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Déjà Vu Sobrenatural

por Andrusca ღ, em 28.10.10

Ok, muita gente me tem perguntado quando é que o Jason e a Mel vão voltar a gostar um do outro, e posso dizer que ao longo da história vai haver várias cenas que parece que eles se vão entender, mas que isso só acontece lá para o capítulo 16, mas ainda aí as coisas não ficam definitivas.

 

Espero que gostem do capítulo de hoje ;D

 

Capítulo 7

Lembras-te de mim?

 

Depois de dois meses inteirinhos a treinar e caçar com Phil, já conseguia tomar controlo dos meus movimentos como uma profissional. Phil estava impressionado com os meus progressos e disse que nunca tinha visto ninguém evoluir assim tão depressa. Já tinha confiança suficiente em mim para me mandar em caçadas sozinha, desde que não fossem muito longe, quando eram, e se ele não podia ir, telefonava a outros caçadores que pudessem.

Já tínhamos contado a Jason que eu me tornara numa caçadora, ele detestou a ideia, mas como eu previ, não foi nada que o fizesse vir ter connosco para me mandar para casa. Já deve ter notado que não valia a pena.

Nestes últimos dois meses, devo ter tido uns cinco pesadelos, o que é muito bom, pois faz com que durma várias noites inteiras.

Por muito que tivessem embirrado com o meu visual, eu mantive-o. Mantive as roupas curtas, o cabelo comprido e as unhas pintadas, os sapatos de salto alto é que foram trocados por ténis, apesar de os continuar a usar bastante. Continuo a usar acessórios e a tratar de mim. Uma coisa não invalida a outra, acho que com a vontade que tenho de fazer isto, pouca coisa me iria impedir.

Phil até anda mais simpático, quando o conheci era resmungão e não gostava de mim, agora está mais social, relaxado, e apesar de continuar a preocupar-se com o que faço, já me diz que tem orgulho em mim, o que me faz ficar muito feliz. Ele está-se a tornar um tipo de padrasto falso. Quando comemos em casa eu faço a comida, e apesar de não sair nada de jeito, ele diz sempre que está bom e faz um esforço para comer. Quando vamos para longe é que ficamos a dormir em hotéis ou motéis e comemos em qualquer sítio, e qualquer coisa.

Agora tínhamos acabado de chegar a casa, de uma missão em Hartford, a capital de Connecticut. Tínhamos ido caçar o demónio do sono, demorámos bastante tempo a atacar porque ele queria planear tudo, como Jason e Bryan faziam, mas eu queria fazer tudo às três pancadas, até porque as coisas neste ramo de trabalho nunca saem como planeadas.

O demónio do sono metia as pessoas a dormir e depois fazia-as ter pesadelos, em que ele aparecia e as matava, assim, morriam na vida real, por morte inexplicável, como os médicos diagnosticavam. Quando se sente ameaçado, mete as pessoas a dormir, aconteceu quando eu e Phil o fomos caçar. Phil adormeceu, mas não sei porquê, eu nem bocejei.

Uma das razões de também ter entrado nesta vida era descobrir mais sobre mim e sobre os meus sonhos, porém, essa minha busca não me estava a levar a lado nenhum, parecia completamente inútil.

- Então Mel, o que é que temos hoje para o jantar? – Perguntou Phil.

- Hoje temos pizza.

- Eu pensava que íamos comer uma comida caseira, já que passámos a semana a comer coisas dessas…

- Eu sei, mas hoje não me apeteceu. Pareces preocupado, passa-se alguma coisa?

- O Bryan telefonou…

- A sério, essa é nova, que o Jason telefona de vez em quando já estou habituada, agora o Bryan…

- Tem calma. O Bryan telefonou porque há demónios lá para a zona dele, pediu-me que mandasse alguém para ver. O problema é que já telefonei a alguns dos caçadores que conheço e eles dizem que estão ocupados e eu também não posso, vou para Virgínia…

- Manda-me a mim. – Pedi, com as mãos juntas.

- Sozinha? Até Phoenix? Estás a sonhar, não?

- Vá lá Phil. Tu sabes que eu tenho cuidado e tu mesmo dizes que eu sou boa nisto. Disseste que tinha um talento natural… - Fiz aqueles olhinhos a que é impossível recusar coisas. – Vá lá, deixa-me ir, please.

- Sim mas… é um bocado longe para ires sozinha. E se eu pedir ao Neal para te acompanhar?

- Neal Borris? – Perguntei, à espera de uma resposta negativa.

- Sim, ele é bom caçador…

- Phil, eu odeio aquele homem.

- Tu nem o conheces…

- Então imagina se conhecesse. De certeza que não há mais ninguém disponível? Vá lá, tenta mais alguém. Ou então…

- Ou então o quê? Tu não vais nesta missão sozinha Melanie McKensie.

- Porque não? Pensa bem, vai lá estar o Bryan, com ele lá estou a salvo certo?

Após algum tempo de discussão, ele concordou em deixar-me ir, mas disse que ia mandar alguém ir lá ter comigo. No dia a seguir apanhei um avião, para ser mais rápido e cheguei a Phoenix, Arizona, ainda na parte da manhã.

- Olá sol! – Exclamei, com um sorriso nos lábios, ao sair do avião.

Tinha vestido uns calções brancos, uma blusa de alças verde-clara e calcei umas sandálias pretas, com um saltinho não muito grande. Tinha também feito uma trança.

Fui até a um hotel fazer o check-in e deixar a mala no quarto e encaminhei-me ao bar onde Bryan trabalhava. Entrei e dirigi-me ao bar, sentei-me num dos bancos altos e esperei que alguém me viesse perguntar o que queria beber. Vi que Bryan estava a dar umas bebidas numa mesa. Dirigiu-se depois para o bar e veio ter comigo.

- Então, o que vai ser? – Perguntou, sem me reconhecer.

- Não sei, diz-me tu. – Disse eu, virando a cara para ele. – Tu é que chamaste.

- Melanie? O que é que estás aqui a fazer? – Perguntou, admirado.

- Olá estranho, há dois meses que não ouvia de ti e agora chamas por um caçador.

- Exacto, por um caçador, não foi por ti. Mel, continuas atrás destas coisas?! – Perguntou, com um tom de reprovação.

- Eu não ando atrás destas coisas. Eu sou uma caçadora, é oficial.

- Vai gozar com outro, sim?

- O Phil treinou-me e esta é a minha primeira missão a solo.

- Tu não estás a gozar. – Acabou ele por perceber. – Tu não estás mesmo a gozar… não estás a gozar pois não?

- Não. Vais começar a falar alguma coisa de interessante ou vamos continuar com isto?

Fomos para uma sala nos fundos e ele contou-me que era um demónio que andava a atacar bombas de gasolina, fiquei na dúvida se seria mesmo um demónio ou um assaltante comum, mas ele disse que fez a pesquisa e que todos os sinais indicavam que havia um demónio na cidade, mas não se ofereceu nem por um segundo para me ajudar, estava mesmo a esforçar-se para sair daquela vida.

Quando regressámos ao bar esbarrei com um homem, tinha montes de músculos, usava uma blusa de cavas, preta e uns calções de tropa e tinha um cabelo preto, digno de um anúncio de shampoo.

- Neal. – Disse eu, entre dentes. – O que é que estás aqui a fazer?!

- Babysitting. Aparentemente fui recrutado para tomar conta desta missão e bem, de ti. Deixa-te apenas ficar de lado e não me atrapalhes.

- Desculpa?! Esta é a minha missão. – Disse eu, realçando a “minha”. – Não podes chegar aqui e fazer tudo como bem te apetece.

- Então observa. – Disse ele, sentando-se ao bar.

- Agarra-me que eu vou-me a ele. – Disse eu a Bryan.

- Pois sim, ele esmagava-te com aqueles músculos todos. – Disse ele, entre risos.

- Muito engraçado. – Resmunguei. – Se souberes mais alguma coisa telefona, ou então vai ter ao hotel que te falei, ok?

- Tudo bem. – Disse ele, enquanto eu me afastava. – Ei Mel! Mantêm-te fora de sarilhos.

- Não prometo nada!

Voltei para o hotel e fechei-me no quarto, com a informação que Bryan me tinha dito e os papéis que me tinha entregado. Pesquisei na internet, nos livros e não encontrei nada que me ajudasse muito. A boa notícia era que só uma das bombas de gasolina da área é que faltava ser atacada, logo, esse seria o meu destino da noite.

Tomei um banho relaxante, comi um hambúrguer e depois vesti umas calças de ganga, continuei com a mesma blusa verde-clara de alças mas vesti o meu casaco preto, de cabedal, calcei uns ténis e fiz um rabo-de-cavalo.

Agarrei no punhal de prata com as inscrições em latim e pendurei-o no cinto, carreguei e guardei a pistola dentro de uma pequena mochila preta que continha também outras coisas que pudesse vir a precisar.

Fui até à bomba de gasolina e entrei na lojinha, fingi estar a ver umas coisas. Quando olhei pelo vidro vi Neal com dois dos seus capangas a dirigirem-se para cá. “Isto vai ser divertido”. A espera nunca mais acabava, já começava a pensar que Bryan se tinha enganado quando vi um grupo de cinco homens a virem na nossa direcção. Haviam dois ruivos, um loiro e dois morenos, tinham todos barba e piercings, ao princípio pensei que fossem membros de um gang ou coisas do género mas quando se aproximaram vi que tinham os olhos completamente negros, eram demónios, o problema era que estava à espera de um, não de cinco. Dirigi-me à caixa.

- Vá dar uma volta. – Disse, para o homem que lá estava, mostrando um distintivo do FBI, falso.

Disse-lhe para ir pelas traseiras e ele obedeceu. Como só lá estávamos nós e Neal com os seus dois capangas, fui, apesar de contrariada, ter com ele.

- Então Barbie, qual é o teu plano? – Perguntou Neal, presunçoso.

Por muito que me custasse admitir, para cinco demónios não tinha plano, porque normalmente era chegar a matar e bem… não estava sozinha. Talvez Phil tivesse razão e eu não estivesse pronta para fazer isto sozinha, talvez precisasse de mais tempo.

- Não tenho um. Qual é o teu? – Perguntei.

- Disparamos a matar. – Disse ele.

- O quê?! Estás maluco? Eles deitam-nos abaixo num abrir e fechar de olhos. – Ripostei.

Apesar de a ideia me ter agradado em várias situações, esta não era uma delas, nesta situação íamos ter que pensar e ponderar muito bem o que fazer, mas eles pareciam irredutíveis.

- Qual é o problema, estás com medo? Eu bem disse que não tinhas estômago para este tipo de situações… - Disse ele, num tom de gozo – Ainda podes sair daqui, se correres rápido safas-te.

- Olha, se queres sair a disparar o problema é teu, eu adoro essas ideias rápidas, mas neste caso temos mesmo que ponderar bem as coisas.

- E o que é que tu sabes disto?!

- Posso não ter muita prática mas sei que se saíres daqui como pensas vais estar a matá-los. É isso que queres? – Apontei na direcção dos seus capangas.

- É possível que ela tenha razão Neal? – Perguntou um dos capangas.

- Claro que não. Ela não sabe de nada. – Respondeu ele, virando-se para mim. – Ouve bem fedelha, lá porque mataste dois ou três peixes, não faz de ti pescadora. Não faz de ti nada percebes? Nós vamos seguir com o meu plano, se tentares alguma coisa contra, não são só nos demónios em que vamos disparar, estamos entendidos?

- Porque é que não havíamos de estar? – Perguntei, olhando de novo pela vitrina.

Eles estavam quase a chegar, mas depois vi, deviam ser mais dez homens atrás deles, também eles com os olhos todos negros.

- Tens a certeza que ainda queres sair? – Perguntei.

- Nada mudou.

- Claro que não, só o número de alvos a abater. – Resmunguei.

Senti o meu telemóvel a vibrar no bolso das calças, atendi.

- Melanie, já sei o que é que fizeste. Estás louca?! – Perguntou Jason, do outro lado da linha, com uma voz bastante aborrecida.

- Agora não é uma boa altura Jason. – Disse eu, a despachar.

- Como assim não é uma boa altura?! Mel, nem sonhes em ir à caça dos demónios sozinha, ouviste? Fica no hotel, eu vou ter contigo.

- Tarde demais. Jason falamos depois ok? – Desliguei o telemóvel sem ouvir a resposta.

Voltei a pôr o telemóvel no bolso e peguei na pistola. Olhei para Neal e os seus capangas, Neal parecia bem, mas um dos seus capangas parecia extremamente nervoso. Vi-o a olhar para a rua, a dar meia volta a correr e a sair pela porta das traseiras.

- Fantástico. Ainda não começou a matança e já temos uma baixa. – Murmurei. – Oh Neal! Não podes sair daqui.

- Não me podes impedir.

- É uma missão suicida! Vais acabar morto, tu e ele!

- Queres apostar?! – Perguntou ele, abrindo a porta e saindo, com o outro capanga a segui-lo. Começaram os dois a disparar à toa.

Entraram dois demónios na lojinha e eu comecei a disparar contra eles, mas conforme aqueles caíam, chegavam mais, e assim sucessivamente. Comecei a andar à volta dos mostradores enquanto carregava a arma e depois voltei a atacar, um deles tirou-me a arma e mandou-a para fora da loja.

Dei a volta ao balcão e baixei-me, comecei a andar à volta dele, ajoelhada e depois passei para a parte onde tinham petiscos para comprar. Continuei a andar às voltas, baixada, enquanto procurava por qualquer coisa que me ajudasse a matá-los. Tinha apenas o punhal, que não me servia de muito contra os cinco demónios que se encontravam agora lá. Vi um saco pequeno com berlindes e agarrei-o, abri-o e mandei os berlindes em direcção aos dois demónios que estavam a vir na minha direcção. Ao pisarem-nos, caíram e eu cortei-lhes as gargantas com o punhal. Vinham outros dois a correr direitos a mim e não tive escolha senão começar a correr também, subi para um escadote que lá estava e dei-lhes um pontapé, que só os fez recuar um pouco. Subi para o sótão e vi pela janela, estavam talvez duas dezenas deles a dirigirem-se para a loja e já estavam muitos cá dentro. “Isto assim não vai dar em nada”, pensei. Tinha que arranjar uma maneira de os matar a todos de uma vez.

Eles estavam a começar a abrir a porta do sótão mas eu encostei umas prateleiras para atrasar o processo. Tirei a mochila das costas mas não tinha nada que me ajudasse nestas circunstâncias… e então vi montes de garrafas de bebida, exactamente o que eu precisava. Tirei a pólvora de várias balas que tinha e juntei as garrafas todas, fiz um rasto de pólvora até às garrafas e aproximei-me da janela. Quando já só faltavam entrar cinco demónios na loja, inclinei-me na janela e mandei um tiro com outra pistola que tinha na mala para o rasto de pólvora e depois deixei-me cair para o tejadilho de um carro que lá estava. Rolei até ao chão, já com uma quantidade de arranhões em tudo quanto era lado e comecei a correr para longe de lá, passado pouco tempo ouvi uma grande explosão que me fez cair, devido à intensidade.

Fui levantada por um demónio que me agarrava e que me estava a sufocar, dei-lhe pontapé e ele largou-me, fazendo com que caísse outra vez. Agarrei na minha pistola principal, que lá estava caída desde que os demónios a mandaram e dei-lhe um tiro.

Depois de respirar um pouco olhei em volta, os demónios estavam no chão, mortos, e a bomba de gasolina estava a arder, reparei que o carro de Neal já lá não estava, comecei a andar. Não reparei no chão e tropecei num corpo, voltei a cair no chão, quando me voltei era o capanga de Neal. Estava imóvel no chão, com a garganta cortada. Senti-me enjoada ao vê-lo assim… se me tivessem ouvido ainda poderia estar vivo. Fechei-lhe os olhos e continuei a andar.

Já tinha amanhecido, fui até ao bar onde Bryan trabalha para lhe dizer que o trabalho estava feito mas quando lá cheguei ouvi gritos e vi cadeiras a voar. Aproximei-me lentamente e espreitei pela janela. Estava uma rapariga algemada ao pé de uma cadeira e Bryan estava encostado a uma parede. À sua frente, com um frasco de sangue estava… Neal. Entrei lá de rompante e ele apontou-me uma arma.

- Põe a arma no chão. – Ordenou-me. – Lentamente. Vá!

Obedeci. Olhei para Bryan. Da maneira como este não tirava os olhos do frasco com sangue é porque o sangue só podia ser de vampiro. A rapariga que estava acorrentada ao pé da cadeira estava aterrorizada.

- Neal, acalma-te. Vais fazer uma idiotice e depois arrependes-te. – Disse eu, aproximando-me.

- Cala-te! Não te aproximes, senão quem as paga é a rapariguita. – Ameaçou ele.

- Tudo bem, estou quieta.

- A culpa é tua. – Gritou ele para Bryan. – A culpa é tua por nos teres mandado lá. Aquilo parecia um campo de guerra e tu mandaste-nos para lá sem mais nem menos, o meu homem está morto e a culpa é tua! Bebe. – Mandou ele, estendendo-lhe o frasco com o sangue. – Depois poderemos vingar-nos. Bebe!

Bryan estendeu a mão para aceitar.

- Não aceites Bryan! Não tens que fazer nada! Não bebas! – Pedi eu. – Por favor, pensa um bocado Neal, isto não resolve nada, o teu homem vai continuar morto.

- Por culpa dele! – Gritou Neal.

- A culpa não é de ninguém! Tudo bem, ele não nos disse que eram tantos demónios porque não sabia, mas tu é que decidiste sair de lá! – Gritei eu.

- Então agora é culpa minha?!

- Não! Ele morreu porque sim! Não é culpa de ninguém, tenho pena mas não te vou deixar destruir um amigo meu.

- E como é que uma fedelha mimada como tu me vai impedir de fazer o que quer que seja?!

Dei-lhe um pontapé na mão que fez com que largasse a arma e dei-lhe um murro na cara, fazendo com que se inclinasse e deixasse cair o frasco. Agarrei no frasco e mandei-o pela janela. Neal veio dar-me um murro mas eu defendi-me, encostando-o à parede e pondo-lhe o punhal ao pé do pescoço.

- Agora falo eu. – Disse eu. – Estou farta que me trates como uma criança por isso ouve bem. Tu vais-te embora, vais deixar-me e aos meus amigos em paz e se eu sonho que te vou ver no dia a seguir, é melhor fugires, porque não te deixo sair só com um aviso percebeste?! – Perguntei.

- Sim. – Disse ele, mal-humorado mas a tremer de medo.

- Ainda bem, porque eu ia detestar ter que explicar outra vez. Agora vai-te embora, e leva os teus músculos de brutamontes contigo, aqui não intimidam ninguém.

Afastei o punhal e mandei-o ao chão, em direcção à porta.

- Faz uma boa viagem. – Disse eu.

- Não sei como é que consegues defender uma aberração como ele. – Resmungou ele.

- Qualquer aberração é melhor que tu.

Ele saiu e eu tirei as algemas à rapariga, que saiu de lá assim que se viu solta.

- Isso foi espectacular. – Disse Bryan.

- Estás bem? – Perguntei. – Foi uma cena um bocado intensa…

- Foi… mas sim, acho que estou, não sei o que tinha feito se tu não tivesses aparecido…

- Nada, tu não ias fazer nada, tenho a certeza. Agora… tens gelo?

- Porquê? Estás bem?

- Estou toda dorida. Mas estou orgulhosa, não é para me gabar mas fiz um excelente trabalho. – Disse eu, sorrindo.

- Tu não mudas. – Disse ele, dando-me um saco de gelo que tirou do congelador. – Então e… sabes alguma coisa do Jason?

- Sim, ele está à caça num sítio qualquer, liga de vez em quando. Quando é que vocês resolvem as coisas de vez? A sério Bryan, já chega destas zangas.

Ficámos à conversa durante um tempo até que ele teve que abrir o bar e decidi ir descansar um bocado para o hotel. Pelo caminho telefonei a Phil para contar tudo sobre a missão e sobre o que Neal tinha feito a Bryan. Quando cheguei ao hotel entrei no quarto e mandei-me para cima da cama.

- Pareces cansada. – Disse-me uma voz conhecida, assustando-me.

- Jason. – Disse eu, sentando-me. – Assustaste-me. O que é que estás aqui a fazer?

- Eu disse que vinha ter ao hotel, antes de me desligares o telefone na cara.

- Pois, desculpa, eu estava a meio de uma crise… mas agora acabou e só quero descansar. O Bryan está no bar, aqui ao lado… não queres passar por lá? – Incentivei.

- Não acho que ele fosse gostar…

- Eu tenho a certeza que ia. Vá lá, tens coragem de lutar contra monstros mas não consegues sequer falar com o teu irmão?

Fiquei a tentar convencê-lo durante mais um bocado mas acabei por desistir. Ele ficou a ver televisão enquanto eu me deixei de dormir. Quando ele me acordou já eram horas de jantar. Vesti um vestido castanho, calcei umas sandálias e pus espuma no cabelo. Empurrei-o para a rua para irmos comer qualquer coisa.

- Onde é que vamos? – Perguntou ele, enquanto andávamos.

- Onde já devias ter ido há muito tempo. – Respondi eu. – Chegámos.

- Mel…

- Não há Mel nem meia Mel, já está na hora de resolverem as coisas.

Entrámos no bar em que Bryan trabalhava e começámos os três à conversa. Deixei-os a sós um bocado depois do jantar e fui dançar, quando voltei eles já se tinham entendido. Sentei-me na única cadeira livre, ao lado de Bryan.

- Como é que consegues? – Perguntou-me ele.

- O quê?

- Dançar assim. É que ainda há bocado te estavas a queixar de dores.

- Sim, mas isso foi ainda há bocado. Não podemos viver no passado.

- Lá nisso tens razão. – Disse Jason. – É por isso que temos uma novidade.

- É verdade. – Continuou Bryan. – Estou de volta à caça.

- A sério? – Perguntei, a sorrir.

- Sim, isto vai sempre seguir-me para onde quer que vá, por isso decidi não fugir mais. Vamos caçar todos juntos. – Respondeu ele.

- Assim vais ter ajuda, não é bom Mel? – Perguntou Jason.

- Pois, vai ser… estupendo. – Disse eu, já a preparar-me para o que vinha.

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