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Robin Hood - The Legend

por Andrusca ღ, em 12.03.12

Pronto, vocês já sabem que nas minhas histórias há sempre uma personagem principal que é rapariga e nesta não podia ser diferente.

Digam o que acharam da primeira parte, okay?

 

Parte 1 – A Vinda para Inglaterra

 

- Ouviste a boa nova? – Perguntou Alfred quando, ao chegar ao local do acampamento, pousou os troços de lenha no chão. Ambos Percy e Robert olharam para ele, confusos.

- Que boa nova? – Perguntou Percy, com os seus olhos castanhos muito curiosos.

- Onde está o Robin? – Perguntou Alfred – Tenho que lhe dizer. Robin? Robin!

- Tem calma, meu amigo – por trás de si uma figura muito bonita de se ver apareceu. Robin envergava roupas em tons de castanho, a mesma cor do seu cabelo, e os seus olhos azuis estavam com reflexos bonitos devido ao sol. Na sua mão direita trazia o seu arco, e ao ombro as flechas – Conta-me Alfred, qual o motivo desta agitação?

Alfred sorriu triunfoso.

- A filha do xerife vem para Nottingham – afirmou, para espanto de todos os outros.

Robert, o mais alto de todos, levantou-se do tronco em que estava sentado, e caminhou a passos largos até Alfred.

- Não estava ciente que o xerife tinha uma filha – murmurou.

Mas Robin soltou uma gloriosa gargalhada. Que melhor notícia poderia ter hoje? Nenhuma.

- Isso não interessa Robert! – Afirmou – Conseguem imaginar o dinheiro que o xerife pagará pelo resgate da sua querida filha? Podemos alimentar pessoas por meses!

Os amigos riram. Robin pensava tal e qual como o seu pai, dono do mesmo nome, o grande Robin Hood.

- Então temos que nos pôr a caminho – afirmou Alfred – Temos que interceptar a carruagem.

 

*

 

Nada fora do vulgar se fazia ouvir ou ver na floresta de Sherwood. Elisabeth estava entediada. Já viajava haviam quase três dias e mal podia esperar a hora para se voltar a reunir com o seu querido pai.

- Já não falta muito – falou Aliena, a sua aia, que viajava com ela para todo o lado.

Elisabeth suspirou e desviou o tecido que tapava a janela da carruagem onde ia.

- Dizem que ele vive nestas florestas – murmurou a rapariga dona de belos cachos de caracóis loiros – O Robin Hood.

- Ora, a lenda de Robin Hood tem anos, menina! Não pode acreditar que o vai mesmo ver, pode? Ele combateu o xerife antes do seu pai!

- O meu pai veio para cá há dezassete anos, Aliena. Nunca o vi deste então, mas nas cartas sempre me falou do Robin Hood e do que ele rouba. Ele não é uma lenda, ele anda por estas florestas… ele anda por Sherwood.

- Bem, já não falta muito para chegarmos a Nottingham – repetiu a velhota uma vez mais.

Elisabeth voltou a suspirar e, ao dirigir de novo a sua atenção para a floresta, jurou ver um rapaz parado em frente às árvores. Até se inclinou para ver se não estava enganada, mas ele já lá não estava. Talvez o seu cérebro lhe tivesse pregado uma partida.

Poucos segundos depois a carruagem parou, e a filha do xerife estranhou isso pois ainda não tinham saído da floresta de Sherwood. Quando colocou a cabeça por fora da janela, para perguntar ao cocheiro o que se passava, viu dois rapazes de arco apontado à sua porta e sentiu um calafrio.

- Saia da carruagem, se fizer favor – Disse um deles, com um sorriso de gozo no rosto.

- Menina, fique aqui, eu…

- Não – Elisabeth cortou a palavra a Aliena – São ladrões, se lhes dermos o que querem, partem e podemos continuar viagem. Fica tu aqui.

A rapariga abriu a porta do coche e saiu, vendo mais dois rapazes em frente aos cavalos, com o arco apontando ao cocheiro.

- Peço-vos que não o magoem – falou ela calmamente – Deixem-nos continuar com a nossa viagem, e nenhum mal vos será feito –

Todos os quatro começaram a rir, atitude da qual Elisabeth não gostou nada – Não sabem quem eu sou?

- Sim. A filha do xerife de Nottinghan. Acredito que nos podes providenciar grandes riquezas – falou o rapaz – Agora a pergunta é… não sabes quem eu sou? – Elisabeth engoliu em seco – Sou o Robin Hood, e tu… vens comigo.

Num movimento rápido Robin agarrou na rapariga ao colo, pendurando-a no seu ombro contra os seus protestos, e começou a correr com ela para dentro da floresta, enquanto Aliena gritava que a largassem. Também os seus companheiros correram atrás, enquanto Elisabeth exigia que a largassem e a deixassem seguir em paz.

Já após algum tempo a correr, Robin pousou-a no chão, perto das tendas do acampamento, e logo Elisabeth se voltou para trás para tentar correr, mas embateu em Robert.

- O que querem de mim?! – Gritou ela, voltando-se de novo para Robin – Todo o meu dinheiro estava na carruagem, podiam tê-lo roubado!

- Porquê roubar pouco, se podemos ter mais? – Perguntou Robin, sorrindo-lhe. Elisabeth sentiu um calafrio, podia não gostar dele, mas não podia negar que era atraente.

- Porque vocês são foras de lei. Tudo o que vos importa é roubar, roubar, roubar! E o meu pai…

- Sim! – Disse Percy, interrompendo-a – Falando no xerife… como é que conseguiu ter uma filha tão bonita, como esta lady que se estende perante os nossos olhos? – O rapaz ia-lhe agarrar na mão, mas Elisabeth deu-lhe um murro no nariz, o que fez com que todos rissem.

- Consigo ver a semelhança – brincou Alfred – Como te chamas?

- Porque te deveria dizer o meu nome, quando não sei os vossos? – Retorquiu ela.

- Eu já te disse, sou Robin Hood – disse Robin – E estes são o Alfred, Robert, e Percy.

Elisabeth riu.

- Não és Robin Hood – acusou – Terias que ter pelo menos cinquenta anos!

- Sou o seu filho – retorquiu Robin.

- Elisabeth – afirmou a rapariga – Chamo-me Elisabeth. O que planeiam fazer comigo, Robin Hood?

Robin sorriu, e voltou-se então para Percy.

- Vai ao castelo em Nottingham e reporta o sucedido ao xerife. Certamente que o cocheiro o fez. Diz-lhe o nosso preço – mandou, ao que Percy assentiu, começando a caminhar imediatamente.

- Vais-lhe pedir dinheiro para me soltares?! – Perguntou Elisabeth, incrédula – O meu pai já me tinha dito quão desprezível eras, mas isto é pior do que qualquer coisa que tenha imaginado.

- Eu? Desprezível? – De novo, Robin riu.

- Nós roubamos dos ricos, para darmos aos pobres – afirmou Alfred – E a única razão para o fazermos, é o teu precioso pai.

- Desculpa?! O meu pai é um herói nestas terras, é…

- É um assassino! – Gritou Robert, fazendo com que Elisabeth se calasse. Não, o seu pai não podia ser um assassino – É um assassino sem coração. Um homem que ama tortura. Que ama tudo de mal.

- Estás errado! – Gritou ela – Não sabem nada sobre ele!

- Há quanto tempo não o vês? – Perguntou Alfred – Dez anos? Quinze? Homens mudam, Elisabeth.

A rapariga abanou a cabeça e tentou dirigir-se a uma árvore, mas eles mal a deixaram mexer-se. Não iria conseguir escapar tão depressa, restava-lhe esperar.

Quando a noite chegou, e ao contrário do que pensou, Robin deu-lhe comida e desculpou-se por ter que a amarrar à árvore, para que não escapasse. Ela remeteu-se ao silêncio, como tinha feito todo o dia, e esperou que todos adormecessem.

- Não posso continuar aqui – afirmou para si mesma, quando viu que já os quatro, pois Percy já tinha regressado, dormiam.

Levantou o seu vestido comprido e, das suas botas pretas, retirou um pequeno punhal lá escondido. Ela conhecia as histórias do Robin Hood, achou melhor prevenir-se. Começou a cortar as cordas e, quando finalmente se libertou, correu o mais que pôde. Correu e não olhou para trás.

Estava escuro, e Elisabeth não conhecia Sherwood, mas mesmo assim foi dar a uma pequena vila. Bateu a algumas portas e, após ter sido mandada embora várias vezes, uma mulher com trinta e poucos anos deixou-a entrar e deu-lhe abrigo.

- Asseguro-lhe que será recompensada – prometeu Elisabeth, ao entrar.

- Erin, quem é? – Perguntou um homem. Elisabeth sentiu-se mal quando o viu. Tinha um aspecto doente, e para além disso faltava-lhe uma mão. Ela não conseguiu deixar de ficar fixa naquilo.

- Vês isto? – Perguntou Erin, a mulher, apontando para o braço do marido – Não pôde pagar um imposto, por isso cortaram-lhe a mão. O xerife… o xerife… Querido, esta rapariga vai ficar aqui connosco esta noite, está bem? Nós temos pouco, mas se pudermos ajudar…

Elisabeth engoliu em seco. O xerife.

Os dois foram bastante acolhedores. Deram-lhe um cobertor e ofereceram-lhe comida, mas era evidente que tinham pouco, mesmo apenas só para eles.

- Posso-vos perguntar alguma coisa? – Perguntou-lhes, enquanto os via a comer um pequeno bocadinho de pão, cada um.

- Claro – respondeu o homem.

- O Robin Hood… o que…

- Oh, o Robin! – Exclamou Erin, sem a deixar acabar – Ele é a nossa salvação. A nossa e a de muita boa gente. Rouba para nos dar, mas apenas de gente a quem o dinheiro não faça falta. É a razão pela qual temos pão, e mantemos a nossa casa, e pagamos os impostos… é um verdadeiro herói.

Elisabeth assentiu. Toda a sua vida tinha ouvido coisas más sobre ele, e crescido a idolatrar o pai, e, de súbito, tudo estava ao contrário. Seria aquele rapaz de olhos azuis, de facto, um herói?

Quando amanheceu, Elisabeth saiu da casa de Erin, deixando-lhe apenas um bilhete a agradecer. Queria encontrar Robin, queria esclarecer tudo. Estava prestes a entrar na floresta quando viu vários cavalos a entrarem na vila, e viu o seu pai montado naquele que ia à frente. Estava igualzinho. O cabelo um pouco mais grisalho, mas igual ao que se lembrava.

Não conseguiu evitar sorrir e precipitar-se até lá, mas, à medida que se aproximava, conseguia ver melhor o que se passava e ouvir o que o xerife dizia.

- Isso não é desculpa – dizia ele – “Não tenho mão”, “as minhas vacas não dão leite suficiente”, “tenho filhos para alimentar” – dizia ele com voz de troça – Então e impostos, hum? Alguém tem que os pagar! Cortem-lhe a mão, deve ser feito um exemplo!

Uma lágrima escorreu-lhe pelo olho nesse momento. Ele era mau! O Robin não tinha mentido, o xerife era mesmo mau!

- Cá estás tu! – Ouviu, por trás de si – Sabia que não podias ter ido muito longe…

Ela não pensou muito. Aliás, não pensou. Voltou-se para Robin e limpou as lágrimas, mas não a tempo de não o deixar notar.

- Impede-o – pediu, aproximando-se do rapaz e retirando-lhe a corda que tinha no cinto, enrolando-a à volta dos pulsos. Puxou-o para que ficassem no campo de vista de todos, ainda sem lhe explicar o que se passava – Ajuda! Alguém me ajude! – Gritou ela – Por favor!

Os cavalos voltaram-se, e o xerife abriu a boca numa exclamação, ao ver a filha. Aí Robin percebeu, e agarrou no braço da rapariga.

- Trouxeste o meu dinheiro, xerife? – Perguntou ele – Ou devo cortar-te a mão?

- Por favor pai! – Implorou Elisabeth, surpreendendo Robin. Ela fingia bem.

- Larga-a – ordenou o xerife, descendo do cavalo – Larga-a já!

- O dinheiro primeiro – exigiu Robin.

- Pai… - murmurou Elisabeth.

O xerife assentiu e passou uma bolsa com dinheiro para Robin, que a apanhou no ar.

- Muito bem – disse o rapaz, sorrindo. Fez um pouco de força no braço de Elisabeth, voltando-a para si, e depositou-lhe um beijo nos lábios apanhando-a desprevenida – E obrigado.

Mandou-a para cima do xerife e começou a correr para a floresta, enquanto os soldados o seguiam.

- Aquele…. Aquele…! – Crucificava o xerife – Oh Elisabeth, estás bem? Estava a reunir um pouco mais de dinheiro… oh filha, que bom ver-te.

Mas a rapariga não se sentia assim. Toda a animação de o ver passou quando descobriu no monstro em que se tornara.

Ao longe viu Robin lutar contra cinco guardas, e ainda sim sair em liberdade. Era fora do normal.

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