Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Déjà Vu Sobrenatural

por Andrusca ღ, em 07.11.10

Queria pedir desculpa por não ter postado ontem, mas não me culpem a mim, culpem a ZON.

E pronto, dito isto cá se segue a história...

Beijinhos ^^

 

Capítulo 17

Strip Club

 

Quando acordei tinha Jason ao meu lado, à semelhança dos outros dias, porém, tinha também lembranças, lembranças de coisas que neste momento, gostava de dizer me arrependo imenso, mas será que me arrependo mesmo?

Levantei-me e vesti um roupão de flanela que estava no chão. Encostei-me à parede, a observar a rua pela janela e pouco depois ouvi uns passos a virem ter comigo. Agora é que era, a hora da verdade, o derradeiro momento, o momento que desejava evitar a todo o custo.

- O que é que aconteceu ontem à noite? – Perguntou Jason, tocando-me no ombro.

Virei-me para ele.

- Não te lembras mesmo? – Talvez não fosse assim tão mau o facto desta conversa estar a existir.

- Não me queres reavivar a memória?

- Não aconteceu nada de especial… houve um tipo que se meteu comigo no bar e tu deste-lhe um murro, mas ele depois virou-se a ti e vocês lutaram… como te tinhas magoado um bocado, tratei-te das feridas e depois dormimos.

- Só isso?

- Que mais é que podia haver?

- És tão mentirosa. – Fiquei a olhar para ele, fingindo estar surpresa. – Eu lembro-me de tudo. – Fiz uma careta de desagrado. – Não faças essa cara, eu disse-te que não estava bêbedo Mel.

- Eu sei mas…

- Porque é que me mentiste? – Fiquei calada durante um certo tempo, a olhar para o chão. Afinal a conversa ainda estava a ser pior do que imaginara. – Estás arrependida com o que aconteceu.

- Estou. – Acabei por dizer, ainda a encarar o chão. Elevei os olhos até Jason e vi uma certa tristeza no seu olhar. – Jason eu… não quero estragar as coisas… mais, estragar mais as coisas e nós somos amigos… só isso.

- E o que eu disse ontem à noite, não conta para nada?

- Vá lá, tu sabes que isso não é bem assim… nós estivemos a beber e tínhamos acabado de sair de uma realidade em que éramos casados e eu estava grávida e… confundimos as coisas…

- Eu não. Aqueles mundos são feitos de desejos. Aquele era o meu. E eu não bebi assim tanto, não estava nem perto de estar bêbedo. Eu amo-te.

- Eu não sei o que dizer… - Sussurrei, mas o suficiente alto para que ele ouvisse.

- Então o quê? Tu não gostas de mim, é isso? E ontem à noite foi só uma noite? – Ele parecia muito chateado, mas debaixo desse enorme sentimento, estava uma tristeza visível.

- Eu adoro-te… como amigo, mas é tudo.

- Foi porque te deixei? Há cinco anos?

- Não Jason, isto não tem nada a ver com há cinco anos atrás… nada mesmo é só que… eu não quero entrar nesta onda dos relacionamentos agora… não estou pronta para voltar a essas fases.

- Eu espero. Se me disseres que tenho uma oportunidade seja quando for, eu espero.

- Eu não sei. Desculpa, eu não te queria magoar assim… eu… peço desculpa.

- Não peças. – A voz agora já soou de uma maneira muito diferente, estava mais certa. – Eu não vou desistir de ti. Não como há cinco anos. Aquele foi o pior erro da minha vida, eu não o vou cometer outra vez.

Passou-se uma semana e combatemos um fantasma e depois fomos para a casa de Phil. As coisas entre mim e o Jason iam de mal a pior, ele começou-me a dar flores e a tentar fazer o que as raparigas gostam, mas por muito que se esforçasse, o que eu sentia por ele não mudava, a grande questão é: o que é que eu sinto por ele?

Tomei o pequeno-almoço sozinha, Phil, Jason e Bryan foram até à cidade investigar sobre um demónio que anda a matar strippers. Vicky não estava lá e Gabriel continuava desaparecido. Depois do pequeno-almoço, sentei-me no sofá e liguei a televisão, mas estava alheia a tudo o que se passava, estava completamente submersa nos meus pensamentos.

- Tu tens estado um bocado estranha. – Observou Vicky, pregando-me um susto enorme e sentando-se ao meu lado. – Não queres falar?

- Lembras-te de quando destruímos o génio e eu tive que ficar no mesmo quarto que o Jason? E que eu disse que nada ia acontecer entre nós porque tinha auto-controlo?

- Sim…

- Bom… algo definitivamente aconteceu...

- Oh meu Deus! Eu sabia! Como é que estão agora?

- Estranhos. Antes de nós… tu sabes, ele disse-me que me ama… e isso é muito sério para o Jason…

- Podes ser honesta comigo?

- Claro.

- Tu ama-lo?

- Não sei.

- Mel.

- Eu honestamente, não sei. Sabes o pior? É que eu pensei em todos os contras e todas as consequências, antes de o fazermos, mas no momento em que ele me agarrou eu… não quis saber.

- Acho que alguém está apaixonada… - Cantarolou.

- Então e já sabes alguma coisa do Gabriel? – Disfarcei.

- Boa maneira de disfarçares… mas não, ainda não sei de nada. – Pareceu extremamente triste, ao falar de Gabriel.

- Mas ele está vivo certo? Quer dizer, tu conseguias sentir se ele estivesse morto… os anjos conseguem sentir esse tipo de coisa…

- Não é bem assim… quando se sente alguém conseguimos manter-nos com essa sensação e assim chegar até à pessoa… eu não encontro o Gabriel porque não o consigo sentir.

- Tenho a certeza que o vamos encontrar… vai correr tudo bem…

Subi para o quarto e pus os fones nos ouvidos enquanto lia um livro sobre dimensões paralelas e ouvi a porta da rua a fechar-se. Tirei os fones e ouvi Jason e Bryan a falarem no andar de baixo. Aproximei-me lentamente e comecei a ouvir a conversa.

- Vá lá meu, tu sabes que é a nossa única solução e só não te lembraste tu porque se trata da Mel. – Ouvi Bryan dizer.

- Meu, eu não gosto da ideia, não gosto. E sinceramente, acho que ela também não vai gostar. – Disse Jason.

- Não vou gostar do quê? – Perguntei, aproximando-me.

- Como sabes há um demónio a matar strippers. – Começou Bryan. – E a nossa ideia…

- A tua ideia. – Interrompeu Jason.

- … É que tu te faças passar por uma e tornares-te no isco.

- Então, basicamente, tu queres que eu me torne numa… stripper?

- Sim, basicamente. Topas?

- Estás maluco?! Ouve, quando me pediram para fazer duas músicas numa noite e ganhar um concurso de televisão para apanhar um demónio, eu fiz, quando me pediram para ficar numa sala de um jardim-de-infância com as crianças porque a professora estava em apuros, nem pestanejei, apesar de não me apetecer nada ficar uma tarde inteira com criancinhas. Mas não me vou fazer passar por uma stripper!

- Vá lá Mel, tu adoras calções e roupas pequenas.

- O quê?! Então por gostar de calções já sou automaticamente uma stripper?!

- Não, não é nada disso, era como estares de biquíni.

- A dançar, em cima de um palco, ou numa jaula, ou seja onde for. Não. Desculpa, mas não me vou pôr a dançar semi nua num sítio qualquer. Está fora de questão. Vamos ter que arranjar outra solução. Porque é que não danças tu?!

- Porque não acho que o demónio achasse os meus abdominais muito sexys. – Gozou, a tentar aliviar a tensão que se instalara.

- Como é que faziam se eu não estivesse aqui?

- Esperávamos até alguém ser atacado, e assim a rapariga ficava com um trauma para a vida.

- Não fica com um grande trauma porque vos vai ter lá para a ajudarem. Já fiz muitas coisas, mas não vou fazer essa, desculpa.

Bryan pareceu ficar desanimado, mas não insistiu mais no assunto, em vez disso, passou ao plano B com Jason, que se encontrava num bom humor formidável, o que era difícil de se ver nele. Concordaram em ir ao clube à noite e ver se viam o demónio e se o destruíam.

Voltei para o meu quarto e passei praticamente o resto do dia lá. Quando mais tempo pudesse evitar Jason, melhor. Sei que estava a ser criança, mas não sabia mais nenhuma outra forma de lidar com isto. Estava a dar em louca. E se Vicky tivesse razão? E se eu estivesse novamente apaixonada por Jason? Não é uma ideia tão disparatada assim, afinal, já namorámos e ele está bem melhor desde quando os voltei a encontrar… mas como é que posso ter a certeza? Eu adoro a companhia dele e o Phil diz que é normal nós darmo-nos tão bem, porque na perspectiva dele, eu sou o feminino do Jason. Ok, pronto, a essa afirmação não achei graça absolutamente nenhuma.

Depois do jantar Jason, Phil e Bryan foram para o clube de strip e eu fiquei com Vicky em casa, a ver televisão. Para eles aquilo não era uma tortura, nos sonhos que tive antes, eles fazem uma grande questão em dizer que gostam desse tipo de lugares, também… são solitários, não têm ninguém além de dois anjos, que agora é um, e um homem que tem idade de ser pai deles, onde mais se vão refugiar? Mas o facto de só imaginar Jason num clube cheio de mulheres bonitas a fazer danças sensuais causava-me um grande desconforto, um desconforto que queria afastar e até evitar, mas não conseguia.

Vicky pôs um filme de terror a dar. Normalmente adoro este tipo de filmes, mas a minha cabeça não conseguia parar muito tempo num só sítio, só imaginava Jason rodeado por aquelas mulheres.

Quando eles finalmente chegaram a casa, às três da manhã, vinham com uma cara bastante desanimada.

- Então, como correu? – Perguntou Vicky.

- Não chegámos a tempo. – Respondeu Bryan. – Não o apanhámos, e ele…

- Matou uma. – Conclui.

- Sim. – Afirmou Phil.

Senti uma enorme onda de culpa. Se não tivesse sido tão preconceituosa talvez por esta hora o demónio estivesse morto e a rapariga viva. Se aprendi alguma coisa desde que me tornei uma caçadora é que não há esforços em vão, todos os esforços valem a pena, quer se consiga apanhar a criatura ou não, porque se não nos esforçarmos, sentimos o que estou a sentir agora: culpa. Culpa porque alguém morreu por minha causa, porque não me esforcei o suficiente.

- Eu faço. – Respondi. Ficaram todos a olhar para mim. – O que foi?! Eu faço-o.

- Estás a gozar certo?! – Jason parecia ter sido completamente apanhado desprevenido.

- O Bryan tem razão… elas estão a ser apanhadas uma a uma e precisam de alguém que as ajude… não acho que a Vicky esteja com humor para isso por isso…

- Tens a certeza? – Perguntou Bryan.

- Definitivamente não. Mas nunca tenho. Primeiro ajo, depois penso, é a minha maneira de actuar.

- Tu é que sabes. – Disse Jason chateado, subindo as escadas rapidamente.

- Auch. – Disse Vicky. – Deve ser horrível saber que a mulher que ainda há uma semana estava na cama com ele vai fazer de stripper. – Dei-lhe uma cotovelada enorme e ela gemeu. – Eles não sabiam? – Perguntou, atrapalhada. – Desculpa… pensei que eles soubessem.

Phil e Bryan estavam muito quietos, a observar-me, à espera que lhes dissesse alguma coisa. Mas devem ter visto que não ia dizer nada.

- Tu dormiste com ele? – Perguntou Phil.

- Eu disse que ia acontecer. – Disse Bryan. – Quando foi?

- Quando foi o caso do génio, há uma semana, mais ou menos. – Respondi.

- Eu sabia! – Disse Bryan, com um sorriso de orelha a orelha. – Vá lá Phil aposta é aposta, paga!

- Raios! – Resmungou Phil. – Não podias ter adiado para a próxima semana?! Toma. – Disse, entregando dez dólares a Bryan.

- Vocês apostaram que isso ia acontecer?! – Perguntei, incrédula.

- Vá lá, era óbvio. – Respondeu Bryan.

Esta noite foi terrível. Para começar, foi difícil deixar-me de dormir com o que sabia que tinha que estar a fazer amanhã por aquela hora e depois porque a cara de Jason quando eu disse que o ia fazer não me saía da cabeça.

Acordei sobressaltada, eram onze horas. Levantei-me repentinamente e apressei-me a reunir todo o pessoal na sala.

- Eu sonhei com o Gabriel. – Disse eu.

- Antes ou depois da história da stripper? – Perguntou Bryan.

- Eu não me estou a tentar escapulir Bryan! Porque já disse que sim, apesar de detestar completamente essa ideia horrenda, aceitei. Mas hoje sonhei com o Gabriel. Ele está vivo, mas está em apuros.

- Sabes onde? – Perguntou Vicky.

- Não… sei que numa casa muito glamourosa, e acho que vi um letreiro de uma cidade, hã… Talh… Ta… Tallahasee… acho que é na Flórida. Ele precisa da nossa ajuda, por isso a minha ideia é esta: à noite fazemos o que temos que fazer no bar de strip mas durante o dia, Vicky e Phil, vocês vão procurar a casa, e à noite depois do bar, eu, o Jason e o Bryan chamamos e tu Vicky, levas-nos até ao sítio que encontraram.

- E se não encontrarmos? – Perguntou Phil.

- Se não encontrarem… procuramos todos juntos, sei lá. Ele é nosso amigo, e agora que temos uma pista, não o vamos abandonar.

Jason e Bryan passaram o dia a preparar armas, não sabíamos quem ou o quê íamos enfrentar quando fossemos resgatar Gabriel, e eu passei-o a preparar-me mentalmente para o bar. Desviei os pensamentos enquanto limpava uma pistola, uma que já tinha encontrado há muito tempo no sótão, quando encontrei também o punhal, mas ao contrário desde, que estava em óptimo estado, a pistola já estava velha e um bocado ferrugenta, preciso de uma nova, senão qualquer dia a bala vem direita a mim e não para onde eu aponto.

Quando chegou a noite e dirigimo-nos para o bar de strip. Entrei à socapa pelas traseiras e tirei um dos fatos dos cabides. Entrei numa pequena salinha e mudei de roupa. Vesti a parte de cima de um sutiã preto às bolinhas brancas, com rendas também brancas e uma saia, muito curta, branca com bolinhas pretas e rendas pretas em baixo. Calcei umas sandálias cor-de-rosas, com um salto quase de catorze centímetros e tirei as pinturas de uma pequena mochila que tinha levado. Olhei-me ao espelho e pus batom vermelho vivo, pintei os olhos com cores apelativas e depois fiz dois totós, um de cada lado, a apanharem-me o cabelo.

- Não acredito que estou a fazer isto. – Reclamei.

Escondi as minhas coisas debaixo de um móvel e saí da sala. Comecei a andar, em direcção ao bar, propriamente dito. “Quem inventou estes saltos definitivamente não era mulher!”, pensei, enquanto andava.

O bar era relativamente grande, com uma luz roxa e tinha mulheres vestidas com roupas (se é que se podem chamar roupas a isto) com o mesmo padrão que as minhas e sapatos também iguais. O cabelo delas e a maquilhagem estavam muito melhores, notava-se que estavam mesmo lá para seduzir. Havia um palco, com um varão e estavam lá três a dançar; em cima do balcão, estavam duas; e depois, a servir às mesas e sentadas ao lado dos clientes estavam mais umas quantas.

Vi Jason e Bryan numa mesa e apressei-me a dirigir-me a eles. Fui interceptada por um homem.

- Olá beleza. – Disse-me ele. – Que tal um dança?

- Desculpa?! Pareço-te alguma stripper?! – Que habitual vindo de mim, esquecer-me completamente do que estava lá a fazer.

- Na verdade… sim.

- Pois… desculpe… a coisa é que… está a ver aqueles tipos? – Apontei para a mesa onde Jason e Bryan se encontravam. – Chegaram primeiro que você.

Dirigi-me à mesa e sentei-me, no banco em frente ao deles.

- Uau… tu estás… - Disse Bryan.

- Arrependida. – Completei. – Lembras-te quando disse que só pensava depois de fazer as coisas? Essa altura acabou de chegar.

- Estás em boa forma Mel. – Elogiou.

- Não brinques comigo Bryan. Estou-te a avisar, hoje é melhor não abusares.

- Acalma-te, só estou a tentar melhorar as coisas.

- Então vê se vês o demónio. Vá, vá.

- Se te sentes assim tão mal podias ir vestir alguma coisa… que fosse roupa. – Disse Jason.

- Estás aborrecido. – Constatei. – Desculpa… este também não era ao meu programa de noite que tinha pensado.

- Isso não interessa, continuas aqui.

- Ui… querem que me vá embora? – Perguntou Bryan.

- Não. – Respondi. – Não vamos discutir sobre isto.

- Porque não? – Perguntou Jason. – Porque é que tiveste de fazer isto? Logo isto?!

- Porquê? Quando são as outras mulheres não te vejo a queixares-te. Aliás, até parece que adoras estes climas, porque cada vez que sonhava contigo estavas neste tipo de sítios.

- Ciúmes?

- Talvez, mas não vindos de mim. Eu estou a trabalhar Jason. O meu trabalho não é ser stripper, neste momento é protegê-las e é exactamente isso que estou a fazer. E não penses que não gostas disto menos do que eu.

- Desculpem interromper, mas Mel, está ali a tua vítima. – Disse Bryan, apontando para um homem com uma gabardina castanha, sentado num cadeirão.

- Desejem-me sorte. Ah, e venham logo atrás, sim, porque eu não consigo fazer nada com estes sapatos. Sou desenrascada, mas não faço milagres.

Fui ter com o homem, passei pela sua frente e depois pousei as mãos na parte de trás do cadeirão, aproximando-me dele.

- O que é que me diz de levarmos isto para um nível mais privado? – Sussurrei-lhe ao ouvido, sugestivamente.

- Como é que podia recusar?

É óbvio que se o que ele queria era matar, não iria recusar nada que lhe caísse no colo. Dei-lhe a mão e puxei-o para a sala em que tinha mudado de roupa. Ele encostou-me à parede.

- Então, tens-te portado mal? – Perguntou-me.

- Eu sei que tu tens. – Respondi, dando-lhe um murro. – Acho que está na hora de te meteres com alguém do teu tamanho.

- Foi uma armadilha. – Constatou.

- Uau, foste rápido.

- Achas mesmo que me consegues matar? Vestida nesses trapinhos e com esses saltos?

- Não, mas eles conseguem.

O demónio olhou para trás e eu baixei-me, ouvi um tiro e ele estava no chão. Aproximei-me do móvel e tirei a minha mochila de lá. Fui para ao pé de Bryan e Jason e Vicky apareceu do nada.

- Temos um problema. – Disse ela, muito aflita. – Nós encontrámos a casa, mas estão a haver demasiadas coisas a partirem-se lá dentro, e o Gabriel está a gritar e… temos que agir já.

- Óptimo… vou salvar um anjo vestida de stripper. – Disse eu, descalçando aqueles sapatos odiosos e calçando uns All-Star pretos que tinha levado calçados até lá.

- Toma. – Disse Jason, dando-me o seu casaco de cabedal, preto.

- Obrigada.

Vesti-o e abotoei-o, dava-me quase até aos joelhos. Demos as mãos a Vicky e um piscar de olhos estávamos em frente a uma casa riquíssima, pelo menos aparentemente. Phil estava à nossa espera, deu-me uma espingarda e Jason e Bryan tiraram outras armas do carro e entrámos lá. Gabriel estava amarrado a uma mesa, cheio de arranhões e tinha vários demónios à sua roda. Enquanto eu, Phil e os rapazes lutávamos com os demónios, Vicky libertou Gabriel.

- Então tu és aquela de quem tantos têm medo. – Disse um demónio que estava a lutar comigo.

- Acho que sim. – Respondi, bloqueando o seu ataque.

- Ridículo, têm medo de alguém que se veste à palhaça. – Deitei-o ao chão e virei-me para Jason e Bryan, que estavam a lutar contra o mesmo demónio.

- Vêem?! Por isto é que é mau fazer estes papéis, nunca ninguém me respeita! – Gritei, dando um tiro na cabeça do demónio que estava a lutar comigo.

Quando finalmente os aniquilámos e os outros fugiram, fomos ter com Vicky e Gabriel, que estavam a um canto, abrigados daquela luta toda. Gabriel estava cheio de cortes, fez-me lembrar de quando eu fui capturada pelo vampiro.

- Gabriel, estás com aspecto horrível… - Comecei. – Mas é óptimo ver-te.

- Meu, estava a ver que ias desta para melhor. – Disse Jason, ajudando Vicky a levantá-lo.

- Porque é que eles te apanharam? – Perguntou Phil.

- Por causa de Deus, e por tua causa Mel.

- Minha? Porquê?

- Eu respondo, quando souberes a pergunta certa.

- Meu, acabaste de ser torturado e metes-te com isso?! Só não te dou um pontapé porque tenho pena de ti. – Respondi.

- Óptimo.

Voltámos para casa e ajudámos Gabriel a deitar-se na cama do quarto de hóspedes e depois fomos para a sala. Estávamos estafados, tanto, que nem sequer ainda tinha ido mudar de roupa, continuava com a roupa à stripper e com o casaco de Jason. O casaco de Jason… por incrível que pareça, sentia-me como uma adolescentezinha que não queria tirar o casaco que lhe emprestaram por conter valor sentimental.

Jason e Bryan chegaram ao pé de mim com cara de quem estava a tramar alguma.

- Temos um presente para ti. – Disse Bryan, entregando-me um embrulho que tinha atrás das costas.

Abanei-o.

- Porquê? – Perguntei, desconfiada.

- Vimos numa loja e lembrámo-nos que querias uma. – Disse Jason. – Vá lá, abre.

Abri.

- Oh meu deus! Uma Desert Eagle III?! – Gritei, eufórica, depois de abrir o embrulho. – Vocês são os maiores!!

- Tenho que admitir que nunca pensei ver-te tão feliz por receberes uma pistola. – Disse Jason, rindo-se.

 

11 comentários

Comentar post