Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Robin Hood - The Legend

por Andrusca ღ, em 05.04.12

Parte 15 – O Regresso dos Mortos

 

- Acordaste.

A rapariga dos cachos dourados olhou para o lado, repentinamente, e viu uma mulher de longos cabelos escuros, algo despenteada, e vestida de um modo pobre mas bastante colorido.

- Onde estou? – Perguntou, à medida que olhava em volta. Além da cama em que estava, apenas via frascos em cima de prateleiras, e um pequeno roupeiro a um canto – Quem é você?

- Calma, calma – disse a mulher, aproximando-se dela – Passaste por muito, tens que descansar. Como te chamas?

A loira engoliu em seco.

- Elisabeth – acabou por dizer.

- Eu chamo-me Ayane – disse a mulher – Encontrei-te à beira do rio. Foi uma surpresa, quase ninguém vem para estes lados. E então percebi que não tinhas vindo, mas sim caído. Estavas inconsciente.

- Por isso trouxe-me para aqui? – Perguntou a rapariga, ao que Ayane assentiu.

- As pessoas chamam-me de velha bruxa, mas não é bruxaria que uso. É medicina. Trouxe-te para a minha casa e tratei dos teus ferimentos. Dado àquela queda… é um milagre que ainda cá estejas. Que o teu corpo tenha evitado os rochedos.

Elisabeth tentou levantar-se, porém Ayane impediu-a.

- Tenho que ir – declarou a rapariga, gemendo depois devido às dores.

- Tens que tomar o teu medicamento. As dores estão a voltar – afirmou Ayane – Não podes ir a lado nenhum, tens que dar descanso ao teu corpo para que se possa recuperar.

- Não… não percebes. Se eu não for… - Ayane começou a examinar-lhe o corpo e, premindo na ferida do abdómen com um pouco mais força, fez Elisabeth estremecer – au! Ayane, se não for algo mau vai acontecer. Tenho que lhe dizer que estou viva.

- A quem? Ao Robin Hood? – A rapariga ficou surpreendida por Ayane adivinhar logo, e franziu o sobrolho – Não tinha a certeza se eras tu, mas quando disseste o teu nome… querida, todos sabem da história da filha do xerife e do fora de lei.

Elisabeth suspirou, e a mulher afagou-lhe os caracóis loiros.

- Se eu não for, ele vai fazer qualquer coisa estúpida – calculou ela – Vai tentar matar o xerife… e vai estar chateado, aborrecido… não vai estar concentrado. E se falhar?

- E se não falhar?

- Não vale a pena correr esse risco. Há outras alturas.

Ayane abanou a cabeça e suspirou.

- Passa a noite, pelo menos – pediu – De manhã pensarás com mais clareza. Vou buscar os remédios.

Elisabeth assentiu e voltou a repousar a cabeça na almofada, suspirando, enquanto Ayane saiu. Depois de tomar os remédios, que não fazia a menor ideia do que eram, Elisabeth adormeceu.

Sonhou com uma diversidade enorme de coisas. Havia cavalos num prado bem verde, um sol brilhante num céu limpo… mas depois tudo ficava escuro. O céu enchia-se de nuvens negras e chuva começava a cair fortemente. Uma seta vinda do nada afugentava os cavalos, que corriam sem destino. Acordou sobressaltada, com alguma claridade a entrar-lhe pela janela. Estranhamente, sentia-se bastante melhor. Ainda lhe doía o abdómen e alguns dos arranhões, mas já se sentia com mais forças. Olhou em volta e não viu Ayana, por isso decidiu levantar-se. Como estava apenas com as ligaduras, vestiu um roupão azul que se encontrava à ponta da cama e caminhou descalça. Não conhecia a casa, mas não tardou a encontrar a velha “bruxa”. Estava de conversa com outra mulher da mesma idade, aproximadamente, com um cabelo mais claro e curto, à porta da casa.

- E tens a certeza? – Perguntou Ayana.

- Tenho. É o que se ouve nas ruas. O Robin Hood vai matar o xerife hoje – Elisabeth ficou petrificada com o que ouvira saído da boca da outra mulher – Ouvi que o xerife até já tinha preparado os guardas e tudo. Nottingham… ah, a nossa cidade, vai virar uma zona de guerra.

Ao andar sobre o soalho, na direcção das duas, Elisabeth fez um pequeno barulhinho e por isso voltaram-se para ela. A rapariga engoliu em seco, e Ayana suspirou.

- Não podes – disse-lhe, adivinhando o que a rapariga pensava.

- Mas se não for…

- Minha querida amiga – disse Ayana, voltando-se de novo para a outra mulher – muito obrigada pelas novidades – despediram-se e a outra partiu, fechando a porta. A “bruxa” voltou-se então para a rapariga – Já viste o teu estado? Se fores arriscas-te a…

- Sinto-me melhor – garantiu Elisabeth.

- “Melhor” não é o mesmo que bem – discutiu a mulher – Sim, estás melhor, mas…

- Eu consigo – cortou-lhe a rapariga a palavra – Consigo ir até Nottingham e pará-lo antes de algo acontecer. Se me vir vai parar.

- Então é verdade? – Perguntou Ayana – Havia rumores de que eram ambos apaixonados um pelo outro. Então é verdade?

Elisabeth encolheu os ombros.

- Não me importa se me ama – acabou por declarar – Eu amo-o a ele. E por isso não o posso deixar morrer em vão.

Ayana respirou fundo e pousou a mão no ombro da rapariga.

- Ele jurou matar a pessoa que te matou – disse-lhe – Mesmo que não o diga por palavras, nos seus actos está claramente demonstrado o amor que sente por ti – Elisabeth sorriu e corou ligeiramente – Vem, se estás tão determinada, tenho algumas coisas que te vão dar jeito.

Levou-a de novo até ao quarto e abriu o roupeiro, dando-lhe um vestido bastante simples. Era azul clarinho e tinha um cinto preto. Deu-lhe também os sapatos que usava quando a encontrou, e também uma capa escura com um capucho. Também de dentro do roupeiro retirou o arco e as flechas da rapariga, sorrindo-lhe.

- Consegui arranjar o arco – disse-lhe – Passei todo este tempo acordada, a ver como estavas, por isso entretive-me. Algumas das flechas, porém, não tiveram salvação. Nem a tua espada. Lamento, mas não tenho um cavalo…

- É perfeito – murmurou Elisabeth, abraçando-a – Obrigada.

Vestiu-se e agarrou no seu arco e nas flechas, colocando ambos ao ombro. Saiu da casa e começou a caminhar pelo caminho que Ayana lhe indicara. Iria demorar, segundo o que a velha lhe dissera, umas duas horas até chegar à cidade.

 

Bem pessoal, tenho más notícias para vocês.

Vou de férias e não vou ter net. Vou ver se com a pen consigo postar um capítulo no sábado, ou assim, mas não prometo nada.

Beijinhos ^^

8 comentários

Comentar post