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Robin Hood - The Legend

por Andrusca ღ, em 27.03.12

Parte 8 – A Morte da Mãe

 

- Tens a certeza que tens que ir? – Perguntou Robin, balançando-se de trás para a frente, como se de um miúdo se tratasse.

Elisabeth estava sentada num troco dobrado, à sua frente, e este agarrava-lhe nas mãos.

- Infelizmente sim. Já saí do castelo há algum tempo – disse ela.

- Não gosto disto – Robin largou-a e soprou, desviando-se poucos passos. A rapariga revirou os olhos e saltou para o chão, abraçando-se a ele por trás.

- Eu nunca disse que isto ia ser fácil – afirmou ela.

- Mas nunca temos tempo para estarmos juntos – reclamou Robin, voltando-se para ela – É pedir demasiado? Uma hora longe de tudo? Só tu e eu. Sem castelo, sem xerife, sem roubos. Tu, eu e Sherwood.

- Não podemos – lamentou ela, desviando-lhe o cabelo dos olhos – E por falar de roubos, vais hoje ao castelo, não vais? – Robin assentiu com a cabeça – Tem cuidado.

- Tenho sempre.

- Tens sorte – retorquiu Elisabeth, vendo-o rir-se.

- Eu sou bom!

- Não discordei disso. Disse que tinhas sorte.

- Fica mais um pouco – insistiu Robin, voltando à conversa de antes. Elisabeth revirou os olhos e abanou a cabeça, despedindo-se dele com um beijo na bochecha e começando a andar logo de seguida – És uma desmancha-prazeres!

- Volto amanhã – gritou-lhe, já à medida que subia para o cavalo.

 

*

 

- Despacha-te Alfred! – Exigiu Robin, enquanto o amigo subia pela corda até à janela do castelo. Alfred finalmente chegou ao seu destino, e Robin recolheu a corda; já estavam todos lá dentro – Todos sabem o que fazer? Encontramo-nos aqui numa hora. Não se atrasem.

Todos assentiram, e cada um seguiu o seu caminho. Cada amigo tinha como alvo uma divisão diferente do castelo. A Robin cabia-lhe ir assaltar o cofre no xerife, na sala do próprio. Elisabeth tinha-o avisado de que um novo carregamento de pedras preciosas tinha chegado no dia anterior, e que o xerife, por segurança, o tinha repartido e colocado em diferentes partes do castelo. Essas pedras eram o objectivo dos foras de lei.

Entretanto… enquanto Robin e os amigos andavam à busca da riqueza, Elisabeth encontrava-se no quarto, acompanhada de Frederick, que via os livros que a amiga lá tinha.

- Este parece interessante – comentou ele, apontando para um. Elisabeth riu, tinham aprendido a ler juntos, mas ela sempre fora melhor que ele.

- E é – concordou.

- Se te fizer uma pergunta, não te chateias? – A rapariga, que estava agora voltada para a janela, voltou-se para o amigo e fez uma expressão de interrogação.

- Não prometo nada – respondeu ela –, mas podes perguntar.

- Hum… - Frederick desviou-se da estante de livros e aproximou-se, também, já voltado para a janela, observando o exterior – Dizes que não queres voltar comigo para a França por causa do povo. E compreendo que o estejas a ajudar. Mas será só isso? Ou é por causa do Robin Hood?

Elisabeth corou ligeiramente, e respirou bem fundo.

- Eu quero justiça pelo povo de Nottingham, mas sim, acho que o Robin influencia um pouco a minha escolha – admitiu.

- Mas qual é a vossa relação exactamente? Elisabeth, és como uma irmã para mim, e eu acho que te arriscas demasiado. O que ele faz é perigoso, e ao dares-lhe informações do castelo estás-te a meter exactamente no meio. Estás a ser sua cúmplice. O que é que acontece se o xerife descobre? Se alguém descobre e lhe conta? Será que o Robin Hood vale todos esses riscos? Não consigo compreender. Não consigo compreender o que sentes por ele de modo a te colocares em risco de uma maneira tão prontificada. Diz-me.

- Ele é… não sei, Frederick, é diferente – Elisabeth encolheu os ombros e desviou-se, em direcção à cama – Luta pelo que acredita, percebes? E a força dele… a maneira como luta, como acredita no povo, a maneira como os defende… faz-me sentir… faz-me sentir… não consigo explicar. É único.

Frederick suspirou.

- Vais-te meter em problemas devido a esse sentimento único – adivinhou ele –, e então espero que ele sinta o mesmo por ti e tenha a decência de te ajudar.

 

*

 

Finalmente Robin, após esperar que o xerife saísse da sua sala, conseguiu entrar e ir directamente ao cofre. Abriu-o facilmente, com uma chave previamente concebida por Percy, que já tinha estudado a fechadura, e retirou todas as pedras preciosas para dentro do saco que levava. Ia sair quando ouviu passos e só teve tempo de se esconder atrás das cortinas.

- Ai James, esqueço-me sempre disto! – Ouviu o xerife reclamar, enquanto ia à gaveta da sua mesa e de lá tirava um pequeno punhal – Mas é como te digo! A Elisabeth está cada vez mais parecida à mãe, e não gosto disso.

- Pensei que fosse bom – comentou James – Afinal, é uma maneira de o fazer lembrar da sua falecida esposa, milord.

- Quem diz que me quero lembrar? Eu matei-a por um motivo, James. Não me obedecia, tinha ideias muito liberais e de igualdade. Parece que a minha filha não se escapou de lhe sair a ela. Temos que ter cuidado com ela.

- Você… você matou-a, milord ? – Enquanto James formulava a pergunta, Robin fazia uma expressão de pleno choque. Elisabeth sempre lhe dissera que a mãe morrera quando ela era muito nova, ainda bebé, mas que fora de doença.

- Bem, para outras pessoas, uma gripe foi o que a matou – disse o xerife, rindo-se – Vamos então! Estamos atrasados, já tenho o que queria!

Eles bateram com a porta ao sair, e Robin saiu de detrás das cortinas, ainda sem saber bem como reagir. Ele tinha que lhe contar, Elisabeth merecia saber como a mãe tinha morrido.

Saiu da sala do xerife com cuidado, e à espreita em cada canto à procura de guardas. Não tardou a chegar ao quarto da rapariga, entrando depressa mas silencioso. Elisabeth encontrava-se sentada numa cadeira, de costas, a ler um livro, e não se apercebeu da sua presença. Robin pousou o arco e o suporte com as flechas em cima da mesa, tal como o saco com as moedas, e aproximou-se dela em pezinhos de lã, por trás, depositando-lhe um beijo na bochecha que a fez saltar e depressa o empurrar, ainda sem ver que era ele.

- Robin! – Exclamou ela, baixo, levantando-se da cadeira – Credo, assustaste-me!

- Desculpa – lamentou-se ele, abraçando-a pela cintura e dando-lhe um beijo na testa – Pensei que tinhas dito que ias passar a tarde com o Frederick.

- Ele foi ao mercado, mas eu preferi ficar no castelo. Só para o caso de alguma coisa com vocês dar errado, queria-me certificar de que ninguém era apanhado.

- Nós temos que falar – a voz de Robin tornou-se séria, e Elisabeth afastou-se dele para lhe observar o semblante.

- Fala.

- Isto vai ser difícil para ti… mas tens que acreditar em mim – disse ele, a agarrar-lhe já apenas nas mãos – O teu pai quase me apanhou, na sua sala. Escondi-me, e ouvi-o a falar com o James. Estavam a falar de ti… e da tua mãe.

- Da minha mãe? Porquê? Ela está morta.

- Eu sei. O xerife matou-a – Agora foi a vez de Elisabeth ficar séria a olhar para ele.

- Não, ela morreu de uma grife – disse a rapariga.

- Não Beth, ele matou-a. Eras uma bebé, sabes o que ele te disse. Mas eu ouvi-o dizer ao James que a matou. Tens que acreditar em mim.

Elisabeth soltou-se das mãos do rapaz e deu poucos passos para os afastar um pouco mais. O ar estava a começar a custar a entrar-lhe para os pulmões.

- Ele não a matou, Robin, não acredito nisso! – Afirmou ela – Eu sei que ele mata muitas pessoas, e sei que as vidas não têm qualquer importância para ele… mas ele não a matou.

- Elisabeth…

- Não! – Elisabeth gritou, e Robin engoliu em seco – Vai, Robin.

- Mas…

- Não podes ficar, podes ser apanhado – justificou ela, apesar de ele ter percebido que tinha sido apenas uma desculpa para o colocar fora do quarto.

- Não fiques zangada comigo – pediu, aproximando-se dela e forçando-a a olhar-lhe nos olhos azuis – Achei que merecias saber.

O rapaz inclinou-se para lhe dar um beijo, mas Elisabeth desviou a cara, e Robin suspirou.

- Falamos depois – disse a rapariga. Robin apenas virou costas e agarrou nos seus pertences, não reparando que, ao voltar a pôr o suporte das flechas ao ombro, uma das flechas tinha caído e rodado ligeiramente para baixo da mesa.

Saiu pelo mesmo sítio por onde entrara, deixando Elisabeth entregue às dúvidas e pensamentos. “Ele não a pode ter matado… pode?”, perguntava-se ela.

Após poucos minutos de solidão, bateram à porta e ela deu ordem que entrassem. Viu então o seu pai, com James atrás. O xerife sorriu-lhe, calmamente.

- Pensava que estavas lá fora – comentou ele – Está um dia lindo – porém o seu sorriso desapareceu ao ver aquela flecha no chão, com aquelas penas cinzentas com riscas, a imagem de marca de Robin Hood. A filha não reparou.

- Preferi ficar no castelo, sentia-me cansada – mentiu-lhe a filha, mostrando-lhe também um pequeno sorriso, que deixava evidente que se encontrava abalada.

- Hum… vamos-te deixar, então. Vem James, temos coisas para fazer – ordenou o xerife. Saíram, e, assim que o fizeram, voltou-se para o seu braço direito e franziu o nariz – Vai verificar os cofres. Acredito que fomos roubados. Acho que temos um traidor, entre nós.

 

Não ia postar hoje, mas como amanhã não posso, pronto xD

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