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Sob o Luar

por Andrusca ღ, em 21.04.12

Capítulo 4 – Um Dean Diferente

 

- Quem quer vir resolver a pergunta nove? – Perguntou a professora. Ninguém levantou o dedo, era uma aula de Matemática mais que normal – Ninguém? – De novo, nenhuma resposta – Amada, fizeste o exercício?

Amanda assentiu com a cabeça, e a professora entregou-lhe a caneta para que fosse escrever no quadro branco. A rapariga foi até ao quadro, com o caderno na mão, e começou a passar o exercício como o tinha resolvido em casa. Estava bem, e em seguida pôde retornar ao lugar.

Não demorou muito tempo a tocar e, quando isso aconteceu, os alunos arrumaram as coisas e saíram à pressa. Carry aproximou-se da mesa da amiga e revirou os olhos.

- És sempre a última a sair – murmurou, rindo-se.

Amanda agarrou na mala, levantou-se, e encolheu os ombros. Carry foi ter com Toby, que estava nas mesas do bar com Dean e Daisy, mas Amanda apenas lhes deitou um olhar e seguiu para o cacifo. Abriu-o e lá dentro colocou os livros que já não iria precisar, bem como os cadernos. Quando fechou a porta do cacifo assustou-se e pulou, ao ver Dean lá parado.

- Credo! Assustaste-me – queixou-se, fazendo o outro rir.

- Desculpa. Não te vens sentar connosco?

Amanda franziu o nariz. Na verdade não lhe apetecia ir aturar mais um dos dramas de Daisy, nem ir ouvir mais piadas sem graça.

- Não… estava a pensar ir para o pátio – respondeu-lhe.

- Ah… - Dean ficou pouco animado, mas logo pôs um sorriso nos lábios – Então olha, vou contigo!

Amanda achou estranho, mas concordou. Caminharam lado a lado pelos corredores até chegarem à porta para o pátio, e Dean abriu-a, esperando que a rapariga passasse. Até lhe parecia um rapaz atencioso. Bastante gentleman para as raparigas. O seu grande problema era mesmo a falta de modéstia e achar que tem graça.

Acabaram por se sentar no chão alcatroado, à sombra de uma árvore, meio afastados de toda a confusão de quem namorava, ou jogava à bola, ou apenas andava de um lado para o outro. Amanda fechou os olhos e respirou fundo, ao sentir uma leve brisa afastar-lhe os cabelos para trás. Ela gostava de ter estes momentos de paz.

- Porque é que viemos para aqui? – Perguntou Dean, após poucos segundos de silêncio.

- Não gostas? – Questionou Amanda.

O rapaz olhou em volta. Se gostava de estar longe de todos, entre uns arbustos, à sombra de um velho carvalho, sem ter quem lhe ouvisse as piadas nem o achasse o maior? Não… não lhe agradava muito.

- Não percebo a piada – admitiu.

Amanda riu-se. Ela já sabia que a resposta seria algo daquele género.

- Porque não estás no centro de tudo? – Inquiriu.

Dean observou-a cuidadosamente. “É como se me lesse o cérebro”, pensou para si.

- Talvez.

- De certeza.

- Então e tu? Não percebo. Tens tudo para estares no centro de todas as acções. És bonita, és inteligente. Podias ter toda a gente da escola aos teus pés. Porque não?

Amanda suspirou. Como é que o ia fazer compreender? Para ela era muito mais importante um momento sereno com os seus pensamentos, do que estar rodeada de pessoas e sentir-se sempre sozinha.

- Pelo menos assim sei quem são os meus verdadeiros amigos – acabou apenas por dizer.

- E eu sou? – Amanda foi apanhada de surpresa, e olhou para o rapaz – É isso que somos? Porque há anos que saímos juntos… somos da mesma turma, temos os mesmos amigos… e no entanto sinto que não sei nada sobre ti.

A rapariga encolheu os ombros.

- O que queres que diga? Quem tem muitos amigos e anda demasiado ocupado acaba por perder os pequenos momentos, que são os mais importantes.

- Diz-me uma coisa que nunca tivesses contado a ninguém – pediu-lhe, com a curiosidade aguçada e os olhos a brilhar, como se fosse um miúdo pequeno a pedir algo inegável.

- Porque é que faria isso? – Discutiu Amanda, a rir.

- Mandy – insistiu ele –, vá lá.

- Não.

- Porquê?

- Porque… - Amanda suspirou e encolheu os ombros – Porque tu és o Dean. E és divertido, e tens boa aparência, mas no fim do dia… ninguém sabe realmente como és.

Dean franziu o sobrolho, e Amanda desviou o olhar para o chão de alcatrão.

- Não confias em mim – constatou ele.

- A confiança tem que ser merecida. E tu não fizeste nada para a mereceres. Sim, quando não estás a ser um idiota até se fala bem contigo, até se passam bons momentos mas… tu és o rapaz que cada semana anda com uma rapariga diferente debaixo do braço. Aquele que mente e gosta de ser superior, e que se acha melhor que todos os outros.

- Mas eu não sou assim – garantiu ele, agora já com uma expressão séria.

- Eu sei – afirmou Amanda, para sua surpresa – Porque tu podes não me conhecer, mas eu conheço-te. Lembras-te quando éramos pequenos, e andávamos no jardim-de-infância, e um colega nosso me empurrou e me fez cair?

- Cortaste o teu joelho.

- Estava no chão, a chorar, e tu mandaste-o ao chão e vieste-me ajudar a levantar. Levaste-me à enfermaria, disseste-me para não chorar. E depois disso não sei o que aconteceu, raramente voltámos a falar como amigos.

- Crescemos. Mas Mandy, eu…

- Eu acho que ainda és esse rapaz que me ajudou – interrompeu-o ela – Mas por alguma razão achas que ele não é bom o suficiente. Por isso finges ser um Dean diferente. Mas esse Dean diferente não passa de um idiota. Um disfarce idiota.

- Então se sabes como eu sou… porque é que me estás a afastar?

- Porque enquanto não te decidires… enquanto fores uma pessoa quando estamos apenas os dois sozinhos, e depois outra quando estivermos em grupo, nunca poderei ter a certeza sobre qual és realmente. Pediste-me para te dar uma oportunidade para me mostrares que és diferente daquilo que se vê. Posso-te perguntar uma coisa?

- Pergunta.

- Porquê? – Dean não respondeu, e por isso Amanda decidiu insistir um pouco mais – Porque é que me foste pedir isso logo agora? Depois de tantos anos? Porquê agora, porquê a mim?

O rapaz dirigiu a sua atenção para cima, vendo um pouco do azul do céu através dos ramos da árvore, e suspirou. Porquê agora? Porquê a ela? Dean olhou-a. Não conseguia explicar. Não dava para ser explicado.

- Não sei – admitiu.

Gostava de ser ele mesmo quando estava com ela. Gostava daquela despreocupação que o atingia, de se ver livre de toda a pressão de ser perfeito para que não perdesse o seu grande estatuto. Porque quando estava com ela sabia que isso não lhe interessava de nada. Sabia que Amanda não queria saber de estatutos nem se popularidades. E apenas tinha percebido isso há pouco tempo, como se andasse cego durante todos os últimos anos. Cego pela ganância da popularidade.

- Não sabes?

O rapaz continuou a pensar. Ela era diferente do habitual. Diferente de todas as raparigas mesquinhas e interesseiras que ele costumava ter debaixo do braço a cada semana que passava. Passava ao lado dos mexericos e dos olhares dos adolescentes maldosos e intriguistas. Vivia no seu mundo, sem se importar com o resto. No fundo, invejava-a. Gostava de conseguir não se preocupar tanto com a opinião dos outros como ela.

- Porque tenho saudades de ser eu – murmurou, baixo – E quando estou contigo… é assim mesmo que me sinto. Eu. Sem pressões, sem chatices.

- Então porque é que não és sempre assim?

- Porque… porque…

- Porque eu tenho razão – o toque de entrada soou, e Amanda suspirou. Descruzou as pernas e levantou-se, agarrando na mala e sendo imitada pelo rapaz – Não achas esse Dean bom o suficiente.

 

Eu sei, eu sei, este demorou e nem sequer está nada de jeito.

Vou tentar que o próximo chegue mais depressa ^^

Entretanto, dêem das vossas opiniões ;)

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