Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Déjà Vu Sobrenatural

por Andrusca ღ, em 22.10.10

Então é assim, este capítulo é mais uma introdução à verdadeira história; é como as personagens principais se conheceram, e por isso é um bocado vago.

Espero que gostem, e que comentem (mesmo se não gostarem)

 

Capítulo 1

O Princípio

 

Ano de 2004

 

Outro dia torturante no liceu de Beverly Hills, L.A. e já se torna impossível aturar pessoas ricas e mimadas, apesar de há bem pouco tempo fazer parte desse grupinho.

 

Nome: Melanie McKensie                                             Idade: 17 anos

 

Estatuto: Miúda mimada reformada.

 

Eu era o tipo de rapariga que qualquer rapaz queria, sei disso porque bem, eles diziam-me. Sou rica, popular e bonita, capitã das cheerleaders da escola, só me importo com as aparências e não me importo com ninguém além de mim. Bem, pelo menos essa é a imagem que todos têm de mim. Lá no fundo eu não quero ser só mais uma rapariga de Beverly Hills a comprar sapatos e jóias, quero algo mais, embora não saiba o quê.

- Mel, estás a ouvir?! – Perguntou-me Maddison.

Maddison Conrad era a minha melhor amiga desde que nascemos até eu perceber que não tínhamos nada a ver uma com a outra. Ela é o tipo de rapariga que reza para que quarta-feira à tarde chegue para poder ir fazer compras, e além disso nunca se sabe quando é que está a mentir ou a ser sincera. O seu cabelo loiro, comprido e liso e o seu corpinho de cheerleader fazem com que todos os rapazes lhe caiam aos pés e façam tudo o que ela peça.

- Mel?! Deus, o que é que se passa contigo?! – Perguntou ela, indignada.

- O que foi Maddison?! Estava a ler, não viste?! – Respondi.

Nós já não nos dávamos bem desde há uns tempos para cá, mas as coisas pioraram muito há pouco tempo.

- Desculpa lá, mas continuando, vi aquele vestido e não o consigo tirar da cabeça, tem que ser meu certo? Mas depois penso, será que não estou a ser tipo, má, por não permitir que pessoas mais feias que eu fiquem com o vestido e se embelezem mais? E depois fico confusa. – Disse ela.

- E eu quero saber disso porque…

- Porque és minha amiga Mel.

- Exacto, somos todas amigas. – Disse Christy Dawson com um sorriso parvo na cara.

Christy tinha tudo para se tornar numa pessoa esplêndida, menos um cérebro. Seguia Maddison para onde quer que fosse e queria a todo o custo ser popular, o que a fazia fazer figuras bastante tristes.

- Certo, somos uma grande família feliz. – Disse eu, revirando os olhos.

Estava sentada numa cadeira na sala de estar do liceu, e estava a tentar estudar para Espanhol, não era uma coisa que fizesse regularmente mas as minhas médias estavam a começar a descer. Tinha a minha mini-saia laranja vestida com um top preto, de alças e umas sandálias de salto alto castanhas. O meu longo cabelo castanho-escuro estava apanhado numa trança. Maddison não se calava com o vestido que tinha visto e Christy concordava com tudo o que ela dizia, eu estava prestes a explodir e foi quando os vi, estavam à entrada, eram três. Um deles, Peter, eu conhecia, era o nerd do colégio mas os outros dois eram novos. Um deles era muito esbelto, parecia uma estátua muito bem esculpida, tinha o cabelo castanho, muito escuro, com gel, fazendo uma pequena crista, vestia umas calças de ganga, uma t-shirt e por cima uma camisa aos quadrados, desabotoada, tinha uns ténis calçados. O outro era mais discreto apesar de também ser muito bonito, tinha o cabelo ao natural, curto, preto, com alguns caracóis aqui e ali, e usava também umas calças de ganga com uma camisa branca e uns ténis pretos.

Passou uma rapariga por nós, Margaret, a vítima preferida de Maddison. Tinha uma saia até abaixo dos joelhos, aos quadrados amarelos e castanhos e uma blusa azul-escura, calçava umas sabrinas rasas, castanhas. Eu estava hipnotizada a olhar para os alunos novos que se encontravam ao lado de Peter, um deles, o que parecia um deus grego, olhou para mim com os seus lindos olhos verdes escuros e fiquei presa no seu olhar até que desviei o olhar, tomando agora atenção a Maddison e a Christy. Maddison desencostou-se da mesa que estava ao lado da cadeira onde eu me encontrava sentada e fez uma rasteira à rapariga, começando-se a rir em seguida.

- Óh querida, tu precisas desesperadamente de um espelho em casa. – Disse-lhe Maddison.

Christy e Mark Scult, o meu estúpido ex-namorado riam-se desalmadamente e a pobre rapariga apanhava os livros atrapalhada. Mark era o capitão da equipa de rugby e estava habituado a ter sempre tudo o que queria.

Levantei-me e pus o livro que estava a ler em cima da cadeira e ajudei a rapariga a apanhar os livros. Ela estava com as lágrimas ao canto do olho, meteu-me pena.

- Não lhe ligues, ela não merece esse prazer. – Disse-lhe, entregando-lhe os livros.

Levantei-me e voltei para ao pé da cadeira, peguei no livro e na minha mala e virei-me para Maddison.

- Tu devias mesmo aprender a falar com seres humanos. – Disse-lhe, virando costas e saindo pela porta fora, passando pelos dois rapazes desconhecidos e Peter.

- Olá Mel. – Disse-me Peter.

- Oi Peter. – Respondi-lhe, sem parar de andar.

- Vêem? Eu disse-vos que ela me falava. – Ouvi Peter dizer para os outros dois rapazes.

Cheguei mais cedo à sala de aula e sentei-me logo no meu lugar, a campainha tocou dez minutos depois e o silêncio acabou. Os meus queridos colegas chegaram o professor de História também, com um dos desconhecidos ao lado.

- Muito bem alunos, este é o vosso novo colega, Bryan Whickmonth, espero que o façam sentir-se bem-vindo e que o tratem bem. – Disse o Sr. Dissan.

Bryan sentou-se na mesa ao lado da minha.

Passado um pouco da aula começar, o meu colega de trás, Bruce chamou-me e quando me virei entregou-me um bilhete.

 

«Saída logo, alinhas? Aparentemente alinhaste com o outro do 12º»

 

- Aparentemente. – Sussurrei, amarrotando o papel e pondo-o à ponta da mesa.

Passados poucos segundos voltei a receber outro.

 

«Karma é horrível né?! Achavas o quê, que ele não ia descobrir o que andavas a fazer?!»

 

Virei-me e olhei para Mark, que olhava para mim a rir-se. Amarrotei o papel e voltei-me para a frente, um bocado perturbada.

- Ei, estás bem? – Perguntou Bryan, inclinando-se na minha direcção.

- Estou.

Passados poucos minutos deram-me outro.

 

«Eu tenho dinheiro, combinamos para daqui a uma hora? Vendida, és uma vendida, mas o que vale é que és boa, diz lá o preço»

 

Levantei-me bruscamente e pedi para ir à casa de banho. Passei a cara por água e respirei fundo várias vezes. “Tem calma Mel, tu aguentas”, pensei. Quando voltei para a sala ignorei tudo e todos e quando finalmente tocou agarrei nos livros ao molho e encaminhei-me à porta. Esbarrei num rapaz.

- Raios! – Disse eu, baixando-me para apanhar os livros.

- Desculpa, eu ajudo-te. – Disse o segundo desconhecido do dia, o deus grego.

- Não faz mal. Obrigado. – Disse eu, saindo dali.

O dia foi longo e precisava mesmo de sossego, por isso à noite saí para espairecer. Pus os fones nos ouvidos e comecei a andar de um lado para o outro. Agarraram-me por trás, puxando-me para um beco.

- Mark. O que é que estás a fazer?! Deixa-me em paz! – Gritei eu.

- Tu ficas tão bem quando estás aflita…

- Deixa-me em paz!

Ele encostou-me à parede e começou a agarrar-me com os seus grandes e musculados braços e todos os esforços que eu fizesse para me soltar eram escusados. Vi dois outros rapazes a aproximarem-se e a afastá-lo de mim. Eram o Bryan e o deus grego. Mark desatou a correr pela rua e o deus grego seguiu-o, deixando-me com Bryan.

- Estás bem? – Perguntou Bryan.

- Agora estou, obrigado. – Disse eu, um bocado sem palavras.

- Tu não te deves lembrar de mim, eu sou…

- Bryan, eu lembro-me. Melanie, mas podes-me chamar Mel.

- Fogo, ele corre que se farta, estás bem? – Perguntou o deus grego, que acabara de chegar.

- E tu estás? – Perguntei, apontando para a sua sobrancelha.

- Sim, foi só um murro, vou sobreviver. Chamo-me Jason, Jason Whickmonth. – Disse ele, estendendo-me a mão.

- Melanie. – Respondi, apertando-lhe a mão.

Fomos dar uma volta os três e começámos a falar de tudo um pouco, acabei por lhes dizer que Mark me tinha traído com Maddison e que eu os tinha apanhado, mas que no dia a seguir quando cheguei à escola toda a gente estava a olhar para mim, Mark tinha-lhes dito que eu o tinha traído com um rapaz qualquer do 12º ano.

Chegámos ao meu bairro e quase que lhes iam caindo os olhos ao olharem para as casas.

- O Peter tinha dito que eras a rapariga mais rica do colégio, mas pensei que estava a exagerar. Ele parece do tipo que exagera… – Disse Jason. – Uau! Eu dava uma orelha para entrar naquela casa.

Ele referia-se à casa do outro lado da rua, uma casa branca, com vários pilares de pedra e um enorme jardim à frente. A minha casa.

- Eu meto-te lá dentro um dia, prometo, e como bónus ainda podes ficar com a orelha. – Disse-lhe, na brincadeira.

- Aquela casa é tua? – Perguntou Bryan.

Depois daquela noite começámos a dar-nos muito bem, eles ensinaram-me umas técnicas para me defender e com o tempo afastei-me do grupinho dos populares. Confrontei Mark e Maddison com a verdade à frente dos nossos colegas, limpando a minha reputação mas apesar disso comecei a não ligar tanto ao que as pessoas diziam. Eles tornaram-se nos meus melhores amigos e em pouco tempo estava completamente apaixonada por Jason.

Era fácil falar com eles, como se já os conhecesse há bastantes anos. Descobri que viviam sozinhos num hotel por agora. Eles mudavam-se bastante. A mãe deles tinha morrido quando Bryan nascera, fora assassinada, logo, eles ficaram com o pai e um tio, Phil Baylling. Aparentemente podem contar com esse tio para tudo, pelo que eles dizem.

Uma vez fomos acampar durante uma semana com a escola e todas as noites Jason ia-me buscar à tenda e fazia-me surpresas, desde irmos andar de cavalo às escondidas a irmos andar de canoa. Começámos a namorar no último dia desse acampamento.

Eles começaram a estar sempre na minha casa, para desespero da minha mãe que preferia mil vezes que me desse com os ricos e populares do que com quem me fazia feliz. O meu pai não gostava nem detestava, apenas aceitava.

Estava-se a aproximar o baile do fim de ano e Jason, apesar de saber que eu já não era muito dessas coisas, convidou-me. Usei um vestido até aos pés, azul-claro com uns brilhantes salteados da parte de cima e calcei umas sandálias prateadas de salto alto. Fiz um carrapito. O baile estava a correr lindamente até que fui coroada rainha e me pediram para fazer um discurso. Subi ao palco, ainda sem saber o que fazer e foi quando vi Maddison, amuada por não ter ganho a coroa e percebi que eu não tinha estofo para rainha do baile e nem sequer gostava daquelas coisas.

- Tenho que dizer que não estava à espera… mas… estou um bocado perdida, não sei bem o que é que vou fazer a partir daqui, nem quem sou, mas sei que não é isto. Eu detesto estes bailes, é tudo sobre quem está mais bem vestido ou quem é mais popular que quem para ganhar coroas de plástico e eu já não sou dessas pessoas. Pôr um vestido destes, hoje em dia, é tortura. E os sapatos? Os sapatos aleijam os pés que se fartam. Por isso obrigada por me terem coroado rainha mas… não obrigado, eu não preciso disto para nada.

Jason e Bryan estavam a rir-se desalmadamente enquanto eu voltava a pôr a coroa em cima da almofada e Maddison e a minha mãe estavam chocadas.

As coisas estavam perfeitas, até um dia em que Jason veio à minha casa à noite, tinha as calças rotas e um arranhão na cara, o que me deixou preocupada mas ele não me deixou falar. Começou a dizer que se ia embora e que não ia voltar, sem quaisquer explicações e acabou com tudo, a minha vida perfeita ficou desfeita a partir do momento em que ele saiu pela aquela porta.

 

E pronto, que tal? Lembrem-se que isto é em 2004, só amanhã é chega ao 'presente'

13 comentários

Comentar post

Pág. 1/2