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Déjà Vu Sobrenatural

por Andrusca ღ, em 29.10.10

Este capítulo é mais pequinino xD

Espero que gostem ;)

 

Capítulo 8

A Prova

 

Como era de esperar Phil estava radiante que os irmãos estivessem a caçar outra vez e como era de esperar, já não me tratavam como deviam, estavam sempre a desvalorizar-me e a dizer-me que eu não conseguia fazer isto ou aquilo, já nem Phil me defendia. Agora só podia falar com Vicky, que nem sempre estava ao pé de mim. Agora estavam numa fase em que me atiravam à cara tudo o que já sofreram para chegar onde chegaram e que eu não sofri nada. Falam sempre que um foi torturado e que o outro tem sangue de vampiro. Já cansa, mas quando os vejo naqueles momentos em que estão sozinhos e se estão a rir e a divertir, perco a coragem para dizer o sinto. A verdade é que estou prestes a chegar ao meu limite.

- Melanie, ouviste alguma coisa do que te disse?! – Perguntou Vicky.

- Sim… - Ela ficou a encarar-me. Era muito difícil enganá-la. – Não… desculpa.

- Deixa lá, eles devem estar a chegar, onde é que foram?

- Não faço ideia. Parece que já não sabes como é, a última a saber de tudo sou sempre eu.

- Não fiques assim, sabes que eles se preocupam contigo.

- Sim, está bem.

- Estavas a pesquisar? Qual é o demónio?

- Seja qual for tenho a certeza que eles já sabem tudo sobre ele. Deve ser como da outra vez em que me mandaram pesquisar coisas que já sabiam para eu ocupar tempo enquanto eles o iam matar. Por isso não, estava a ver vídeos cómicos no Youtube.

- Eu sei que ficas chateada por eles agirem desta maneira mas…

- Não há mas… eu vou-me embora.

- O quê?!

- Se isto não mudar muito em breve eu vou-me embora Vicky. Eu não estou aqui a fazer nada.

Mais um dia se passou e eu fiquei no hotel enquanto eles percorriam a cidade de Madison em Wisconsyn.

Era como se fosse completamente invisível, mas então tudo mudou e começaram a chamar-me a qualquer hora para ir caçar com eles. Eu não me importava, até porque já estava habituada a não dormir muito. Umas vezes ia com Bryan, outras ia com Jason, mas raramente ia com os dois, acho que quando um ia o outro descansava.

A verdade era que estava a adorar, parecia que finalmente tinham percebido que podiam contar comigo para ajudar, agora até contavam comigo vezes demais, já não dormia há cinco dias, cada vez que me ia deitar eles chamavam-me e íamos para qualquer lado.

- Então Mel, conseguiste alguma coisa? – Perguntou Jason.

- Sim, temos que o afogar…

- Como é que vamos fazer isso?

- Ele não sabe nadar, se o atraíssemos para um lago ou uma coisa do género era fácil…

- Sim, acho que é capaz de resultar, tratamos disso hoje à noite?

- Claro.

Estávamos a caçar o demónio do fumo, matava as pessoas com o fumo, fazendo-as sufocar e depois alimentava-se das suas almas.

Fomos caçá-lo à noite e atraímo-lo até um lago pequenino, eu fiz de isca e saltei para o lago, o demónio seguiu-me e afogou-se. Eu acho que eles não pensam, caem em cada armadilha…

Chegámos à casa de Phil e deixei-me cair para o sofá, esgotada. Estava mesmo a começar a pegar no sono quando me senti ser abanada.

- Mel, acorda, temos que ir. – Disse-me Bryan. – O Jason está no carro à espera, vamos à caça. Queres vir, certo?

Bocejei e levantei-me, lentamente.

- Claro. – Disse eu, a espreguiçar-me. – Vamos lá.

Fomos todos para Michigan e Jason ficou no hotel enquanto eu e Bryan fomos até ao local do último ataque.

- Lembra-me lá, este é o demónio do quê? – Perguntei, enquanto revistávamos um beco, debaixo de chuva.

- Não é um demónio, é um wendigo.

- Até parece que voltámos ao princípio. – Disse eu, sorrindo.

Revistámos o beco de um lado ao outro mas não vimos nada, avançámos mais um bocado e vimos uma zona de construção, mas de momento não estava lá ninguém. Estavam as máquinas e a areia, o prédio por acabar cheio de plásticos e… uma bota, meio enterrada na areia.

- Ei, olha ali. – Disse eu, apontando para a bota.

- Bem visto, vai lá buscá-la. – Pediu ele.

- Estás a gozar?

- Algum problema?

- Sim, aquilo está tudo enlameado e eu estou de sabrinas.

- Já sabias que vinhas caçar e além disso, não precisas de andar sempre tão arranjadinha.

- Pois, também devia saber que me iam pôr a fazer o trabalho sujo, ultimamente tem sido assim. – Resmunguei, dando-lhe o chapéu-de-chuva. – E eu visto-me como quero, de manhã estava sol, sabia lá eu que ia chover.

Fui até à areia, que neste momento equivalia a tomar um banho de lama e andei, com cuidado até chegar à bota. Baixei-me e agarrei na bota, mas ao virar-me escorreguei e caí, sujando-me toda. Quando me levantei tinha as minhas bermudas pretas e a minha blusa amarela, quase completamente castanhas, nem o cabelo se safou. Saí de lá e entreguei a bota a Bryan, que se ria. Voltámos para o hotel, Jason já tinha acordado e ao ver-me a entrar, toda suja, mandou-se para cima da cama a rir.

- Não tem graça. – Ripostei. – Eu vou tomar banho.

- Não, não vais. – Disse Bryan.

- Como assim não vou?!

- Podes tomar um banho quando o dia chegar ao fim. Até lá… aguenta-te.

- Desculpa?! Vocês tomam banho a toda a hora!

- Talvez, mas isso somos nós. Mas afinal tu queres ser uma caçadora ou não? – Disse Jason.

- Só podem estar a gozar comigo. – Disse eu, entrando para a casa de banho e abrindo a torneira da banheira.

Tomei um banho rápido e vesti roupa lavada, umas calças lilases com uma blusa preta e umas botas pretas, por cima das calças. Fiz um rabo-de-cavalo, ainda com o cabelo molhado e fui ter com eles à entrada do hotel.

- Tanto tempo, estava a ver que tinhas desmaiado na banheira. – Resmungou Jason.

- Às vezes gostava mesmo que isso tivesse acontecido. Então a bota, deu nalguma coisa? – Perguntei.

- Não, nada de especial. – Respondeu Bryan. Era uma bota, nem sei no que pensei que poderia dar.

- Ok, bem… eu acho que devíamos revistar os esgotos. – Sugeri. – Afinal são os sítios preferidos dos wendigos, certo?

Depois de darem muitas ideias e de uma grande discussão, acabaram por concordar que a minha ideia era a mais prática por isso fomos buscar as armas ao quarto e fomos até um sítio em que ninguém nos visse a descer pelas tampas dos esgotos.

- Então, já estás emocionada? – Perguntou Jason. – Afinal, este foi o teu primeiro tipo de demónio.

- Pois foi. – Disse eu.

- Acho que devias ir à frente. – Disse Bryan. – Acho que já consegues liderar isto aqui.

Achei estranho mas passei para a frente e fui avançando, ao passar num certo sítio caiu-me montes de água em cima, encharcando-me da cabeça aos pés. Virei-me para eles.

- Tu sabias que isto ia acontecer não sabias?! – Perguntei, furiosa, enquanto eles se riam.

“Eu não tenho que aguentar com isto”, pensei, quase a explodir.

Chegámos a uma parte que era mais estreita e Jason e Bryan não conseguiam passar, mas também não me deixavam aproximar para ver se eu conseguia. Bocejei.

- Então, tens sono? – Perguntou Bryan.

- Não, tenho fome. – Respondi subitamente sendo sarcástica, enquanto abria caminho entre eles para ver se conseguia ou não passar. – Eu consigo caber aí.

- Sim, mas não vais sozinha. – Disse Jason.

- Pois… mas vou. E vocês vão procurar outro caminho, vejo-vos daqui a pouco. – Disse eu, piscando o olho e começando a andar pelo túnel estreitinho.

O túnel estava super húmido mas como eu já estava encharcada não me fez muita diferença. Depois de andar toda encolhida por um bocado o espaço alargou e fui dar a uma zona em que tinha água até aos joelhos. “Que nojo!”.

Senti um pontapé por trás e caí, mergulhando naquela água imunda, quando me levantei e me virei estava o wendigo pendurado num cano.

- Aleluia, estava a ver que não era hoje que te encontrava. – Disse eu.

Ouvi um tiro e o wendigo caiu. Olhei para trás e vi Jason e Bryan.

- Uau, pareces ainda pior do que quando te deixámos. – Disse Bryan, entre risos.

- Muito engraçado. – Disse eu, sarcasticamente.

Voltámos para o hotel e tomei outro duche, depois deixei-me cair na cama, adormecendo em seguida.

Acordei de manhã com Jason e Bryan a porem as malas no carro. Íamos voltar à casa do Phil, aparentemente ele tinha que nos dizer alguma coisa.

Quando lá chegámos eles mandaram-me para o andar de cima e quiseram falar sozinhos mas eu fiquei nas escadas a ouvir.

- Estou-te a dizer Phil, nós tentámos de tudo. Não a deixámos dormir, pusemo-la a fazer o trabalho sujo… - Disse Jason.

- Deixámos que um demónio a enchesse de porrada há quatro dias… mandámo-la para a água como isca… pusemo-la a tomar banho em águas de esgotos. – Continuou Bryan.

- Mas ela não desiste! – Concluiu Jason. – Não desiste por coisa nenhuma, é incrível. Não sei o que fazer mais para que ela se vá embora.

Por muito que não o admitisse em voz alta, estas palavras arderam muito mais que quando fui atingida pelos raios do demónio da trovoada há quatro dias.

Subi as escadas sem fazer barulho e comecei a arrumar as minhas coisas. Guardei tudo o que era meu numa mala de viagem e depois desci as escadas com ela, arrastei-a até à sala, onde eles estavam e deixei-a à porta, enquanto me aproximava deles.

- Vou-me embora. – Disse, por fim.

- O quê? – Perguntou Jason. Depois de tudo o que me tinham feito e do quanto quererem que eu me fosse embora, parecia surpreendido.

- Já não aguento. – Acabei por confessar.

- Mel, nós tínhamos-te dito que era duro. – Disse Bryan.

- Não são os demónios. São vocês! Eu já não aguento mais, por isso vou-me embora. – Confessei, dirigindo-me à saída.

- Como se a tua vida fosse muito complicada… - Ouvi Jason dizer.

Parei, pousei a mala no chão e voltei atrás até ficar frente-a-frente com eles os três. Phil tinha uma expressão séria.

- Pois, porque a tua é tão difícil. Eu tenho a certeza que sim, aliás, eu sei que sim, porque tu fazes questão de mo dizer todo santo dia e a toda a hora! – Disse eu, chateada. – Coitado de ti, começaste a porcaria do apocalipse, e coitadinho do Bryan, que bebe sangue apesar de não querer. Eu sei que a vossa vida não é nada fácil e por isso é que não vos julgo mas vocês não podem julgar a minha, porque não fazem ideia de como é. A minha vida também não é fácil.

- A sério?! – Perguntou ele, sarcasticamente.

- Experimenta viver numa casa com três homens que te dizem constantemente que não és boa o suficiente e que nunca o conseguirás ser! E por isso tu treinas para lhes provares que consegues ser melhor e que consegues ser boa o suficiente, mas mesmo assim eles continuam a empurrar-te para baixo. E tu só queres que o dia acabe e que a noite chegue, para os parares de ouvir, mas depois quando chega, tu tens pesadelos e não consegues dormir por isso levantas-te e vais para o quintal ou para cave treinar mais para melhorares. – Disse eu, com uma lágrima quase a cair. – Eu sei que nunca vou ser tão forte como tu ou tão inteligente como o Bryan, não preciso de ti para mo dizeres! Eu sei que não sou das melhores caçadoras de sempre, mas também sei que não tenho que vos provar nada e sei que sou boa o suficiente. Por isso não te venhas queixar de como a tua vida é difícil porque a minha também é e eu não me queixo, e mesmo que queixasse, não ia ter ninguém a ouvir.

- Mel… - Pronunciou, estupefacto.

- Eu vou-me embora agora… tenham uma boa vida.

Saí pela porta e apesar de me custar, usei todas as minhas forças para não olhar para trás.

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