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Robin Hood - The Legend

por Andrusca ღ, em 11.04.12

Chegou muito mais cedo do que o previsto.

Espero que tenham gostado desta fic, e que também gostem deste último capítulo.

Não se esqueçam de comentar, e em breve virá uma nova história ;)

 

Parte 17 – Uma Nova Inglaterra

 

Depois disso aconteceu tudo muito rápido. Alguns populares foram mais rápidos a revoltarem-se; outros demoraram mais tempo mas, aos poucos, todos eles com pás e ancinhos nas mãos começaram a lutar contra os poucos guardas que ainda restavam. Robin e os seus companheiros ficaram mais que admirados, e nem Elisabeth pensou que apenas apelar ao povo fosse resultar. Também eles se juntaram à luta, até não haver nem um guarda de pé.

James e o xerife conseguiram esgueirar-se para dentro de uma casa alheia e Elisabeth, Robin e Percy seguiram atrás deles. Subiram as escadas de madeira até ao primeiro andar, e depois deram com os dois de espadas empunhadas, voltados para eles.

- Devia-te ter morto junto com a tua mãe – o xerife de Nottingham cuspiu as palavras, e Elisabeth assentiu com a cabeça.

- Sim, devias – concordou com ele.

Percy atacou James, deixando o xerife para Robin e Elisabeth. Este era bom com a espada, e conseguia defender-se bem do casal, porém ficou desconcentrado ao ouvir um pequeno estrondo. A portada de madeira da janela quebrara-se e James, numa tentativa cobarde de fugir, saltara. Mediu mal a distância, caiu entre umas barricadas feitas com paus de madeira bem afiados, sendo trespassado por eles. Vendo também Elisabeth e Robin distraídos, o xerife correu por eles – não se importando minimamente com a morte do seu braço direito – e saiu da casa. Eles seguiram-no.

Encontraram-se os quatro no meio da população, toda voltada para eles. Era o fim, o xerife não podia lutar contra Nottingham inteira. Estava acabado.

- Largue a espada – pediu Elisabeth, com uma voz calma, apesar da raiva que sentia por dentro.

Viu o povo a cochichar, a lançar olhares. Todos se perguntavam o que viria a seguir. Quem tomaria conta de Nottingham. Como seria daqui para a frente.

O xerife engoliu em seco e abriu a mão, deixando que a espada lhe caísse no chão e ficasse lá imóvel. A filha sorriu, gloriosa do seu esforço. E então viu Robin, ao seu lado, a tremer de fúria. Olhou-lhe para a mão e viu que apertava a espada com imensa força. Olhou-lhe para os olhos e não reconheceu o Robin Hood que conhecia e amava. Não viu o justo, ou o amável, ou o bondoso. Viu o vingativo, o chateado e o sedento de sangue. Nem teve tempo de pestanejar três vezes antes de ver acontecer aquilo que previa. Robin, de espada bem agarrada, levantou-a e balançou-a contra o xerife, perante o olhar espantado de todos os seus amigos e população. Um pequeno barulho fez-se ouvir quando a lâmina foi de encontra a outra lâmina: a da espada da rapariga de belos cachos loiros. Robin olhou para ela surpreendido, e sem perceber, e o xerife começou a rir.

- Eu sabia que nunca deixarias o teu pai morrer – disse, entre dentes, sendo ignorado por todos.

Elisabeth mantinha-se apenas de olhos postos no fora de lei, e ele nela.

- Não és um assassino – disse-lhe ela, com uma voz calma e serena. Robin pressionou os lábios com força.

- Ele fez-te cair naquela ponte – murmurou, cheio de raiva – Viu-te morrer e nem se importou! Porque é que te importas?!

Elisabeth pressionou alguma força na espada, fazendo com que a de Robin recuasse, e aproximou-se dele.

- Não é com ele que me preocupo – garantiu – É contigo. Não és um assassino, Robin. Mesmo por trás de toda essa raiva e ressentimento, consigo ver isso. És um homem justo. Não desças ao nível dele.

Frederick, Robert, Percy e Alfred aproximaram-se mais do xerife, para se assegurarem de que este não iria tentar nenhuma investida, mas nem Elisabeth nem Robin se moveram.

- Estavas morta – murmurou Robin, de olhos a brilhar – Largaste.

A loira engoliu em seco.

- Porque sabia que ias salvar Inglaterra. E não que ias usar todas as tuas habilidades em prol de vingança. Olha em volta. Estas pessoas vão precisar de alguém para os guiar. Vão precisar de ti. E não de mais um carrasco que executa quem o desafia.

Robin engoliu em seco e baixou a espada, olhando em volta.

- Quando te vi a cair por aquela ponte… - suspirou ele, fazendo-a formular um pequeno sorriso.

- Eu sei – interrompeu-o ela.

- Eu amo-te.

- Eu sei – garantiu-lhe.

- Como? Nunca o disse.

- As tuas acções fazem-no por ti. Agora volta a ser o homem por quem me apaixonei.

 

*

 

Outro nascer de sol fazia-se ver. Era o mais bonito que a cidade de Nottingham, a floresta de Sherwood, a vila de Locksley, e arredores, alguma vez tinham visto. Inglaterra estava finalmente livre do maldoso xerife, ainda que por breves semanas ou meses, até que outro membro de ordem fosse enviado. Ele tinha sido expulso, Robin Hood sénior e Marion já sabiam das boas novas, tal como a “bruxa” Ayana. As pessoas faziam as suas vidas normais, andavam no mercado a vender os seus produtos e a comprar outros, sempre sob o olhar atento de Robert, Alfred, Frederick e Percy, que mantinham a cidade nos eixos.

Elisabeth, à entrada de Sherwood, voltada para a muralha de Nottingham, sorriu ao ver aquele sítio tão pacífico. Não havia ninguém para atormentar as pessoas.

Sentiu movimento atrás de si, ouviu folhas a serem pisadas, e por isso mesmo voltou-se. Robin, com o seu cabelo castanho naturalmente despenteado, sorriu-lhe e aproximou-se.

- Sabes que, mais cedo ou mais tarde, alguém vai vir substituir o xerife, certo? – Perguntou-lhe, abraçando-a por trás.

- Sei.

- E depois o que acontece?

- Depois, se for outro tirano, nós combatemo-lo. Juntos.

Robin sorriu, e a bela rapariga voltou-se para ele.

- Juntos – Repetiu ele – E até lá?

- Até lá… somos só tu, eu, e Sherwood. Tal como querias.

Robin juntou os seus lábios aos de Elisabeth no beijo mais profundo que alguma vez dera, acabando-o com um sorriso gigantesco.

Sim, mais problemas viriam. Um novo xerife; um novo braço direito; uma nova dor de cabeça. Mas tudo isso viria num novo dia. E também Inglaterra, aos poucos, se ia tornando numa nova Inglaterra. Uma Inglaterra melhor. Até que isso acontecesse, Robin e Elisabeth teriam sempre Sherwood para os acompanhar e a dar-lhes sítio para infindáveis juras de amor eterno.

 

Fim

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