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Sob o Luar

por Andrusca ღ, em 09.08.12

Capítulo 16 – Estragos, Estragos, Estragos

 

Amanda ria à gargalhada, som que ecoava por todo o espaço onde estava. Encontrava-se no bar da escola, sentada a uma mesa com Anthony e o seu grupo. Não podia dizer que gostava deles, na verdade achava-os presunçosos e convencidos, mas quando estava com eles era como se fosse intocável. Parecia estar protegida por qualquer parede invisível que afastava todos. Até os seus amigos, que estavam a três mesas de distância a observá-la a, supostamente, divertir-se.

- Olhem para ela – murmurou Dean, desagradado – Não acredito nisto.

- Esquece-a – disse Daisy, como se fosse a coisa mais simples do mundo – Sabem o que é mesmo importante? O baile. É amanhã e as decorações já cá estão todas, basta montar! Não é tão excitante?!

Carry assentiu com a cabeça, mas na verdade nem sabia do que a outra estava a falar. Nenhum deles lhe estava a prestar atenção, o que a frustrava, visto o “Sob o Luar” ser a coisa mais importante da sua vida actualmente. Sonhava fazer o melhor baile dos arredores, com os melhores enfeites, a melhor música, os melhores aperitivos. Sonhava ganhar o prémio de rainha do baile e agradecer a todos em cima do palco, depois de lhe ter sido entregue o ramo de lírios que tinha encomendado especialmente para aquele dia. Sonhava com aquele baile do seu último ano de escolaridade desde que era uma miúda pequena e apenas queria que tudo desse certo.

- Vocês vêm ao baile, certo? – Perguntou.

- Sim – foi Toby quem lhe respondeu – A Carry convenceu-me.

- Boa! Então e tu, Dean?

- Não tenho razões para vir – disse ele – Alguém deu cabo delas.

A campainha soou, e o bar esvaziou-se aos poucos. Anthony e os seus amigos, porém, não mexeram um músculo.

- Não vamos para as aulas? – Perguntou Amanda, já pronta a levantar-se.

O grupo deu olhares entre si e depois começaram a rir-se.

- Queres ver como são as nossas “aulas”? – Perguntou Anthony, fazendo aspas com os dedos.

- O que… o que queres dizer?

- Já vais perceber – disse uma das raparigas, rindo-se.

Esperaram até aos corredores ficarem desertos, e só então é que se levantaram das cadeiras e caminharam até ao ginásio. Entraram sorrateiramente e depararam-se com uma enorme faixa pendurada por cima do palco, azul escura com uma lua ao canto, que dizia “Sob o Luar”. A um dos cantos estavam vários balões já enchidos dentro de um saco de rede, e algumas fitas e faixas para enfeitar. As cores diferiam entre azul-escuro, bege e dourado e, pelo que Amanda imaginou como tudo ficaria montado, o baile ia ficar lindo. Até à noite do dia seguinte, o ginásio não ia ser usado para nenhuma aula, para que tudo ficasse montado.

- Que treta – riu-se um dos amigos de Anthony – “Sob o Luar”? Não havia nada mais piroso?

- Eu acho querido – murmurou Amanda, recebendo um olhar desaprovador do resto do grupo.

- Querida Mandy, ainda tens muito a aprender – murmurou Anthony.

- Não percebo, o que é que estamos aqui a fazer? Pensava que íamos para as aulas.

Um dos rapazes abriu a mochila e de lá tirou meia dúzia de cervejas, que passou aos amigos. Tirou também um pequeno papel enrolado que, após desenrolar, Amanda percebeu que era um charro.

- Vá lá Mandy, não sejas uma mata prazeres – disse Anthony.

Ela sabia que aquilo estava tão errado quanto dois mais dois serem três, mas mesmo assim não deu meia volta para vir embora. Aceitou a cerveja e começou a bebê-la juntamente com os outros, tentando pensar noutra coisa além do facto de estar a faltar às aulas. Sentaram-se junto aos enfeites e entre algumas conversas iam passando o charro uns aos outros. Um dos rapazes, sem ter intenção, deixou a garrafa da cerveja entornar-se e o líquido começou a espalhar-se pelo chão, mesmo junto aos enfeites. Amanda levantou-se para limpar aquilo, mas Anthony disse que não fazia mal e convenceu-a a sentar-se de novo e a descontrair. Passou-lhe o charro para a mão, mas a rapariga recusou. Depois de muito insistir, ele desistiu e fumou ele, passando ao próximo. O problema foi quando John, o rapaz que ia agarrar no charro, não o agarrou e o deixou cair mesmo em cima do álcool.

Eles levantaram-se todos em alvoroço e assustados, e viram as chamas rapidamente a alastrarem-se aos enfeites do baile.

- Faz alguma coisa! – Implorou Amanda, a Anthony, assim que o alarme de incêndio começou a soar. Este, com um ar amedrontado, olhou para os amigos e, como se todos lessem as mentes uns dos outros, começaram a fugir, deixando-a sozinha – Não! Seus cobardes!

Amanda agarrou na sua mochila e começou a dar com ela no pequeno fogo, na esperança de o conseguir extinguir, mas não foi capaz de fazer isso antes de o director aparecer, juntamente com dois seguranças.

- Mandy! – Exclamou ele, horrorizado.

- Ajude-me a apagar isto! – Pediu ela, sem parar de prestar atenção ao fogo.

Apesar do calor infernal do Verão, o director usava sempre um fato completo, e por isso despiu o casaco e começou também a tentar extinguir o fogo. Um dos seguranças voltou atrás e regressou com um extintor, acabando de uma vez por todas com a confusão.

- Oh não… - murmurou Amanda, engolindo em seco, ao ver os enfeites do baile completamente destruídos, tal como um pouco da pintura da parede – Director Higgins, não sei o que dizer…

O director baixou-se e agarrou no pequeno charro, agora todo chamuscado, olhando para ela com o desapontamento espelhado nos olhos. Lá fora começou a ouvir-se uma grande balbúrdia, e Daisy entrou no ginásio como um furacão, estagnando ao ver todo o seu trabalho árduo destruído. As lágrimas vieram-lhe aos olhos, e Amanda sentiu pena ao vê-la assim. Nunca quis que aquilo acontecesse, não queria ter faltado às aulas, não queria ter aceitado aquela cerveja ao meio-dia, não queria ter feito companhia aos amigos estúpidos de Anthony enquanto ficavam “pedrados”. Pela primeira vez em anos, viu Daisy como uma rapariga normal e magoada, como se lhe tivessem destruído o grande sonho. Como se o fogo não tivesse sido o suficiente, o ginásio encontrava-se agora cheio de espuma em todos os lados, devido ao extintor. Mas, o pior, era saber que estava com pena dela mesmo depois de tudo o que ela tinha feito.

Atrás de Daisy apareceram mais alunos, entre eles o resto dos amigos – ou antigos amigos – de Amanda, que olharam incrédulos para aquilo.

- Daisy… - murmurou Amanda, andando na sua direcção – Lamento tanto…

Daisy abanou a cabeça e saiu a correr, furando entre a multidão. Amanda voltou-se então para Toby, Carry e Dean, que ainda não acreditavam no que viam.

- Não quis – assegurou-lhes – Foi um acidente.

- Esperas mesmo que acreditemos nisso? – Foi Dean quem lhe respondeu, e fê-lo de um modo tão frio e distante antes de correr atrás de Daisy, que foi a gota de água. Também os olhos de Amanda se encheram de lágrimas, mas ela esforçou-se para não as deixar cair.

- Acho que é seguro dizer que o baile está cancelado – anunciou o director Higgins – Voltem para as aulas. E quanto a ti, Amanda, vens para o meu gabinete.

 

Volto no sábado, e quero no minimo 6 comentários para postar o próximo ;)

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