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Sob o Luar

por Andrusca ღ, em 19.07.12

Capítulo 13 – As Queixas

 

- Devias-te sentar – avisou Carry, com algum nervosismo na voz.

Dean olhou para ela de um modo confuso. Estavam num pequeno café no centro da cidade, um local bastante acolhedor, com algumas mesas pequenas e um sofá cor-de-laranja mesmo ao centro para dar um ambiente mais cómodo.

- A sério meu, senta-te – incentivou Toby.

Ele tinha sido chamado lá pelos dois amigos, que se encontravam sentados em duas cadeiras de frente para o sofá.

- O que é que se passa? – Quis ele saber.

- Importas-te de sentar o rabo na cadeira?!

Carry foi pouco paciente, e pediu desculpa mal gritou com o amigo. Dean encolheu os ombros e sentou-se no centro do sofá, apoiando os cotovelos nas pernas, inclinando-se para a frente. Pensou que agora eles iam ser rápidos e desembuchar, mas na verdade continuaram calados. Nem Carry, nem Toby, sabiam como dizer aquilo ao amigo.

- Ok, hum… - Toby foi quem ganhou coragem primeiro e, após respirar fundo, decidiu que o melhor seria dizer tudo de seguida – A Mandy enlouqueceu. Desde que vocês acabaram que perdeu o juízo. Sai até às tantas da noite, roça-se em tudo o que tem pernas, bebe até cair para o lado e discute com os pais diariamente. Acha que só ela é que tem razão e que não está a fazer nada de mal. Já não fala connosco, trata-nos com desprezo e frieza e eu acho que ela está morta por dentro!

Dean ficou atónico a olhar para o outro, que tentava recuperar o fôlego. As únicas coisas que tinha percebido do pequeno discurso foram “Mandy… tantas da noite… bebe… desprezo e frieza” e nada disso fazia sentido. Ela nunca gostara de noitadas nem de beber, e sempre fora a rapariga mais doce que ele conhecia.

- O quê? Meu, não percebi nada – queixou-se, para desespero dos outros dois. Carry revirou os olhos e, enquanto esfregava as mãos freneticamente uma na outra, começou a falar mais calmamente.

- Desde que voltámos do acampamento a Mandy está diferente – falou, fazendo uma breve pausa – Ela está ausente, não nos deixa “aproximar” e está sempre a fazer coisas que não fazia antes.

Dean engoliu em seco.

- Como o quê? – Perguntou.

- Bem, por exemplo, combinámos ontem irmos ao cinema e quando lá cheguei ela tinha saído. O Jim disse que ela tinha discutido com os pais e simplesmente saído – continuou a rapariga.

- Se calhar esqueceu-se. Acontece – Dean tentou arranjar desculpas para o que acontecera.

- Não… em quase dezoito anos nunca aconteceu – afirmou Carry, encolhendo os ombros – E não é só isso. Está sempre a sair à noite sozinha e a chegar já de madrugada. Discute sobre tudo, até o Jim diz que ela se está a tornar insuportável. Seguiu-a no outro dia e foram dar a um bar. E há uns dias ela levou-me a uma discoteca e…

- Sim, acho que já percebi a ideia – Dean interrompeu-a, fazendo-a soltar um suspiro – É tudo culpa minha.

- Não é culpa tua – apressou-se Toby a falar – Ela é que… não sei, parece que se fechou do mundo. Sabes o Anthony Carrera? – O outro rapaz assentiu.

- Sim, ela detesta esse tipo – comentou.

- Ela está a sair com ele – Afirmou Carry, para choque do outro. Dean não podia acreditar naquilo que ouvia, nenhuma daquelas coisas pareciam ser vindas da rapariga por quem se apaixonou.

- Ela está a sair… com o Anthony Carrera? – Perguntou, incrédulo, recendo uma afirmação por parte dos outros dois – Mas ela nunca gostou desse tipo! O que é que se está a passar?

Anthony Carrera era o perfeito playboy que punha baba na boca de qualquer rapariga, mas trava-as como se fossem substituíveis e lixo.

- Não sei, mas tu tens que falar com ela – pediu Toby – Mesmo que não sirva de nada, que tentar. Disseste que não ias desistir dela, por isso agora é uma altura perfeita para provares isso.

 

 

Dean estava estático em frente à porta da casa da antiga namorada. Tinham dado o seu primeiro beijo naquele exacto sítio, e ele tinha saudades desses tempos em que eram tudo arco-íris e borboletas. Já tinha levantado a mão para tocar à campainha duas vezes, mas ainda não tinha tido coragem para o fazer. Na volta Amanda nem estava em casa, por isso não era preciso tanto nervosismo. Mas Dean só pensava em como ela estaria. Se estaria radiante como sempre, se ainda tinha aquele sorriso deslumbrante que o conquistara, se seria capaz de falar com ele… Quando se deixou de suposições, tocou à campainha. Quem abriu foi Jim, que cumprimentou com um aperto de mão esquisito.

- A tua irmã está? – Perguntou imediatamente a ter entrado.

- No quarto – informou o outro.

Subiram as escadas juntos, mas enquanto Jim virou para o seu quarto, Dean ficou parado em frente à porta do quarto de Amanda. Arranjou coragem e bateu, não obtendo qualquer resposta. Voltou a repetir o gesto, e o final foi igual. Abriu-a então só o suficiente para conseguir espreitar, e viu a rapariga estendida na cama com os fones nos ouvidos e de olhos fechados. Vestia uns calções pretos, muitos curtos e justos, e um top com um decote mais do que generoso. Estava descalça, e tinha o cabelo preso numa trança.

- Mandy? – Ele chamou, mas ela não ouviu. Entrou então no quarto e, após fechar a porta, dirigiu-se à cama e deu-lhe um toque no ombro, fazendo-a abrir os olhos. Amanda franziu as sobrancelhas e tirou os fones dos ouvidos, ajeitando-se na cama de modo a ficar apenas sentada.

- O que é que estás aqui a fazer? – Perguntou, com uma voz séria.

Dean observou-a bem antes de responder. Amanda esforçava-se por sorrir e parecer indiferente, mas aquele sorriso era tudo menos genuíno.

- Eu… - era incrível, era a primeira vez que estavam a ter uma conversa desde que acabaram o namoro e ele não fazia ideia o que dizer – Eu falei com o Toby e com a Carry. Eles disseram que…

- Oh meu Deus! – Exclamou Amanda, agora com uma voz chateada. Ela levantou-se da cama e deu meia dúzia de passos pelo quarto – Não acredito. Eles já me têm chateado há uns dias, mas a sério? Não acredito que te foram fazer queixas! Que idiotas!

- Não me vieram fazer queixas. Estão preocupados contigo, Mandy.

- É Amanda.

- O quê?

- O meu nome não é Mandy, é Amanda – Dean ficou a olhar estupefacto para ela e simplesmente não conseguiu ver naquela rapariga aquela que outrora o conquistara.

- Pois, acho que é – acabou por dizer, de um modo também já algo frio – Porque a Mandy era doce, e atenciosa, e não dizia mal dos amigos. Não vestia essas porcarias e não saía até de madrugada e, especialmente, nunca pensaria em sair com um tipo como o Anthony Carrera. Por isso sim, acho que és a Amanda.

Amanda ficou perplexa a olhar por ele por alguns segundos, mas depressa se recompôs.

- Muitos ciúmes? – Provocou.

- Talvez… mas não de ti. Da rapariga por quem me apaixonei. Sabes onde é que ela está?

- Talvez devesses perguntar à Daisy. Foi ela quem a viu pela última vez.

Dean abanou a cabeça e suspirou.

- É incrível. Nunca tive nada com a Daisy, mas se é assim que tu és na realidade estou feliz por ela ter armado aquela confusão toda!

Sem mais nenhuma palavra, Dean virou costas e saiu do quarto, batendo com a porta, deixando-a completamente sem reacção. Aquela não tinha sido a sua ideia, não tinha lá ido para discutir. Mas não tinha conseguido manter a calma. Aquela não era a Mandy. Não era a sua Mandy, e Dean temia tê-la perdido de vez quando, ao olhar nos olhos de Amanda, não viu um único pingo de amabilidade ou doçura. 

 

IMPORTANTE

Meus fofinhos e fofinhas, vou de férias. Tenho net limitada por três semanas, mas prometo que vou tentar escrever e postar pelo menos um capítulo por semana, combinado?

Beijinhos e não se esqueçam dos comentários :p

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