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Sob o Luar

por Andrusca ღ, em 13.04.12

Capítulo 1 – Segunda Oportunidade

 

A lua já ia bem alta, algo escondida entre as nuvens que se deixavam repousar no céu escuro. Ameaçava chover há já alguns dias, mas ainda nem uma pinga tinha caído para a terra. Tinha sido um Inverno pouco húmido, a chuva fazia falta. Mas, apesar de já serem horas tardias, os bares e os cafés encontravam-se cheios. Adolescentes, adultos, até velhotes.

Num bar perto do liceu local, um grupo de jovens fazia uma rodada de shots. Estavam todos sentados numa mesa rectângular, e todos se riam e divertiam. Dean dizia as suas piadas às quais poucos achavam, de facto, alguma piada, e achava-se o maior do grupo. Era um rapaz popular e bem-parecido, com os seus olhos castanhos e cabelo escuro, porém faltava-lhe modéstia e simpatia.

- E eu disse: vai! – Finalizou a sua história, e todos riram.

Mais um shot.

Toby, seu melhor amigo, também ele um rapaz bonito, prestava mais atenção à namorada Carry, dona de um cabelo negro e comprido. Mas claro que não deixava de rir das histórias de Dean, como sempre fizera.

- Tu és má pessoa – queixou-se Daisy Norris, uma rapariga de corpo invejável e olhos clarinhos, enquanto lhe tocava no braço e se desfazia em sorrisos. A sua aparente simpatia e os longos cabelos loiros faziam dela a rapariga mais desejada de todo o liceu, mas por detrás de toda essa aparência conseguia ser uma verdadeira cascavel. Ela gosta de rapazes bonitos, e se tiverem dinheiro, como Dean, ainda melhor.

A única que ainda não tinha bebido o shot, e que aparentemente não se estava a divertir, era Amanda. Encontrava-se recostada na cadeira, mais concentrada na música pausada que dava do que nas histórias que considerava ridículas e sem nexo de Dean. Às vezes perguntava-se porque saía com aquele grupo. Não tinha nada em comum com a maior parte deles, nada que a ligasse a eles. Mesmo apesar de os conhecer desde sempre, não se sentia verdadeiramente integrada no grupo. Dean, desprezava. Achava-o um ricalhaço de nariz empinado que, sendo mimado, consegue tudo o que quer e aproveita-se das pessoas. Toby não a aborrecia particularmente, fora do grupo até o achava um ser humano decente, porém não era o tipo de pessoa da qual se via a ser amiga para sempre. Daisy, já a tinha topado. Ninguém é tão simpático e risonho se não quiser alguma coisa. Viu-lhe através do disfarce assim que a conheceu pela primeira vez. Então porque estava ali, naquele pequeno e acolhedor bar, a ouvir conversas que não queria e a beber shots que já não lhe sabiam bem? Por causa de Carry. A sua melhor amiga em toda a sua vida. Desde que Carry tinha começado o seu namoro com Toby, tinha aproximado ainda mais Amanda deste grupo.

- Por favor – Amanda revirou os olhos e resmungou baixinho. Achava lastimáveis as fitas que Daisy fazia e as bocas que mandava a Dean, apenas para ser notada.

- Disseste alguma coisa Miley? – Perguntou-lhe Dean, interrompendo a conversa que estava a ter com Toby.

Amanda suspirou. “Mimado idiota”, pensou.

- É Mandy – corrigiu Amanda, com uma cara séria – E não, não disse nada que te pudesse interessar.

Dean encolheu os ombros e voltou à sua história, deixando Amanda de novo sem entretenimento. Carry olhou para ela e depois em redor. Sim, ela sabia que a melhor amiga não se dava propriamente bem com o grupo do namorado.

Mais um shot para a mesa. As sextas-feiras eram sempre dias de festa. Os amigos brindaram ao facto de as aulas estarem quase a acabar, e então voltaram a sentar-se. Conversa para aqui, conversa para ali, e começaram a ir embora. Toby levou Carry até casa, e Daisy foi no seu carro descapotável e reluzente. Já Amanda seguiu a pé, como sempre fazia, pelas ruas já algo frias. Saiu do bar sem prestar atenção a mais nada, já só pensava em chegar a casa e deixar-se cair na sua cama fofinha. Atrás de si ouviu passos apressados, e por isso olhou e franziu as sobrancelhas.

- Tu? – Perguntou, ao ver Dean chegar ao pé de si e acompanhar o seu passo. O rapaz encolheu os ombros.

- A minha mota está no mecânico – explicou.

- Ah.

- Não me vais perguntar o que se passou?

- Estás aqui ao meu lado sem um único arranhão, de certeza que não foi nada de grave.

Amanda encolheu os ombros e continuou a andar, agora com Dean ao seu lado, ambos em silêncio.

- Então Miley, costumas andar sempre a pé? – Amanda olhou para ele e revirou os olhos.

- O meu irmão é o teu melhor amigo desde sempre. Não podes mesmo esperar que eu acredite que não sabes o meu nome – disse-lhe, com desdém.

 Era verdade. O irmão mais velho de Amanda, Jim, sempre fora muito amigo do irmão de Dean, e então os três rapazes tornaram-se quase inseparáveis até dois deles irem para a universidade e Dean, por ser dois anos mais novo, ter ficado no liceu. Continuaram bastante amigos, mas claro que passavam menos tempo juntos.

Dean soltou uma gargalhada e levou as mãos ao cabelo, abanando-o.

- Se soubesse porque é que o ia dizer errado? – Perguntou.

Uma brisa mais fresca fez-se sentir e Amanda arrepiou-se toda, fazendo um pequeno som com os lábios, para depois se recompor. Também ela riu.

- Porque é “fixe” – respondeu desenhando as aspas com os dedos – Porque todos sabem o teu nome e tu não sabes os de ninguém.

Dean parou e ficar a olhar para ela, admirado, porém quando viu que ela não ia parar deu duas passadas mais largas para a acompanhar.

- Ganhaste – admitiu.

- Excepto que não é fixe – interrompeu-o a rapariga – É triste. Fingires que não sabes os nomes de pessoas que conheces desde pequeno é apenas patético.

- Estás-me a chamar patético?

Agora foi Amanda a parar, e voltou-se para ele de sobrolho franzido.

- Já sabes o que acho de ti – disse-lhe sem rodeios. Dean respirou fundo, e Amanda voltou a arrepiar-se.

- Toma – o rapaz passou-lhe o casaco para as mãos, visto que não o levava vestido.

- Deixa estar – Recomeçaram o andamento, e Dean revirou os olhos.

- Não sejas teimosa – teimou, pondo-lhe o casaco pelos ombros – Estás com frio e eu não preciso do casaco.

- Obrigada – Amanda ajeitou o casaco, vestindo-o e abotoando-o, e só depois cheirou aquele perfume. Podia não gostar de Dean, mas tinha que admitir que de todos os rapazes que conhecia era o que o melhor perfume tinha.

Em pouco tempo chegaram à casa da rapariga, e apenas à porta é que ela despiu o casaco de Dean e lho entregou. Este sorriu-lhe e voltou a passar com os dedos no cabelo.

- Eu não sou tão mau – disse.

- O quê? – Amanda não tinha percebido o que ele queria dizer.

- Rapaz. Não sou tão mau rapaz. Ajo de certas formas porque os meus amigos gostam – explicou ele.

Amanda riu.

- Estás errado – disse-lhe, pondo uma mecha de cabelo atrás da orelha – Ninguém gosta de um rapaz convencido e arrogante. As pessoas preferem alguém modesto e sensível. Não metes tanta graça quanto pensas.

Dean engoliu em seco e Amanda encolheu os ombros. Era a verdade, e ela não tinha medo de a dizer. Sempre fora directa, especialmente quando eram coisas que não lhe agradavam.

- Então deixa-me provar-te – pediu Dean, momentos depois.

- Provar-me o quê?

- Que sou bom rapaz. Começamos tudo de novo.

- Tudo bem. Dou-te uma segunda oportunidade. Agora vai para casa, já está tarde.

- Dorme bem, Mandy.

 

Espero que tenham gostado do primeiro capítulo, e que não se esqueçam de comentar ;)

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