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Sob o Luar

por Andrusca ღ, em 25.07.12

Capítulo 14 – Sem Juízo

 

Amanda estava no quarto, em frente ao roupeiro, a mirar a roupa que tinha. Tinha convidado Carry para ir consigo a uma discoteca, mas a amiga tinha recusado. A relação das duas já estava diferente, não era o mesmo que costumava ser. Desde que Amanda se tinha tornado tão… fria, Carry tinha-se começado a afastar. Não suportava ver a amiga assim.

- Talvez este… - pensou Amanda em voz alta, enquanto agarrava num vestido azul, curtinho.

Decidiu que seria esse que usaria, por isso tirou-o para fora e fechou o roupeiro. Pousou o vestido em cima da cama, enquanto ia tomar banho. Quando regressou ao quarto vestiu-o, e regressou à casa de banho, onde se foi pentear e maquilhar. Fez um carrapito no cabelo, a noite estava bastante quente, e pintou-se de uma maneira menos subtil do que era costume. Depois de despachada de lá, calçou umas sandálias de salto alto e agarrou na sua pequena mala preta, com tudo o que precisava lá dentro.

- Jim, vou sair – anunciou, abrindo a porta do quarto do irmão, dando com ele ao computador. Jim franziu as sobrancelhas e olhou para as horas.

- Mas são quase onze e meia – disse ele.

- Volto antes das sete – Amanda, fingindo não perceber a gravidade da situação, piscou o olho ao irmão e fechou-lhe a porta.

Desceu as escadas com cuidado, para não acordar os pais, e saiu da mesma maneira. Tinha conseguido tirar as chaves do carro ao pai, antes de ele adormecer no sofá, e por isso conduziria até à discoteca.

Quando estacionou e deu a volta ao prédio, viu uma enorme fila para se entrar para a discoteca. Sem perder tempo, dirigiu-se até ao segurança e sorriu-lhe.

- Posso passar? – Perguntou, lançando-lhe risinhos e olhares. O homem, velho demais para ela e bastante musculado, deu um pequeno olhar à fila antes de abrir a fita para que ela pudesse passar – Obrigado, boneco.

A música estava ao rubro e toda a gente dançava. Amanda observou o resto das pessoas. Havia os “podres de bêbedos”, as raparigas que se atiram a todos, os homens à procura de quem lhes desse atenção… e a lista continuava. A rapariga dirigiu-se até ao bar e pediu uma bebida, seguindo depois para a pista de dança. Abanava o seu corpo ao som da música sem se preocupar com quem pudesse, ou não, estar a olhar. De copo elevado e com a outra mão a agarrar na mala, Amanda estava a tentar divertir-se de maneiras que nunca tinha tentando antes.

- Olá – ouviu, ao mesmo tempo que sentiu umas mãos enrolarem a sua cintura, por trás. Espreitou calmamente, e viu um homem já com os seus quase trinta anos, com uma barba de três dias e uns olhos escuros. Estava vestido com umas calças de ganga e uma camisa, mas não passava muito boa impressão. Amanda, provocante, sorriu-lhe e voltou-se para ele, pondo-lhe as mãos por cima dos ombros e abanando-se ao mesmo ritmo que ele. Ela não pensava nas consequências, estava completamente sem juízo. Tinha deixado de ser aquela rapariga inocente e simpática para se tornar numa quebra-corações, uma oferecida.

A música continuou a altos berros, e Amanda fazia de tudo para provocar o homem com quem dançava. Roçava-se nele, lançava-lhe sorrisos, olhares…

 

 

- Meu… não acho que esta seja a solução – Dean resmungou à medida que entrava na discoteca com Toby. Tinham passado uma eternidade na fila, mais de duas horas e, agora que podiam finalmente entrar, o rapaz achava que tinha sido má ideia.

- Deixa-te disso – mandou Toby – Sabes do que é que tu precisas? De conhecer pessoas. Raparigas.

- Por acaso, acho que preciso é de aprender a ficar quieto – murmurou ele, enquanto os dois se dirigiam ao bar.

Toby revirou os olhos e pediu duas cervejas. Sabia o que o amigo sentia por Amanda, e não o queria fazer esquecer isso, apenas queria que ele relaxasse por alguns momentos antes de voltar a toda aquela melancolia de “ela mudou tanto” e “já mal a reconheço”. Queria dar-lhe meia dúzia de horas fora do drama, meia dúzia de horas sem ter Amanda na cabeça.

- Há dezenas de raparigas aqui. Não estou a dizer para te apaixonares por elas, mas ao menos podias fazer um esforço para te divertires. Não deixei a Carry em casa para passarmos uma noite chata – disse-lhe.

Dean suspirou e levou a cerveja à boca. Noutros tempos já estaria ao pé de um grupo de miúdas, a deixá-las com água na boca, a seduzir com o olhar e pronto para partir o coração de qualquer uma delas. A verdade era que muitas das raparigas naquela discoteca também só queriam uma coisa de uma noite, mas antes Dean gostava de pensar que era o garanhão e que elas é que iam sempre desejar por ele. E agora dava por si a pensar como desejava tanto a única rapariga que tinha ficado imune ao seu sorriso angelical e olhos formosos.

Estava a dar uma olhada pelas pessoas que estavam no bar a pedir bebidas quando os seus olhos pararam nela. Estava linda, como nunca se arranjara antes. O carrapito no cabelo, o vestido justo e provocante, os saltos altos. Viu-a agarrar na sua bebida colorida e dirigir-se à pista de dança. Viu-a rir-se com um homem quase com o dobro da sua idade e começar a roçar-se nele.

- Meu… - murmurou, incrédulo, dando uma cacetada no braço do amigo – É a Mandy.

Toby olhou para o mesmo sítio que Dean e abriu a boca, de espanto. Depois olhou para o amigo, que tinha o maxilar rígido e as mãos fechadas com força. Com tantas discotecas na cidade, os dois tinham que se encontrar naquela.

- Quem é aquele gajo? – Perguntou, ao que Dean encolheu os ombros.

O homem que acompanhava Amanda inclinou-se para ela e sussurrou-lhe algo ao ouvido, fazendo-a rir e assentir com a cabeça. Já estava mais embriagada do que devia, não parara de beber desde que chegara, há quase duas horas. Ele agarrou-lhe na mão e começou a conduzi-la até uma porta que levava às traseiras da discoteca. Amanda riu-se e, num impulso, já após terem passado e fechado a porta, voltou-se para ele e pregou os seus lábios aos dele. Ele fê-la dar um pulinho e sentou-a num muro pequeno; ela enrolou as suas pernas na cintura dele sem nunca despegarem os lábios.

O ambiente ia aquecendo e, com o tempo, o homem ia querendo mais. As mãos dele iam baixando até às coxas da rapariga e depois baixando ainda um pouco mais. Começou a colocá-las por baixo do vestido, começando a puxá-lo ligeiramente para cima, o que fez com que Amanda parasse.

- Chega – disse ela, desconfortável. O homem olhou para ela sério e com uma mão agarrou-lhe na cara, forçando-a a continuar a beijá-lo, enquanto usava a outra para continuar a apalpar-lhe o corpo – Pára! Larga-me!

Mas ele não largava. A rapariga bem podia debater-se mas, sendo mais fraca que ele e bêbeda como estava, não tinha como se soltar. O homem estava prestes a desabotoar-lhe o fecho do vestido, nas costas, quando foi puxado para trás e mandado ao chão com um murro.

- Ela disse-te para a largares! – Um Dean enfurecido olhava com nojo para aquele homem, enquanto Toby se aproximava de Amanda. Ambos tinham achado estranho a demora e tinham achado melhor vir ver o que se passava com a amiga.

O homem levantou-se e ajeitou a camisa.

- És boa, mas não vales a pena – cuspiu as palavras para Amanda e depois passou pelo seu ex-namorado, dando-lhe com o ombro, para entrar de novo na discoteca.

Dean olhou para Amanda e, apesar de se sentir chateado, não conseguia deixar de sentir um certo alívio por ter aparecido naquela altura.

- O que é que te passou pela cabeça?! – Ralhou, enquanto se aproximava dela – E se nós não estivéssemos aqui, hum? Perdeste o juízo, Mandy?!

Amanda estava a ver as coisas a andar à volta, não se estava a sentir nada bem.

- Não vos pedi ajuda – disse, a custo. Dean ia argumentar, mas a rapariga desmaiou para a frente e foi forçado a agarrá-la.

Levou-a para casa no carro que ela tinha trazido, e Toby conduziu o seu carro atrás deles para depois dar boleia ao amigo. Deixaram-na entregue a Jim, que não ficou nada satisfeito com o episódio.

 

 

Hello pessoal (:

As férias têm corrido bem e, como prometido, cá está o vosso capítulo.

Espero que gostem e que comentem.

E não se esqueçam de continuar a mandar as coisas para o mail.

Beijinhos ^^

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