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Sob o Luar

por Andrusca ღ, em 12.08.12

Olá pessoal :D

Voltei :D

Bem, o próximo capítulo é o antepenúltimo e olhem que acho que o último vai ser um bocadinho maior que o normal, por isso não se esqueçam de comentar :b


Capítulo 17 – A Consciência

 

Amanda estava deitada na sua cama, encolhida como se de um bebé indefeso se tratasse, e ia deitando algumas lágrimas pelos olhos. Como é que tinha chegado ali? Tinha-se prometido que nunca ninguém a faria chorar assim de novo e, no entanto, lá estava ela. O coração pesava-lhe outra vez, as lágrimas não cessavam e o nó da garganta não dava sinais de querer desaparecer. Desta vez não tinha ninguém em quem pôr as culpas em cima, sabia disso perfeitamente, e isso ainda a fazia sentir-se pior. Tinha a perfeita consciência de que tinha arruinado tudo. O director tinha, nessa mesma manhã, telefonado ao seu pai. Quando chegou a casa levara o maior raspanete da sua vida e pôde ver o desapontamento espelhado nos olhos do pai, coisa que também lhe destroçou o coração. Não almoçou, fechou-se logo no quarto e assim está há quase duas horas. Deu por Jim chegar a casa e ir para o seu próprio quarto, mas não sabe se os pais lhe disseram alguma coisa, ou não, apenas que as coisas entre eles também já não eram como dantes. Sabia que o irmão também andava desiludido consigo.

Conseguiu acalmar o choro, mas manteve-se quieta em cima da cama, e então bateram à sua porta. Como não esperaram pela autorização para entrar, não precisou de olhar para saber quem era.

- Sou uma pessoa horrível, Jim – Disse, antes que o irmão lhe dissesse alguma coisa.

Jim suspirou e sentou-se à beira da cama, fazendo com que ela finalmente se movesse e ficasse sentada de frente para ele, com as pernas cruzadas.

- O que raios é que se passa contigo, Mandy? Incendiaste o ginásio da escola? – Ele não falava de um modo agressivo, estava até bastante calmo.

- Eu sei – não valia a pena pôr a culpa nos outros, afinal era tão culpada como Anthony e os amigos – Não sei o que se passa comigo, Jim. Tornei-me numa pessoa que odeio.

- Então o que vais fazer?

- Não posso fazer mais nada. O baile era amanhã, e está arruinado. Por minha culpa. Se pudesse fazer alguma coisa, eu… - Amanda parou de falar por poucos segundos enquanto pensava, e depois voltou a olhar para o irmão – Que horas são?

- Quase oito. Vim-te buscar para o jantar. Porquê?

A rapariga levantou-se da cama num pulo e foi até à secretária, onde começou a remexer nas gavetas.

- Não tenho fome – garantiu, enquanto enfiava um monte de coisas para dentro de uma mochila – Diz à mãe e ao pai que estava a dormir e que achaste melhor deixar-me descansar. Vou estar fora por algumas horas, mas não te preocupes…

Jim já não estava a gostar da conversa e franziu as sobrancelhas.

- Do que é que estás a falar? Amanda Bridget, o que é que vais fazer? Tu apanha juízo…

- Relaxa – Amanda virou-se para ele, já com a mochila fechada e ao ombro, e sorriu-lhe – Prometo que não vou fazer nenhum disparate.

Despediu-se dele dando-lhe um beijo na testa, e depois saiu pela janela perante a incredulidade de Jim. Correu pelas ruas, tinha que se apressar.

 

 

A escola já estava fechada há quase duas horas, e Amanda sabia que a partir das oito e meia os seguranças iam embora. Tinha passado numa pequena loja para comprar tudo o que precisava, e agora era só esperar para que a “costa ficasse livre”. Não foi preciso estar à espera por muito tempo, os dois homens saíram nos respectivos carros sem sequer olharem para trás.

Amanda mandou a mochila por cima do muro, e de seguida trepou. Se fosse apanhada, estaria em sarilhos certamente, mas também já tinha que limpar os espaços comuns todos os dias por três semanas graças à “brincadeira” do fogo, por isso não estava muito preocupada. Além disso, não ia ser apanhada.

Entrou por uma janela e seguiu, apenas com a luz de uma lanterna que tinha levado, até ao ginásio. Acendeu a luz de cima e observou-o bem. As coisas estavam tal e qual como de manhã, à excepção que os enfeites do saco tinham sido mandados fora e a parede estava um pouco chamuscada.

Pousou a mochila no chão e de lá de dentro tirou vários frascos de tinta de spray. O mais provável era o director ter um ataque quando visse aquilo tudo, mas Amanda achou que era boa ideia. Decidiu começar pela parede, e pintou uma lua cheia, grande, em tons de prateado, de modo a cobrir toda a parte chamuscada da parede. Depois agarrou noutra lata, esta agora azul escura, e dentro da lua escreveu “Sob o Luar” com a melhor letra que conseguiu fazer. Ela sempre foi boa em artes, tinha uma mão firme para o desenho e um bom sentido crítico, por isso conseguiu fazer com que o desenho ficasse tanto chamativo, como simples.

A seguir achou por bem começar a encher os balões, coisa que se arrependeu assim que começou. Tinha comprado cinco pacotes de balões azuis e prateados, e mal encheu o primeiro pacote já não tinha fôlego para os outros. Fez uma pausa dessa tarefa e começou a cortar fitas de papel prateado, para pendurar por cima da porta para que, quando as pessoas entrassem, passassem por elas. Quando acabou de as cortar, foi até às arrumações do ginásio e de lá tirou um escadote, do qual se pôs em cima para as pendurar. Como lhe sobraram algumas, pendurou-as também pelos cantos, e ao pé do palco. Voltou a sentar-se para encher os balões, e apenas deu essa tarefa por terminada por volta da meia-noite, quando ouviu um ruído por fora do ginásio. Olhou para porta alarmada, e por lá viu entrar Darryl, que abriu a boca de espanto.

- O que é que estás aqui a fazer? – Perguntou ela, levantando-se rapidamente – Pregaste-me um susto de morte!

- O Jim contou-me da vossa conversa, estava preocupado contigo. Eu disse que vinha à tua procura – explicou o irmão de Dean, enquanto andava até à rapariga – Fizeste tudo isto?

- Bem…

- Está fantástico!

- Ainda vai demorar algum tempo até acabar, Darryl. Obrigado, por teres vindo, mas…

- Queres ajuda? – Ofereceu-se ele.

- Não. Quero fazer isto sozinha, desculpa.

O rapaz assentiu com a cabeça e encolheu os ombros.

- Tu é que sabes. Talvez amanhã me infiltre, para vir ver o teu vestido.

Amanda sorriu um pouco e depois suspirou.

- Não tenho um. Não venho ao baile.

Darryl franziu as sobrancelhas mas não disse mais nada sobre o assunto.

- Então boa sorte para acabares isto tudo.

Ele foi-se embora, deixando-a novamente sozinha. Amanda agrupou os balões e pegou-os com fita adesiva, a mesma que usou para as fitas, e depois usou-os para enfeitar as paredes e o palco. Só faltava pôr a mesa do ponche e dos aperitivos, que estava também guardada nas arrumações do ginásio. A rapariga foi lá buscá-la e, com algum esforço, conseguiu empurrá-la para um canto e deixou-a lá. Por cima colocou a toalha branca, que era sempre a mesma para todos os bailes, e colou algumas fitas azuis nela.

Quando terminou tudo, olhou para a sua obra. O ginásio estava magnífico, não havia dúvidas. Deitou uma olhadela ao telemóvel e verificou que já eram quase duas e meia da manhã, amanhã ia-lhe custar sair da cama. Saiu e apagou a luz atrás de si, pelo menos os alunos iriam ter o seu “Sob o Luar”.

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