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Robin Hood - The Legend

por Andrusca ღ, em 01.04.12

Parte 11 – Aprender com a Lenda

 

- Não te estás a esforçar! – Gritou Robin, quando mandou a espada que Elisabeth segurava para o chão.

Tinham passado duas semanas desde que esta tinha aparecido à porta do primeiro, genuíno e lendário Robin Hood e de Marian. Tem lá ficado desde então, e Robin acedeu ao seu pedido de que a treinasse. Com o arco deu provas de ser bastante experiente, e explicou que quando estava no convento costumava fugir com Frederick e iam os dois fazer tiro ao alvo para a floresta. Ela sempre foi melhor que ele nessa modalidade e, como a faz desde pequena, sente-se perfeitamente confortável com um arco na mão. Agora com a espada, a conversa era outra.

- Peço desculpa, é só que… - Elisabeth apanhou a espada e encolheu os ombros – Eu quero fazer isto bem, quero mesmo… Desculpe.

Robin respirou fundo. Ao princípio teve as suas dúvidas, e durante os primeiros quatro dias mal deixou que a rapariga lhe saísse de debaixo de vista. Temia que fosse uma espia, que tivesse mentido quanto ao que sentia pelo xerife, que tivesse fingido a sua vontade justiceira. Mas depressa se apercebeu que, se aquilo era de verdade fingimento, então Elisabeth era a melhor mentirosa que alguma vez conhecera. E ele já conhecera bastante gente assim.

- Talvez devêssemos parar um pouco – aconselhou, já mais calmo – Não te serve de nada fazeres as coisas sob pressão.

- Não! – Foi ela rápida na resposta – Por favor… eu vou fazer isto bem.

Robin riu-se.

- Eu sei que vais – descansou-a – Tens a alma forte o suficiente para isso. Mas eu estou a ficar velho, já não me mexo como nos dias de antigamente. Devíamos fazer uma pausa.

Elisabeth assentiu com a cabeça, e Robin sorriu-lhe.

- Vem, caminha comigo – pediu.

A rapariga assim o fez. Andaram os dois pelas árvores durante breves minutos, de espadas nas mãos e em silêncio, apenas com o chilrear dos pássaros como barulho de fundo.

- Sabes que dia é amanhã? – Perguntou Robin. Elisabeth negou – É dia do meu filho cá vir. Ele vem a cada quatro semanas, para trazer comida e outras coisas que precisemos.

- Mas ele não pode…

- Saber que cá estás. Já percebi isso – Elisabeth sorriu-lhe – Só tens que ficar fora de casa durante esse tempo. Mas o que não percebi é o porquê de ele não poder saber. Importavas-te de me explicar?

- Ele disse-me para ficar fora de toda esta confusão. Mandou-me ir para uma vila, para longe. Não me quer por perto Robin, e eu não estou a ficar por causa dele. Fico até arranjar uma maneira de solucionar o problema do meu pai.

- Mas…

- Não gosto de me impor quando sei que não sou bem-vinda. Tenho força de vontade, mas não gosto de ser um peso para alguém. E se ele me descobrisse aqui, arranjaria maneira de me fazer partir. E eu ainda não fiz o que tenho que fazer.

Robin suspirou e olhou para o céu por alguns momentos.

- Eu penso que apenas te queira proteger. É teimoso, como a mãe dele – disse – Não acredito que sejas um peso para ele.

Elisabeth encolheu os ombros. Sim, por momentos nem ela acreditara, mas após perder toda a sua utilidade para que a poderia ele querer? Nada. Agora apenas podia aprender com o melhor professor que alguma vez poderia sonhar em ter. Ter fé que um dia talvez se torne tão boa quanto ele e que aí possa realmente começar a ajudar as pessoas. Talvez o seu caminho se voltasse a cruzar com o de Robin, mas Elisabeth não fazia tenções de que tal acontecesse tão cedo.

- Peso, ou não, já não importa. Não tenho nada a ver com ele.

 

*

 

- Vais ver os teus pais? – Perguntou Alfred, ao ver Robin subir para um dos cavalos. Este assentiu – Voltas antes de escurecer?

- Como é hábito – respondeu-lhe – Não se metam em sarilhos.

Robin saiu do acampamento e galopou no seu cavalo até à pequena casa dos pais, bem escondida na floresta. Poucos sabiam da sua existência, e menos ainda sabiam como lá chegar.

- Olá? – Chamou, abrindo a porta com um saco de comida às costas. Marian e Robin apareceram logo e Marian envolveu o filho num abraço intenso, depositando-lhe depois um beijo na face.

- Estás mais magrinho – acusou logo, suspirando – Tens-te alimentado bem, Robin? Acho-te estranho…

- Credo mulher, não comeces – pediu-lhe o marido – Anda Robin, chegaste em boa hora, estava prestes a ir praticar tiro ao alvo.

- Não estás a ficar velhote para isto, pai? – Brincou Robin.

- Nunca se sabe quando é preciso alguma ajuda – advertiu-o o pai.

Saíram os dois para a frente da casa, e começaram a lançar flechas. Robin usou o arco que sempre usava, e o seu pai pediu a Marian que lhe trouxesse um de lá de dentro. E ficaram assim entretidos, durante bastante tempo.

Marian foi para dentro, para o quarto, e apressou-se a fechar a porta.

- Lamento, ele chegou mais cedo que o habitual – desculpou-se, a Elisabeth. A ideia era que ela não estivesse lá quando ele chegasse. Esta abanou a cabeça.

- Não faz mal.

- O Robin levou-o para a frente da casa, por isso podes sair por aqui sem seres vista. Ele sai ao pôr-do-sol – informou Marian.

Elisabeth assentiu e sorriu-lhe, murmurando um breve “obrigado” antes de sair pela janela. Primeiro correu depressa, para se certificar de que não era mesmo vista, mas então diminuiu o passo e passado algum tempo acabou por se sentar à margem de um pequeno rio.

Era estranho, todo este tempo longe de Robin tinha-lhe dado tempo para pensar nas coisas. Estava magoada com as suas palavras, e nunca iria rastejar de novo para ele, mas por outro lado, ao ouvir hoje a sua voz através da parede, era como se nada se tivesse passado. O orgulho que sentia, a angústia que ele a fizera sentir, nada disso importava. O seu coração continuava no mesmo lugar.

Ouviu, então, folhas a ser pisadas, ao longe, e quando voltou o olhar viu Robin e o seu pai a encaminhar-se para onde estava. “E agora?”, pensou, sem saber o que fazer. Subiu a uma árvore e lá se instalou, desconfortável, enquanto rezava que apenas ali estivessem de passagem. Mas não, os dois homens sentaram-se no chão e o Robin mais novo começou a mandar pedrinhas ao rio.

- E diz-me então, como vão as coisas com o xerife? – Perguntou Robin de Locksley. O filho encolheu os ombros.

- Iguais. Por muito que roubemos, ele nunca vai parar a atormentar a Inglaterra – lamentou.

- Da última vez que cá estiveste mencionaste que a sua filha tinha chegado a Nottingham. Disseste que ela podia ser uma poderosa aliada – puxou conversa. Elisabeth que, até à altura, se esforçava por se abstrair do facto de que o seu fora de lei preferido estava mesmo ali, começou então a tomar atenção à conversa dos dois. Notou que Robin, antes mais descontraído, mudara de maneira de estar mal o pai lhe colocou esta observação.

- Disse – concordou ele.

- E…

- E foi, uma grande aliada – Elisabeth engoliu em seco. “Uma grande aliada, claro”, pensou.

- “Foi”? O que aconteceu? – Perguntou-lhe o pai. “Sim, o que aconteceu?”, perguntou-se Elisabeth.

Robin, de novo, suspirou.

- Lembras-te de sempre me dizeres para nunca me deixar apegar muito? Que posso fazer qualquer coisa, mas que a partir do momento em que me apego a algo fico limitado? – O pai assentiu-lhe – Bem, não te ouvi. Deixei-me apegar a ela, e quando as coisas deram para o torto não soube o que fazer.

- Diz-me.

- O xerife descobriu que ela andava a dar-me informações, e decidiu enforcá-la. Evitámos isso, mas depois ela começou a falar em ficar comigo e com o grupo em Sherwood, e em armar grandes planos contra o xerife, a pensar em grandes saques e… essa não é… não é…

- A vida que queres para ela – Robin acabou a frase do filho, e este suspirou – Então preocupas-te com ela, ela não foi apenas uma aliada.

O filho abanou a cabeça.

- Desde o primeiro momento em que a vi… a maneira que ela reclamou comigo, a maneira como defendeu o homem que aos seus olhos era perfeito. Ela estava contra mim, mas eu… fiquei agarrado desde esse momento.

Elisabeth sentiu um nó na garganta e corou ligeiramente. Ela também tinha ficado “agarrada”. Ficara “agarrada” desde o primeiro instante, desde o primeiro encontro.

- E o que fizeste quando o xerife descobriu?

- Mandei-a embora – Robin levantou-se e mandou uma pedra com mais força, vendo-a depois cair no rio.

- Rapaz idiota – murmurou o pai entre dentes – Se eu tivesse feito isso com a tua mãe nunca cá estarias.

- Tu desististe por ela, foi diferente. Se eu desistisse… se eu desistisse…

- Mas não tinhas que desistir, ela queria fazê-lo contigo, não queria?

Também o Robin mais velho se levantou, e ficaram frente a frente. Olharam os dois para o céu, e o fora de lei falou.

- Tenho que ir, em breve escurece e depois o grupo fica preocupado – Robin assentiu – Vamos lá, vou-me despedir da mãe.

Ele foi primeiro e, quando já estava de costas, o seu pai olhou diretamente para Elisabeth e sorriu-lhe. “Como é que ele sabia que eu aqui estava?”, perguntou-se ela, abanando a cabeça.

 

Este foi um bocadinho mais chato, eu sei xD

Mesmo assim, comentem ^^

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