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Espinhos de Rosas

por Andrusca ღ, em 12.09.10

Como prometido, cá vai o capítulo de hoje.

Espero que gostem, e não se esqueçam de comentar.

 

Capítulo 5

Acidente

 

Passou-se uma semana e o tempo continuava enublado, tal como estava no primeiro dia em que encontrei Derek e os irmãos na escola.

Josh continuou a fazer as suas cenas de ciúmes e eu já me estou a fartar.

- O que é que estás a fazer? – Perguntou Verónica, sentando-se ao meu lado.

- Estava só a olhar para o bosque – disse-lhe. – É enorme.

Nós estávamos sentadas nas mesas do lado de fora da escola, e à frente tínhamos esta imensidão de árvores, este enorme e chamativo bosque.

- Gostas de bosques? – Esta era uma pergunta estranha.

- Tenho que admitir que há qualquer coisa neles que me fascina – respondi.

Verónica soltou um riso.

- Mas deves saber que é perigoso – advertiu-me – Ficar-se perdida num bosque é mau.

- E deve assustar como tudo – e ri-me também.

- Importam-se que me junte? – Perguntou Gary, chegando-se ao pé de nós.

- De maneira nenhuma, estávamos a falar do bosque – disse-lhe eu.

- Uau, essa não adivinhava nem num milhão de anos – e riu-se. – As conversas que vocês, raparigas, arranjam…

Olhei para o céu e suspirei. Tenho saudades do sol, da praia. Apesar de não estar frio nenhum, as nuvens no céu não convidam nada a dar um mergulho no mar.

- O que foi? – Perguntou Verónica, ao reparar na minha cara a observar o céu.

- Tenho saudades do sol – murmurei – O tempo já anda enublado há séculos!

- Há uma semana e pouco, na verdade – corrigiu Gary.

- Pronto – resmunguei.

Vi Dylan a dirigir-se às traseiras da escola com mais um grupo de rapazes. Mas o que é que ele anda a armar agora? Será que a bofetada que levei não chegou?

- Desculpem, tenho que ir ver se o meu irmão não se mete em mais sarilhos – disse, levantando-me.

Eles ficaram os dois sentados enquanto eu fui, muito devagar para que Dylan não me visse, para as traseiras da escola.

Dylan estava lá a fumar com os outros rapazes. Aproximei-me deles.

“Mal por mal, espero bem que sejam mesmo só cigarros”, pensei, apesar de não acreditar muito.

- Dylan – chamei – O que é que estás a fazer?! Sabes que podes ser expulso!

- Estou só a libertar o stress mana, não sejas assim – disse, chegando-se ao pé de mim.

- Isso são cigarros?

- O que é que querias que fosse? – Ele percebeu logo pela minha cara – Sim, são cigarros.

- Vamos…

- Embora. Já percebi, já percebi – largou o cigarro e pisou-o para o apagar, depois virou-se para os outros moços – Adeus malta.

Veio-se embora comigo e fomos para dentro da escola. Fui à biblioteca procurar um livro para o trabalho de biologia e encontrei lá Derek. Começámos a falar, ele também estava à procura de um livro para esse trabalho.

Encontrámos o livro e começámos a fazer o trabalho juntos… até que Josh nos viu.

- Ah, estás aqui! – Disse ele, chegando-se ao pé de mim. Era a primeira vez que o via ao pé de Derek desde que fez com que a baliza lhe caísse em cima. Mal olhei para ele, percebeu o que eu queria que fizesse – Derek, meu, sobre aquilo da queda, sem ressentimentos, certo?

- Claro – respondeu Derek, embora o seu sorriso tenha desaparecido e agora estivesse sério. Até um cego via que Derek não gostava do meu namorado, tal como Gwen –, sem ressentimentos.

- Óptimo – Josh olhou para mim e em seguida beijou-me. Por ele tenho a certeza que não me largava tão cedo, tenho a certeza que estava a fazer de tudo para que Derek se fartasse e se fosse embora, por isso afastei-o – Que foi? – Perguntou ele.

- Nós estávamos ocupados – respondi-lhe.

- Então já preferes a companhia deste paspalho à minha? – Vi as mãos de Derek, em cima da mesa, fecharem-se em punho.

- Podemos falar depois? – Perguntei a Josh. Na verdade não era uma pergunta, era uma indicação para ele se pôr a andar, e ele percebeu-a na perfeição.

- Tudo bem – respondeu, amuado, enquanto se dirigia à saída.

- Desculpa o Josh – pedi, um bocado envergonhada pelas atitudes que Josh tem vindo a tomar.

- Não faz mal, mas tenho que te dizer, acho o teu namorado um tosco do pior – disse ele –, mas desculpa se te arranjei problemas com ele, por estarmos aqui os dois – consegui ver nos seus olhos que estava a ser sincero, mas também que estava um pouco inquieto ao ter que o dizer.

- Não arranjaste.

Continuámos o trabalho, eu estava a fazer horas para ir buscar Abby à escola.

Quando eram quase quatro horas, despedi-me dele e fui para o parque de estacionamento. Vi Josh encostado ao meu carro. Aproximei-me e ele agarrou-me pela cintura, pronto a beijar-me, mas eu afastei-me.

- O que é que foi aquilo na biblioteca? – Perguntei, chateada.

- Nada, estava só a mostrar ao tipo de quem é que tu és.

- De quem é que eu sou?! Eu sou uma pessoa Josh, eu não sou de ninguém.

- Desculpa… vá lá, não fiques assim.

- Não fiques assim?! Isto já dura há uma semana inteirinha! Dia após dia após dia!

- Ouve, eu prometo…

- Eu sei que prometes, mas és como o meu irmão, nunca cumpres – Abanei a cabeça e olhei para o chão, levantando a cabeça rapidamente para o olhar nos olhos – Eu quero dar um tempo.

- O quê?! Por causa daquele tipo?!

- Não! Por tua causa. Olha, só… dá-me tempo, ok?

- Tudo bem, mas tens que saber que não vou ficar à espera para sempre, mas por agora, vou esperar.

- Obrigado.

Entrei para o carro e comecei a conduzir.

O que sinto por Josh está muito confuso. Eu gosto dele, sei isso, mas também sei que não gosto tanto quanto devia. Ele até um bom rapaz, à sua maneira, mas talvez Gwen tenha razão e ele não seja o rapaz para mim. Acho que já não gosto dele como gostava, e acho que ao portar-se assim, mostrou-me isso. O que eu sinto por ele não é nada. Agora, ao pedir-lhe para me dar um tempo, não senti nada, tal como nos beijos. Acho que é oficial, eu não estou apaixonada pelo Josh.

Vi um camião meter-se à minha frente no cruzamento, buzinei e desviei o volante repentinamente, o carro rodopiou e bateu em alguma coisa, e de repente ficou tudo escuro.

Não sei quanto tempo estive a dormir, mas deve ter sido algum. Onde estaria? Ainda tinha os olhos fechados, mas conseguia ouvir algumas coisas. Ouvi gotas a caírem, ouvia o vento e ouvia passos ao longe, que se foram aproximando até chegarem mesmo ao pé de mim. Eu ainda estava meio atarantada, não sei se consigo manter os olhos abertos, por isso preferi deixá-los fechados.

- Quando é que ela vai acordar? – Perguntou uma voz desesperada, bastante conhecida.

- Lamento, não sei dizer – disse uma outra voz, desconhecida, masculina.

- Os irmãos dela queriam vê-la, se não houvesse problema – pediu Derek.

- Não há, fique com ela, vou eu próprio chamá-los – e o desconhecido saiu.

Senti um toque muito frio e um arrepio passou-me pela espinha. Era como se me estivessem a pôr uma pedra de gelo no braço.

- Acorda Chloe, por favor – murmurou Derek – Estas estão a ser as vinte e quatro horas mais longas da minha vida.

Vinte e quatro horas? Os meus irmãos estão aqui? Os meus irmãos! Acabei por não ir buscar Abby, coitada. Mas o que é que aconteceu? Está tudo tão enevoado… eu estava no carro, estava a ouvir rádio e a pensar e… acho que houve um camião a pôr-se à frente, ou era um autocarro? Desviei-me e devo ter desmaiado… desmaiado… estou num hospital?

Abri os olhos lentamente, piscando-os várias vezes seguidas por causa da luz, e vi os olhos de Derek iluminarem-se.

- Onde estão os meus irmãos? – Perguntei.

- Chloe… tu estás bem – constatou, com alívio.

- Sim, estou bem.

Olhei em volta, estava num quarto de hospital. Os pingos que ouvia era do soro, e o vento era porque a janela estava aberta.

- Estiveste envolvida num acidente… - explicou Derek.

- Eu lembro-me… mal, mas lembro-me.

- E estiveste em coma durante um dia.

- Oh meu Deus, quem é que ficou com a Abby? Porque o Dylan…

- Os meus irmãos ficaram – interrompeu – Espero que não te importes, eu pedi-lhes para ficarem com eles.

Suspirei de alívio.

- Não, obrigado. Mas como…

- Eu estava mais atrás, no meu carro, e vi mais ou menos. Quando cheguei já estavas inconsciente e como disseste que ias buscar a Abby pedi à Verónica para ir.

- Tu és um anjo – sentei-me encostada à cabeceira da cama.

- Não exactamente – e aquele sorriso maroto que lhe fica a matar apareceu.

- Chloe, Chloe… - era a voz de Abby, que corria direita à cama – não morras!

- Não vou morrer tola – disse-lhe, abraçando-a.

- Estás bem? – Perguntou Dylan, um pouco mais afastado.

- Estou – respondi, sorrindo – Fui a única vítima?

- Sim – respondeu Gary, que acabara de entrar no quarto.

- Bolas, é preciso mesmo má sorte… - murmurei. Então bateu-me – O carro!

- Sim… - murmurou Derek.

- O carro está morto? – Perguntei, com um certo pânico na voz. O que é que eu vou fazer sem o carro?!

- Não, mas precisa de ser arranjado, e não vai ser barato – respondeu Gary.

- Perfeito…

- Agora já não precisa – disse outra voz conhecida. Era Verónica, que estava encostada à porta – Eu mandei arranjá-lo, espero que não te importes.

- O quê? Mas então e o dinheiro?

Vi surgir um sorriso nos lábios de Derek, mas este esforçou-se para se controlar.

- Dinheiro não é problema para nós – continuou ela –, mas se te sentires melhor podes-me pagar de volta.

- Claro que te vou pagar – até me sentia mal se não o fizesse.

- Tu é que sabes.

- Sabias que em Great Falls há 121 pessoas em hospitais por doenças crónicas? – Perguntou Abby, a Dylan.

- Como é que havia de saber isso?! – Respondeu ele – Tu perguntas com cada cena.

O médico entrou no quarto e dirigiu-se logo a mim.

- Vejo que já acordaste, já estávamos a ficar um bocado aflitos – disse-me – Como te sentes?

- Como se tivesse estado envolvida num acidente – respondi.

- Apesar de tudo tiveste bastante sorte – murmurou, enquanto me examinava – Para o que foi, e como o carro ficou, não sei como é que saíste do carro. Podias estar muito pior.

- Eu saí do carro?

- Sim, eu encontrei-te estendida na rua, com o carro a metros de distância – Disse Derek. Não sei porquê, mas alguma coisa na sua cara disse-me que estava a mentir.

- Hum… - foi o melhor som que consegui expressar – Quanto tempo é que vou ter que ficar aqui? É que a Abby e o Dylan…

- Nós ficamos com eles – ofereceu-se Verónica – Todo o tempo que for preciso.

- Isso é muito gentil mas…

- Pelo menos uma semana – interrompeu o médico, respondendo à minha pergunta anterior – Os ferimentos não foram graves, parece que tinhas um anjinho a olhar por ti, mas mesmo assim é preferível ficares aqui durante esse tempo.

- Uma semana inteira? Sem ofensa, mas eu detesto hospitais… - então e a escola? Eu não posso faltar uma semana inteirinha à escola… e as coisas em casa, os meus irmãos, quer dizer, os Thompson estão a ser cinco estrelas, mas se tiverem que ficar com os meus irmãos durante sete dias vão enlouquecer.

- Eu podia mandar-te para casa, mas tenho a certeza que te ia acontecer alguma coisa por ainda não estares boa e depois tinhas que voltar… por mais tempo – disse o médico.

- Ok – respondi, derrotada – Uma semana.

Os primeiros três dias passados no hospital foram uma lástima. Gwen ia todas as tardes ter comigo, tal como Derek, mas durante as manhãs e o tempo da tarde em que eles não vinham, estava completamente sozinha.

Recebi flores mandadas por Josh e pela minha vizinha, que também já cá tinha vindo mas eu estava a dormir.

Após sair da escola, Abby vinha para ao pé de mim, com Verónica e Gary. As tardes eram mais animadas.

No quarto dia o médico deu-me autorização para me levantar e ir dar uma volta pelos corredores, mas sempre com uma enfermeira.

Ao fim do sexto dia, os olhos de Derek voltaram a ficar inflamados e já se notavam perfeitamente os vasos sanguíneos, a vermelho vivo. Ele tentava disfarçar, mas não conseguia.

- Porque é que não vais mostrar isso ao médico? – Perguntei-lhe.

- Não é preciso.

- Estás num hospital Derek, o que não falta aqui são médicos…

- Isto é normal, a sério.

- Sabes… eu podia jurar que já vi alguém com uma alergia dessas, mas não me lembro onde…

- Isso é… interessante – acho que não era bem essa palavra que ele queria usar…

No sétimo dia, de manhã, o médico entrou no quarto e alegrou-me o dia.

- Estás livre Chloe – disse-me – Está tudo bem, podes ir. Mas hoje gostava que ficasses em casa e não fizesses esforços, guarda-os para amanhã, está bem?

- Tudo para sair daqui.

- É esse o espírito.

Depois de ele sair, vesti a roupa que Gwen me tinha deixado, e saí do hospital. Vi Derek encostado ao seu carro, no parque de estacionamento, e dirigi-me a ele. A estas horas devia estar na escola, o que é que está aqui a fazer?

- Olá – disse-me.

- O que é que estás aqui a fazer? Devias estar na escola…

- Eu sei, mas queria vir-te buscar. Não podias fazer esforços…

- Mesmo assim, não devias ter faltado.

- Não te preocupes, eu sei a matéria.

Abriu-me a porta do carro e eu entrei, fechando-a em seguida. Ele foi para o lado do condutor e começou a conduzir para a minha casa.

- Como é que o Dylan se tem portado? – Perguntei – A Verónica não me disse nada, disse que não me queria preocupar…

- Ele está… não o conheço bem, mas acho que está a ser o Dylan.

- Óptimo – Murmurei, sarcástica.

- Sabes, a tua irmã faz umas perguntas muito estranhas, mas ensinou-me bastante. Sabes que seis por cento dos acidentes…

- Não quero saber – interrompi –, desculpa.

- Ok.

O resto do dia foi bastante calmo, tal como toda a semana, mas sem o clima de hospital. Já estava em casa, num clima bem confortável. Derek ficou comigo o dia todo, e nem fazer o almoço me deixou, e ainda bem, porque o que ele fez estava de comer e chorar por mais. Ele não comeu, disse que não tinha fome. Já na escola nem ele nem os irmãos comem nada… será que andam com aquelas manias das comidas e das dietas?

Vimos televisão e conversámos durante a tarde inteira. Quando Verónica chegou com Abby, esta abraçou-se a mim. Ela tinha ficado super assustada quando soube que eu tinha tido um acidente. Dylan só me foi ver ao hospital umas três vezes, e não ficou lá mais que dez minutos. Devia estar a amar a liberdade…

Ainda ninguém sabe como é que eu saí do carro, incluindo-me. As pessoas dizem que é um milagre, mas eu não sei, estou convencida que é mais que isso. Entre todo o azar, tenho tido bastante sorte, e está sempre uma pessoa por perto: Derek.

Não sei como, nem porquê, mas sempre que estou em apuros ele aparece, parece que está ligado a mim de uma maneira qualquer e que sabe que eu preciso de ajuda. Primeiro foi no supermercado, com o dinheiro e depois com os homens, depois foi com os “amigos” de Dylan, e agora foi ele a encontrar-me no acidente. Não sei porquê, mas quando olho para ele vejo algo mais, só não sei o quê. Quando estou com ele sinto-me bem, sinto-me segura, mas será que me posso fiar nisso?

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