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Robin Hood - The Legend

por Andrusca ღ, em 04.04.12

Parte 14 – Tempo de Luto

 

O céu estava escuro e trovejava, apesar de das nuvens nenhuma chuva cair. O dia já tinha chegado, o dia mais triste e desolador que Sherwood alguma vez tinha vivido.

Robin encontrava-se sentado no chão, a vários metros da casa dos pais, enquanto todos os outros se encontravam lá dentro. Olhava o vazio, e nem um músculo mexia ao ouvir a trovoada. Estava apático a tudo e a todos, apenas revivia aqueles últimos momentos. Ele tinha-a na mão. Estava a agarrá-la. Mas ela largou. “Ela largou”, pensou, com um peso no coração e lágrimas nos olhos. Viu-a cair e desejou trocar de lugar com ela. Desejou ser ele a cair por aquele abismo em direcção ao escuro, ao desconhecido, à morte. Quando a sua mão parou de agarrar a dela todos os seus músculos se impulsionaram para a frente. Mas foi agarrado. Não o deixaram ir atrás dela. Não o deixaram morrer também. “Tu viverás”, dissera-lhe por último, “eu amo-te Robin Hood”. Robin agarrou numa pedra e mandou-a para longe, furioso. Ele também a amava. Porque é que não o disse? Porque é que nunca o disse quando teve a oportunidade? Meses que teve para o poder dizer. Meses com Elisabeth ali, ao seu lado. Mas não. Em vez de lhe dizer como se sentia, resolveu afastá-la como ela tanta vez fizera com ele. E agora o que tinha ganhado? Um dia cinzento e um coração vazio.

De dentro da casa era observado por todos. Marian e Robin, o velho, olhavam-no com pena, enquanto Robert, Percy, Alfred e Frederick se encontravam inquietos de um lado para o outro. Todos eles tristes, todos eles desolados. Mas o pior, além de Robin, era Frederick. Devia ter adivinhado que algo assim se passaria, que Elisabeth não ficaria quieta e que isso iria levar à sua desgraça. Lembrava-se dela em pequena, com os pequenos canudos dourados a saltar ao sol enquanto ambos corriam pelos prados ao pé do convento. Daquele sorriso de anjo, daquele coração bondoso.

- Então ela estava a ficar aqui – murmurou ele, quebrando o silêncio de longas horas.

- Sim – respondeu-lhe Marian, suspirando – Chegou cá e pediu-nos para ficar. Treinou com o Robin por algum tempo.

- E nós a pensar que estava bem longe – pensou Alfred em voz alta.

Um trovão mais alto fez-se soar e, ao mesmo tempo, chuva começou a cair. Robin, lá fora, não se mexeu. Dentro da casa todos suspiraram, e Alfred saiu na direcção do amigo.

- Anda para dentro – pediu-lhe, ficando também encharcado.

- Deixa-me em paz – Alfred não reconheceu a voz do amigo. Estava rouca, transmitia raiva, sede de vingança.

- Robi…

- Vai-te embora Alfred!

Alfred engoliu em seco e suspirou.

- Não. Anda lá – tentou levantar o amigo, mas este mal se moveu – Raios Robin! Levanta-te! Isto não vai ajudar em nada!

- Ele tem razão – disse Robert, por trás de Alfred, acompanhado de Percy e de Frederick – Anda para casa. Não vais conseguir fazer nada estando doente.

- Vamos lá – insistiu Percy.

- Raios, deixem-me em paz! – Gritou ele, ao mesmo tempo que se levantou e começou a correr para dentro da floresta.

E, assim, correu e correu. Precisava de estar longe de tudo e de todos. Não, não de todos. Se ela cá estivesse, precisava de estar perto dela. Seria a cura para todos os males.

Sacou da sua espada e começou a atingir tudo o que tinha à frente. Ramos finos, pequenos arbustos, folhas soltas. Precisava de descomprimir, de deixar a raiva e o luto saírem. Mas isso não ia acontecer ao atingir elementos da floresta. Não, Robin nunca ficaria mais descansado enquanto aquele xerife vivesse. Ele falou a sério quando ameaçou matá-lo. Não tinha nada que o impedisse.

A chuva começou a ficar mais forte, mas nada disso importava. Pela sua vontade podia morrer ali e agora, se isso significasse que iria para o céu ter com o seu anjo.

 

*

 

- Devíamos ir à procura dele – disse Frederick, já dentro de casa, preocupado – Pode fazer algum disparate, pode…

- Não – cortou-lhe Percy a palavra – Quando quer estar sozinho não há nada que possas fazer. Deixa-o fazer o luto à sua própria maneira.

- Mas… - Alfred estava do lado de Frederick, porém calou-se ao receber um olhar de Percy.

- Ele volta – assegurou Marian, olhando pela janela – Ele encontra sempre o caminho para casa, mesmo no meio de uma tempestade.

O seu marido aproximou-se de si e pousou-lhe a mão em cima do ombro. Sim, como pais estavam preocupados com o filho, e também tristes pela morte de Elisabeth, porém tinham confiança de que Robin não iria fazer nada de cabeça quente. Era inteligente o suficiente para saber que não iria ter bons resultados.

E Marian estava certa pois, poucos minutos depois, a figura de Robin começou a aparecer ao longe. Entrou na casa e encarou todos, engolindo em seco. Não estava com boa cara, mas não deu a parte fraca.

- Quero fazer um funeral – anunciou, engolindo em seco – E depois… depois…

- O xerife – deduziu Frederick, ao que o rapaz assentiu – Conta connosco.

Esperaram até a chuva parar para irem lá para fora. Fizeram um pequeno montinho com pedras junto à árvore mais bonita, e depois todos se ajoelharam e disseram coisas bonitas. Marian perdeu a compostura e deitou algumas lágrimas, porém Robin aguentou fortemente. Não ia querer derramar mais lágrimas, agora o que queria derramar era outra coisa. Sangue.

 

*

 

A chuva já tinha parado e as nuvens ido embora. O pôr-do-sol que se anunciava agora era bonito. Numa cabana de madeira, longe de tudo e com um certo mau aspecto, estava numa figura deitada numa cama. Tinha um penso grande na zona da barriga e todo o tronco ligado, apesar de tal não ser necessariamente preciso. Vários arranhões seguiam-lhe os braços e as pernas, porém na cara apenas tinha um ou dois. Os seus cachos de ouro repousavam suavemente sobre a almofada, e a sua respiração era silenciosa. O quarto estava sem mais ninguém. Parecia morta, sem salvação, mas, de súbito, sem saber onde estava ou como ali tinha ido parar, os seus grandes olhos brilhantes abriram-se.

 

Aproveito para dizer que a fic está quase a acabar.

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