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Destinos Trocados

por Andrusca ღ, em 11.09.12

Capítulo 14

A Gémea Má Voltou

 

- Já podes ir – Caroline olhou instantaneamente para o lado direito, de onde uma voz igual à sua tinha vindo. Ficou especada a olhar para a figura que tinha, agora, à frente. Era exactamente igual a si, à excepção que o cabelo estava um pouco mais comprido. Os olhos, a expressão, a maneira de estar em pé… Cindy e Caroline não podiam ser mais parecidas em todos os aspectos exteriores.

- Cindy… - murmurou Caroline, enquanto contemplava a irmã – Não consigo acreditar…

Sentia-se aliviada por a ter ali à sua frente, por ver que estava intacta e que nenhum mal lhe tinha acontecido.

Cindy envergava uma blusa larga, mas chique, e umas calças justas. Estava, como não podia deixar de ser, com uns sapatos de salto alto e impecavelmente maquilhada e penteada.

- Aposto que não podes – Cindy também estava a gostar de ver a sua irmã à sua frente, pela primeira vez em dezassete anos, mas falava de um modo frio e distante – Porque agora vais ter que voltar à tua vidinha.

O coração de Caroline falhou uma batida. O que é que ela podia estar à espera? Que Cindy voltasse, decidisse contar tudo aos pais e que vivessem todos como uma grande família feliz? Que eles a acolhessem e se desculpassem por a ter abandonado? Sim… talvez fosse isso que, no fundo, a bela rapariga esperasse. Talvez tenham havido momentos em que pensara que, quando conhecesse finalmente a gémea, se tornariam inseparáveis e boas amigas e confidentes. Talvez tivesse criado expectativas demasiado altas em relação a Cindy, recusando-se a acreditar no que lhe diziam sobre ela e a fazer um julgamento pelo que lia nos diários. Talvez acreditasse que, quando se conhecessem, por alguma obra de magia Cindy se revelasse ser uma boa pessoa. Mas a maneira como a estava praticamente a expulsar daquela casa, o modo distante como a olhava, mostrava-lhe que todas estas semanas não tinha sido nada além de ingénua. Uma rapariga frágil a acreditar em finais felizes. Afinal, é assim que todas as histórias acabam, certo? A personagem principal vive uma vida sofrida e desgraçada até que, no fim, tudo fica bem. “Mas isto não é uma história”, concluiu Caroline.

- Estava preocupada contigo – acabou por dizer.

Cindy assentiu com a cabeça e sorriu, enquanto Caroline olhou para Keith e Joseph, que permaneciam imóveis.

- Os meus pais chegam daqui a uma hora. A cozinheira deve estar de volta daqui a nada – afirmou Cindy – Não nos podem ver aqui às duas. Posso-te dar dinheiro para um autocarro, se quiseres.

Caroline engoliu em seco.

- Não é preciso – garantiu – Acredito que tenho cinco mil dólares para receber.

Cindy encolheu os ombros e passou por si, dizendo-lhe para fechar bem a porta quando saísse, indiferente à irmã, e subiu para o quarto onde não entrava já há semanas. Caroline deixou que uma lágrima lhe escorresse pela bochecha e Keith apressou-se a abraçá-la com força. Também não queria que ela fosse embora. Não queria que os momentos que tinham tido, que as brincadeiras e a amizade formada, acabassem. Depois de alguns minutos, Joseph separou-os e foi buscar uma mochila preta ao quarto. Lá dentro estavam umas roupas mais discretas, e uns ténis, juntamente com notas de cem dólares.

- Ao todo, cinco mil dólares – Assegurou ele, à rapariga – E pus aí um telemóvel, para o caso de precisares de alguma coisa. O Keith tem o número.

Caroline assentiu e, após mudar de roupa na casa de banho, e de longas despedidas com Keith, saiu da casa à qual sempre pertencera.

 

✽✽✽

 

Um novo dia tinha chegado, e Keith ia mais cabisbaixo para a escola do que em qualquer outro dia. Foi de boleia com Cindy, apesar de esta não gostar da ideia sabia que tinha que se actualizar em tudo, e ele era a sua melhor hipótese. À medida que ele a informava sobre tudo o que se tinha passado na sua ausência, Cindy ia fazendo caretas ou guinchos que enervavam Keith até ao ínfimo do seu ser.

- Diz-me – pediu ele – Porque é que estiveste desaparecida este tempo todo?

Cindy estacionou o carro no seu lugar habitual e depois saiu.

- Sai do meu carro – mandou. Ele revirou os olhos e obedeceu – O porquê de ter estado longe, não te diz respeito. E, só para que saibas, hoje foi apenas uma excepção à regra: de agora em diante, acabaram-se as boleias.

Cindy dirigiu-se logo a Rebecca e a Phoebe. Em poucas palavras voltou a pôr as coisas bem entre as três, e logo no primeiro intervalo tratou de fazer com que meia dúzia de gente se sentisse mal. Os amigos que Caroline lhe tinha arranjado não iam durar muito mais se continuasse a ser antipática e fútil como sempre tinha sido.

- Tivemos saudades tuas! – Exclamou Phoebe, quando estavam as três sentadas num banco, no primeiro intervalo.

Cindy sorriu, enquanto brincava com o seu colar reluzente.

- Eu sei – disse, convencida – Mas agora voltei de vez.

- Ainda nos tens que dizer sobre o que te passou pela cabeça – lembrou Rebecca – Estavas completamente fora de controlo!

A outra revirou os olhos e depois riu-se.

- Tive… uns imprevistos. Mas vá lá meninas, não é nada de especial. Compras, hoje à tarde?

- Hoje é o grande jogo – lembrou Phoebe – Prometeste ao Nate que o ias ver, não foi?

Cindy franziu as sobrancelhas. Caroline tinha prometido isso a Nate? Keith não lhe tinha falado do rapaz nem uma vez, enquanto lhe contava as novidades. O que será que se tinha passado com eles os dois, perguntava-se ela.

Ia sozinha para as aulas quando foi puxada pelo braço. Ia responder mal, dizer que nenhum traste a podia agarrar, mas quando deu por si estava encostada ao rapaz mais lindo de Beverly Hills. Sorriu, presunçosa.

- Olá, jeitoso – saudou, sorrindo ainda mais. Nate olhou para ela sério, mas depois riu. Há semanas que não a ouvia chamar-lhe assim. Cindy achou estranho estarem tão juntos, mas depressa percebeu que a irmã se tinha divertido muito mais do que aquilo que devia.

- Estás… muito arranjadinha hoje – comentou ele – Puseste extensões no cabelo?

Um rapaz que ia a passar pelo corredor desequilibrou-se e foi contra Cindy, empurrando-a um pouco, e por isso ela voltou-se para ele e fez-lhe um olhar de meter medo.

- Que raio foi isso? – Começou a reclamar, para surpresa de Nate – Sabes quem eu sou? Porque eu não sei quem tu és, e sabes o que isso significa? Nenhum Zé Ninguém pode vir contra mim assim.

- Desculpa, foi sem querer – disse o rapaz.

- As desculpas não se pedem, evitam-se. Que nunca mais aconteça o mesmo.

Ele foi-se embora e ela voltou-se de novo para Nate, que a olhava incrédulo.

- O que…

- Oh, esquece isso – interrompeu Cindy, revirando os olhos – Pessoas parvas, certo? Onde é que estávamos?

Ela ia-se aproximar para lhe dar um beijo, mas Nate desviou a cara. Em vez de a beijar, limitou-se a olhar-lhe nos olhos durante alguns segundos. Como é que podia ser? Era a mesma figura, mas aqueles olhos não tinham o mesmo brilho, a mesma vida. Nate abanou a cabeça e suspirou, afastando-a.

- Nate? – Chamou ela, enquanto ele ia caminhando – Nate Montgomery, não me vires as costas!

Ele voltou-se de novo para ela e caminhou a passadas largas para, depois, juntar os seus lábios aos dela. Desviou-se logo dois segundos depois.

- Não percebo – admitiu, furioso. Cindy riu-se e tentou abraçá-lo, mas ele não a deixou – Estás diferente… outra vez. Prometeste não me confundir, lembras-te? Isto assim não vai resultar Cindy.

À hora do almoço Nate encontrou-se com Keith na cantina, mas disse que não queria comer. O amigo insistiu, apesar de ver que ele não estava bem, e disse que tinha que comer para ter forças para o jogo que iria começar daí a duas horas, mas não o conseguiu convencer. Em vez de ficar na cantina, Nate saiu para o pátio e começou a andar até chegar a uma árvore, à qual se encostou. Nada na sua cabeça fazia sentido. Era completamente absurdo ter-se apaixonado por uma rapariga que, agora, aparentemente não existia. Cindy estava diferente de novo. Ele tinha a certeza que agora não se ia preocupar com os pobres, nem gostar de cachorrinhos… que agora já não ia ser a sua Cindy. Mas porquê? Porque tinha ela brincado com ele daquela maneira fria e maldosa?

- Nate… - a voz de Keith apareceu por detrás da árvore, mas Nate nem lhe dirigiu o olhar.

- Deixa-me em paz.

Keith suspirou e pôs-se ao lado do amigo. Olhou em frente e viu que Cindy almoçava com as amigas, numa das mesas de pedra perto da entrada.

- O jogo é hoje – murmurou, consciente do que estava prestes a fazer – E tu és o nosso capitão. Não ia dizer nada mas… é impossível não teres notado.

- Do que é que estás a falar?

- Ela não é a Cindy – assim que Keith pronunciou aquilo, Nate olhou para ele incrédulo.

 

Pois é, parece que a "nossa" Caroline foi embora e a Cindy voltou à sua vidinha.

O que vai ser do Nate agora?

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