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O Amor na Porta à Frente

por Andrusca ღ, em 13.12.12

As férias a chegar devem-me ter inspirado xD

Os comentários no capítulo anterior são pouquinhos, mas pronto vá lá.

Espero que gostem e comentem, oui ? :b


Capítulo 25

Uma Adição à Família

 

- Foste muito corajosa – elogiou Theresa, dando um abraço de despedida à namorada do filho.

- É verdade – reforçou também Steve – Agora só nos devemos voltar a ver no Natal, não é? Vais lá, não vais?

- Não… sei… - murmurou Evelyn, olhando para Doug, um pouco encavacada.

- Claro que vai – respondeu ele seguramente, com um sorriso nos lábios – Agora vá, têm que ir, o avião não espera.

Seguiram-se as despedidas. A pequena Lola não queria ir já embora, tinha ficado fascinada com Nova Iorque e não se queria despedir nem do tio nem de Evelyn, mas não teve outra alternativa.

O portão de embarque abriu e a família seguiu por lá. Em poucos minutos a sala de espera ficou vazia, e Doug abraçou a namorada com um braço e deu-lhe um beijo na nuca.

 

 

O avião tinha aterrado e, tal como no ano anterior, Steve esperava pelo filho à entrada do aeroporto. Ele apareceu, carregado com as suas malas e as da namorada, e cumprimentou o pai com um abraço bem apertado. Os meses tinham passado num piscar de olhos, e o Natal aproximava-se.

- Evie, nunca mais te vês livre essa bagagem toda! – Exclamou Steve, num tom de repreensão, fazendo-a rir.

- Já sabes como é, preciso das minhas roupinhas – justificou-se.

“Pularam” para a carrinha e foram encaminhados até Billingsley, e então até à casa da família. Steve estacionou e todos saíram. Enquanto Doug o ajudava a levar as malas para dentro de casa, Evelyn ficou parada por alguns momentos, pensativa. “Nem acredito que já passou um ano desde que aqui vim pela primeira vez”, pensava. Sorriu ao reparar na volta que a sua vida tinha dado desde que tinha chegado àquela simples localidade há exactamente um ano atrás.

- Evie, não vens? – Perguntou-lhe Doug, despertando-a para a realidade.

- Hum? Sim!

Pegou na última mala, uma grande e preta, e caminhou também para dentro da casa. Foi logo atingida por beijos e abraços e puxões vindos de Lola, que não parava de rir e de dizer o quão feliz estava em tê-la ali. Na verdade aquela família fazia-a sentir-se como nunca antes. Era como se fosse mesmo sua. Faziam-na sentir como se pertencesse lá, como se estivesse realmente integrada. Faziam-na sentir bem.

Depois desse Natal outro chegou e, de novo, mal o tempo se fez notar. Durante esse ano Doug e Evelyn continuaram com a relação, ele conseguiu dar alguns concertos nas redondezas e a venda dos álbuns estava a ser um sucesso, e ela continuava a trabalhar na clínica. Mal se pronunciou o nome de “Christina Tucker”, que parecia ter caído no esquecimento. Evelyn parecia feliz, mas obviamente que um pedaço de si, que de certa maneira nunca tinha sido preenchido, faltava. Era o terceiro Natal que ia passar em Billingsley, e a cada momento que passava com a família do namorado perguntava-se porque não teria também ela tido uma família assim. Amorosa, cuidadosa, preocupada. Porém fazia todos os possíveis para não pensar nisso, pois sabia que, quando a sua vez chegasse, seria uma mãe como a sua nunca foi.

- No que estás a pensar? – Perguntou Doug, chegando ao pé dela e sentando-se no sofá, ao seu lado.

- Em nada de especial. A que horas chega a tua irmã?

- Deve estar mesmo a chegar. E diz que tem uma surpresa, até tenho medo.

Evelyn riu-se. Ela já sabia o que era, não por Maura lhe ter contado, mas por ser muito atenta aos pormenores. A irmã de Doug já não bebia o copinho de vinho à refeição, e andava com roupas um pouquinho mais largas que o habitual, além de que tinha um brilho especial.

- Vais ver que não é nada de mal – disse-lhe, rindo-se interiormente.

- Pois, espero bem que não.

Nesse momento a campainha tocou e Theresa foi abrir a porta. Lola apareceu vinda do quarto, e Steve juntou-se a elas no hall, tal como Evelyn e Doug. Ao lado de Maura vinha um homem com um ar jovem, de vinte e alguns anos, bem-parecido e de sorriso no rosto.

- Este é o Clark, é o meu namorado – apresentou Maura, com algum nervoso miudinho – Clark, estes são os meus pais, Steve e Theresa, o meu irmão Doug, a minha sobrinha Lola e a namorada do meu irmão, Evie.

- É um prazer – disse Evelyn, mostrando um sorriso generoso, visto que ainda todos os outros estavam espantados. Maura agradeceu-lhe com o olhar.

Foram-se dirigindo todos para a cozinha, para o jantar, deixando-as às duas para trás.

- Obrigado, acho que os meus pais ficaram em choque – murmurou a irmã de Doug.

- Vais-lhes contar a outra novidade? – Maura olhou perplexa para a médica, e esta encolheu os ombros e sorriu – Não te preocupes, o teu segredo fica a salvo comigo. Fico feliz por ti.

- Obrigado Evie… mas sim, vou-lhes contar hoje também.

Sentaram-se todos à mesa e, apesar do pouco constrangimento que se fazia sentir, até tiveram um jantar agradável. Maura informou que já namorava com Clark há cerca de seis meses, mas que ainda não tinha dito nada pois não sabia qual seria o futuro da relação. Ele falou da sua profissão, é um assistente de marketing em Mobile e conheceram-se numa das saídas de Maura com as amigas. Garantiram estar apaixonados um pelo outro, e que estavam mesmo comprometidos, e deixaram o melhor para o fim.

- Estou grávida – afirmou Maura, observando com minúcia as reacções dos pais e do irmão. Lola abriu a boca, de espanto.

Steve e Theresa entreolharam-se, sem saberem o que dizer e Doug, que tinha a mão dada com Evelyn, apertou-a com mais força. Foi a médica quem, uma vez mais, aliviou o ambiente.

- Isso é fantástico! – Congratulou, como se tivesse descoberto naquele momento – De quanto tempo?

- Dois meses. Eu sei que é súbito, mas aconteceu e não podíamos estar mais felizes – disse Maura.

- Sim, foi mesmo uma surpresa. Mas andamos à procura de casa e este bebé vai ser um felizardo – apoiou Clark.

- Vocês… não dizem nada? – Perguntou Maura.

Evelyn deu um pontapé a Doug, por baixo da mesa, que se engasgou com a cerveja que bebia a acompanhar a refeição.

- Claro… é… é… uma grande surpresa – disse ele, atrapalhado. Não é que não estivesse contente pela irmã, o problema era a desconfiança e a preocupação em torno do “cunhado”.

- Doug – repreendeu-o a médica.

- É uma boa surpresa – reformulou ele, sorrindo.

- Isso significa que vai haver um bebé? – Perguntou Lola.

- Sim, querida – respondeu-lhe a avó – E bem, se querem mesmo ter este bebé, acho que vou adorar ter mais um neto ou uma neta.

- Pois… ele que venha – disse Steve, encolhendo os ombros e dando mais um gole no vinho.

- Avó… como se fazem os bebés? – Perante aquela pergunta de Lola todos se calaram, e então ela insistiu – E o tio e a tia Evie não vão ter um bebé também? Eles não sabem fazer bebés? É preciso uma máquina?

- Não Lola, é… - “credo, já expliquei isto a dezenas de adolescentes na clínica e nos hospitais, mas aqui é mais complicado”, queixou-se Evelyn interiormente – Hás-de perceber um dia, agora continua o teu jantar.

 

 

- Vá lá, sê bonzinho.

Há quase dez minutos que Doug, no quarto sozinho com Evelyn, tagarelava sobre o novo namorado da irmã, da irresponsabilidade que ambos tinham tido, de que tudo aquilo ia dar para o torto, de que Clark nunca iria ficar com Maura…

- Bonzinho? Aquele tipo engravidou a minha irmã! Eles conhecem-se há quê, cinco meses?

Evelyn revirou os olhos e, sentada na cama, suspirou.

- Seis. Mas então e depois? Quem sabe se ele não é a pessoa indicada para ela? O “tal”? Às vezes apenas se precisa de um momento para sabermos com quem vamos ficar para o resto da vida.

- Evie, isso não é assim, as coisas são…

- É sim. Eu passei dez anos a achar erradamente que ia ficar com o Grayson… mas apenas precisei de três semanas para ter a certeza de que ia ficar era contigo.

Aquele argumento calou-o e fê-lo respirar fundo e sentar-se ao lado dela. Não podia deixar de se sentir aliviado por ouvi-la dizer aquilo, pois desta vez aquela ida a Billingsley não tinha sido inocente. Desta vez tinha algo programado. Algo grande e importante.

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