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Déjà Vu Sobrenatural

por Andrusca ღ, em 04.11.10

Acho que este capítulo é mais para fazer tempo e ocupar espaço que outra coisa :s

Mas não sei, digam vocês ...

 

Capítulo 14

Os ex de toda a gente

 

- O que é que estão a fazer aqui? Não iam ao bar? – Sentei-me ao lado de Jason e de Bryan no sofá.

- Íamos, mas pensámos melhor, hoje é dia de S. Valentim por isso acho que o ambiente vai ser muito… amoroso. – Respondeu Jason.

- Yap. Hoje ficamos em casa. – Disse Bryan, mudando para o canal de desporto.

- Vocês dizem isso porque não têm namoradas.

- Pois… falas muito mas também não te vejo com namorado nenhum. – Disse Bryan.

- Pois não, porque não preciso, pelo menos agora. E assim até é bom, posso convidar quem quero para sair neste dia. Por isso, Jason, Bryan, querem ser o meu encontro do dia de S. Valentim?

- Tu és terrível. – Disse Jason.

- Eu sei, mas é só porque quero ir beber um copo. Vá lá…

- Vão onde? – Perguntou Phil, encostado à ombreira da porta que dava para a cozinha.

- Ao bar. Convidei-os para serem o meu encontro do dia de S. Valentim.

- Isso não é suposto ser o dia dos namorados?

- Sim, mas quem não tem reúne-se e diverte-se. Vá lá, vocês têm falta de diversão. Também alinhas Phil?

Após um tempo Phil conseguiu ajudar-me a convencê-los e fomos para um bar lá perto. Como Jason e Bryan já estavam à espera, o bar estava todo enfeitado com corações e outros enfeites e as pessoas que lá estavam, estavam todas a dançar músicas calmas ou então nas mesas, num grande clima de cumplicidade.

Sentámo-nos numa mesa a um canto, ao pé da porta e mandámos vir quatro cervejas.

- Eu nem acredito que nos arrastaste até aqui. – Queixou-se Bryan, dando um gole na cerveja.

- Vá lá, não é assim tão mau, quer dizer… há música. – Dei um gole na cerveja à procura de qualquer coisa que os pudesse motivar a divertirem-se.

A música que estava a dar acabou e começou outra também calma, esta, eu conhecia muito bem. Jason levantou-se do seu lugar, à minha frente, contornou a mesa e veio ter comigo, estendeu-me a mão.

- Arrastaste-me até aqui… pelo menos danças?

Dei-lhe a mão e fomos para a pista de dança e começámos a dançar, muito agarradinhos.

- Lembras-te desta música? – Perguntou ele.

- Como é que podia esquecer?

Quando andava no liceu e fomos fazer um acampamento de uma semana, Jason ia-me buscar à tenda quase todas as noites para irmos andar de cavalo ou de canoa. Na última noite houve uma festa enorme mas saímos e fomos ver a vista para o lago, perto do carro dele. Ele ligou o rádio e estava a dar esta música. Começámos a falar e demos o nosso primeiro beijo.

- O que é que foi? – Perguntou ele, rodando-me.

- Nada, estava só a pensar numa coisa.

Estar ali agora, com ele, fazia com os sentimentos viessem todos à tona, e o pior é que depois de tanto trabalho a esquecê-lo, neste momento, era como se não se tivesse passado nem um dia desde que ele se foi embora.

A música devia estar a meio e nós continuávamos muito agarradinhos, olhámo-nos nos olhos e ele começou a aproximar-se ainda mais, conseguia cheirar na perfeição o seu doce hálito fresco que cheirava a orvalho pela manhã e quando os nossos lábios se estavam prestes a cruzar… virei a cara. Desviei-me dele.

- Desculpa. Não posso.

Saí da pista de dança e passei pela mesa. Sem parar, tirei a minha mala e saí porta fora.

Contornei o bar e encostei-me à sua parede lateral esquerda. “O que é que eu ia fazer?! Não posso, não agora, nós somos só amigos!”.

Ouvi uns ruídos detrás do bar e fui ver o que era. Estava um homem a agarrar numa mulher, mas ela tentava soltar-se. Fui até lá e puxei-o. Quando olhei para a cara reconheci-o de imediato, era Paul, um ex-namorado meu, mas para meu espanto tinha… dentes enormes, cintilantes e os olhos completamente vermelhos. Dei-lhe um pontapé, mandando-o ao chão e puxei a rapariga. Entrámos a correr no bar e fui, com ela pela mão, à mesa em que Jason, Bryan e Phil estavam sentados.

- Temos um problema! – Exclamei.

- Eu sei, sobre aquilo… desculpa… - Começou Jason.

- Não é sobre isso. Nós temos um vampiro. Ou melhor… ela tem um vampiro.

Decidimos levá-la para casa de Phil, ficaria mais segura. Quando lá chegámos sentei-me no sofá, com as pernas dobradas e os braços a envolverem-nas.

- Eu só gosto de monstros. – Desabafei, apoiando a cabeça para trás.

- O quê?! – Perguntou Jason.

- É verdade, os meus namorados saem todos ao contrário, um trai-me e depois tenta-me violar, depois o outro só se quer aproveitar do meu dinheiro, o outro é vampiro… e desculpa lá Jason, tu até és um tipo porreiro, mas sejamos sinceros, tu deixaste-me, não faz de ti exactamente um monstro como os outros mas mesmo assim... saem todos para o torto.

- Então este vampiro foi teu namorado? – Perguntou Bryan, sentando-se ao meu lado.

- Foi. O nome dele é Paul Pollik.

- E estás bem para o… caçares? – Perguntou Jason.

Respirei fundo.

- Agora estou.

Eles foram até ao sótão e eu fui mudar de roupa, levei a mulher, Naomi, para o meu quarto. Vesti umas calças roxas e uma blusa preta, de alças. Calcei uns ténis pretos e fiz um rabo-de-cavalo. Peguei no punhal, que estava em cima da minha mesa-de-cabeceira e enfiei-o no cinto. Vesti o meu casaco preto, de cabedal e voltámos a descer as escadas. Eles já lá estavam, com espadas. Pegámos em algumas e pusemo-las dentro do carro.

Apanhá-lo foi fácil, usámos Naomi como isca e apareceu logo, depois Jason cortou-lhe a cabeça e deixámos Naomi em casa. Voltámos para a casa de Phil e eu subi logo para o quarto. Vesti o pijama, uns calções amarelos com bolinhas azuis escuras e uma blusa de alças azul escura com umas bolinhas amarelas. Bateram à porta.

- Posso? – Perguntou Jason, a espreitar.

- Sim, entra.

- Ouve, sobre há bocado… foi…

- Um impulso da música?

- De certa forma. Não queria que ficasses a pensar coisas erradas.

- Não fiquei, fica descansado. Boa noite.

Quando ele se foi embora deitei-me e adormeci em seguida. Já há algumas noites que não tinha um pesadelo, e já estava a estranhar, mas por outro lado era bom, significava que os demónios talvez andassem mais calminhos.

Levantei-me, tomei um duche rápido e vesti as mesmas calças e blusa que tinha vestido na noite anterior para ir à caça do ex-namorado vampiro. Calcei os mesmos ténis pretos e voltei a pôr o punhal preso no cinto. Enxuguei o cabelo e estiquei-o. Quando desci as escadas Bryan e Phil estavam à conversa.

- Achas mesmo que o Jason ainda sente alguma coisa pela Mel? – Perguntou Phil, comendo uma bolacha.

- Eu acho que sim. Não se é ainda, ou se é de agora mas pensa bem, desde que ela apareceu que ele não engata miúda nenhuma e tu sabes que ele engatava pelo menos uma por semana.

- Sim mas…

- E ontem quase se beijaram.

- Até que era bom para o Jason ter uma namorada a sério, e a Mel é boa rapariga.

Esperei até que mudassem de assunto para entrar na cozinha e comer um iogurte. Passado pouco tempo Jason despachou-se, metemo-nos no carro e fomos para Denver, Colorado.

Quando chegámos ao hotel, este estava cheio de pessoas, completamente lotado, mas conseguimos um quarto e quando ainda estávamos no hall, de um momento para o outro Jason baixou-se e escondeu-se atrás de uma cómoda que lá estava.

- O que é que foi? – Perguntou Bryan.

- Está ali uma miúda que eu engatei num bar. – Sussurrou ele.

- Vá lá, isso é ridículo, aposto que ela nem se lembra de ti. – Disse eu.

Dei uma olhada pelo hall e depois vi algo que me fez ter a mesma reacção que Jason. Baixei-me e escondi-me ao seu lado.

- Pois, agora eu é que sou ridículo. – Disse ele.

- O que é que foi Mel? – Perguntou Bryan.

- Eu conheço os homens nesta sala. Quase todos… são meus ex-namorados. – Pronunciei, envergonhada.

Segundos depois chegou um autocarro com mais rapazes e raparigas e Bryan juntou-se a nós. Demos a volta à cómoda e corremos até ao quarto. Entrámos e trancámos a porta.

- O que é que se está a passar?! – Perguntei eu, sentando-me numa das três camas.

- Não faço ideia. Quando se engata uma miúda num bar não se pensa que elas se podem reunir todas para te encontrar. – Disse Jason.

- Tu engataste aquelas raparigas todas? – Perguntei eu.

- Todas não. Algumas são do Bryan. Mas a maior parte sim…

- Meu, a Amy está cá. – Disse Bryan, em pânico. – Ela não me largava, eu disse-lhe que ia para o Afeganistão.

- Ao menos podes dizer que voltaste. O que é que eu vou dizer à Alabama? Eu disse-lhe que ia morrer numa semana.

- Alabama? – Perguntei. – Isso é o nome de um estado.

- Sim mas, eu não sei o nome dela, só sei onde a conheci, foi no estado de Alabama por isso fica Alabama. Mas tu estavas a falar das raparigas mas olha que também lá estão à vontade uns vinte rapazes. E eu sei que não são meus e espero que não sejam do Bryan.

- Não exageres! Mas eu não andei com eles todos, a maior parte foram só tipos que meteram conversa num bar e não passou disso, não se podem intitular ex.

- Nós temos que sair daqui, temos que saber o que é que eles querem. – Disse Bryan. – Mel, tu falas com as raparigas. Pensando bem tu és uma das ex do Jason por isso força, depois finges-te minha ex e falas com elas. Nós fazemos o mesmo, em relação aos rapazes.

- Ok. – Realmente, a este momento, era a melhor ideia.

Saímos do quarto e descemos as escadas. Fiz de tudo para evitar os rapazes e aproximei-me de um grupo de raparigas. Fiquei à conversa com elas durante um tempo mas depois vi um rapaz a dirigir-se a nós. Escondi-me numa sala pequena e esbarrei com Jason.

- Então, o que é que fazes aqui? – Perguntou ele.

- Estou em fuga. Isto é mais difícil do que parece. É melhor voltarmos para o quarto, o Bryan deve lá estar.

Quando saímos da salinha, ao subirmos as escadas, esbarrei com um homem muito parecido com Jason na maneira de vestir e de usar a pequena crista.

- Melanie, que bom ver-te. – Disse ele.

- Pois é Mike. Mas agora tenho mesmo que me ir embora. – Respondi, puxando Jason para dentro do quarto.

Bryan estava deitado numa das camas, de barriga para cima e assim que nos viu levantou-se.

- Isto é como um mar, e elas são tubarões e estão em todo o lado. – Disse ele. – E eu sou como um peixinho pequenino prestes a ser apanhado.

- Ok, isso é drama a mais. Isto não é normal por isso vamos pensar. Podem ter sido demónios? – Sentei-me na cama ao lado de Bryan.

- Não. Eu aposto em bruxas. Serezinhos imprestáveis e desprezíveis. – Disse Jason, sentando-se ao meu lado.

- Mas se for uma, então está cá, só temos que descobrir quem é. É fácil, basta ver uma pessoa que não conhecemos. – Disse Bryan.

- Pois, mas metade das raparigas eu já não sei quem são. – Admitiu Jason.

- Então ilibamos os que conhecemos e depois de certeza que não sobram muitas, por isso depois fazemos qualquer coisa como cortá-las, eu li num sítio que o sangue das bruxas é vermelho amarelado e não vermelho vivo. – Sugeri.

Depois de ilibarmos todos os que conhecíamos, ainda sobraram sete raparigas e dois rapazes.

Eu fui picando as raparigas, sempre pedindo desculpa depois e dizendo que foi sem querer para ver se o sangue era vermelho amarelado ou não, e a verdade é que nenhuma delas aparentava ser bruxa.

Quando falei com Jason e Bryan, eles asseguraram que nenhum dos rapazes tinha o sangue dessa cor. Mandei-me para cima da cama, precisávamos de medidas mais drásticas.

- Vamos pensar. Quando tivemos com eles… ninguém pareceu mais estranho?

- Não. – Respondeu Jason. – Que me lembre.

- Idem. – Disse Bryan. – E tu?

- É o Paul. – Disse, instantes depois.

- Mel, nós cortámos-lhe a cabeça, era um vampiro, morreu. – Disse Jason.

- Não. Pensem bem, desde quando é que um vampiro ia cair assim tão facilmente senão para que pensássemos que o tínhamos morto? Ele não é um vampiro, era uma ilusão, bruxos podem fazer ilusões. Eu lembrei-me de que quando acabei com ele, para todos os lados para que olhava, ele estava lá, mas depois eu voltava a olhar e ele já não estava. Foi quando os sonhos começaram.

- Tens a certeza? – Perguntou Bryan.

- Não custa nada tentar, além disso é a nossa única opção de momento. – Respondi.

Como pensávamos que ele estava morto, nem nos preocupámos em procurá-lo. Jason e Bryan viram-no num piscar de olhos e encurralaram-no. Eu fui lá ter com eles.

- Foram mais rápidos do que esperava. – Disse Paul, friamente.

- Obrigado. Sabes… eu não gosto nada de ti, não sei se é por teres namorado a mesma rapariga que eu ou não mas… nós vamos matar-te agora. – Disse Jason, com uma faca encostada ao pescoço de Paul.

- Força nisso. – Respondeu ele.

Jason ia espetar-lhe a faca quando eu gritei para parar e lhe tirei a faca das mãos, aproximei-me de Paul.

- Eu reparei numa coisa. – Disse eu, muito próxima dele. Virei-me e mandei a faca contra um candeeiro que estava lá no quarto. Paul desvaneceu-se. – Aquele candeeiro não estava ali antes.

No lugar onde o candeeiro estava, encontrava-se agora Paul, o verdadeiro Paul, com a faca espetada no peito.

- Hoje fui eu. – Disse ele. – Mas Mel, amanhã podes ser tu.

A partir do momento que ele morreu, as pessoas começaram a ir-se embora, sem fazer ideia do que as tinha atraído para cá. Nós tínhamos vindo por causa de acontecimentos estranhos, que aparentemente foram apenas uma isca.

Já era de noite, fomos até um bar, sentámo-nos numa mesa e pedimos uns hambúrgueres.

- Tenho que dizer que tens mesmo uma queda para bad-boys. – Disse Bryan.

- Porque é que dizes isso? – Dei uma trinca no hambúrguer.

- Porque a maior parte dos rapazes lá tinham casacos de cabedal, motas, e um visual muito rebelde e mauzão.

- Isso é impressão tua. Eu não gosto de tipo nenhum, não tenho um tipo.

- Ai não? Aposto que não aguentas quinze minutos com aquele tipo ali. – Disse Jason, apontando para um rapaz de camisinha toda abotoada, calças de bombazina, cabelo penteadinho para o lado e óculos.

- E eu aposto que não aguentavas quinze minutos com aquela rapariga. – Disse eu, apontando para uma rapariga obesa, que estava ao balcão a comer um hambúrguer cheio de molhos.

- Porque não? – Perguntou ele.

- Porque para ti a rapariga pode não ter cérebro, mas desde que tenha curvas tudo bem. – Respondi.

- Tudo bem, eu vou ter com ela e tu vais ter com aquele.

- Feito. Quinze minutos.

- Tudo bem.

Levantámo-nos e fomo-nos sentar ao lado das pessoas combinadas. Bryan ficou com uma expressão de gozo a olhar para nós. Cheguei ao pé do rapaz e perguntei se me podia sentar, ele disse logo que sim e depois começou a falar comigo de química e de matemática. Eu não sou burra, mas da maneira que ele me fazia as perguntas, era como se estivesse a falar chinês. Aguentei dez longos minutos a ouvi-lo falar de equações e das interacções de moléculas e de outras coisas. Ele cuspia a falar, era como se tivesse a chover para cima de mim e depois acachapava o cabelo cada vez mais. Às tantas começou a espirrar, e depois assoava-se a um lenço que já devia estar a ser usado há uma semana. Era horripilante.

- Desculpa, eu tenho que ir. – Acabei por dizer, levantando-me.

- Já? Mas ainda agora chegaste.

- Pois, mas o grande plano cósmico quer que me vá embora.

Quando me levantei olhei para o balcão e vi Jason, também a levantar-se e a voltar para a mesa onde Bryan, ainda com uma cara de gozo, estava sentado.

Sentámo-nos os dois ao mesmo tempo.

- Então? Só dez minutos? Foi fraquinho. – Disse Bryan. – Sofreram muito?

- Eu acho que já tomei banho. – Lamentei. – E até já sei não sei quantas coisas sobre as moléculas. Iupi.

- Ela mastigava de boca aberta e depois falava de boca cheia, e vinha tudo parar-me à cara. – Disse Jason, fazendo uma careta. – Talvez tenha um tipo… não tenho culpa.

- Sim, talvez goste de bad-boys por algum motivo. Não tenho pachorra para químicas a esta hora da noite.

- Fico feliz por vocês. – Disse Bryan. – Mas vocês deviam ver as vossas caras quando estavam sentados, a sério, era de morrer a rir.

- Ainda bem que te divertimos. – Disse eu.

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