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Sob o Luar

por Andrusca ღ, em 18.06.12

Capítulo 9 – O Fim do Sonho

 

Amanda arrastava os pés pela areia da praia, com a cara lavada em lágrimas e a pouca maquilhagem toda esborratada. Envergava uns simples calções de ganga e um top, que a deixavam com frio. A noite já ia longa, e não era como todas as outras. Esta era fria. Até a lua parecia adquirir menos brilho do que outrora. Na mão direita segurava uma garrafa de Vodka, e na esquerda um saco de plástico com mais umas quantas. Levou a garrafa à boca e deu-lhe um golo. Já tinha bebido uma, e a segunda estava prestes a terminar.

- Como é que terminei assim? – Perguntou ao mar, à lua, ao vento, a quem a ouvisse – Porque é que isto aconteceu?

Mais um trago, mais meia dúzia de lágrimas derramadas. Sentiu, pela milionésima vez, o telemóvel a vibrar-lhe no bolso dos calções e agarrou-o. Era ele de novo. Não desistia. Pensou em atender e chamar-lhe todos os nomes de que se conseguisse lembrar, mas não se sentia capaz disso. Se ouvisse a sua voz quebraria. Em vez disso, recusou a chamada e deixou-se cair derrotada na areia fina e gelada.

 

*Há poucas horas…*

 

- O que é preciso fazer? – Perguntou Dean, chegando-se por trás da namorada e agarrando-a por trás, depositando-lhe um beijo na bochecha. Ela riu-se.

- Se quiseres descascar umas cenouras, enquanto eu acabo com as batatas, agradecia – respondeu-lhe.

Ele logo tomou o seu posto e, juntamente com mais três amigos, trataram de cozinhar o jantar para todos. Jantaram num clima de brincadeira e risos e, depois, Cameron, um colega deles, foi buscar algumas bebidas. Não planeavam embebedar-se, apenas beber um copo para se poderem divertir mais.

Dean e os rapazes agruparam-se à conversa, e as raparigas fizeram o mesmo. Uns falavam de futebol e de miúdas, e as outras falavam de roupas e do verão. Cada um se divertia à sua maneira.

- Pessoal, acho que vou dormir – anunciou Dean, ao bocejar. Levou o resto da sua bebida à boca e começou a sentir-se cada vez mais sonolento. Caminhou até Amanda e falou-lhe: - Não vens?

Ela abanou a cabeça.

- Acho que fico aqui mais um bocadinho. Mas já vou – garantiu, ao dar-lhe um beijo de boa noite.

O rapaz encaminhou-se da sua tenda e adormeceu de barriga para cima assim que se deitou. Não se sentia normal. Assim que o viu entrar na tenda, Daisy sorriu maliciosamente. Depois de tantos dias, era hoje que ia finalmente fazer qualquer coisa.

Sem que ninguém visse, esgueirou-se para dentro da tenda dele e da namorada e, com muito jeitinho, conseguiu tirar-lhe a t-shirt e as calças, deixando-o apenas com os boxers pretos. De seguida despiu-se, ficando unicamente com a lingerie ultra sensual que tinha comprado especialmente para aquele momento. Sorriu ao vê-lo ali adormecido, indefeso, completamente à sua mercê. “Parece que tenho que agradecer àqueles parolos pelas cenas que me venderam, baptizar a bebida do Dean foi uma boa ideia”, pensou.

Primeiro colocou-se ao lado dele, fazendo-lhe uma festa e desviando-lhe uma madeixa de cabelo dos olhos, e depois deu-lhe um suave beijo na bochecha. Logo de seguida colocou-se em cima dele, sentando-se no seu colo, com uma perna de cada lado e, com cuidado para não o despertar, beijou-lhe os lábios, soltando um risinho. Pegou-lhe nas mãos e colocou-lhas na sua coxa. Agora era esperar que Amanda chegasse e, enquanto isso não acontecia, divertir-se-ia. Podia contar com Dean adormecido por pelo menos uma hora.

Passava pouco da meia-noite quando Amanda disse que ia também para a tenda, mas Carry impediu-a e continuaram as duas à conversa por algum tempo. Depois foi outra amiga que a chamou e, quando conseguiu sair de ao pé do local onde todos conviviam, suspirou de alívio. Já estava cansada, só queria adormecer ao lado do seu amor e deixar-se afundar num mar de sonhos. Estava do lado de fora da tenda quando reparou algum movimento dentro dela. A lona afastava-se ligeiramente, e depois voltava para trás. Ainda olhou em volta, tinha estado a beber, aquela podia não ser a sua tenda, mas não. Era mesmo. Franziu as sobrancelhas e começou a abrir o fecho para entrar.

Dean tinha despertado segundos antes desse preciso momento, ainda atordoado, com Daisy em cima de si e a dar-lhe beijos. Tentou afastá-la, mas era como se os seus músculos não lhe respondessem.

- O que é que estás a fazer? – Perguntou-lhe.

- Shh… deixa-me cuidar de ti, baby – disse ela, de um modo provocante. Foi nesse instante que Amanda abriu o fecho e viu a rapariga que mais detestava a beijar o pescoço e o peito ao seu namorado.

- Mas o que raios é que se passa aqui?! – Gritou, furiosa com os dois.

Daisy fingiu-se de inocente e pulou de cima de Dean, tapando-se com as roupas, e olhou escandalizada para Amanda.

- Mandy… eu posso expl…

- Meu deus! – Daisy não deixou Dean falar – Ele disse que não ias chegar tão cedo! Não era suposto descobrires assim.

Amanda olhou os dois, com um nó na garganta e lágrimas nos olhos, e engoliu em seco.

- O quê? É mentira! – Dean, ao ver o desapontamento espelhado na cara da namorada, arranjou algumas forças e saiu da tenda, erguendo-se com alguma dificuldade. Ia agarrá-la pelos ombros, mas Amanda foi mais rápida e pregou-lhe um estalo na cara que quase ecoava pelas árvores – Mandy…

- Já devia saber – murmurou ela – Tipos como tu não mudam.

- Mand…

Amanda não ficou por perto para ouvir mais nada. Perante o desespero de Dean e um sorriso triunfante de Daisy, começou a correr pelo mato, agarrou no saco das bebidas e saiu do alcance de vista dos dois. O rapaz apenas vestiu as calças e se calçou antes de ir atrás dela, mas já não a conseguiu alcançar. Em vez disso deu com Carry e Toby, com mais dois rapazes, os únicos ainda a pé, a olhar para si.

- O que é que aconteceu? – Perguntou Carry – A Mandy acabou de passar por nós, a gritar que a deixássemos em paz assim que perguntámos o que se passava.

Dean levou as mãos à cabeça e depois pontapeou algumas ervas, soltando um berro de frustração. Olhou para trás, e lá viu Daisy com o seu ar triunfante. Deu passadas largas até ela e levou a mão atrás para lhe bater, mas Toby apercebeu-se e parou-o.

- Então meu?! – Disse-lhe, sem nunca o largar.

- Vais-mas pagar – ameaçou, por fim.

- Por favor amor, não podíamos esconder para sempre – retorquiu Daisy, sorrindo e dando meia volta.

Só então Toby largou o amigo.

- Começa pelo início – mandou Carry.

 

*Agora*

 

De novo aquele enervante telemóvel vibrou e Amanda desligou. Já tinham ido à sua procura, mas conseguira esconder-se. Sentiu raiva, sentiu nojo. “Como é que fui confiar nele?”, pensou, frustrada, “porque é que lhe dei uma segunda oportunidade? Já sabia que isto ia acontecer, já sabia que… já sabia”.

- De agora em diante… - murmurou – nunca mais deixarei que me magoem.

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