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Déjà Vu Sobrenatural

por Andrusca ღ, em 25.10.10

E o capítulo de hoje chegou finalmente

Espero que gostem...

 

Capítulo 4

A isca

 

Já estava lá em casa de Phil há uma semana, Jason e Bryan já se davam melhor. Bryan estava a fazer um esforço enorme para se manter afastado de sangue de vampiro, acho que a vontade só piorava quando ele via um.

Eles estavam determinados a encontrar o vampiro que me ameaçou, mas ao mesmo tempo via-se que tinham medo de o enfrentar, percebo plenamente porquê, apesar de me ter feito de forte à sua frente, a verdade é que Crowllang era aterrorizador e além disso não deve ser nada fácil lutar contra o assassino da mãe deles.

Insisti bastante com Gabriel, para este me dizer o que é que se passava comigo mas ele não me dizia nada. Tentei aprender alguns truques para lutar mas talvez eles tivessem razão… talvez não fosse para mim.

Não podia sair da casa, se é que se podia chamar àquilo de casa, por isso passava os dias a ler os livros que encontrava por lá.

Os pesadelos tinham voltado, parece que só paravam quando eu estava em perigo, não que agora não estivesse, mas não estou propriamente a correr para ele.

Phil andava mais simpático comigo, não sei porquê, mas andava. Tinha-me disponibilizado um quarto muito bonito, em comparação ao resto da casa. Tinha uma cama de casal e uma colcha bege, um cadeirão, um roupeiro com um espelho numa das portas de correr, duas mesas-de-cabeceira e uma cómoda. Tinha uma janela que ia dar ao telhado e que tinha uma árvore à frente. Acho que era a divisão mais bem arranjada de toda a casa.

O grande defeito daquela casa era não haver comida no frigorífico, eles iam sempre comprar sandes, pizzas e outras comidas desse género.

- Então, como é que estás? – Perguntou Bryan, rompendo os meus pensamentos.

- Estou bem, tal e qual como há dez minutos atrás, quando perguntaste. – Respondi.

- Só a confirmar. – Disse ele, dirigindo-se à cozinha.

Agarrei no comando e liguei a televisão. Estavam a dar notícias sobre alguns roubos que têm havido em todo o país.

Entrou uma mulher na sala, era um pouco mais alta que eu e tinha os cabelos loiros, com caracóis, até aos ombros. Tinha umas calças de ganga, uma blusa verde e umas botas castanhas.

- Está cá mais alguém? – Perguntou-me.

- Talvez… quem quer saber? – Perguntei, desconfiada.

- O meu nome é Vicky, estou à procura do Bryan e do Jason, eles estão? Eu tenho informações importantes, e acho que também te abrangem a ti…

- Eles estão na cozinha, com o Phil. – Respondi.

Ela foi ter com eles e começaram a falar, aproximei-me para ouvir o que diziam e ouvi que estavam a falar do vampiro, ela falava das coisas com muita certeza, como se já fizesse aquele tipo de coisa há séculos.

- Ééé, pára tudo! Ela é uma mulher. Porque é que eu não posso ser caçadora e ela pode?! – Perguntei, indignada.

- Eu não sou caçadora, sou um anjo. – Disse-me Vicky, muito calmamente.

- Ah, ok…

- Tu não pareces muito surpreendida…

- Pois, no último mês lutei contra um wendi-qualquer coisa e vi um vampiro, acredita, um anjo é das melhores coisas que puseram à frente ultimamente.

- Acredito.

- Bem, nós vamos tentar descobrir qualquer coisa. Mel, ficas com a Vicky até voltarmos, não faças nenhum disparate. – Ordenou Jason.

- Preciso de uma babysitter?! – Perguntei, irritada.

- Não é uma babysitter, é uma garantia em como não te metes em sarilhos. – Disse Bryan.

- Tudo bem, vai dar ao mesmo. – Respondi, carrancuda.

Depois de eles saírem eu e Vicky sentámo-nos a ver televisão.

- Então, até eles voltarem, ensinas-me a lutar? – Pedi a Vicky, cheia de esperanças.

- Oh, nós, os anjos, não lutamos, somos pacifistas. – Respondeu ela.

- Óptimo, deixa-me ver se percebi, eu estou a ser perseguida por um vampiro que me quer desesperadamente matar e sou deixada com uma pacifista?!

- Há várias formas de nos defendermos sem ser a lutar Melanie… vamos falar de outras coisas, como é que tens passado?

- Maravilhosamente, mas ficava melhor se o teu amigo anjinho me dissesse o que é que se passa comigo…

- Não depende dele, são ordens superiores.

- Tipo… de Deus?

- Não, de anjos mais poderosos.

- Ah…

A cara dela tornou-se mais séria.

- Deus está desaparecido. – Disse, em tom de desabafo.

- Repete lá, Deus, está desaparecido?

- Nós estamos a tentar encontrá-lo, reza uma lenda antiga que há um talismã tão poderoso que brilha em todas as direcções, quando se encontra na presença de Deus. Mas até agora não encontrámos nenhum talismã desses ou Deus. – Disse ela, com uma preocupação evidente na cara. – Ele é o único que pode matar o Diabo, Lúcifer, mas se ele não se deixa encontrar, então… o mundo está perdido.

- Nem imaginas o quanto tenho pena ao ouvir isso…

Ficámos de conversa durante um tempo e depois subi para o quarto. Deitei-me na cama e pus os fones nos ouvidos, pus-me a ouvir Fireflight. Estava ali, naquela casa enorme e no entanto não tinha nada para fazer. Bateram à porta.

- Melanie, eles precisam de ajuda numa coisa, ficas bem? – Perguntou Vicky.

- Sim, podes ir.

- Não saias da casa.

- Não te preocupes.

Fiquei ali deitada durante mais uns minutos e depois levantei-me. Corri a casa toda à procura de um pano do pó e acabei por o encontrar, limpei o pó dos quartos e da sala, não consegui entrar no sótão nem na cave, estavam ambos trancados. Deixei o pano do pó em cima de uma mesinha pequena que estava na sala e dirigi-me à cozinha. Deitei fora as latas de conservas e outros alimentos que já tinham passado o prazo de validade, lavei a loiça, pus a máquina da roupa a lavar e varri o chão da casa toda, tirei as teias de aranha e arranjei as almofadas do sofá, pus os quatro enormes sacos de lixo, pretos, à porta. Deixei-me cair para cima do sofá, esgotada.

- O que é que fizeste à minha casa?! – Perguntou Phil, acordando-me de outro pesadelo.

- Limpei-a. – Respondi, inocentemente, ajeitando-me no sofá.

- Mataste-a. Ela estava perfeita. – Disse ele.

- Estás a gozar Phil? A casa estava detestável, sem ofensa. – Disse Jason, dando-lhe uma chapadinha no ombro.

- Isto já devia ter sido feito há muito mais tempo. – Disse Vicky.

- Tudo bem, não está assim tão mau… - Concordou Phil. – E agora já encontro as coisas que preciso… tudo bem, mas não voltes a fazer este tipo de coisas sem perguntar primeiro, ok?

- Sim meu comandante. – Disse eu, sorrindo.

A campainha tocou e eles agarraram nas armas.

- Tenham calma, é só a comida. – Disse eu, levantando-me do sofá e agarrando na carteira.

Abri a porta e paguei a um homem, que me entregou vários sacos. Levei os sacos para a cozinha e comecei a arrumar as coisas nos armários e no frigorífico, deixei de fora uma pizza, já quente.

- Compraste comida? – Perguntou Jason. – Pensava que tínhamos concordado que não ias sair de casa.

- Primeiro, vocês concordaram isso, eu não, mas não se preocupem, eu não saí, encomendei, nem sempre sai bem, mas as coisas que ali estavam já estavam podres, por isso não tive lá muita escolha. Ah, é verdade, os sacos do lixo estão à porta para vocês levaram para o contentor, eu não posso sair de casa. – Disse eu, encolhendo os ombros.

Eu, Phil, Bryan e Jason jantámos, sentados na mesa da cozinha. A cozinha tinha uma racha enorme na parede lateral e a parede já estava a ficar com falta de tinta. Os armários já estavam a ficar velhotes mas apesar dos anos que já deviam ter, estavam muito bem conservados. A mesa, branca e rectangular, estava ao centro, com quatro cadeiras à volta. O frigorífico estava ao lado do fogão e dos armários.

Vicky foi-se embora com Gabriel, não sei para onde. Disseram que estava na hora de irem para a casa deles, seja lá onde isso fique. Descobri que não lhes é permitido namorar ou sequer sair com alguém, de alguma forma romântica.

Quando acabámos de comer eles mandaram a loiça toda ao molho para dentro do lava-loiça e foram para a sala. Respirei fundo e lavei a loiça, com muito esforço, porque estava esgotada e tinha passado o dia a fazer uma coisa que odiava, limpezas. Quando finalmente acabei, deixei-me cair no sofá, ao lado de Bryan.

- Então, têm novidades? – Perguntei, referindo-me ao vampiro.

- Descobrimos onde é que ele está, não sabemos é que estratégia usar. – Disse Jason, bocejando.

- Como assim? Vocês raramente usam estratégias, é entrar a matar. – Disse eu.

- Normalmente sim, mas desta vez é diferente, ele é muito poderoso Melanie.

- Já enfrentaram pior. – Disse eu, encostando-me para trás. – Eu acho que estão com medo.

- Acha o que quiseres, eu vou dormir. – Disse Jason, levantando-se. – Dorme bem Mel, sonhos cor-de-rosa.

- Engraçadinho. – Disse eu, mandando-lhe com uma almofada.

Passado um pouco de todos eles terem subido para se irem deitar, eu já quase não conseguia manter os olhos abertos e decidi ir também para a cama. Desliguei a televisão e levantei-me do sofá, e quando me estava a encaminhar para as escadas ouvi um ruído do lado de fora. Aproximei-me da janela para espreitar. Não conseguia ver nada por isso saí, muito devagar, até ao quintal. Olhei em volta mas não vi ninguém, porém, ouvia sussurros e pés a arrastarem-se. Estava muito escuro, mal conseguia ver um metro à minha frente. Decidi voltar para trás, mas a porta tinha-se fechado. Comecei a bater e a chamar por Jason, Bryan e Phil. Vi-os, pela janela a tentarem a abrir a porta e as janelas, mas havia qualquer coisa que não os deixava. O pânico estava a começar a tomar conta do meu corpo. Eles estavam a fazer sinais para eu me virar, para olhar para trás, mas o pânico não me deixava, fazia com que ficasse imóvel, tentar fazer qualquer gesto, por mais pequeno que fosse, era inútil. Fiquei assim, imóvel, a olhar para eles, pela janela, durante uns segundos, e quando tive finalmente controlo do meu corpo, virei-me e vi-o. Aqueles enormes olhos vermelhos vivos e os dentes branquíssimos, brilhantes. Estava de frente para mim, e num piscar de olhos, já não estava. Senti desviarem-me o cabelo para trás, com uma mão fria e áspera e virei lentamente a cara, ele estava lá. Ele aproximou-se e… mordeu-me.

- Ahhh! – Gritei desesperadamente, ao cair do sofá e acordar.

Ouvi passos a correr.

- Mel, estás bem?! – Perguntou Jason, alarmado, sentando-se e abraçando-me. – Tem calma, foi só um pesadelo.

- Não, não foi, no meu caso nunca são só pesadelos. – Lamentei, enquanto tentava que o meu batimento cardíaco voltasse ao normal.

Phil e Bryan estavam parados, assustados, a olhar para mim. Trocaram um olhar desconfiado. Sei que eles sabiam exactamente com o que é que eu tinha sonhado, apenas não se atreviam a dizer em voz alta. Eu estava ali, no chão, imóvel, encostada ao sofá e a Jason. Bryan trouxe-me um copo de água e ajudaram-me a sentar-me no sofá, porque ainda tremia por tudo quanto era sítio. Depois de me acalmar comecei a contar-lhes o sonho, passinho a passinho.

- E é só isso que te lembras? – Perguntou Phil.

- É. Eu fui lá para fora e depois não conseguia voltar a entrar. Vocês não conseguiam sair para me ajudar e depois ele apareceu e mordeu-me. – Respondi.

- E foi quando acordaste a gritar?

- Foi.

- Isso acontece muitas vezes, acordares aos gritos? – Perguntou Jason.

- Não sei, às vezes dou por isso, mas outras só acordo sobressaltada.

- Não te preocupes, não vamos deixar esse tosco chegar ao pé de ti – Assegurou Bryan..

- Certo. – Disse eu, apesar de ter um pressentimento que não era verdade.

Passei o resto da noite acordada. Vicky apareceu mais ou menos às cinco da manhã e começámos a falar. Ela era simpática comigo, não sei se era por ser um anjo, mas tratava-me bem, e via-se que não me perguntava se estava bem só por perguntar, ela preocupava-se mesmo. Eu sentia que para Jason, Phil ou Bryan, tomar conta de mim naquela situação era uma obrigação, mas para Vicky era apenas natural.

- Então, mais calma? – Perguntou ela, pela milionésima vez.

- Um bocado. Ele vem atrás de mim… - Disse eu.

- Eles não vão deixar isso acontecer. Mel, aqui estás salva.

- Não sei não. Eles têm medo dele. Nunca vão dar o primeiro passo, precisam de um incentivo.

- Não faças estupidez nenhuma Melanie.

- O que é que achas que vou fazer? Fazer de isco não?!

- Para teu bem, espero que não.

Essa ideia tinha-me saído no gozo, mas a verdade é que não era nada mal pensada. Mas não, sem nenhum tipo de protecção não o iria fazer...

- Vicky… como é que se mata um vampiro? – Perguntei, com uma voz inocente.

- Não sabes mesmo?

- Se for com estacas como nos filmes sei… estes também têm super velocidade?

- Não Mel, estes são reais, não são fictícios, acho até que mataram um realizador de um filme qualquer por este fazer os vampiros fictícios mais poderosos que os reais…

- Como é que eles são, os reais?

- Parecem-se com pessoas normais, como tu e eu. Normalmente vestem-se de uma forma…

- Século passado.

- Sim, vestem-se como no século passado. Os dentes só aparecem quando querem e ao contrário do que se diz, o sol não os afecta de qualquer maneira. As coisas que aparecem em filmes, tipo água benta ou cruzes, mal os magoam.

- Mas eles não são tipo indestrutíveis pois não?

- Não, eles morrem se lhes arrancarem a cabeça.

- Parece fácil…

- Mas não é, especialmente com este. Ele é dos piores vampiros desde o séc. XV.

- Uau, tão velho?

- Exacto, e os seus anos deram-lhe sabedoria e poderes inigualáveis. Ele não morre como os outros, ainda não se sabe como o matar. Eles só querem ter a certeza que acaba tudo bem, só isso.

- Claro… Vicky, o que é que há no sótão e na cave?

- Nada que tu precises de saber por agora. Melanie, tu prometeste não fazer asneira nenhuma. E quando isto acabar voltas para a tua vida normal, ok?

- Achas mesmo que vou ter uma vida normal? Eu sonho com estas coisas, literalmente. Eu nunca vou conseguir ter uma vida normal.

- Bem, tentar nunca magoou ninguém.

Eram quase sete da manhã quando ela disse que era melhor ir-se embora. Como eles, estranhamente, ainda estavam a dormir, subi as escadas sorrateiramente até ao sótão e tentei, mais uma vez, abrir a porta. Empurrei-a, tentei destrancá-la com um gancho do cabelo mas ela nem um milímetro se movia. Quando dei meia volta para voltar a descer as escadas, ouvi ranger, olhei para trás e a porta estava entreaberta. “Estranho”, pensei. Entrei e vi montes de armas, pequenas, médias, grandes, pistolas, metralhadoras, navalhas, espadas, machados… de tudo um pouco. Parecia que estava numa zona de guerra, e de certa forma até estava. Havia um baú, aberto, cheio de cartões falsos, FBI, CIA, canalizadores, firmas de electricidade… ao lado estava outra arca, cheia de pacotes de sal.

Ouvi movimento no andar de baixo e resolvi sair de lá, mas já era tarde demais porque eles estavam a subir. Fechei a porta e escondi-me debaixo de uma mesa que lá estava, como a toalha era até abaixo não me conseguiam ver. Entraram lá, pelas vozes eram Bryan e Phil. Começaram a mexer nas armas e a falar de várias coisas, até o assunto vir parar a mim.

- O que é que se passou entre a Mel e o Jason? Eles parecem muito cúmplices… - Perguntou Phil.

“Se a conversa não chegasse a mim é que me admirava”.

- Eles namoraram no liceu, quando nos mudámos para Beverly Hills. – Disse Bryan.

- Ah, então ela é que era a rapariga por quem o Jason andava caidinho…

- Sim, era ela…

- Faz sentido, ela é tudo o que o Jason gosta… é bonita, inteligente e tenho que dizer, apesar de nunca admitir isto à frente dela, ela parece bem corajosa, não era qualquer uma que vinha atrás de duas cabeças duras como vocês sabendo os riscos que corria… duas vezes.

Senti-me a corar.

- Sim, ela é corajosa… por muito que não o diga à frente dela, ela tem qualquer coisa. Mas é por nos preocuparmos com ela que não a queremos com expectativas em relação à vida de caçador.

- Por muito corajosa que seja, não durava nem uma semana… sem treino.

- Não comeces Phil, nem sem treino nem com treino. Depois disto ela vai para casa.

- E se ela se recusar?

- Não sei, mas ninguém deseja este tipo de vida, ela não pode cometer o erro de se meter nela. Quando se entra, nunca mais se sai.

- A quem o dizes…

Era bom saber que me achavam corajosa, e saber que se preocupavam, mas quanto ao meu futuro, isso tinha que ser decidido por mim.

Quando finalmente desceram, saí de lá, voltando a fechar a porta, e passei sorrateiramente para o meu quarto. Fui tomar um banho e vesti uns calções verdes com uma blusa branca de alças, calcei uns ténis brancos e verdes e pus espuma no cabelo. Pus o meu colar com o coração.

Desci as escadas e comi o pequeno-almoço com eles. Foi incrível, mas durante aquele pequeno-almoço percebi que eles não iam mesmo lutar com o atrasado do vampiro sem uma coisa que os obrigasse, que os empurrasse para lá, não iam lutar sem uma razão sólida, um incentivo. Depois de acabar de comer deixei a loiça no lava-loiça e subi, para o meu quarto. Quando vi que o caminho estava livre fui até ao sótão e agarrei num punhal de prata, com umas inscrições em latim, infelizmente, o meu latim estava enferrujado. Nas aulas de latim, que eram para todos os anos e opcionais, tinha prestado mais atenção a Jason do que ao professor, mas tenho a certeza que se revisse as bases, ia voltar falar e a perceber lindamente. Depois de agarrar na faca e numa garrafinha pequena de água benta, voltei para o meu quarto e abri a janela. Saí pela janela e fiquei no telhado, depois desci pelas escadas de emergência. “Eles precisam de uma causa, eu dou-lhes uma causa, mas se por acaso morrer, eles vão ser as primeiras pessoas que vou assombrar!”, pensava, conforme descia.

Caminhei em direcção ao bosque, em redor da casa de Phil. Eles já sabiam onde procurar, só precisavam era de qualquer coisa que os fizesse ir lá, só espero que eu chegue.

Já estava bem infiltrada no bosque quando ouvi passos e me virei. Ele estava lá, com os seus olhos vermelhos vivos e o visual de há um século atrás, os dentes estavam escondidos. Desta vez não era um sonho, disso tinha a certeza.

- Olhem quem cá está. Eu ia-te buscar agora mesmo. – Disse ele, com muita malvadez na voz.

- Eu sei. – Respondi, com uma certa revolta.

- Claro que sabes, e facilitaste-me bastante a vida, ao vir até aqui.

- Eu sei.

- E sabes o que é que eu te vou fazer agora?

- Eu… não sei, ao certo… mas tenho a certeza que não é coisa boa.

Ele aproximou-se de mim.

- E porque é que vieste?

- Agora, aqui, frente-a-frente contigo, não sei bem… - Disse eu, olhando em volta, enquanto muitos outros vampiros se aproximavam.

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