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Destinos Trocados

por Andrusca ღ, em 16.08.12

E bem, lá chegou o segundo capítulo :p

É um bocado secante, a história só vai "começar" a partir do próximo. Mesmo assim, espero que gostem ^^

 

Capítulo 2

Beverly Hills

 

Indo de carro de Nova Iorque para Beverly Hills demoraria cerca de quarenta e cinco horas, e Joseph sabia que não tinha, nem de perto nem de longe, tanto tempo. Por isso mesmo fora prevenido. Levara o jacto privado a família Geller, sem eles saberem. O piloto era facilmente subornado. Os Geller tinham muitas coisas, mas raramente lhes prestavam atenção. Gostavam de comprar, de gastar o dinheiro, mas depois deixavam-nas à mercê do destino.

Assim que viu aquele jacto, Caroline ia tendo um pequeno ataque. Os assentos eram em pele, e tinha até uma pequena mesa de madeira impecavelmente brilhante e um pequeno bar. Joseph perguntou-lhe se tinha alguma bagagem para levar, mas ela garantiu que os seus únicos pertences eram os que vestia. Já no caminho, ambos comeram um jantar algo simples e depois descansaram. A viagem demorou quase a noite toda, e durante todo esse tempo Caroline dormiu e sonhou. Sonhou sobre como seria a casa, com a irmã gémea e com os pais. Tinha curiosidade em ver como eles eram, e o seu subconsciente desenhou uma imagem dos dois que não correspondia em nada à realidade. Joseph não conseguiu dormir. Observou-a durante horas, a pensar na vida difícil que devia ter tido e que, apesar de todos os males, ali estava bonita e saudável. Tinha, sobretudo, pena pelo destino que lhe fora injustamente traçado.

Acordou-a quando estavam prestes a aterrar, mesmo a tempo de a permitir ver a grande placa de Hollywood a vários metros adiante, deixando-a de queixo aberto. Na verdade a rapariga ainda não estava a acreditar em nada daquilo, parecia-lhe tudo demasiado surreal.

Depois de saírem do jacto, seguiram para a casa de táxi, e Caroline estagnou à frente dela. Tinha uns portões negros que, quando se abriram, a deixaram em frente a uma fonte de mármore lindíssima. Rodeada essa fonte, estava a entrada para a casa que mais parecia um palacete. Era branca e tinha dezenas de janelas e varandas. A porta era dupla e de cor castanha, num tom claro, mas não foi por aí que Joseph a levou. Contornaram a casa e entraram pelas traseiras, por uma porta da mesma cor porém mais pequena. Pelo caminho Caroline pôde ver várias árvores e muitas espécies de flores plantadas, e também uma piscina com várias espreguiçadeiras à volta.

Entraram para a cozinha, e Joseph suspirou de alívio enquanto a deixava admirar o espaço. Os armários eram castanhos, com o tampo em mármore. O frigorífico também era castanho, e parecia ele próprio também um simples armário. Havia uma pequena mesa a um canto, que nunca era utilizada a não ser pela cozinheira, por Joseph e pelo filho deste.

- Gostas da cozinha? – Perguntou Joseph, enquanto olhava para o relógio pendurado por cima da mesa, para constatar que eram quase sete horas e os seus patrões em breve estariam a pé.

- É… incrível – comentou Caroline.

- Vem, vou-te mostrar o resto da casa – Joseph puxou-a por um braço e ela começou a andar de um modo atrapalhado, por estar a tropeçar nos próprios pés.

A sala de jantar era majestosa. Tinha uma mesa enorme, ao centro, por cima de uma peça de tapeçaria bastante cara e requintada. O candeeiro, pendurado mesmo sob o seu centro, era de cristal e fazia vista a qualquer sítio. As três janelas permitiam que muita luz natural entrasse, o que fazia reflexo nos cristais do candeeiro e tornava a atmosfera ainda mais encantadora. A um canto havia um piano branco, e a outro uma planta para dar um ar amigável ao local. Seguiu-se a sala de estar, que tinha um enorme sofá branco, daqueles que fazem um canto, no centro. Uma pequena mesa de vidro estava, por cima de um pequeno tapete, à sua frente, e lá havia uma jarra com flores e os comandos da televisão, que estava implantada na parede à frente. Havia uma aparelhagem de alta tecnologia, e um belíssimo quadro com apliques pendurado na parede. Tal como na sala de jantar, havia uma ou outra planta a decorar. Seguiram então para o primeiro andar, onde o mordomo a mandou falar baixo para não acordar o Sr. e a Sra. Geller. Mostrou-lhe os quartos dos criados – a cozinheira, ele e a empregada – e o do seu filho, que já lá não estava.

- O que é ali? – Perguntou Caroline, ao apontar para a porta ao lado da que Joseph se preparava para abrir, fazendo com que ele ficasse com uma expressão pesada.

- Ninguém entra naquele quarto, é expressamente proibido – disse, com a voz séria – Mas aqui, é o quarto da menina Cindy. O teu quarto.

Mal abriu a porta, e Caroline espreitou, ela abriu a boca de espanto. Era enorme, a divisão mais bonita de toda a casa. A cama estava ao centro da parede, e era redonda. Estava decorada com uma bonita colcha branca e umas almofadas cor-de-rosas e roxas. Logo por cima estava uma fotografia de Cindy, que a fazia parecer uma verdadeira modelo. Estava impecavelmente maquilhada, e apenas se via o seu rosto e uma das mãos. Em frente à cama havia um tapete felpudo, rosa. Havia uma mesa-de-cabeceira de cada lado com candeeiros em cima, e uma secretária branca encostada à única parede pintada de rosa escuro. Lá em cima estava um computador portátil, também cor-de-rosa, uma moldura preta com cinco divisões, cada uma delas com uma fotografia de Cindy, e um telefone portátil.

Caroline, no meio do quarto, olhou para cima e viu um candeeiro com uns berloques rosas e brancos a cair, dando-lhe um ar misterioso e requintado ao mesmo tempo.

- Este quarto é… espera – subitamente parou e olhou em volta, franzindo as sobrancelhas – Onde é o roupeiro?

Joseph riu-se e entrou no quarto, caminhou até uma porta de vidro fosco e deslizou-a. O coração de Caroline até começou a acelerar o batimento cardíaco. Era uma sala oval, com a roupa pendurada em corrimões implantados em três paredes. No centro da sala havia um pequeno banco preto. Um enorme espelho cobria a quarta parede de cima a baixo. Os sapatos estavam todos bem guardados em prateleiras, por cima dos corrimões da roupa.

- Eu tenho um closet? – Perguntou, maravilhada – Uau… olha para estas roupas todas!

Havia de tudo, desde vestidos compridos a calções curtos. Tecidos lisos, estampados, com brilhantes e lantejoulas e sem nenhum desses apliques. Sapatos de salto alto, rasos, ténis e botas de todos os feitios.

- E aqui – Joseph caminhou até outra porta, esta de vidro, desviou o cortinado rosa e deslizou-a – É a varanda.

Caroline caminhou até lá e ficou boquiaberta com a vista. Via enormes vivendas, e muitas colinas verdes lá ao longe. Quase todas as casas tinham grandiosas piscinas, e enormes jardins. Era algo que ela nunca pensara conseguir ver com os próprios olhos, um mundo completamente diferente do seu.

- Isto é incrível – murmurou ela, de sorriso aberto.

Voltaram a entrar para o quarto, e Joseph dirigiu-se ao closet, de onde regressou com uma muda de roupa e um par de sapatos.

- É isto que vais usar hoje, para a escola – anunciou – Como não sabes como ela se veste, achei por bem escolher a tua primeira roupa. Com o tempo, irás conseguir fazer tudo. Podes ir tomar um duche, já sabes onde é a casa de banho, e depois vem-te vestir. Daqui a meia hora desces para o pequeno-almoço na sala de jantar, com o Sr. e a Sra. Geller, e depois tens que ir para a escola.

Caroline assentiu com a cabeça e sorriu. Tomar banho, vestir roupas bonitas, comer um bom pequeno-almoço e ir para a escola. Parecia-lhe um bom plano.

- Está bem. Não te esqueças que tens que ser a Cindy. A Caroline já não existe, percebido? Ah, e bem-vinda a Beverly Hills.

Joseph deixou-a no quarto e fechou a porta. Caroline olhou em volta e, ainda de boca aberta, deixou-se cair de costas na cama. A colcha era macia e o colchão fofinho. Ela conseguia-se habituar bem àqueles luxos.

 

✽✽✽

 

Já tinha tomado banho, apanhado o cabelo com uma mola, e enrolado o seu corpo numa toalha branca mas, quando ia a sair da casa de banho, um rapaz embateu em si. Estava suado e parecia distraído, usava uns calções e uma t-shirt que parecia ser velha. Caroline olhou para ele de um modo estranho. Seria outro filho dos Geller? Joseph não lhe tinha falado nada de eles terem outro filho.

- Desculpa – pronunciou ele, enquanto a olhava de alto a baixo deixando-a corada –, foi sem querer.

- Não faz mal – a resposta dela foi rápida, e o sorriso demasiado forçado.

Contornou-o e ia regressar ao quarto, mas ele falou antes de ela sequer alcançar a porta.

- Desculpa… és a Caroline? – Perguntara. Aquela pergunta fê-la voltar-se de novo e olhar curiosa para ele. Como é que ele sabia?

Voltou a aproximar-se daquele belo estranho de olhos castanhos e cabelos escuros e encarou-o.

- Como é que sabes? – Perguntou.

Ele riu-se e levou a mão aos cabelos, pondo-a depois à sua frente para que ela a apertasse.

- Sou o Keith, filho do Joseph, o mordomo – apresentou-se, ao mesmo tempo que Caroline lhe apertava a mão – Ele disse-me que a Cindy tinha uma gémea que estava desaparecida mas… uau, é incrível. Agora ela desapareceu, e tu estás aqui. O pai disse que ia arranjar uma maneira de a encontrar. Sabes? Até hoje sempre pensei que ela era a rapariga mais bonita que alguma vez tinha visto… e agora há duas dela. É estranho.

De novo, Caroline sentiu as suas bochechas a ferver.

- Concordo…. É definitivamente estranho.

- Eu devia cá ter estado quando chegaste, o meu pai pediu-te para te ajudar a adaptares-te a isto, mas atrasei-me na minha corrida – desculpou-se ele – Ando na mesma escola que a Cindy, por isso encontramo-nos depois do pequeno-almoço, está combinado? Digo-te todos os detalhes no caminho para lá, pode ser?

Caroline apenas assentiu com a cabeça e depois encaminhou-se para o quarto. Vestiu uma saia e uma blusa, que Joseph que lhe tinha deixado em cima da cama, e calçou uns sapatos de salto alto e abertos à frente. Achou até que fosse uma roupa demasiado bonita para ser desperdiçada na escola, mas todas as roupas de Cindy pareciam ser assim.

Pôs-se ao espelho do closet e penteou o cabelo, deixando-o solto. Quando olhou bem para si mal se reconheceu. O cabelo negro tinha recuperado a vida, e os olhos azuis brilhavam de novo. Parecia outra rapariga que não ela.

- Muito bem, Caroline – disse, em voz alta – A partir de agora és a Cindy Geller.

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