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Robin Hood - The Legend

por Andrusca ღ, em 10.04.12

Eu sei, eu sei, não postei no sábado.

Peço desculpa, mas mal liguei o pc, porque nem senti necessidade xD

 

Parte 16 – O Último Conflito

 

O tempo continuava escuro, apesar de a chuva ter cessado. Robin e o seu grupo já estavam em Nottingham. A confusão já estava instalada. Todos lutavam contra os guardas, e Robin encarregava-se de James. O xerife, certamente no conforto dos seus aposentos dentro do castelo, esperava que a situação se mostrasse favorável para os seus lados. Já esperava um desfecho deste modo. Avisara logo os guardas, prevenira-se. E, tal como Elisabeth adivinhara e Marian não acreditava, Robin Hood estava mesmo a deixar-se levar pelo luto e raiva para chegar até ao fim da luta.

Frederick era agora um dos rapazes. Defendia-os e era defendido por eles. Finalmente percebera a razão pela qual Elisabeth queria lutar com eles. E agora, também ele desejava vingar a sua “morte”. Também Percy, Robert e Alfred lutavam pelo mesmo. Também eles se tinham apegado à rapariga, mesmo sem o pretenderem.

O povo também lá estava. Uns viam das janelas das suas casas, outros menos discretos saíam até às ruas, metendo-se mesmo no meio da acção, correndo o risco de se magoarem ou até de morrerem.

 

*

 

Elisabeth já andava há bastante tempo, e depois de longos momentos a achar-se perdida finalmente começou a reconhecer o caminho.

Ainda sentia dores, mas sabia que tinha que ser mais forte que elas. Ia ter que impedir Robin de se desgraçar. Não o podia deixar morrer em vão.

Assim que chegou à entrada de Nottingham, perto da muralha, viu que o seu plano não foi bem-sucedido. Não conseguiu evitar a luta. Tinha chegado demasiado tarde, já tinha começado.

Via corpos a voar, lanças da esquerda para a direita, flechas da direita para a esquerda, e espadas a embater umas nas outras.

“Tenho que o encontrar”, pensou ela, não reconhecendo ninguém.

- Deixem-me passar! – Gritou Elisabeth para várias pessoas enquanto andava depressa, empurrando um guarda e dando um pontapé noutro, passando no meio dos dois de modo a entrar em Nottingham.

Olhou em volta, estava uma grande barafunda. “Robin, onde estás?”, perguntou-se. Correu por entre as pessoas e ultrapassou a barreira que elas faziam, para observarem também a disputa que estava a haver entre os fora de leis e os homens do xerife, vendo os amigos de Robin a lutarem com vários guardas. Passou o olhar por eles muito rapidamente, até chegar finalmente ao fora de lei preferido do povo. Robin encontrava-se a vários metros dela, agora desarmado e com James com um arco apontado a si, talvez com cinco metros de distância entre os dois. Já não parecia estar em muito boas condições, mas James estava pior tratado. Tinha mais sangue, mais hematomas.

- Diz as tuas orações – disse James, com uma voz rancorosa, fazendo pontaria para mandar a flecha. Robin engoliu em seco, ele não via mesmo nenhum fim favorável para aquela situação. Não iria salvar Inglaterra, não iria vingar Elisabeth, mas ao menos iria juntar-se a ela no paraíso –, porque acredita, vais precisar da ajuda de Deus.

Elisabeth olhou em pânico para todas as outras pessoas e, ao ver um guarda passar-lhe ao lado, derrubou-o e tirou-lhe a espada, que prendeu no cinto do vestido. Iria precisar dela mais tarde, certamente.

Ela precisava de um sítio melhor para disparar uma flecha, tinha demasiadas pessoas a passar à frente, não tinha um tiro limpo. Mais uns empurrões nos espectadores, mais umas batidas nos guardas que lutavam; conseguiu passar por tudo isso e aproximar-se mais do local onde Robin estava, sem ter ninguém a atrapalhar-lhe o caminho.

James disparou e Elisabeth, sem ter tempo de pensar muito, agarrou numa flecha e lançou-a também quase automaticamente. A sua flecha voou graciosamente aos rodopios e acertou em cheio na de James, pregando-a à parede do castelo. Robin ficou estático, não podia acreditar. Em toda a sua vida apenas tinha visto uma pessoa a conseguir fazer tal lançamento, e julgava-a morta. Mas será que não estava? Tinha medo de se mover e verificar que outra alma era capaz de tal acto, de verificar que não era ela. Já James foi apanhado de surpresa, e olhou em volta.

Todos pararam como se fossem robôs programados a parar naquela altura, e Elisabeth, lentamente, retirou o capucho e deixou que a capa lhe caísse para o chão, apontando depois o arco para James. Este arregalou os olhos e ficou de boca aberta.

- Mas não é possível! – Disse ele, atordoado com o que os seus olhos viam – Estavas morta!

- Pareço-te morta? – Perguntou-lhe a rapariga, sem nunca vacilar.

- Beth…? – Perguntou Robin, aproximando-se dela lentamente. Não era uma miragem, ou um sonho, ou imaginação. Era mesmo ela. Não sabia como, mas via-a mesmo a ela. Estava viva. A filha do xerife olhou para ele e sorriu-lhe – Mas como…?

- Acho que Deus nos ajudou – disse ela.

- Mas eu vi-te cair! Não é possível teres sobrevivido! – Gritou James.

Elisabeth disparou a flecha e esta passou de raspão no braço dele, sendo depois pregada à parede.

- Leva-me a ele – ordenou ela, pondo outra flecha no arco.

Por trás de si apareceu um guarda, do qual Robin se ocupou logo. A confusão tinha regressado, e os fora de lei sentiam-se um pouco mais confiantes agora. Ela sabia que não podiam continuar nisto. Sabia que Nottingham, que Inglaterra, nunca seria livre enquanto o seu pai estivesse no comando. Olhou para as pessoas que apenas assistiam à confusão e abanou a cabeça. Fazia-lhe confusão elas não fazerem nada. Sabia o amor que tinham por Robin, por quem lhes dava o dinheiro que lhes permitia sobreviver, e no entanto lá estavam elas. Quietas, a observar, de boca aberta.

James engoliu em seco e começou a caminhar pelos corredores do castelo, já vazios, apenas com a rapariga atrás de si de arco levantado. Num movimento ágil e veloz agarrou no arco da rapariga e mandou-o para o chão, agarrando depois na espada e apontando-lha. Elisabeth olhou-o com raiva e, cautelosamente, retirou também a sua espada do cinto do vestido.

- Tens a certeza? – Desafiou James. Elisabeth sorriu-lhe, confiante.

- Tu tens? – Perguntou-lhe. Ele não respondeu, apenas atacou, surpreendendo-se com a facilidade com que a rapariga se defendeu – Vá lá James, faz melhor que isso.

Começaram então numa luta de espadas que demorou longos minutos. Ataques, defesas, saltos, abaixamentos, sempre com o intuito de desarmarem o outro. Até que, por fim, a espada de James saltou-lhe das mãos e Elisabeth o mandou ao chão, pondo-o inconsciente. Apressou-se então a ir aos aposentos do pai, levando o seu arco consigo. Encontrou-o com uma espada na sua posse, porém sem o seu sorriso habitual.

- Tu – Declarou ele, como se visse um fantasma.

- Sou mais difícil de matar que a mãe – disse Elisabeth, com desdém.

O xerife rangeu os dentes e, furioso, começou a atacar a filha. A bela loira começou a, deliberadamente, conduzi-lo até fora do castelo, onde a confusão ainda reinava. Ao verem-no lá, Frederick e Robert fecharam as portas do castelo, não lhe dando escapatória, e apontaram as suas espadas para ele.

Elisabeth, derrubando alguns dos guardas que ainda restavam, correu até à forca e subiu à plataforma, mandando de seguida uma seta que trespassou, cortando, uma corda que sustentava uma pequena construção de madeira, fazendo com que esta caísse e a confusão acalmasse o suficiente, devido à surpresa, para que a sua voz fosse ouvida.

- Povo de Nottinghan! – Gritou Elisabeth – Não fiquem parados a ver! Façam alguma coisa, lutem pela Inglaterra que querem, o mundo com que sonham! O xerife é apenas um homem. Um homem, contra todos nós! Dizem que um homem não faz uma guerra, mas essa guerra foi começada por um simples homem: o Robin Hood! Ele começou a luta contra a injustiça, e depois o seu filho – apontou para Robin – continuou. Por vocês! A lutar, e a roubar, e a enganar o xerife. Eles começaram esta guerra à espera que vocês os auxiliassem! Não que ficassem parados à espera! Um homem não pode lutar sozinho, e neste momento o xerife é apenas um homem. Claro, é perigoso; claro, podem morrer. Mas quantos dos vossos familiares já morreram em vão, às mãos daquele homem?! Não é a altura de o parar?! É a vossa escolha! Querem o xerife fora de Nottinghan ou não?!

 

E pronto, o próximo capítulo é já o último.

Não sei é quando o posto.

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