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Robin Hood - The Legend

por Andrusca ღ, em 25.03.12

Parte 6 – Uma Carta

 

- E a que vila vamos de seguida? – Perguntou Elisabeth a James, que ia num cavalo a seu lado.

- Locksley. Aproveito e recebo os impostos, está na altura disso – respondeu ele.

- Locksley? Não é daí que é o Robin Hood? Robin de Locksley?

Ele olhou para ela visivelmente chateado. Robin Hood. Odiava-o.

- O primeiro, sim – contou – Robin de Locksley. Mas já está velho agora. O seu filho nasceu na floresta, pelo que se sabe. Robin de Sherwood. Homem sem títulos, fora de lei, falhado.

- Não gosta dele – constatou a rapariga.

- Desprezo-o.

Ela assentiu com a cabeça. Até à altura, James estava a ser um bom companheiro de viagem. Era preocupado com ela, e sabia falar bem e ser cavalheiro, mas ela sentia que havia alguma coisa de errado com ele. Como se o que mostrasse fosse uma máscara. Um príncipe a esconder um monstro.

- É ali – apontou ele, sorrindo.

Os cavalos andaram depressa, e poucos minutos passaram até passarem as cercas para dentro da pequena vila de Locksley. Assim que os viram, Elisabeth viu a postura das pessoas a mudar. Estavam assustadas.

- Posso dar uma volta, enquanto recebe os impostos? Prometo não demorar – pediu Elisabeth.

- Claro, poucos minutos.

A rapariga desceu do cavalo, que deixou entregue a um dos três guardas que os acompanhavam, e começou a andar por entre as pequenas e simples casas. As pessoas olhavam para si com desdém, e algumas com medo. A notícia de que era a filha do xerife tinha-se alastrado depressa. Viu um pequeno rapaz, com não mais de dez anos, a tirar uma maçã de uma banca e a afastar-se sorrateiramente, mas um dos guardas viu-o e depressa o agarrou.

- A roubar? – Perguntou ele, sacando da espada – Deves perder uma mão por isso!

- Pare! – Gritou Elisabeth, arrancando o rapaz das mãos do guarda – É apenas uma criança.

- É um ladrão! – Discutiu o guarda.

Elisabeth começou a remexer na mala que trazia e de lá tirou uma moeda, que entregou ao dono da banca.

- Ele não roubou nada – disse a rapariga – Está pago, eu ofereço-lhe.

- É demasiado – disse o dono da banca, para ela.

- Então pegue em algumas maçãs e distribua por quem precise. Ninguém precisa de perder uma mão.

Depois disso regressou, com o guarda, para ao pé de James que se encontrava a recolher os impostos. Chegou mesmo a tempo de o ver sacar da espada e cortar a mão a um homem já velho, e, sem se conter, soltou um grito de horror. Todos olharam para ela, e ela apressou-se a dirigir-se ao velho e a ampará-lo.

- Porque fez isso?! – Gritou ela, para James – Sir James!

- Ninguém tem desculpas para não pagar os impostos. Se não forem castigados, ninguém pagará – justificou James – Vamos Elisabeth, o nosso trabalho aqui está feito.

- Mas…

- Elisabeth! – Ela ficou a olhar para ele petrificada. A maneira como o tinha feito, o brilho no seu olhar. Não era o mesmo James com quem passara a manhã – Tenho coisas para fazer na parte de tarde.

Elisabeth engoliu em seco e levantou-se, largando o velho a custo, e dirigiu-se ao seu cavalo subindo-lhe para cima. “Fiz a minha escolha”, afirmou para si mesma, “o xerife deve ser parado”.

 

*

 

- Apenas admite! – Insistiu Alfred, enquanto a espera perdurava.

- Admito o quê?! – Fez-se Robin de parvo.

- Oh por favor – Robert revirou os olhos – Admite que ela te dá a volta à cabeça!

- Quem? – Os dois, ao mesmo tempo, deram um calduço a Robin que olhou para eles nada contente – Está bem! Posso admitir que ela é… diferente.

- Olhem só, o nosso garanhão está-se a apaixonar – gozou Percy.

- Cala-te – mandou Robin, já chateado – Olhem, lá vem a carruagem.

Já eram quase quatro da tarde, e tal como Elisabeth tinha informado, a carruagem vinha bem protegida. Havia dez guardas, e James.

- Como queres fazer isto? – Perguntou Alfred.

- Tu e o Robert tratam dos guardas de trás primeiro, e depois o Percy e eu dos da frente, com a vossa ajuda. Vamos apanhar aquele dinheiro.

Tal como dito, foi feito. Alfred e Robert foram primeiro, e depois ajudaram os amigos a derrotar o resto dos guardas.

- Dá-nos o dinheiro, James – exigiu Robin, com o arco apontado a ele.

- Nunca! – James saltou do cavalo e empunhou a espada, mas antes que pudesse atacar Robin soltou a flecha e esta fez com que a espada saísse disparada da mão do inimigo – Eu… vou… apanhar-te, Robin Hood.

Robin riu-se, e deu um murro a James, mandando-o ao chão. Entraram na carruagem e abriram a arca cheia de moedas de ouro, pondo-as para dentro dos sacos que tinham. Depois desapareceram pela floresta, como se fossem elementos naturais vindos dela.

- Viste a cara dele? – Perguntou Alfred, enquanto andavam de regresso ao acampamento – “Eu vou apanhar-te, Robin Hood”. Que falhado!

Robert soltou uma gargalhada.

- Sim, foi bastante engraçado – concordou.

- Vamos lá, pessoal, temos que dividir este dinheiro porque hoje ainda temos entregas para fazer – advertiu Robin – Há pessoas a precisar deste dinheiro.

Já no acampamento, separaram o dinheiro em sacos mais pequenos, para as pessoas a quem o iam dar. Pouco deixavam ficar para si, apenas para o essencial. Separaram-se então. Alfred e Robert seguiram para Locksley, Percy para Knighton e Robin para Nottingham.

 

*

 

- Pss – ouviu Elisabeth, enquanto remexia numas roupas no mercado de Nottingham. Olhou para os lados mas não viu ninguém por isso continuou a fazer a tarefa que fazia antes – Pss – de novo, olhou em volta. A poucos metros viu uma silhueta mais alta que ela, de capa castanha escura e capuz pela cabeça. Olhava para baixo, e por isso não era fácil ver quem era, mas a rapariga sorriu.

- Não devias estar aqui – advertiu, remexendo de novo nos vestidos, enquanto Robin lhe imitava o gesto, para disfarçarem –, podes ser apanhado.

- Vim entregar dinheiro – sussurrou o rapaz, que largou as roupas e agarrou na mão da rapariga, puxando-a para a lateral de uma casa, que ia dar a um beco sem saída.

- O que é que estás a fazer? – Perguntou Elisabeth. Encostou-a à casa e colocou as suas mãos apoiadas na parede, deixando-os bastante próximos – Sentes-te confortável com a proximidade, não sentes?

Robin riu-se e olhou para baixo, para depois retirar o capuz da cabeça.

- Para falar a verdade, sim, até me sinto – admitiu. A rapariga revirou os olhos e encolheu os ombros.

- Não tinhas dinheiro para ir entregar? – Perguntou-lhe, numa tentativa de o fazer ir. Ela não se sentia confortável com a proximidade, ao contrário dele. Fazia-a sentir-se estranha, com o estômago a andar à volta e o coração a palpitar mais depressa. Mas apenas com ele. Apenas com aquele fora de lei. Apenas com o Robin Hood, o pior adversário do seu pai.

- Estou curioso – murmurou ele –, como foi a visita às vilas?

Elisabeth respirou fundo, batendo com o seu peito na caixa torácica do rapaz, de tão perto estarem, e dirigiu o olhar para ao lado.

- Quando ouvir mais qualquer coisa pelo castelo, arranjo maneira de saberes – limitou-se a responder. Robin sorriu.

- Então já te decidiste?

Elisabeth voltou a olhar para ele, dando com a sua cara mais próxima, e ficou presa àquele olhar azul cor de mar. Os olhos mais lindos que alguma vez tinha visto.

- Sim – confirmou, quando acordou daquele transe. Robin sorriu-lhe e aproximou-se lentamente, chegando os lábios aos dela, porém Elisabeth parou-o com o dedo, o que o fez abrir de novo os olhos – Não te vou beijar.

Robin suspirou, frustrado, e retirou as mãos da parede, desviando-se ligeiramente dela.

- Vá lá Beth, porquê? Eu sou bonito, certo? – Perguntou, presunçoso, enquanto fazia aquele sorriso irresistível – E corajoso, e engraçado, e…

- É Elisabeth – disse Elisabeth, esgueirando-se pelo lado e dando poucos passos para trás, sem nunca parar de olhar para ele.

- Bem, para mim pode ser diferente! – Exclamou ele, em tom de brincadeira, abrindo os braços.

A rapariga riu-se e voltou-se para a rua, começando a andar.

- Vemo-nos por aí, Robin Hood – despediu-se, continuando a andar.

 

*

 

- O que é isto? – Perguntou Elisabeth, a Aliena, ao ver uma carta em cima da mesinha que tinha dentro do quarto.

- Chegou para si hoje – esclareceu a aia –, e por isso trouxe-a para aqui. Milady, posso-lhe fazer uma pergunta?

Elisabeth olhou para ela desconfiada, que viria dali?

- Sim.

- Sabia que o Robin Hood e os seus homens apanharam o dinheiro que estava a vir para Nottingham?

- Não… o James está bem? – Disfarçou ela. Aliena olhou-a directamente.

- Eu conheço-a – afirmou a aia. Elisabeth suspirou – Vai-se meter em problemas com esta história toda.

- Estou só a seguir o meu coração, Aliena. Foi o que me disseste para fazer, ou não foi?

- Mas…

- Podes sair agora? Estou cansada e quero descansar antes do jantar. Por favor?

Aliena suspirou, assentiu com a cabeça, e saiu. Elisabeth sentou-se à mesa pequena e abriu a carta, com expectativa do que seria. Reconheceu de imediato a caligrafia.

 

Querida Elisabeth, como estás? Espero que toda a estadia na Inglaterra esteja a ser do teu agrado e que te estejas a dar bem com o teu pai. As freiras andam-me a dar cabo da cabeça, isto não é fácil sem ti. Por isso, fiz uma escolha: vou-te visitar. Prepara a minha chegada, pode ser? Estarei aí em Nottingham no primeiro dia do mês que vem.

Um grande beijo e espera por mim, querida amiga…

Frederick.

 

A rapariga abriu nos lábios um sorriso genuíno.

- Frederick – murmurou, contente.

 

Eu disse que este não ia demorar a chegar ;)

Se comentarem talvez o outro venha com a mesma rapidez (a)

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