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Robin Hood - The Legend

por Andrusca ღ, em 24.03.12

Parte 5 – Dinheiro Para os Pobres!

 

- Estamos entendidos, James? Se estragas isto eu vou fazer da tua vida um inferno! – Disse o xerife, num tom intimidador. Elisabeth encontrava-se do outro lado da porta fechada, a espreitar pela fechadura, sem perceber grande coisa do que se passava lá dentro.

- Sim milord – disse James.

- É demasiado dinheiro para cair nas mãos dos fora de lei. Amanhã às quatro horas quero-o cá todo James! Sem erros! Mete todos os guardas que tiveres a seguir aquela carruagem, se for preciso!

James assentiu, e depois olhou para a porta como se pressentisse algo. Elisabeth engoliu em seco, não podia ser apanhada ali a espiar. Pensou rápido, enquanto o via aproximar-se, e após se endireitar bateu à porta. James abriu-a, e olhou desconfiado para a rapariga.

- James! – Exclamou ela, como se não esperasse vê-lo lá – Vinha perguntar uma coisa ao meu pai, mas se estão ocupados…

- Não, já terminámos – disse o xerife – Fala.

- Vinha saber se o nosso passeio de amanhã continua em pé. Prometeu levar-me a conhecer as vilas, lembra-se? – Perguntou ela. O xerife suspirou.

- Já não posso – Elisabeth assentiu, encolhendo os ombros. Já estava à espera – O James que te leve, não demorem, ele tem coisas para fazer de tarde.

- Claro milord – disse James.

- Certamente – concordou Elisabeth.

Depois de desejar as boas noites aos dois, a rapariga dirigiu-se ao seu quarto onde Aliena já se encontrava a preparar-lhe a roupa de dormir. Elisabeth fechou a porta e olhou pela janela. Já era tarde, a escuridão tinha invadido a rua e já pouca gente por lá andava.

- Aliena, preciso que me emprestes as tuas roupas – proferiu, para espanto da aia.

- Porquê milady ? – Perguntou-lhe.

- Preciso de sair e não posso ser vista… não te preocupes, não demoro. Entretanto fica no quarto, vou precisar de ajuda para voltar.

Trocaram as roupas e Elisabeth ficou com um vestido mais pobre, todo preto e apenas com uma renda da mesma cor na parte do decote. Vestiu também a capa preta que tinha no armário, e escondeu os cabelos loiros dentro do capucho. Atou a ponta de uma corda aos pés da cama, e depois lançou-a pela janela.

- O que vai fazer? – Perguntou Aliena, ao observar a cena.

- Quando descer, puxa a corda para cima. Eu assobio quando voltar, e então mandas-me a corda.

- Mas isso é perigoso, é…

- Se o Robin consegue, eu também consigo. Não te preocupes, Aliena.

Empoleirou-se na janela e agarrou-se à corda. A verdade é que já não era a primeira vez que se esgueirava por uma janela. Costumava fazê-lo quando era mais pequena, com o seu amigo Frederick, quando tentava escapar às freiras. Quando chegou ao chão, deu um puxão na corda para indicar a Aliena que a subisse, e a aia assim o fez. Começou então a andar num passo apressado até à muralha, passando pelo portão de cabeça baixa, para que os guardas não a reconhecessem. Andou o mais depressa que conseguiu até à floresta, mas foi aí que viu a falha no seu plano. Como é que ia conseguir encontrar Robin no meio daquela escuridão e daquela floresta enorme? Ele podia estar em qualquer lado.

- Talvez ele me encontre a mim – pensou em voz alta.

Continuou a andar, fazendo barulhos enquanto pisava nas folhas secas, e passando por cima de raízes das árvores que saíam do chão.

- Pára – ouviu, por trás de si. Já conseguia identificar a voz, mas não a que desejava ouvir – Os pobres andam a passar fome, por isso se quiseres sair desta floresta, podes partilhar um pouco da tua riqueza.

Elisabeth revirou os olhos e voltou-se depressa, tirando o capucho da cabeça.

- Onde está o Robin, Robert? – Perguntou ela.

- Elisabeth – constatou Robert, baixando o arco. Deu um assobio e, de trás de árvores e arbustos, apareceram os outros três – O que fazes por aqui a estas horas?

- Tenho uma coisa para vos dizer – disse ela, quando Percy, Alfred e Robin se aproximaram.

- Beth! Não nos víamos há uns dias – comentou Robin, sorrindo-lhe com aquele ar de engatatão – Tiveste saudades minhas?

- A cada minuto – disse ela, sarcástica – Ouçam, amanhã às quatro horas chega um carregamento a Nottingham. É ouro, bastante. O meu pai deixou-o ao encargo do James, e ele vai usar bastantes guardas para se assegurarem de que o carregamento chega ao seu destino.

- Precisamos de arranjar uma maneira de o apanhar – murmurou Alfred.

- Vieste todo este caminho, só para nos dizeres isso? – Perguntou Robin.

Elisabeth assentiu.

- Eu disse-te – disse ela – Sou-te leal a ti. Vir para aqui e ver no que o meu pai se tornou, o que tem feito… se houver alguma coisa que eu possa fazer para vos ajudar, fá-lo-ei.

- É incrível! – Exclamou Percy, lançando os braços ao ar – Ele consegue sempre a rapariga!

Robin revirou os olhos e Elisabeth fez o mesmo, o que fez com que Robert e Alfred se rissem. A rapariga corou, e abanou a cabeça.

- Isso é porque eu sou bonito – disse Robin, num tom de gozo. Esticou então a mão para Elisabeth – Vamos, eu levo-te até Nottingham. Está tarde, temos um cavalo aqui perto.

Elisabeth assentiu e agarrou na sua mão, deixando-se guiar por ele. Caminharam até um cavalo castanho, e Robin subiu para ele, auxiliando depois Elisabeth. Esta agarrou-se a ele pela cintura, e o cavalo começou então a andar devagar.

- A este ritmo chegava mais depressa se fosse a pé – comentou a rapariga.

- Nunca estás contente, pois não? – Perguntou Robin, rindo-se. Elisabeth riu-se também.

- Como é que vão apanhar o dinheiro?

- Não sei ainda. Havemos de pensar num plano. Aquele dinheiro pode alimentar muitas pessoas.

- Bem, se precisarem de ajuda…

- Não te vais pôr no meio da linha do fogo – cortou-lhe ele a palavra – Agradeço pelas informações, mas é melhor se ficares fora de perigo – O cavalo parou, tinham chegado ao fim da floresta de Sherwood – Não te posso levar para mais longe.

Elisabeth assentiu e, depois de Robin descer do cavalo, ajudou-a também a ir para o chão. Encontrou-se entre ele e o cavalo, estando demasiado apertada.

- Posso-te perguntar uma coisa? – Perguntou Robin, num sussurro, enquanto desviava uma mecha de cabelo loiro para trás da orelha de Elisabeth.

- O quê?

- Estar connosco significa estares contra o teu pai. É uma coisa que estás disposta a fazer? – Ela engoliu em seco – Porque se não for, dizeres que me és leal não é suficiente. Primeiro, tens que te ser leal a ti mesma.

- Vou ver as vilas amanhã – murmurou ela – Se encontrar o que espero encontrar… então isso significa que o xerife deve ser parado. E então estou do teu lado. Podemos combinar desta maneira?

Robin assentiu e aproximou-se um pouco mais, deixando-os separados apenas por milímetros. Viu, aos poucos, a bochechas de Elisabeth ficarem coradas, e sorriu.

- Combinado – sussurrou-lhe –, entretanto vou tentar descobrir como conseguir o dinheiro.

Confiante de si, quebrou o espaço que o separava dela com a ideia de lhe depositar um beijo nos lábios mas, para sua surpresa, Elisabeth inclinou-se para trás e pousou-lhe uma mão no seu peito.

- Lá porque consegues sempre a rapariga, não significa que me vais conseguir a mim – proferiu ela, contornando-o e metendo o capucho na cabeça – Boa sorte amanhã.

Robin mordeu o lábio e pousou a cabeça no cavalo, suspirando. Montou nele e dirigiu-se ao acampamento, onde já estavam os seus amigos. Deixou o cavalo junto dos outros e foi para ao pé da fogueira, com um ar pensativo.

- Temos que conseguir aquele dinheiro – disse Robert.

- Mas como? – Perguntou Percy – O que achas Robin? Robin?

- Sim – disse Robin, sem saber qual era a conversa.

- No que pensas? – Perguntou Alfred, levantando-se do chão e indo ao seu encontro. O rapaz não lhe respondeu – A filha do xerife. Tens a certeza que isso não é um grande embuste qualquer? Afinal ela é filha dele, achas que te ia ajudar assim, sem mais nem menos?

- Ela salvou-me a vida – proferiu Robin –, se fosse como o pai não o faria.

- Faria se fosse para nos enganar – pensou Percy – Mas o queres dizer com isso? Quando é que te salvou a vida?

Robin suspirou e encostou-se a uma árvore, virado literalmente para o seu grupo.

- Quando fomos resgatar o Alfred – explicou Robin – Um arqueiro disparou sobre mim e a Elisabeth mandou uma flecha sobre a dele e pregou as duas à muralha. Foi incrível… a técnica, a pontaria… por isso acho devíamos confiar nela.

Um “hum” geral surgiu, criando depois um certo silêncio.

-Tu gostas dela – acusou Robert, num tom de gozo – E eu acho que ela não te dá muita trela. Provavelmente é por isso que gostas dela.

- Vamos acabar com esta conversa! – Robin voltou-se totalmente para os amigos e pôs as mãos na cintura – Vamos pensar num plano para conseguir aquele dinheiro para os pobres.

 

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