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Robin Hood - The Legend

por Andrusca ღ, em 26.03.12

Parte 7 – O Robin Hood? Com Ciúmes?

 

O vento soprava moderadamente por entre as folhas. O seu ruído era relaxante, e Elisabeth pessoalmente adorava. Encontrava-se deitada no chão, de barriga para cima, e de olhos fechados com o sol a bater-lhe na cara. Sentia-se calma, era um dos poucos momentos de paz dos quais tinha desfrutado deste que chegara a Inglaterra.

De súbito o seu sol foi tapado, e ela abriu os olhos, revirando-os de seguida.

- À minha procura? – Robin sorriu-lhe e, sem dizer mais nada, deitou-se ao seu lado, também no chão da floresta.

- Se te quisesse encontrar, teria ido ao acampamento – respondeu Elisabeth. Robin e os seus amigos instalaram um acampamento fixo e bem camuflado, e então ficariam sempre no mesmo sítio.

- Não precisas de ser má – afirmou Robin.

- Desculpa.

- Mas o que andas a fazer aqui? – Elisabeth voltou-se para Robin, rodando o corpo no chão, e o rapaz riu-se – O teu cabelo vai ficar todo sujo.

- Eu lavo-o. Estava a relaxar. Este último mês tem sido de loucos… dar-te as informações, espiar o meu pai… Estava a aproveitar um pequeno momento longe de tudo. Claro que cometi um erro.

- Qual?

- Vir para a tua floresta. Devia saber que em Sherwood não ia ficar sozinha por muito tempo.

- Isso foi um erro – concordou Robin, rindo-se. Elisabeth suspirou e levantou-se, ficando sentada – Não te vás embora.

- Tenho que ir. Tenho visitas a chegar hoje, tenho que lá estar.

Ele assentiu-lhe com a cabeça, e levantou-se, dando-lhe a mão para a ajudar a fazer o mesmo.

- Gostava que não viesses a mim apenas quando tens informações do xerife – confidenciou, surpreendendo-a – Eu… eu gosto muito… gosto…

Elisabeth riu-se, e abanou a cabeça.

- Estará o engatatão de Inglaterra sem palavras? – Perguntou-lhe, num modo de brincadeira. Robin suspirou.

- Tu não facilitas – resmungou.

- Eu também gosto muito de ti – disse ela, colocando as suas mãos por trás do pescoço do rapaz –, e se pudesse, viria mais vezes.

Robin sorriu-lhe, e agarrou-lhe na cintura, encostando os corpos dos dois.

- Vais fugir de mim desta vez também? – Perguntou-lhe, baixinho.

Neste último mês várias coisas tinham acontecido. Os fora de lei tinham feito mais roubos, o xerife andava mais chateado, e Elisabeth apercebera-se de que o que a unia a Robin Hood não era apenas o sentimento de justiça. Era um sentimento, sim, mas não apenas de justiça.

- Sim – admitiu, dando-lhe um beijo na bochecha e desviando-se. Mesmo querendo, ela nunca o deixava aproximar-se mais do que devia. Nunca.

- Nunca vou conseguir esse beijo, pois não Beth? – Perguntou-lhe ele, gritando-lhe para que ouvisse.

- Adeus, Robin. E é Elisabeth – respondeu-lhe ela. Ele abanou a cabeça e deu um pontapé nas folhas do chão, frustrado.

 

*

 

- Ele está a chegar – insistiu Elisabeth, para com o pai.

- Estou aborrecido – queixou-se o xerife – Quanto mais tempo teremos que esperar?

- Apenas um pouco mais… olhe! Ali vem ele!

Um cavalo preto entrou pelo portão, e em cima dele vinha um rapaz de cabelos loiros, compridos e atados num rabo-de-cavalo, com roupas simples. Elisabeth precipitou-se até lá, a correr, e assim que o rapaz desceu do cavalo mandou-se para ele num abraço.

- Frederick! – Afirmou, depositando-lhe depois um beijo na bochecha – Que saudades!

- A quem o dizes! – O rapaz rodopiou-a antes de a descer e depois dirigiram-se os dois ao xerife – Muito prazer, milord.

- Sim, sim, o prazer é meu – disse ele, com ar de superioridade – Fica pelo tempo que quiseres. James! James! Não haverá um enforcamento hoje? Porque é que ainda ninguém foi enforcado hoje?!

Frederick olhou para Elisabeth de uma maneira estranha e esta apenas encolheu os ombros. Era escusado tentar compreender o xerife, este último mês ensinara-lhe isso. Levou o rapaz para dentro do castelo e deu-lhe uma visita guiada, levando-o depois para o quarto em que ia ficar hospedado.

- É grande – comentou ele, sentando-se na cama.

- Sim, pois é – concordou ela, fechando a porta e dirigindo-se à janela – Desculpa o meu pai, ele é…

- Pelas cartas, não parece bom – interrompeu ele, levantando-se e chegando-se ao pé da amiga.

- Não é – admitiu ela, voltando-se e abraçando-o pela milionésima vez – Ainda bem que cá estás, torna tudo mais fácil. O que queres fazer? Escolhe qualquer coisa, ainda é cedo, temos a tarde inteira.

- Hum… chega aqui, senta-te – a rapariga obedeceu e sentaram-se ambos na cama – Conta-me tudo o que se passou desde que chegaste.

Ela engoliu em seco. Ele tinha escolhido a única coisa que ela desejava que não escolhesse.

- Bem… descobri que o meu pai é um animal sem coração – começou ela – Ele enforca pessoas a toda a hora, e corta-lhes as mãos por não pagarem os impostos que a cada semana são mais altos. O povo vive em medo.

- Elisabeth, porque não voltas comigo para França? Lá…

- Não. Não posso. Tenho que fazer qualquer coisa para mudar isto. Eu vou mudar isto.

- Como? És apenas uma rapariga, Elisabeth. Sempre tiveste esse espírito lutador mas… os heróis passam por muito até serem heróis, não sabias?

A rapariga sorriu-lhe.

- Está errado. Não sou apenas uma rapariga. Tenho amigos. Vem, vou-te mostrar.

 

*

 

- Trouxeste-me para o meio da floresta! – Exclamou Frederick, descendo do cavalo.

- Está calado. Sabes quem é o Robin Hood?

O amigo olhou para Elisabeth, curioso.

- Vivo na França, não no espaço. Costumávamos falar dele. Porquê?

A rapariga sorriu e baixou-se, desviando poucas folhas. Agarrou então uma roda de metal e puxou-a, levantando um pedaço de madeira camuflado pelas folhas. De lá de dentro viu Robert, Robin, Alfred e Percy de arco apontado a si, e deu um pulo de susto. Pois era, o novo esconderijo dos rapazes era bastante moderno. Subterrâneo, mas como se fosse uma casa autêntica.

- Pensávamos que eras outra pessoa, não te esperávamos aqui – disse Robin, baixando o arco.

- Não faz mal. Saiam, tenho uma pessoa que queria que conhecessem.

Os rapazes entreolharam-se desconfiados e, quando saíram, deram com Frederick a olhar para eles de boca aberta.

- Fred, conhece o Robin Hood – apresentou Elisabeth, orgulhosa de si – E estes são o Robert, o Alfred e o Percy. E malta, este é o meu amigo Frederick – Elisabeth sorriu e empurrou Frederick, fazendo-o chegar-se mais para o grupo.

Robin olhou para ela e, depois de suspirar, voltou costas e caminhou a passadas largas até alguns metros à frente e parou, pondo as mãos na cintura, ainda a olhar para a floresta do cimo do monte. Elisabeth olhou para os seus companheiros, que estavam com cara que caso.

- O que é que eu fiz? – Perguntou-lhes. Eles olharam-na como se fosse algo óbvio – Tudo bem, eu vou falar com ele. Fiquem com o Fred, sim?

Começou a andar na direcção de Robin e parou por trás dele.

- Robin? – O rapaz voltou-se para ela. Parecia aborrecido – O que é que fiz?

- Ainda perguntas? Dizemos-te a localização do nosso esconderijo e à primeira oportunidade trazes cá um estranho? – Sim, ele estava chateado. Elisabeth suspirou.

- Desculpa. Acho… é, tens razão, devia-te ter dito. Mas ele não é um estranho. É meu amigo. Crescemos juntos, na França.

- Não importa. Não percebes? Ele pode contar a alguém! – Robin falava a gesticulava ao mesmo tempo, e Elisabeth percebeu que o devia ter avisado – Não confio nele.

- Tens razão – admitiu, pondo as suas mãos na cara do rapaz – Mas confias em mim?

- Não é essa a questão.

- Confias?

Ele soltou-se das mãos dela e voltou-se de novo de costas.

- Confio.

- Eu confio nele – Elisabeth rodeou-o, pondo-se à sua frente, mas Robin voltou a virar-lhe as costas – Podes parar de agir como um miúdo e olhar para mim?

- É por causa dele que não me deixas aproximar-me de ti? – Ela foi apanhada desprevenida pela pergunta – É? Porque parecem bastante chegados.

A rapariga suspirou e voltou a contorná-lo, impedindo-o de se virar de novo ao agarrar-lhe nas mãos.

- Não tem nada a ver com ele – garantiu.

- Então porquê?

Foi a sua vez de desviar o olhar. Porquê? Porque é que todas as conversas com ele tinham que ir dar àquilo? Porque é que ia sempre de encontra ao que ela não queria falar?

- Porque complica as coisas. Eu ajudar-te é uma coisa, mas admitir… admitir que… que posso sentir alguma coisa por ti, torna tudo diferente.

Robin abanou a cabeça e bufou, voltando-se de seguida.

- Vergonha? – Perguntou – Afinal, sou um fora de lei.

- És um herói – ele voltou a olhar para Elisabeth, surpreendido com a sua resposta rápida – E admiro a tua força, e coragem, e a maneira como sonhas tão alto.

- Então não me afastes! – Ele agarrou nos braços da rapariga e esta permaneceu quieta, olhando-lhe apenas para os olhos azuis – Não me afastes, Beth.

Elisabeth abanou a cabeça e soltou-se dele, voltando-se e dando dois passos na direcção onde os outros estavam, decepcionando Robin, porém parou subitamente e voltou-se depressa, dando uma passada longa até ele e depositando-lhe um beijo nos lábios, apanhando-o completamente desprevenido. Mesmo assim, Robin levou a sua mão à cara da rapariga e a outra à cintura, puxando-a mais para si.

- Não te esqueças que foste tu a pedir – aconselhou a rapariga, quando separou os lábios dos dele, vendo um sorriso formar-se-lhe nesse mesmo sítio.

 

Vamos lá ver se daqui para a frente são só maravilhas... ou não (a)

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