesma almoçar ao café ali na esquina, e podemos jantar fora as vezes que quisermos… se tu quiseres, claro.

- Estás a brincar comigo? – Abanei a cabeça e ele sorriu-me, beijando-me os lábios durante alguns segundos – Isso é perfeito!

Comecei a rir e depois concordei.

- Mas não fiques já todo feliz, vais-me ajudar com as obras para o escritório.

- Se fosse preciso até fazia tudo sozinho! – Tom levantou-me e rodopiou comigo por alguns segundos, até me voltar a pousar no chão – Acho que me estou a apaixonar por ti.

Senti as minhas bochechas a ficarem mais quentes e depois assenti com a cabeça.

- Ainda bem, porque eu também acho que me estou a apaixonar por ti – proferi, antes de voltar a juntar os meus lábios aos dele.

 

Fim

 

E pronto, chegou ao fim

Não sei quando a próxima chega, mas provavelmente só para o fim da próxima semana...

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