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Robin Hood - The Legend

por Andrusca ღ, em 02.04.12

Parte 12 – Conhecimentos em Prática

 

- Não sei se é boa ideia – opinou Marian, sempre com o seu ar maternal.

Elisabeth revirou os olhos, e depois riu-se. Três semanas tinham passado desde a visita de Robin, o que significava que apenas mais uma faltava até que regressasse. A conversa que este tivera com o pai, ao pé do rio, não lhe saía da cabeça. Então ele preocupava-se com ela, não tinha fingido todo aquele tempo em que estiveram juntos mas sim nos momentos em que a mandara embora e lhe dissera ser-lhe completamente indiferente. E isso fazia com que ela quisesse ir falar com ele. Por outro lado tinha a perfeita noção de que o mais provável era que fosse de novo mandada embora. Não por ele não se importar, mas sim por se importar demasiado. E então Robin saberia que ela não ia ficar quieta, e certificar-se-ia de que não havia nada que Elisabeth pudesse fazer para ajudar. E as suas ideias e desejos de ajudar Inglaterra estariam destruídos.

- Não faz mal – afirmou Robin, à mulher – É apenas um pequeno saque, ela consegue. Mas não te esqueças, Elisabeth, de nunca deixares que te vejam. Se o Robin sabe que cá estás…

- Seria como se um furacão atingisse esta casa – completou a rapariga, rindo-se.

Saiu então, a pé pela floresta. Ia confiante, o seu primeiro saque a sós. Apenas tinha que ser esperta. Estava bastante melhor com a espada, que levava à cintura, e perfeita com o arco, que levava ao ombro juntamente com as flechas. “Eu consigo”, repetia-se para si, enquanto metia o capucho negro pela cabeça, escondendo assim os seus maravilhosos cachos loiros, e um lenço escuro à volta do rosto.

 

*

 

- Quando mais tempo é que temos que esperar? – Perguntou Frederick.

Robin revirou os olhos.

- Se soubesse que eras tão chato, nunca te tinha deixado ficar no grupo – resmungou.

- Não ligues – disse logo Alfred, para Frederick – Ele só está mal-humorado porque já não vê a beleza dos cabelos doirados há semanas.

Robert soltou uma gargalhada.

- É culpa dele – disse, em seguida.

- Podemos acabar com isto? – Perguntou Robin, em tom de ordem. Ele detestava quando a conversa ia parar àquele assunto. Sim, tinha saudades de Elisabeth. Sim, provavelmente era a sua falta que o fazia ficar de mau humor com tudo e todos. E sim, talvez se a visse de novo esquecesse todos os perigos, o xerife, as obrigações, e apenas a abraçasse. Aqueles cachos de ouro… aquele sorriso de anjo… aquela coragem de leoa… sim, Robin sentia a sua falta.

- Olha – disse Percy, apontando para a estrada de areia – A carruagem, finalmente.

Uma pequena carruagem passava, carregada de ouro diretamente para o castelo de Nottingham. Os cinco rapazes saíram dos seus esconderijos, entre árvores e arbustos, mas quando iam mandar parar a carruagem tiveram uma surpresa. Uma seta voou do cimo de uma árvore até à frente da carruagem, assustando os dois cavalos, e o cocheiro parou. Viram também uma pessoa descer da árvore, de arco empunhado para a carruagem. Os três guardas que iam a acompanhar o ouro não perderam tempo, desceram dos seus cavalos e atacaram. A pessoa, Elisabeth, sacou da espada e defendeu-se das investidas dos inimigos agilmente. O grupo de Robin estava tão espantado que nenhum deles se moveu, estando apenas ali, descobertos, expostos, a observar.

Elisabeth já manuseava a espada como se o fizesse desde pequena. Tinha treinado com o melhor. Desarmou os guardas em três tempos, e estes fugiram a correr, abandonando os cavalos, o ouro, tudo. Ela aproximou-se então da carruagem, ainda de capa e capucho na cabeça, ainda sem revelar a ninguém quem era, e apontou o arco ao cocheiro, fazendo-lhe um movimento com a cabeça para que saísse de lá. Ele obedeceu, e Elisabeth sorriu à medida que se inclinava para dentro da carruagem e agarrava nos sacos cheios de ouro.

Não ousou voltar-se para Robin, temia não se aguentar sem lhe falar, sem se deixar cair na tentação de se precipitar para ele e de o abraçar. Mas manteve-se atenta a qualquer som que pudesse ser provocado. Não queria ser apanhada desprevenida.

- Mas o que… - murmurou Robert.

- Ei! – Gritou Robin, precipitando-se um passo em direção à pessoa desconhecida – Quem és tu? Esse dinheiro não te pertence!

E então ela começou a correr. De saco de ouro na mão, Elisabeth correu entre o arvoredo e apenas parou quando calculou estar já salva.

 

*

 

- E então desarmei os homens, e depois fui buscar o dinheiro e notei que eles estavam todos surpreendidos e… - Elisabeth parou para tomar fôlego, e depois prosseguiu o seu relato – E depois vim-me embora.

- E o dinheiro?

- Distribuí-o pelas pessoas que me disse. Deixei-o às portas e verifiquei se o recebiam, está todo dado.

- Saíste-te bem – elogiou Marian, sorrindo-lhe – Devias estar orgulhosa por ti, hoje começaste o que querias fazer.

- Eu sei. Vocês deviam ter visto, foi tão fantástico!

E, de novo, Elisabeth contou todos os pormenores. Passado algum tempo todos se foram deitar, e ela tomou o seu lugar deitada num colchão no chão, ao pé da lareira, como já era hábito. Ficou sentada, a observar a madeira a estalar devido à alta temperatura das chamas, e suspirou. Esteve tão perto dele. Tão perto. Mas nem um olhar direto lhe dera. “Beth… tenho saudades de que me chame de Beth”, pensou, lembrando-se do quanto costumava detestar quando ele o fazia.

A noite já ia avançada quando bateram à porta com força, acordando-a. Viu logo Robin e Marian irem, e resguardou-se para que não fosse vista. Estes abriram a porta, e pelas suas expressões conheceram a pessoa. Era um homem baixo, pobremente vestido, com uma expressão preocupada.

- Velho amigo – murmurou Robin.

- É o Robin – disse o velhote, com o terror na voz – É o teu filho.

Elisabeth engoliu em seco e sentiu uma dor no coração. Algo tinha acontecido.

 

E agora? O que será que aconteceu ao "nosso" Robin?

Comentem para descobrir ;)

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