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Déjà Vu Sobrenatural

por Andrusca ღ, em 24.10.10

E chegou o capítulo de hoje... também é grande xD Desta fic os capítulos são todos mais ou menos assim.

Espero que gostem

Bjs

 

Capítulo 3

Se eles precisam, estou lá

 

Passou-se um mês desde que vi Jason e Bryan. Os sonhos continuavam, o que me fazia perceber que eles continuavam a dar-se um bocado mal, e além disso já sobreviveram a várias coisas neste último mês que foi apenas por sorte.

Continuava sem trabalho, decidi parar de procurar porque de certeza que me voltava a deixar de dormir e voltava a ser despedida. Parei de cantar no café às quartas-feiras porque percebi que não era isso que queria.

- Melanie, acorda, estás a ouvir?! – Perguntou-me uma amiga minha.

- Hã?! Estou acordada, desculpa.

- Estás bem? Pareces um bocado… pálida…

- Não, está tudo bem, não te preocupes.

- Eu pensava que quando me convidaste para tomar café era para falarmos ou assim… não para te deixares de dormir…

- Desculpa, não é de ti, a sério, eu é que tenho… andado cansada.

Quando cheguei a casa telefonei a Jason mas ele não atendeu, nem ele nem Phil ou Bryan. O sonho que tinha tido enquanto adormeci no café não foi nada bom, eles estavam prestes a meter-se numa alhada que se iam arrepender para toda a vida, bem, o que sobrevivesse ia-se arrepender para toda a vida.

Seria egoísta não os avisar só por não querer dar de caras com eles outra vez? Mas se os fosse ver, então estaria a entrar muito mais neste assunto dos monstros e monstrinhos… seria isso que queria? Até há pouco tempo tinha uma vida de sonho, morava numa das melhores cidades do mundo, tinha amigos, um emprego, dinheiro… mas depois tudo mudou e perdi o emprego e metade dos amigos que vinham com ele… só me restava a cidade e o dinheiro, que sinceramente não se comparava nem de perto nem de longe aos amigos. E Jason e Bryan, será que algum dia os voltarei a chamar de “amigos”? Eu tinha que os ajudar, não podia não fazer nada. Apesar de não os conhecer como pensava, eles continuavam a ser as pessoas que conheci há cinco anos, e se sonhava com o que lhes acontecia, tinha que os alertar.

Agarrei numa mochila preta e pus roupas, bolachas e uma garrafa de água lá dentro. Apanhei vários transportes até chegar a Green River, Wyoming. Não sabia o nome da rua nem do hotel em que os ia encontrar mas lembrava muito bem das imagens, por isso comecei às voltas na pequena cidade. Demorei tempo mas consegui encontrar a rua e por consequente, o hotel. Passei sem que o recepcionista visse e subi até ao quarto 21. Ouvi coisas a partirem-se e apressei-me. A porta estava só encostada e quando a empurrei vi-os no chão, a lutar um contra o outro, pelo que parece Bryan estava ganhar e tal como sonhei, agarrava numa escultura pequena, pronta a cair para cima de Jason. Mas desta vez não ia cair.

Corri até eles e tentei separá-los, mas com a confusão toda acabei por levar um murro de Bryan e caí no chão.

- Já chega! – Gritei, levantando-me e tentado separá-los de novo. – Vocês são irmãos por amor de Deus!

Eles não me ligavam nenhuma e o meu sonho estava prestes a concretizar-se, entrei em pânico e dei um pontapé a Bryan, fazendo-o sair de cima do irmão.

- Acabou! – Gritei. – Que raio é que pensam que estão a fazer?! Já chega, parou tudo!

- O que é que estás aqui a fazer? – Perguntou Bryan, a levantar-se.

- O que é que achas?! – Perguntei, furiosa.

Ele olhou para Jason, que ainda se encontrava no chão, começou a abanar a cabeça e saiu do quarto a correr. Eu olhei para Jason e saí, a correr atrás de Bryan.

Consegui alcançá-lo já fora do hotel e puxei-lhe o braço.

- Que brincadeira é esta?! – Perguntei, furiosa.

- Eu não o queria magoar tanto. – Disse Bryan.

- A sério?! Porque o que parecia era que o querias matar!

- Foi por isso que vieste? Eu ia matá-lo? – Fiquei calada. – Ia mesmo…

- Andas a beber de novo, não andas?

- Isso não é da tua conta.

- Bem, já que isso não me deixa dormir à noite, sim, é da minha conta! Tu tens que parar, isso faz-te mal e magoa as pessoas que se preocupam contigo. Tu tens que parar de beber sangue de vampiro!

- Então porque é que insistes em aparecer?! Se já sabes que te vais magoar.

- Porque me preocupo contigo Bryan!

- Então não te preocupes! Vai-te embora, deixa-nos em paz, nós sabemos tomar conta de nós próprios.

A minha fúria tornou-se mais forte e dei-lhe uma chapada, não por estar chateada com a maneira como me estava a tratar mas por ele andar a beber sangue e a magoar os outros.

- Lá dentro, à luta com o Jason, não eras tu, mas aqui também não és! Eu posso não te conhecer, mas sei o que não és, e tu não és um monstro Bryan. Se precisares de alguma coisa liga, mas tenho quase a certeza que não o vais fazer. – Disse eu, voltando para dentro do hotel.

Vi-o, através do vidro a ir-se embora, de cabeça baixa. Voltei para o quarto do hotel e Jason já se encontrava de pé, mas estava um bocado tonto. Tinham o lábio ferido e uns quantos arranhões, tal como Bryan.

- O que é que estás a fazer? Anda lá, senta-te. – Disse eu, puxando-o para se sentar na cama. – Estás bem?

Ele ficou a encarar-me durante um tempo e só depois começou a falar.

- O que é que estás aqui a fazer? – Perguntou, arrogantemente.

- Olhem-me outro… - Já estava mesmo a ver o que ia acontecer a seguir. – Vim para evitar que isto acontecesse… aparentemente cheguei um bocado atrasada… mas evitei o que queria…

- Que era…

- Nada de especial… o que é que aconteceu?

- Porque é que perguntas, já sabes.

- Sei que vocês estavam a lutar, e assumo que seja por causa do sangue de vampiro… mas não sei de mais nada…

- E nem vais saber… vou sair daqui, vens ou ficas? – Perguntou ele, dirigindo-se à porta.

Entrámos para o Opel e ele começou a conduzir para fora da cidade.

- Não devias ter vindo. – Disse ele, friamente.

- Mas vim. Eu quero ajudar.

- Não precisamos de ajuda.

- Não foi o que pareceu.

- Onde é que queres que te deixe? – Perguntou ele, a despachar.

Percebi que nenhum deles queria que lá estivesse e percebi que não era bem-vinda em qualquer sítio onde eles estivessem. Não sei porque é que estavam a agir assim comigo, da última vez que os vi foram bastante simpáticos, mas é claro que eu vivia no prédio onde os crimes que eles estavam a investigar aconteciam… talvez não os conhecesse de todo.

- Podes parar aqui. – Respondi eu, no mesmo tom de voz que ele usou comigo.

- No meio do nada? Vá lá Mel, deixa-me ao menos deixar-te num bomba de gasolina ou assim…

Oh sim, uma bomba da gasolina era tão melhor que uma estrada deserta.

- Eu não preciso da tua piedade Jason, agora, vais parar o carro ou tenho que saltar?

- Tu não saltavas.

- Tenta-me. – Disse eu, abrindo a porta.

- Ok, ok. – Ele parou o carro, no meio daquela estrada deserta, já fora da cidade e deixou-me sair. – Para onde é que vais?

- Não te preocupes, já percebi que não querem ajuda, não vos incomodo mais a não ser que me peçam. – Disse eu, batendo com a porta e começando a andar de volta para a cidade com a mochila às costas.

- Mel…

- Adeus Jason. – Gritei, sem me virar. Sussurrando em seguida. – Espero que não se matem.

O carro seguiu em frente, afastando-se cada vez mais. Quando já não o via, pousei a mochila no chão e sentei-me ao seu lado. Estava de noite e um frio de rachar mas era preferível estar ali sozinha, no meio do nada, do que no carro com ar condicionado e com Jason, que mostrava com bastante claridade que não me queria ali.

Começou a chover, pus o capucho do casaco e agarrei na mochila e comecei a andar. Nem sei porque é que me dava ao trabalho de tentar ajudar pessoas e corria o risco de ser comida por monstros canibais ou ser morta por demónios ou fantasmas.

O meu telemóvel começou a vibrar, no bolso do casaco e eu atendi.

- Melanie? – Perguntou a voz do outro lado.

- Sim… quem é?

- Tinhas razão, preciso de ajuda… ajudas-me? Eu sei que se lhe peço ele diz que não, ele nunca mais me vai perdoar…

- Bryan?

- Vens ter comigo ao armazém abandonado na rua antes da do hotel? Por favor…

- Claro, não saias daí, eu vou demorar um bocado.

Demorei meia hora até chegar à cidade novamente, mas a boa notícia é que já tinha parado de chover. Demorei um pouco a encontrar o armazém e quando o encontrei tinha todo o aspecto de ser uma armadilha, mas respirei fundo e entrei.

- Bryan? Olá… está aí alguém? – Perguntei.

Ouvi a porta fechar-se atrás de mim e dei um salto, a minha última aventura destas tinha sido há um mês, acho que ainda não estava preparada para outra. O meu coração estava aos pulos e a respiração ofegante. Tentei abrir a porta mas não dava, por isso comecei a andar em frente tentando que os meus olhos penetrassem no escuro. Vi Bryan de frente para mim e estava com uma pistola na mão, a apontá-la para mim.

- Senta-te ali. – Ordenou ele, apontando para uma cadeira.

- Perfeito, depois queixa-te que não tens amigos. – Disse-lhe eu, sentando-me.

- Vieste sozinha?

- Vês aqui mais alguém? Bryan, o que é que estás a fazer?

- Ele pediu-me.

- Quem?

- Ele. Ele diz que tu és importante, eu não queria, mas ele fez-me fazê-lo, não sei como. – Levou as mãos à cabeça. Parecia estar desesperado, tanto ou mais que eu.

- Ei, ei, ei, calma… quem é que te obrigou ao quê?

- Crowllang, o vampiro… obrigou-me a chamar-te.

Comecei a ficar com arrepios e cheia de medo, olhava em volta mas não via mais ninguém sem sermos nós.

- Raios… eu sabia que era uma armadilha! Sou tão estúpida! Mas quem é que me manda meter-me nestas coisas?! – Agora estava simplesmente com raiva de mim própria por ultimamente ter um dom especial para me pôr em perigo eminente. – Ele está aqui?

- Ainda não, mas estará.

- Bryan, porque é que estás a fazer isto? – Perguntei, levantando-me.

- Porque tenho que o fazer. Senta-te!

- Ok, ok, desculpa.

- Tenho que o fazer… - Disse ele, levando as mãos à cabeça de novo e sentando-se no chão.

- Ei, acalma-te… - Disse eu, levantando-me e sentando-me ao seu lado.

- Desculpa… mas eu tive que o fazer.

- Eu sei, não te preocupes, está tudo bem… - Dizia eu, com o meu braço à volta dele, tentando acalmá-lo, apesar de não acreditar numa palavra das que saíam da minha boca.

- Estás fria. – Disse ele.

- Pois… estive à chuva.

- Desculpa. Eu não queria…

- Bryan, já chega ok? Já cá estou…

- É verdade, e eu também. – Disse uma voz muito rouca e sinistra.

Virei-me e vi um homem, tinha roupas muito fora de moda e um cabelo até ao pescoço, muito esticado e agarrado à cabeça, preto. Tinha uns sapatos de biqueira calçados. O visual era ridículo, mas havia qualquer coisa naqueles olhos vermelhos que me fazia querer gritar e desatar a correr dali para fora. No segundo em que pus os meus olhos nele, deram-me vários arrepios e gelei ainda mais.

- Com que então tu é que és a famosa Melanie. – Disse ele, aproximando-se.

Olhei para Bryan, não se impunha, estava num estado de choque misturado com medo. Aquele era o vampiro que tinha morto a mãe dele e que lhe tinha dado o sangue, por isso conseguia fazer com que ele fizesse coisas que não queria.

- Estou um bocado desapontado, estava à espera de uma guerreira e aparece-me uma Barbie. Mas vendo bem, não és nada de deitar fora, esses olhinhos verdes escuros são lindos de morrer, mas o melhor é o teu… cheiro… cheiras a… morangos.

- Se alguma vez tiveres a sorte de o experimentar, espero que te saiba a morangos verdes! – Refilei. Depois levantei-me do chão e levantei a voz. – Mas já agora, também estou desapontada. Estava à espera de um monstro horrível e temível e apareceu-me um homenzito com roupas foleiras.

- E ela é atiradiça.

- E ele diz o óbvio.

- Tira as ideias dessa tua cabecinha linda. Se eu te quisesse morta, já estavas no chão.

- Então porque é que não estou?

A cara dele tornou-se mais pálida e o vermelho dos olhos tornou-se mais vivo. As presas desceram, eram branquíssimas como neve e começaram a brilhar.

- Se continuares a provocar, vais estar em breve. – Ameaçou.

- Mostra-me. Vá, mete-me cheia de medo. – Ele ficou parado a olhar para mim, eu não sabia se ia ou não morrer ali, mas esperava que ele não se conseguisse aproximar, senão já o teria feito, certo?

- Ainda não. Eu mato-te, quando for a altura certa, e acredita, é num futuro muito breve. Vamos começar a jogar ao gato e ao rato, e tu minha querida, és o rato. O jogo, começa agora. – Disse ele, desaparecendo mesmo à minha frente.

- Perfeito, tudo o que eu podia desejar. – Resmunguei, em voz alta.

- Mel… - Disse Bryan, aproximando-se de mim e pondo a sua mão no meu ombro. – Estás bem?

- Não! É claro que não estou bem! Mas tu estás parvo?! Tenho um vampiro atrás de mim, como é que queres que esteja bem?! Tu precisas de ajuda Bryan, este tipo de coisa não pode voltar a acontecer, nem comigo nem com mais ninguém! Estamos entendidos?

- Eu sei, ajudas-me? Eu lamento imenso, tudo.

- Se tivesses pensado não tinhas que lamentar. Anda, vamos para a casa do Phil.

- Como é que sabes que é lá que nos encontramos?

Fiquei a olhar para ele como quem diz “eu sonho com vocês, topas?!” e ele percebeu na perfeição.

Roubámos um carro e ele conduziu até à casa de Phil, demorámos o resto da noite, quando chegámos o sol já tinha nascido. Quando ia a bater à porta, Bryan congelou.

- O que é que se passa agora? – Perguntei, já quase sem paciência.

- Eu não consigo. Eles não me vão perdoar, nem sequer me querem ver.

- Tenho a certeza que isso não é verdade, de certeza que estão só chateados. E têm razões para isso… mas vão-te perdoar, vais ver.

- E se não perdoarem?

- Então depois lidamos com isso. – Disse eu, abrindo a porta, que nunca estava trancada, e entrando, com ele atrás.

Vista de fora a casa de Phil não parecia tão grande como era por dentro. Era uma casa de pedra, mas não estava muito bem cuidada, tinha uma grande porta de madeira e duas janelas à volta, no andar de cima só tinha três janelas. Lá dentro também não estava muito bem cuidada, estava cheia de pó e teias de aranha, estava toda desorganizada e desarrumada e não se parecia nada com um lar, era mais como um esconderijo. Entrei no corredor, estreitinho e todo sujo e fui ter à sala, tinha um sofá grande, azul desmaiado e já roto e muito velho e depois tinha uma poltrona, também azul desmaiada. Tinha um tapete de arraiolos no chão e uma televisão também já velhinha. Tinha uma lareira, e por cima, a enfeitar a parede, duas espadas cruzadas.

Jason e Phil estavam lá, a falar. Depois de observar a sala e de dizer a Bryan para não ter medo, que ia correr tudo bem, avancei e entrei lá.

- O que é que estás aqui a fazer?! – Perguntou Jason, rudemente quando pôs os olhos em mim.

Respirei fundo para me acalmar e não responder mal.

- Não é por causa de ti, descansa. Eu disse que não me metia mais…

- … Mas não consegues ficar longe não é bonequinha? – Perguntou Phil sarcasticamente.

- Oiçam, vocês não têm que gostar de mim, porque sinceramente também não gosto de vocês. Eu vim aqui por causa del… - Disse eu, apontando para a minha direita, onde supostamente estaria Bryan. – Esperem um pouquinho.

Voltei atrás e puxei Bryan para dentro da sala.

- O que é que ele está aqui a fazer? – Perguntou Jason.

- Eu peço desculpa. – Disse Bryan.

- Já vens tarde.

- Ele sabe disso e sabe que fez asneira, mas ele quer mudar, a sério. – Disse eu.

- E tu és o quê? A advogada dele? – Perguntou Jason, com um tom de voz rude e frio.

- Ouve… ele está mesmo arrependido… - Insisti.

- Eu acredito que sim, mas nós já ouvimos isso tanta vez… - Disse Phil, com uma certa tristeza na voz.

- Olhem, vocês obviamente conhecem-no melhor que eu mas eu acho que ele merece outra oportunidade, toda a gente merece… - Reforcei, tentando fazê-los mudar de ideias.

- Eu pensava que tinhas dito que não te ias meter mais. – Disse Jason com um ar carrancudo.

Aproximei-me e dei-lhe uma chapada, como aquela que tinha dado a Bryan depois de os ver a lutar.

- Para que é que foi isso?! – Perguntou ele.

- Isto foi porque tu não tens qualquer respeito por ninguém! É incrível. E só não ta dei mais cedo porque te vi em mau estado porque acredita que o Bryan já as levou há umas horas atrás. Tu não tens o direito de falar comigo dessa maneira porque eu não fiz nada de errado. Só queria ajudar porque se não tivesse vindo, a esta hora estavas morto, e eles estavam a preparar um funeral! E eu sei que não me devia importar mas importo, foi por isso que vim, e agora que ninguém morreu vou-me embora, porque obviamente não sou bem-vinda! E sim, isto é da minha conta, porque graças a isto tudo, não durmo à noite. Mas pensem sobre ele, porque ele está arrependido e eu sei que se lhe derem outra oportunidade, ele não a vai deixar escapar. Tenham uma boa vida!

É incrível, tudo o que fazia era para tentar ajudar e ainda por cima tratavam-me abaixo de cão. O que é que eu tinha feito à minha dignidade? Ao meu respeito por mim própria? Porque ao vir ter com eles e ao deixá-los tratarem-me desta maneira, de certeza que já não tinha nem dignidade, nem auto-respeito.

Eles ficaram os três especados, a olhar para mim, enquanto me dirigia à porta. Ouvi-os a falar e percebi que iam dar outra oportunidade a Bryan.

Saí daquela casa e comecei a andar, pouco depois ouvi passos a correrem em direcção a mim.

- Onde é que vais? – Perguntou Bryan.

- Para casa, para onde é que havia de ir? – Perguntei.

- Não podes. – Disse ele, com uma cara muito séria. – Não podes voltar, não ainda.

- O quê, porquê? Quer dizer, primeiro não me querem aqui, depois dizes-me para ficar…

- Porque ele te viu, e agora vai querer caçar-te e matar-te, para chegar a nós. – Disse ele, interrompendo-me.

- O vampiro?

- Obrigado por tudo o que fizeste mas agora vais ter que nos ajudar a ajudar-te. No minuto em que ficares sozinha, ele apanha-te, tu ouviste-o.

- E a minha alternativa é ficar aqui com vocês?! – Tenho a certeza que o meu tom de voz deixou mostrar o desagrado que estava a sentir por dentro.

- Sim, e sinceramente acho que é a melhor que tens.

- Vocês podiam treinar-me, ensinar-me a lutar, para me tornar numa… caçadora… - Pensei subitamente, em voz alta.

Ouvi uma gargalhada rouca, eram Jason e Phil, que tinham chegado há pouco tempo, e era Phil que se estava a rir.

- Rapariga, tu não tens estofo para isto, basta olhar para ti para perceber isso. – Disse ele, quando finalmente parou de rir.

- Porquê? Porque pinto as unhas e ando penteada?

- Não, porque não tens resistência ou coragem para certas coisas e depois claro, nunca vais conseguir nada com essas roupinhas à modelo. – Disse ele.

- Mas deves ficar connosco, e sabes que mesmo que digas não, nós acabamos por te pôr cá dentro, afinal, se sonhas connosco já percebeste certas coisas… - Disse Jason.

- Isso é um bocado estranho, os sonhos… sou algum tipo de aberração? – Perguntei, com medo de saber a resposta.

- Saberás quando souberes fazer a pergunta certa. – Disse uma voz masculina, muito calma, atrás de nós.

Era um homem, vestido com umas calças de bombazina castanhas e uma blusa branca.

- E tu és… - Incentivei-o a completar a frase, mas ele não pareceu perceber.

- Ele é o Gabriel, é um… anjo. – Esclareceu Jason.

- E tu sabes o que é que se passa comigo? – Perguntei a Gabriel.

- Talvez saiba, mas só terei a certeza quando me perguntares a pergunta certa. – Respondeu ele. Três antipáticos e um maluco.

Decidi ficar com eles em casa de Phil, pelo menos até matarem o vampiro, é mais seguro. Não sei como nem porquê, mas nesta noite, pela primeira noite nos últimos seis meses, não tive pesadelos.

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