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Sob o Luar

por Andrusca ღ, em 13.08.12

Bem meninas e meninos (se houver algum por aí) chegámos ao último capítulo.

Sei que a história foi pequenina, e que provavelmente não foi das melhores, mas espero que mesmo assim tenham gostado.

Como já tinha dito, este capítulo é um bocadinho maior (a)

Kiss

 

Capítulo 18 – Uma Noite Maravilhosa

 

Quando Amanda chegou à escola, estava tudo em alvoroço. As raparigas riam e falavam alto, os rapazes comentavam tudo também numa voz elevada e, mais importante, pareciam todos entusiasmados.

Amanda viu Daisy, o director e mais alguns alunos de volta do ginásio, mas apenas espreitou. Não se ia pôr lá no meio, não era a sua intenção levar uma palmadinha nas costas e ser-lhe dito “bom trabalho”, mas foi avistada por Daisy, que apenas a ficou a observar.

Passou a primeira aula toda a bocejar, sentia-se cansada pois, mesmo depois de ter chegado a casa, não tinha conseguido dormir quase nada. No intervalo dirigiu-se ao bar, e viu Anthony e os outros numa mesa, e Carry e companhia noutra. Sabia que não se podia ir sentar ao pé dos antigos amigos, nem sequer tinha lata para isso, mas também se recusava a voltar para Anthony e os outros. Passou ao lado da mesa deles e o rapaz levantou-se bruscamente.

- Mandy! Então? – Chamou-a, quase a gritar, chamando a atenção de mais gente, incluindo Dean, que se roeu todo.

Amanda engoliu em seco e voltou atrás, pousando as mãos na mesa.

- O que é que queres? – Perguntou.

- Ei, que fria – queixou-se Anthony – O que é que se passa?

- O que é que se passa?! Sabes que mais? Devo mesmo ter atingido o fundo do poço para começar a andar com vocês. Fugiram e deixaram-me lá sozinha!

- Mandy… vá lá, boneca – Anthony rodeou a mesa e começou a fazer festas no braço da rapariga, que o afastou com a mão – Não sejas tão stressada.

- Não sejas tão escumalha – atirou ela – Adeus, Anthony.

Virou-lhe costas e dirigiu-se à porta, deixando meio bar a comentar o sucedido. Na verdade não sabia para onde ir, mas então viu aquela árvore longe de tudo, que lhe oferecia sombra e sossego, e sorriu ao lembrar-se dos bons velhos tempos. Foi mesmo aí que se foi sentar, e ficou em paz até a campainha voltar a tocar.

 

 

A escola já não tinha quase alunos nenhuns, e Amanda andava a limpar as mesas do bar. Era o seu primeiro dia do castigo, e uma das auxiliares tinha-lhe dito o que fazer. Estava a fazer a sua tarefa há quase uma hora quando viu o director ir pedir um café, e depois dirigir-se a si. Ele notou no cansaço dela, pois a rapariga não parava de bocejar.

- Cansada, Mandy? – Perguntou-lhe.

- Desculpe… não dormi muito – justificou ela.

- Eu sei – aquela resposta surpreendeu-a, e por isso franziu as sobrancelhas – Vá lá, posso ser velho mas não sou parvo, sei perfeitamente que o ginásio não se aperaltou sozinho. E, além disso, não conheço muita gente nesta escola com jeito para o desenho como tu tens.

- Senhor director, eu…

- Não digas nada. Vou fingir que não sei que vieste à escola à noite, o que decerto sabes ser proibido, e talvez até te retirar uma semana ao castigo, se me prometeres que o que aconteceu nunca mais se vai repetir.

- Prometo.

- Eu sei, és uma boa rapariga. Agora vá lá, despacha lá isso para poderes ir para casa.

Amanda apenas se despachou por volta das seis horas, e foi até ao seu cacifo para deixar lá algumas coisas. Ao longe, viu Daisy a dirigir-se a si.

- Ainda cá estás? – Perguntou-lhe, depois de ter fechado o cacifo – Devias estar a despachar-te para o baile, Daisy.

- Eu sei o que fizeste – disse a outra, muito rápido – Levaste as culpas pelo Anthony e pelos outros, e arranjaste maneira de o baile não ser cancelado. Só queria dizer… obrigada. E desculpa, por tudo.

Amanda assentiu com a cabeça e Daisy sorriu.

- Tenho que ir – murmurou a morena.

- Sim, eu também. Vens ao baile, certo?

- Não. Não tenho motivos para vir.

- Engraçado… já ouvi essa em algum lado.

 

 

Depois do jantar Amanda refugiou-se no seu quarto. Estava cansada e mal se podia aguentar em pé, só queria cair na sua cama e dormir profundamente. A campainha tocou, e depressa se ouviram passos apressados a subir as escadas. A porta do seu quarto abriu-se e a rapariga deu com os olhos em Carry, que lhe sorria. Estava bonita, envergava um vestido rodado clarinho até a meio da perna, sem mangas, e uns saltos-altos pretos. O cabelo estava simples, apenas preso numa trança.

- Carry… - murmurou. Atrás da amiga viu Jim, também a rir – O que é que se passa?

Carry aproximou-se dela e, de trás das costas, tirou uma caixa que pousou em cima da cama.

- Vamos – disse-lhe – Tira esse pijama e despacha-te. Temos um baile para onde ir.

Amanda franziu as sobrancelhas.

- Eu não vou – afirmou.

- Vais sim – meteu-se Jim – O Darryl teve muito trabalho para te encontrar o vestido perfeito, por isso agora vais usá-lo, vais dançar e vais-te divertir. Estamos entendidos?

- Mas eu…

- Mandy – Carry aproximou-se da outra e abraçou-a como já não abraçava há muito, fazendo com que ambas sorrissem – És a minha melhor amiga, anda lá. O Toby vem-nos buscar daqui a nada. Anda lá.

Não foi preciso muito mais para convencer a rapariga. Amanda abriu a caixa e lá dentro viu o vestido mais bonito que alguma vez podia ter imaginado. Assim que vestiu a prenda de Darryl, a amiga apanhou-lhe o cabelo num carrapito perfeito. Calçou depois umas sandálias prateadas, e só depois de Carry a maquilhar é que teve direito a ver-se ao espalho. Até ficou sem fala. Estava perfeita. O vestido, de atar ao pescoço e até aos pés, era azul-escuro, todo cheio de brilhantes, mas o tecido era algo transparente. Estava-lhe bastante justo, e realçava-lhe todas as suas curvas. Dava-lhe um ar requintado e sexy ao mesmo tempo.

 

 

- Meu, sai do computador – Darryl aparecera por trás do irmão, que estava sentado à secretária, e dera-lhe um calduço.

- Então, meu?! – Reclamou Dean que, ao voltar-se, viu um smoking nos braços do outro – Para que é isso?

- Para o que achas? Anda lá, puto, vamos ao baile.

- Tu podes ir à vontade, mas eu não vou.

- Não te armes em parvo, já disse que vamos – Darryl agarrou no braço de Dean e puxou para se levantar, passando-lhe o fato para os braços – Tens quinze minutos. Quando voltar, é bom que estejas despachado.

Dean ainda reclamou por mais alguns minutos, mas recebeu um olhar tão ameaçador pela parte do irmão que achou que não valia a pena habilitar-se a levar outro apenas por não querer ir ao baile. Também, o que era o pior que poderia acontecer? Ter Daisy colada a si todo o tempo? Ver Amanda a divertir-se com Anthony? Isso era o que já acontecia no dia-a-dia.

Vestiu o seu fato e calçou uns ténis pretos, alegando que os seus pés não foram feitos para sapatinhos. Encontrou-se com o irmão no hall de entrada, e verificou que ele não estava vestido assim de um modo tão aperaltado. Tinha apenas uma camisa e umas calças. Entraram no carro e Darryl começou a conduzir para a escola.

 

 

Toby, Amanda e Carry entraram juntos. Passaram pelas fitas e os amigos não pararam de elogiar Amanda pelo seu trabalho. Todas as pessoas naquela festa acharam a decoração perfeita.

- Oh… Meu… Deus! – Ouviram, à frente. Daisy, perfeitamente arranjada de cabelo preso e vestido preto, comprido, dirigiu-se a eles – Mandy! Estás mais bonita que eu! – Amanda ficou a olhar para ela um pouco embaraçada, mas então Daisy começou a rir – Deixa lá, ainda bem que vieste. Vão dançar, divirtam-se!

Mas Amanda não se divertiu. Pelo menos durante a primeira hora em que lá esteve. Toby e Carry dançavam e também a chamavam para se juntar a eles, como no antigamente, o que a fazia acreditar que tudo ficaria bem outra vez, mas a rapariga não conseguia deixar de sentir que qualquer coisa fazia falta.

No preciso instante em que saiu do ginásio pela porta das traseiras, em direcção ao pátio, Darryl entrou com o irmão. Dean franziu logo o nariz, e viu os amigos agora sentados numa mesa. Dirigiram-se a eles, e Darryl percorreu todo o espaço com os olhos.

- Ela…

- Sim – Carry não o deixou terminar, o que deixou Dean algo curioso sobre o que seria que o irmão ia dizer – Não te preocupes.

- Então, nesse caso, vou-me atirar ao ponche – disse Darryl – Alguém me faz companhia?

Carry e Toby foram com ele, abandonando Dean à sorte. Ele ficou especado ao pé da mesa, enquanto olhava em volta.

- Onde está ela? – Perguntou Darryl, ao pé do ponche, a Carry.

- Não sei. Estava ali ainda agora – dizia ela – Se calhar foi apanhar ar. Eu vou ver.

Saiu também pela porta das traseiras e viu a amiga sentada num dos bancos de pedra, sozinha. Seguiu até lá e sentou-se ao seu lado.

- A festa é lá dentro, sabes? – Brincou – O que é que estás a fazer aqui?

- Estava a ficar abafado lá dentro. Mas tu podes ir, eu já vou.

Carry não disse mais nada e fez o que Amanda disse. Também Amanda cumpriu a sua promessa, e pouco depois voltou a entrar. Assim que o fez, como se de dois imãs se tratassem, os seus olhos foram logo ter com os de Dean, que abriu a boca, maravilhado com a imagem que via. Mas nenhum deles se moveu. Amanda ficou quieta, no canto, a fingir que observava os outros alunos a dançar, enquanto Dean ficou imóvel junto à mesa.

- Foi ela que fez isto tudo – disse Daisy, por trás de Dean, captando-lhe a atenção.

- O quê?

- Vá lá, eu sei que estavas a olhar para ela. O baile, foi ela que fez isto tudo – Daisy suspirou e depois encolheu os ombros – Ouve… desculpa-me pelo que fiz. Eu sei que foi errado, já percebi isso. Não importa o que faça, nunca olharás para mim da maneira como olhas para ela. Nunca vos devia ter tentado separar. O pior é que consegui… e agora não me sinto bem com isso.

- Dais…

- Vai até ela. Ela está lindíssima, e fez tudo isto porque está arrependida.

- As coisas não são assim. Ela fez muita asneira.

- Sim, mas acabou por remediar tudo. É isso que eu estou a tentar fazer agora, a remediar o mal que fiz. Não sejas estúpido, vai.

Ela não esperou para que ele pudesse responder, virou costas e foi embora, deixando-o a olhar para a amada. Engoliu em seco e, em passadas largas, aproximou-se de Amanda.

- Podemos falar? – Pediu, encostando os seus lábios ao ouvido dela para que ela o ouvisse por causa da música.

- Sim.

Amanda dirigiu-o de novo até ao exterior do ginásio e ambos caminharam alguns segundos em silêncio, até ficarem longe de todos, por baixo dos ramos da árvore que tantas vezes os protegera do sol.

- Estás linda. E o baile está bonito… - comentou Dean, surpreendendo Amanda, que se virou para ele e formou um pequeno sorriso – Amanda, tu…

- Espera. Deixa-me falar primeiro.

- Força.

- Desculpa… a verdade é que desde que começámos a namorar que estava à espera que algo corresse mal. Parecia tudo tão incrível, tão perfeito, que não acreditei que fosse durar. Quando te vi naquela tenda com a Daisy, eu… não soube lidar com o assunto. Pensei que se afastasse toda a gente, então ninguém me podia magoar. Não como fiquei magoada quando vos vi lá.

- Mas eu…

- Eu sei que não fizeste nada. Já percebi isso. O que não percebi foi que, ao afastar-vos a todos, me estava a magoar a mim própria e a vocês. Mas acredita, aprendi a minha lição. Sei que fiz coisas mil vezes piores do que aquelas que poderias alguma vez fazer, e não espero que me perdoes, mas…

- Eu fiz uma coisa pior – Dean interrompeu-a e respirou fundo. Agarrou-lhe nas mãos e posicionou-se à sua frente, sorrindo-lhe de um modo algo tímido – Desisti da pessoa que amo por todos me dizerem para esperar e para te dar tempo. Estou cansado de esperar, Mandy. Não quero saber do que fazes, de agora em diante prometo nunca mais desistir de ti de novo – Amanda olhou para ele com os olhos a brilhar e esboçou um sorriso genuíno – Mesmo que isso signifique ter que andar com um extintor durante todo o tempo.

- Idiota – resmungou ela, rindo-se, enquanto via aquele sorriso trocista de que tanto gostava aparecer nos lábios de Dean.

- Mas sou… o teu idiota? – Amanda notou o medo do rapaz ao fazer aquela pergunta, e por isso aproximou mais os corpos de ambos.

- Sempre – murmurou.

A espreitarem pela porta entreaberta, Carry, Toby e Darryl desejavam estar mais perto para poderem perceber a conversa entre os dois “pombinhos”.

- Oh, olhem – murmurou Carry – Ele está a abraçá-la. Achas que eles vão voltar a namorar?

Assim que ela fez essa pergunta, Dean pregou os seus lábios aos de Amanda dando-lhe o beijo mais apaixonado de sempre.

A noite acabou por ser incrível. Daisy ganhou o seu tão desejado prémio de Rainha do Baile. Toby e Carry dançaram até não se poderem aguentar em pé. Darryl até encontrou uma rapariga com quem simpatizou e com quem, daí a poucas semanas, começaria a namorar. E Dean e Amanda puderam finalmente entender-se e começar a aproveitar todos os dias do resto das suas vidas como se fosse o último. Naquela noite, sob uma belíssima lua cheia, verdadeira magia foi feita.

 

Fim

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