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Sob o Luar

por Andrusca ღ, em 29.06.12

Capítulo 10 – Figuras Tristes

 

Ela tinha voltado para o acampamento.

A notícia da traição de Dean tinha corrido entre os amigos como o vento e, enquanto alguns o olhavam de lado, outros pensavam “pobre Mandy” e “se fosse comigo já tinha ido embora”. Mas não tinha sido isso que ela tinha feito. Não. Amanda prometera-se naquela noite, na praia, que não se permitiria a sofrer de novo por mais ninguém, e essa não era uma promessa feita em vão. Estava disposta a cumpri-la. Depois de ter acordado de manhã, deitada na areia a ouvir o som das ondas do mar, Amanda levantara-se e, com a enorme dor de cabeça devido à ressaca, arrastara-se até ao acampamento, deixando as garrafas vazias abandonadas ao esquecimento. Assim que chegou perto das tendas houve uma grande confusão à sua volta. Uns gritavam porque a tinham ido procurar e, como não a tinham encontrado, temiam que algo lhe tivesse acontecido; outros apenas a faziam sentir-se como uma coitadinha a quem alguém tinha negado algum órgão vital.

Desde esse dia, mais dois se tinham passado. Dean fizera várias investidas de esclarecer tudo, mas Amanda estava disposta a não ouvir. Ninguém lhe tinha contado nada, ela tinha visto tudo com os seus próprios olhos e, ainda que pudesse admitir que Daisy era venenosa o suficiente para ter armado tudo, teimava em não acreditar no, agora, ex-namorado. Tinha o pressentimento de que, se lhe desse outra oportunidade, ele ia estragá-la, tal como fizera com as outras duas. Estava cansada e farta de dar oportunidades a quem não as merecia. Estava, apesar de não o reconhecer, magoada o suficiente para não querer arriscar em nada mais.

- Estás a planear sair da tenda? – Perguntou Carry.

Desde o “incidente”, Amanda ficou a dormir na tenda de Carry, enquanto Toby se mudou para ao pé de Dean.

O sol já tinha nascido há várias horas, mas Amanda não parecia dar qualquer sinal de querer sair do saco-cama.

- Sim – mas, mesmo sem vontade, arranjou maneira de colocar um sorriso nos lábios e de se sentar, olhando a melhor amiga.

Agarrou nos seus produtos de higiene e saiu da tenda, em direcção aos balneários. Estavam vazios, e ela colocou-se dentro de uma das cabines de duche, fechando a pequena e fina porta. A água começou a sair do chuveiro e Amanda colocou-se por baixo dela, fechou os olhos e respirou fundo.

- Tu consegues fazer isto – repetiu vezes e vezes até começar a ficar iludida – Não vais quebrar… são só mais uns dias.

Depois do banho tomado vestiu uns calções e um top e foi arrumar as coisas à tenda. Os outros já estavam na zona dos churrascos e, por isso, foi para lá que se encaminhou. Assim que chegou viu-o lá. Parecia abatido. Os seus belos olhos já não tinham um brilho irresistível nem incrível, mas sim de tristeza, e do seu deslumbrante sorriso nem sinal havia. Dean estava encostado a uma árvore, com um ar triste e apático, com uma garrafa de cerveja na mão na qual dava, de quando a quando, alguns goles. Amanda esforçou-se ao máximo para não se preocupar e para o conseguir ignorar e lá se dirigiu para ao pé de Carry, que falava com um grupo de amigas que se calaram mal ela lá chegou. Ela não era burra, percebia perfeitamente que sentiam “pena” dela, e detestava ser possuidora dessa sabedoria. “Não sou nenhuma coitadinha”, pensava.

Há medida que a tarde ia avançando, as pessoas iam dispersando. Uns tinham decidido ir à praia, outros para a piscina, outros jogar ténis. Amanda e mais três amigas tinham escolhido ficar no descampado, ela não estava com disposição para estar entre grandes multidões, e as outras estavam sonolentas devido ao calor. Ao longe ainda se via Dean. Andava de um lado para o outro, a balbuciar coisas para si mesmo, a embarrar nas árvores e a tropeçar nas ervas, caindo para o chão e levantando-se vezes e vezes. “Está podre de bêbedo”, pensava Amanda.

- Coitado, faz asneira e depois embebeda-se, como se isso fosse ajudar – comentou uma das outras, levando logo uma cotovelada de outra. Amanda olhou para ela e engoliu em seco, não deixava de ter razão, mas escusava de ter puxado aquele assunto ao de cima. Voltou a dirigir a sua atenção para Dean que, agora, parecia já mal se aguentar em pé. Viu-o inclinar-se, ajoelhar-se e depois despejar tudo para fora. Todo o álcool, e tudo o mais que pudesse estar naquele estômago, começaram a ser expelidos.

- Acham que ele está bem? – Perguntou Amanda.

- Quem é que se importa? Ele merece – disse uma das outras.

Amanda suspirou e começou a dirigir-se ao rapaz, para surpresa das outras. Podia odiá-lo naquele momento, mas se ele morresse, quem é que ia odiar?

Chegou ao pé dele e colocou-lhe a mão nas costas, ajudando-o depois a levantar.

- Mandy! – Exclamou ele, surpreendido, com uma voz demasiado alta e um horrível bafo a álcool – Estou tão arrepennndido… por favorrr, perdoooa-me… - ia dizendo, arrastando as palavras enquanto fazia gestos com os braços – Peerdoas? Eu amo-te, eu amo… amo…

- Está calado – mandou ela, sem paciência – Não tenho paciência para bêbedos. Anda.

Quase que o arrastou até ao balneário e forçou-o a passar a cara por água, depois de o ver vomitar mais duas vezes. “Que figuras mais tristes”, pensava ela. Depois encaminhou-o para a tenda, e deixou que se mandasse lá para dentro. Quando vinha embora, sem a intenção de proferir qualquer outra palavra, Dean saiu ligeiramente da tenda e agarrou-lhe no tornozelo, forçando-a a voltar-se de novo.

- O que foi? – Perguntou, com um ar enfadado.

- Obrigado… por cuidares de mim – suspirou ele, formulando um sorriso.

Amanda abanou a cabeça e suspirou.

- Sabes o que é que é pior? – Perguntou ela – É que mesmo depois daquilo tudo, não te consegui deixar sozinho. Sou uma idiota.

- Não acho que isso seja o pior. Na minha perspectiva é bom. Significa que ainda não te sou indiferente – Dean agora falava a sério, apesar de não estar nem próximo da sobriedade. Ao olhar para ele Amanda sentiu-se triste e chateada ao mesmo tempo. Podiam estar juntos, podiam estar bem, mas ele tinha deitado tudo a perder.

- Eu dei-te uma segunda oportunidade Dean – afirmou ela – e tu estragaste-a. Não esperes uma terceira.

E, assim, sem mais nenhuma sílaba, soltou-se da mão do rapaz e deixou-o, encaminhando-se para um sítio onde pudesse estar sozinha. 

 

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