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Espinhos de Rosas

por Andrusca ღ, em 11.09.10

Olá, espero que estejam a gostar da história. Eu já tenho tudo acabado, por isso estava a pensar em pôr um capítulo por dia, que acham? Espero que gostem do novo capítulo, e que comentem. Por favor, eu preciso de saber opiniões.

 

 

 

Capítulo 4

Intriga

 

Derek e eu fomos para o andar de baixo e enquanto eu fui buscar gelo, ele foi-se sentar no sofá da sala. Depois de pôr gelo num saco, fui para a sala e sentei-me ao lado dele.

- Porque é que foi tudo aquilo? – Perguntou-me.

- O meu irmão tem… problemas – comecei – Acho que anda metido nas drogas e… sabe Deus que mais. A minha mãe nunca está em casa por isso eu tenho que tomar conta deles mas o Dylan está tão revoltado e… não sei como lidar com ele. Começou a baldar-se, a tirar notas terríveis, a falar mal para a Abby e para mim nem vou começar…

- Estou a ver.

- Ele começou a roubar e…

- Aqueles eram amigos dele?

- Não sei, mas honestamente espero que não. Eu vi-o podre de bêbedo e fui buscá-lo, mas ele não queria vir. Aquele rapaz aproximou-se e tentou beijar-me, como resisti, deu-me uma chapada, ia dar outra e o resto já sabes…

- Não fazia ideia que o teu irmão era assim…

- Pois… e ele culpa-me por tudo! Eu não sei o que fiz de errado… a sério que não sei… - a voz começou-me a falhar e senti os olhos a ficarem enlagrimados, por isso passei-lhes logo com a mão.

- Ei… - Derek chegou-se mais para ao pé de mim e eu encostei-me a ele. Ele estava completamente gelado – não fiques assim.

Arrepiei-me toda ao encostar-me mais a ele. Era equivalente a estar encostada a um bloco de gelo, mas eu sentia-me bem. Será que ele tem algum problema para estar assim tão frio? Há bocado também estava… ou então sou eu que estou demasiado quente e o acho demasiado frio… e também estava demasiado duro…

- Eu só… eu não sei o que é que ele vê em mim. Não sei porque é que é assim…

- Ninguém sabe. Estás bem? Estás arrepiada…

Senti um novo calafrio.

- Tu continuas frio… - respondi – Como é que aguentas?

Ele soltou um pequeno risinho.

- Estou habituado. Queres que me afaste?

- Não… eu estou bem – olhei directamente para os olhos dele e voltei a arrepiar-me, mas não por estar com frio, pela maneira como os olhos dele estavam – O que é que se passa com os teus olhos?

- Porque é que perguntas? – Ele estava muito descontraído, se houvesse alguma coisa de errado já devia ter notado…

- Consegue-se ver perfeitamente os vasos sanguíneos, estão mais encarnados que o normal…

- É… uma alergia.

- Oh, ok.

Tocaram à campainha. Não há ninguém que me apeteça ver agora, mas mesmo assim levantei-me para a abrir. Deixei o saco com o gelo em cima da mesinha que está à frente do sofá. Cada passo que dava desde que me levantei do sofá parecia pesar o triplo do peso. Não queria abrir a porta. Não queria que o momento em que estive encostada a Derek acabasse.

Quando cheguei finalmente à porta, e a abri, vi Josh.

- Olá linda – e cumprimentou-me com um beijo.

- Ei. O que é que estás aqui a fazer? – Perguntei, espantada.

Josh raramente aparecia sem avisar.

- Decidi fazer-te uma surpresa, estavas distante na escola – tirou a mão que tinha atrás das costas e nela estava um DVD – por isso trouxe um filme para te animar.

- Obrigado.

- Então, não me convidas para entrar?

- Claro, desculpa. Entra – desviei-me para ele passar e fechei a porta.

Quando dei meia volta para me virar para a sala, quase esbarrei nele, ali especado, a olhar para o sofá.

- O que é que ele está aqui a fazer? – Perguntou, com uma voz de poucos amigos.

- O Dylan armou uma das dele e o Derek ajudou-me – esclareci.

- Sim, e já estava de saída – disse Derek, levantando-se – De qualquer maneira só te vim trazer o teu telemóvel, deixaste-o cair quando esbarraste em mim na escola.

Aproximou-se e deu-me o telemóvel para as mãos.

- Vejo-te amanhã na escola – disse-me, enquanto abria a porta e saía.

- Ok, obrigado… - e fechou a porta – por tudo…

- Vocês estavam aqui sozinhos? – Perguntou-me.

- Porque é que não perguntas logo o que queres perguntar?

- Tudo bem. Traíste-me com aquele tipo?

- Não. E era bom se tivesses um bocadinho de confiança em mim – dirigi-me ao sofá e sentei-me.

- Desculpa… - sentou-se ao meu lado e desviou-me o cabelo para trás da orelha – O que é que te aconteceu?

- Levei uma chapada de um bêbedo – respondi, pondo de novo o saco com o gelo na bochecha.

- Eu estava a falar a sério Chloe…

- Também eu – olhei para ele – Estava a tentar trazer o Dylan para casa e um bêbedo deu-me uma chapada. Foi aí que o Derek apareceu e me ajudou.

- Hum… e estás bem?

- Estava melhor se não estivesses com tantos ciúmes…

- O que é que posso dizer? – E começou a aproximar-se mais e mais de mim, até estarmos a milímetros de distância – Eu não quero perder a namorada para ninguém – e beijou-me.

Josh ficou para jantar e Dylan não saiu do quarto. Dylan e Josh chocam os dois de uma maneira incrível, não podem estar os dois na mesma sala durante mais de dois minutos que começam logo a discutir um com o outro.

Depois do jantar Josh foi-se embora e Abby ajudou-me a arrumar a cozinha.

- Eu não gosto dele – disse Abby.

- Não tens que gostar dele – disse-lhe – Ele é o meu namorado, não o teu.

- Gosto mais do teu outro amigo, ele é mais simpático.

- Quem? O Derek?

- Sim. Porque é que não namoras com ele?

- Porque namoro com o Josh, ok?

- Porquê?

- Eu digo-te quando fores mais velha.

- Tudo bem. Precisas que faça mais alguma coisa?

- Não, podes ir. Obrigado.

Ela ia a sair da cozinha, mas voltou-se de novo para mim e ajeitou os óculos.

- É verdade, sabias que a lula-colossal, provavelmente a maior lula existente, tem os maiores olhos do reino-animal?

- Não…

- É verdade. Podem até ser do tamanho de pratos – e deu meia volta e saiu.

É nestas alturas que me sinto como uma ignorante.

Enfiei a loiça na máquina e quando ia a sair da cozinha para ir para o quarto, vou de encontra a Dylan.

- Podias ter mais cuidado – queixou-se.

Passei à volta dele e não lhe falei. Estou a ser infantil? Estou, mas também tenho esse direito às vezes. Ele provavelmente esteve a dormir até agora e está de ressaca, e eu não estou para aturar o seu mau-humor.

- Agora não falas comigo? – Perguntou, cruzando os braços – E eu é que sou criança – mas de repente a sua cara modificou-se – O que é que te aconteceu à cara? – Sim, a minha querida cara que tinha sido usada como saco de pancada pelo amiguinho bêbedo dele. Será que ainda vou ter a bochecha vermelha quando acordar amanhã?

- Pensa um bocado – disse-lhe – Ou então pergunta ao teu amigo bêbedo.

Saí de lá e subi as escadas. Fui para o meu quarto e pus-me a ler uma revista. Acabei por adormecer.

Quando acordei já eram três e um quarto da manhã, e acordei gelada. Olhei para a janela, estava aberta. «Outra vez? Mas eu fechei-a…». Fui fechar a janela e vesti o pijama, porque ainda não tinha mudado de roupa nem aberto a cama. Fui à cozinha beber um copo de água e quando ia a voltar para o quarto vi a luz do quarto da Abby acesa, por baixo da porta. Bati e entrei.

- Ainda não estás a dormir? – Era uma pergunta escusada, eu sei.

- Tive um pesadelo – disse-me ela.

Aproximei-me e sentei-me na cama.

- Então foi só isso, um sonho. Não é real – disse-lhe.

- Mas mesmo assim mete medo.

- Com o que é que sonhaste?

- Não quero dizer. Não me quero lembrar.

- Sabes, se disseres um pesadelo, ele não se concretiza.

- A sério?

- Não sei, mas há várias pessoas a dizerem isso – e rimo-nos as duas. – Vá lá.

- Eu sonhei que o Dylan ia a passar na rua e depois levava um tiro… e depois tu ias a correr para ele e eras agarrada por um homem, que te estrangulava. E então o homem veio para mim, e ele tinha dentes, dentes muito afiados. Era um vampiro. A pele dele brilhava como diamantes, como no livro da Stephenie Meyer.

- Tu andas ler demasiado e a ver filmes a mais.

- Tu dizes sempre que não existem vampiros bons.

Senti uma dor aguda no peito ao virem-me recordações à cabeça, embora já não seja tão forte como costumava ser.

- Eu sei. Mas isso sou eu. Tu podes acreditar no que quiseres…

- Mas tu não acreditas.

- Eu não acredito que hajam vampiros, bons ou maus – menti.

- A sério?

- Sim, é só ficção Abby – e menti de novo. Ela só tem dez anos, que mais é que posso fazer? – Vá lá, temos que ir dormir, amanhã temos escola.

- Posso ir para a tua cama? É maior…

A minha cama era a única que era de casal, porque eu estava no quarto que pertencia aos meus pais, só que o remodelei ao meu gosto.

- Anda.

Deitámo-nos as duas na minha cama e ela adormeceu em três tempos. O pior estava para vir: os pontapés nocturnos.

Não dormi praticamente nada porque a Abby não se parava de mexer, por isso não foi sacrifício nenhum levantar-me quando o despertador tocou.

Fui tomar um duche e tentei não acordar Abby, vesti-me, enxuguei o cabelo e então acordei-a. Quando ia para o andar de baixo passei pelo quarto de Dylan, dei-lhe dois abanões e disse-lhe para se levantar. Ele começou logo a reclamar. Já não se notava o vermelhão na minha bochecha, mas ainda doía um bocadinho, bolas, a pancada tinha sido com mais força do que pensei.

Fiz o pequeno-almoço e rumámos às escolas. O caminho depois de deixarmos Abby foi muito silencioso. Quando estacionei o carro e saímos, Dylan olhou-me fixamente.

- Desculpa por ontem – disse-me.

- Sim, e por anteontem e pelo dia anterior a esse – disse eu – Então, como foi? Lembraste-te ou telefonaste-lhe, ao bêbedo?

- Lembrei-me. Estás bem?

- Não, mas não é por causa da pancada – comecei a andar em direcção à porta e a subir as escadas.

- Eu normalmente não faço estas coisas…

Parei repentinamente.

- Poupa-me Dylan. Eu conheço-te há quinze anos. Tu dizes isso agora e daqui a meia hora já estás a fazer asneira.

- Isso é que é fé – resmungou, enquanto continuávamos a subir.

- Não me deste motivos nenhuns para a ter…

- Eu sou teu irmão, esse devia ser o único motivo que precisavas.

- Pois bem, não é.

Entrámos para a escola e cada um foi para o seu corredor. Sentei-me num banco à espera que tocasse, para entrar para o balneário. Gwen chegou e sentou-se ao pé de mim.

- Tu nem sequer leste uma página? – Perguntou-me.

- Do que é que estás a falar?

- Do livro que te emprestei. Nem uma página?

- Eu disse-te que não o queria ler. Eu não acredito…

- Em vampiros bons – dissemos, ao mesmo tempo.

- E blá, blá, blá… - disse ela. – É uma história romântica.

- Com um vampiro! Quem é que seria estúpida o suficiente para se apaixonar por um vampiro?

- As pessoas não escolhem essas coisas. Além disso, ele é bom.

- Sim, pois.

Tocou e entrámos para o balneário. Vesti uns calções curtos, azuis-escuros, e uma blusa bege de alças, calcei uns ténis que trazia na mala e fiz um rabo-de-cavalo.

Fomos para o ginásio e já fomos as últimas a chegar. Hoje tínhamos o ginásio inteiro para nós, por isso íamos fazer badmington e também futebol, a turma ia ficar dividida em dois. Por sorte eu fiquei no grupo do badmington.

Comecei a jogar com Gwen e fiquei virada para o jogo. Derek acenou-me e eu retribuí, vi que os seus olhos já estavam normais, mas depois também vi que Josh não estava muito satisfeito. “Por favor que ele não faça nada de estúpido…”, pensei.

Vi o professor a escolher as equipas e Josh e Derek ficaram na mesma.

- Isto não vai ser bom… - murmurei.

- Disseste alguma coisa? – Perguntou Gwen.

- Não – respondi, acertando com a raquete na pena.

O jogo começou, eu estava com mais atenção ao deles do que ao nosso.

- Então Chloe?! – Já era a quarta ou quinta vez que deixava a pena cair, aliás, nem sequer me movia para a tentar apanhar.

Gwen olhou para trás, sorriu e aproximou-se da rede. Eu aproximei-me também.

- Estás a ver a disputa dos dois? – Perguntou-me.

- Não há disputa nenhuma.

- Há sim – disse, com uma voz sedutora –, para o teu coração.

- Não sejas parva.

- Já viste a maneira que o Derek olha para ti? É óbvio…

- Chloe e Gwen! – Gritou o professor. – Não se querem sentar a tomar um chazinho e conversar?! Aqui é para jogar!

- Desculpe Sr. Veigues – dissemos, em uníssono.

Afastámo-nos e recomeçámos a jogar. Consegui manter a cabeça no jogo durante míseros minutos, até que ouvi um estrondo enorme. Fiquei chocada a olhar enquanto levei a mão à boca e corri até Derek, estendido no chão, com metade da baliza em cima. Baixei-me ao lado dele.

- Derek, oh meu Deus! – Murmurei.

- Eu estou bem – dizia ele. Devia ser do choque…

O professor e os outros alunos levantaram a baliza e Derek saiu lá de baixo.

- Temos que chamar uma ambulância – disse o professor – Eu vou lá dentro.

Derek não deitava sangue de lado nenhum, mas de certeza que tinha coisas partidas… ai mãe…

- Não preciso de ir ao hospital, a sério, estou bem – disse Derek, levantando-se e dando um olhar a Josh.

Durante a parte do jogo a que tinha estado atenta, apesar de serem da mesma equipa, Josh estava sempre a dar encontrões a Derek e a fazer-lhe rasteiras, mas nunca conseguia.

Depois de Derek muito (mas muito mesmo) insistir, ninguém chamou a ambulância, mas concordámos que ele tinha que ir à enfermaria. Enquanto ele falava com o professor, eu dirigi-me a Josh.

- Porque é que fizeste isto?! – Perguntei, furiosa – Podias tê-lo morto!

- Foi só um encontrão, como é que ia saber que ele ia dar uma queda daquelas? – E riu-se – Além disso ele está bem.

- Não, não está! Caiu-lhe uma baliza em cima! Ele pode ter alguma coisa partida, ou estar a sangrar internamente, pode…

- Ei, calma Chloe, estás a fazer um filme.

- Chloe – chamou o professor. Dei um último olhar a Josh antes de me aproximar – Podes ir com o teu colega à enfermaria?

- Claro.

Perguntei várias vezes se Derek se queria apoiar em mim, apesar de não ter a certeza se podia com ele, mas ele negou sempre.

Ele insistiu em entrar sozinho para a enfermaria e saiu de lá quinze minutos depois, com o braço ligado.

- A enfermeira diz que posso tirar isto em três dias – disse-me ele – Disse que não era nada de grave.

- Mas como? Caiu-te uma baliza em cima! Como é que só magoaste o braço?

- Sorte, acho eu…

Fiquei de trombas com Josh durante o resto do dia. Reparei que ao almoço, nem Derek nem os seus irmãos comeram.

Quando as aulas acabaram fui para casa e passado algum tempo fui buscar Abby. Ela trouxe uma amiga dela com ela, que ficou cá em casa o resto da tarde.

- Abby, a Katty quer cá jantar? – Perguntei, ao entrar no quarto de Abby.

- Obrigado – respondeu Katty –, mas não posso.

- Ok, tu é que sabes. Fica para outro dia.

Fui fazer o jantar e entretanto chegou Dylan. Encostou-se ao balcão, muito calado e quieto, e observou-me.

- O que é que queres? – Perguntei.

- Amanhã podes fazer jantar a contar com a Erica?

- A rapariga do piercing na língua?

- Sim.

- E na orelha?

- Sim.

- E no lábio?

- Essa mesma.

- E no nariz?

- Yap. E ela ainda tem mais piercings, mas não estão à mostra.

- Definitivamente não.

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