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Déjà Vu Sobrenatural

por Andrusca ღ, em 08.11.10

E este capítulo é para a tammy_love!! Haa, fiquei histérica com a notícia que me deste!!

 

Capítulo 18

Filme de Terror

 

- Acorda! – Dizia Vicky, enquanto me abanava gentilmente.

- Deixa-me dormir, ainda é cedo. – Resmunguei, enquanto dava voltas na cama.

- Não é nada cedo, é meio-dia, acorda Melanie! Levanta-te.

- Não tenho nada de interessante para fazer e sinto que me deitei há uma hora atrás, por favor, deixa-me dormir. – Implorei.

- Eu preciso de falar contigo. O Jason está com um problema.

- O quê? – Perguntei, encostando-me à cabeceira da cama.

- Então assim já acordas.

- Não é verdade pois não?!

- Lamento, mas preciso de falar contigo sobre outra coisa… é o Gabriel, ele não fala com ninguém, desde que o resgatámos… ele anda deprimido e…

- Vicky, passaram-se três dias, temos que lhe dar tempo, é normal que não queira falar.

- Eu sei mas… estou preocupada, ele é meu amigo, e não fala comigo, ou com o Bryan, ou com o Jason, nem com o Phil… é a tua vez de tentar.

- Está bem. – Levantei-me e vesti o meu roupão branco, até aos joelhos, de cetim. – Onde é que ele está?

- Continua no quarto onde o deixámos.

- Deseja-me sorte.

Saí do quarto, atravessei o corredor praticamente a arrastar-me, de sono. Bati à porta do quarto onde Gabriel se encontrava. Entrei e vi-o, sentado, encostado à cabeceira da cama, como eu costumo fazer quando estou preocupada ou pensativa. Ele estava com uma cara muito séria, muito preocupada, muito… não ele. Nem olhou enquanto eu me aproximava e me sentava ao seu lado.

- Pensei em trazer-te chocolate quente com marshmellows, mas depois lembrei-me que os anjos não comiam… - Comecei. Ele não deu qualquer sinal de que me estava a ouvir. – Gabriel, tenho a certeza que já estás farto de estar a ser incomodado por nós e isso tudo mas… nós estamos preocupados contigo, não falas, não sais do quarto, não olhas para nós… eu percebo que tenhas passado por coisas horríveis mas… queres desabafar? Eu sou uma óptima ouvinte…

- Não o encontrei. – Pronunciou, finalmente.

- Quem? Deus?

- Sim…

- Bem, ainda. Não o encontraste ainda, mas não podes parar de procurar.

- Ele não quer ser encontrado, logo não o vou conseguir encontrar.

- Tu não sabes isso, talvez consigas, não podes desanimar…

- Tu viste o que eles me fizeram dizer, naquela casa…

- Sim.

- Contaste-lhes?

- Não. Não sabia se querias que contasse.

- Desculpa ter revelado tanta coisa sobre vocês, eu não queria mas fui fraco demais. Acabei por revelar as coisas que mais discrição deviam ter.

- Não faz mal, nós vamos lidar com isso… mas eles vão ter que saber, mais tarde ou mais cedo vão vir atrás de nós, e temos que estar preparados.

- Eu sei.

- Vais contar-lhes?

- Não consigo. Podes contar tu?

- Tenho a certeza que iam gostar mais de ouvir de ti… mas sim, eu posso fazer isso. Quando te encontrámos… tu disseste que um dos motivos que os tinha levado a torturar-te tinha sido eu mas, eu não sonhei com nada que pudesse guiar até mim… em que parte é que me encaixo?

- Não viste porque não estavas pronta para ver. Tu saberás, quando for a altura certa para saberes.

- Tudo bem.

- Melanie… - O rosto dele parecia muito apreensivo. – Lembras-te de quando voltaste a caçar com o Bryan e o Jason e disseste que ias continuar a ser a mesma pessoa que eras antes de caçar?

- Lembro.

- Não está a acontecer… tu estás a mudar, aos poucos, devagar, mas estás.

- O que é que queres dizer?

- Já não te divertes tanto, não sais, não te ris com tanta frequência…

- Do que é que estás a falar? Fiz de stripper ainda esta semana… acho que são emoções mais que suficientes para uma semana.

- Emoções não quer dizer felicidade. São apenas coisas que se sente.

- Eu não acho que esteja diferente. E se estou, não planeei.

- Eu sei. É por isso que te estou a avisar. Eles precisam de ti, precisam que te mantenhas unida. Também vais ter as tuas alturas em baixo, mas eu sei que tens a força necessária para voltar a subir.

- Sabes uma coisa? Assusta-me um bocado o facto de saberes mais sobre mim do que eu…

- Mas eu não sei mais sobre ti, não ainda pelo menos.

Passado um bocado desci as escadas e mandei-me para cima do sofá, a bocejar.

- Só saíste da cama agora? – Perguntou Bryan.

- Há meia hora… estive a falar com o Gabriel…

- Com é que ele está?

- Não sei, parece melhor mas é difícil de dizer…

- E tu?

- Com sono.

- Pesadelos?

- Yap. Não me lembro muito bem, mas podia jurar que sonhei com um filme de terror.

- Uau, e eu a pensar que os meus sonhos eram maus. – Disse Jason, ao entrar na sala. – Bom dia.

Bocejei.

- Bom dia. – Respondi.

- Sabes que está na hora do almoço… certo? – Perguntou Phil, que vinha atrás de Jason.

- Sim, encomendem qualquer coisa. Eu preciso de dormir. – Levantei-me do sofá e voltei para o quarto. Assim que me deixei cair na cama, deixei-me de dormir.

Acordei com o barulho de um telefone a tocar. Estava deitada num sofá, numa sala enorme, que não era a de Phil. A sala estava decorada em tons de bege, tinha um plasma na parede e uma grande carpete no chão. Tinha umas portas de vidro que iam directamente para o quintal.

Atendi o telefone.

- Está aí alguém? – Perguntaram do outro lado.

- Com quem é que estou a falar? – Perguntei.

- Gostas de filmes de terror? – A voz era sinistra, completamente arrepiante.

- Quem fala?

- Boa, nesse caso vamos fazer um jogo. – Ouvi um barulho vindo da cozinha e dirigi-me para lá. Vi o micro-ondas a andar à roda, com pipocas a estalar dentro dele.

- Que jogo? – Perguntei.

- Três perguntas sobre filmes de terror. Acertas, vives. Falhas, morres.

- Ok, estou a falar a sério, quem fala?!

- Estou na casa. – Comecei a olhar para todos os lados. – Primeira pergunta: No filme Halloween, como se chama o serial killer?

- Michael Myers.

- Errado. Tony Moran.

- Não, esse é o actor…

- Segunda pergunta: Quem produziu Sexta Feira 13, de 2009?

- Como é que queres que saiba?! Vou desligar.

- Estou na casa… responde à pergunta. 5… 4… 3… 2…

- Michael Bay. – Peguei numa das facas da cozinha, na maior que vi e comecei a andar pela casa.

- Está certa. Terceira pergunta: Como é que vais morrer?

- Isso não é de um filme de terror…

- Mas é melhor responderes…

- Espero que seja doente, velhinha, com 93 anos, no conforto de uma cama.

- Errado.

Saltou de trás dos cortinados da sala e mandou-me ao chão. Tinha uma máscara preta, com os olhos e a boca brancos, distorcidos. Já tinha visto aquela cara em qualquer lado. Agarrava também numa foice, pequena mas muito bem afiada.

Dei-lhe um pontapé e soltei-me. Saí da casa e comecei a correr pela rua abaixo. Quando ia passar pelo quintal vi a Drew Barrymore pendurada numa árvore. Agora lembrava-me, “Gritos!”, um filme de terror em que um assassino mata montes de gente, especialmente um grupo de amigos, os protagonistas do filme.

A parte do telefonema, das pipocas, é a parte inicial do filme, em que a Drew Barrymore se prepara para ver um filme de terror e depois atende o telefone e tudo começa.

Comecei a correr pela rua com o assassino atrás de mim e quando me virei fiz-lhe uma rasteira. Ele caiu e eu aproveitei para entrar para um café. Parti o vidro da porta, destranquei-a, e entrei, voltando a trancá-la de imediato. Fui até ao balcão e escondi-me atrás dele. “Ok, ok, estou num filme de terror, mas que personagem é que me calhou?!”, pensei, em pânico. Ouvi-o lentamente a dar passos na minha direcção, comecei a andar de joelhos e vi-o, à minha frente.

Acordei sobressaltada, como quando tinha dos meus sonhos maravilhosamente assustadores e estava numa cama, que também não era a minha. O quarto estava com a cama ao centro, uma mesa-de-cabeceira e tinha uma janela, que se encontrava aberta. O telefone tocou. Dei um pulo e gritei, sem intenção.

- Estou? – Atendi, a medo. – Quem fala?

- Quem fala?

- Pensas que isto é divertido?! Não é! Acredita, eu já vi o filme, tu não acabas bem!

- Melanie?

- Bryan? – Desta não estava à espera, estava tão aterrorizada com o assassino que nem me dei conta que conhecia esta voz.

- Estás bem?

- A Drew Barrymore está morta. – Disse, com uma voz de desagrado.

- A actriz?

- Não exactamente, a personagem dela. Mas não te preocupes, era assim que era suposto acontecer.

- Não percebi nada do que disseste.

- Nós estamos num filme, “Gritos!”, um filme de terror.

- Isso faz de nós personagens?

- Acho que sim, não sei é quem é quem. O Jason está contigo?

- Não.

- Porque é que me telefonaste? Como é que sabias que ia atender.

- Não sabia, tinha um bilhete na mesa-de-cabeceira a dizer para telefonar para esse número.

- Sidney, despacha-te senão chegas tarde à escola! – Gritou a voz de um homem, mais velho.

- Sidney. – Sussurrei. – Tenho que ir Bryan, mas vai para a escola, o Jason vai lá estar.

Não lhe dei tempo para dizer mais nada e desliguei. Olhei-me ao espelho, estava mais nova, talvez quando tinha dezasseis, dezassete anos… Vesti umas calças pretas justas com uma blusa lilás e uns ténis roxos. Pus uma bandelete roxa no cabelo, que se encontrava alisado. Quando desci, tinha à minha frente… um homem com uma máscara preta, olhos brancos e boca branca, distorcida, com uma foice na mão.

Dei-lhe um pontapé e a foice caiu. Como era um filme, não havia muito que pudesse fazer, até porque não sabia como sair dali. Mas sabia em que zonas ia ser atacada, ou como as outras personagens iam morrer. Também sabia quem era o assassino, mas não podia fazer nada, porque, tecnicamente, Sidney Prescott não sabia, e eu, neste momento, era ela.

Mandei o homem para o chão e saí pela porta, a correr. As coisas não se estavam a parecer muito com o filme…

Fui ter à escola e vi Jason, com o mesmo aspecto que tinha quando o conheci, quando ele tinha 18 anos. Ao seu lado estava Bryan, também com a sua idade reduzida, tinha agora os mesmos anos que eu, dezassete. Fui ter com eles.

- O que é que se está a passar?! – Perguntou Bryan. – Começaste a falar sozinha, não me explicaste nada. É bom que comeces a falar.

- Pareces diferente. – Observou Jason. – Como quando nos conhecemos. Ok, vamo-nos concentrar, o que é que sabes?

- Ok, eu acho que estamos num filme de terror. – Comecei.

- Pensava que ias dizer isso mais cedo, quer dizer, eu disse isso quando fiz dezassete anos… que a minha vida era um filme de terror… - Disse Jason.

- Não é isso. Eu quis dizer, dentro, de um filme de terror. “Gritos!”, para ser exacta.

- Como é que sabes?

- Eu lembro-me do filme. É sobre um assassino em série que persegue e mata os amigos de Sidney Prescott, eu já agora, e no fim tenta matá-la a ela, mas não consegue.

- Tu disseste que tinhas visto a Drew Barrymore morta… - Observou Bryan.

- O quê?! A Drew Barrymore?! – Jason parecia em pânico.

- Não. Eu vi a… Casey Becker, acho eu… a personagem que ela interpreta, que só aparece ao início, é a primeira vítima conhecida do assassino.

- Quem é a segunda? – Perguntou Bryan.

- Não me lembro… sei o nome de algumas personagens e a história no geral mas… o resto está um pouco enublado…

- Não faz mal.

Aproximaram-se dois rapazes de nós, um deles agarrou-me e beijou-me antes que me pudesse manifestar. Empurrei-o e observei-o. Era alto, atlético, moreno e lindo de morrer. Era o Skeet Ulrich, que interpretava o papel de namorado de Sidney, Billy Loomis.

- Billy! – Exclamei. Virei-me de novo para Jason e Bryan. – O meu namorado, Billy.

- Ohh! – Exclamou Jason. – Então meu, como é que vais?

- Vai-se andando. E tu Randy? – Perguntou “Billy”.

- Randy Meeks. O sobrevivente. – Sussurrei.

- O que é que disseste? – Perguntou o rapaz que tinha vindo com Billy, que supostamente era Stuart Maker, interpretado por Matthew Lillard, o actor que fez de Shaggy nos filmes do Scooby Doo.

- Estava só a pensar em voz alta. – Respondi.

- Oh meu deus. – Disse Bryan. – Aquela é a Rose McGowan?

Dei-lhe uma cotovelada.

- Estás maluco? – Perguntei, a disfarçar. – É a Tatum Riley, a minha melhor amiga.

- Olá Dewey. – Disse a Rose McGowan, Tatum, ao chegar ao pé de nós, dirigindo-se a Bryan. – O que é que estás a fazer aqui?

- Porque é que não havia de estar? – Perguntou Bryan.

- Ele ia-se já embora… - Disse eu. – Para o gabinete do xerife… onde ele trabalha… e é o xerife… diz adeus à tua irmã Dewey. – Fiz com que Bryan percebesse as coisas através de gestos discretos, e depois de ele fazer questão e de dar um abraço a Tatum, foi-se embora.

A escola foi horrível, esqueci-me de como era bom não ter aulas. Depois da escola, levei Bryan e Jason para a “minha” casa.

Sentaram-se no sofá.

- Então o que é que fazemos agora? – Perguntou Jason.

- A minha melhor ideia é levar o filme até ao fim… - Disse Bryan.

- Não vai ser fácil, é um filme de terror… não vai ser nada fácil. – Disse eu.

- Não é suposto ser fácil… então como é que é? Vai doer muito, a morrer? – Perguntou Jason.

- Bem, tu és um maluco por filmes de terror e tens montes de regras para sobreviver num. Na tua opinião, os sobreviventes só sobrevivem se foram virgens, não beberem ou usarem drogas e não podem, de maneira nenhuma, dizer “volto já” ou “quem está aí?”.

- Como é que morro?

- Não morres. Apanhas a valer, mas sobrevives. Agora, Bryan, tu és o Dewey Riley, irmão da Tatum, a Rose McGowan… vais viver, mal, mas vais. Eu sobrevivo porque sou a protagonista, mas tenho que matar os assassinos.

- Quem é o assassino?

- São dois, o “meu namorado” Billy e o Stuart.

- Uma dúvida. – Disse Jason.

- Diz.

- Se não somos virgens e bebemos, o facto de não consumirmos drogas salva-nos? – Perguntou. Soltei uma gargalhada.

- Não, a nossa experiência como caçadores salva.

O telefone tocou. Atendi.

- Queres jogar um jogo? – Perguntou a mesma voz rouca, a voz do assassino.

- Porque é que não me perguntas isso na festa da Tatum? – E desliguei.

Quando a noite chegou, ouve uma festa na casa de Tatum, com a vigilância de Dewey, (Bryan) e de uma repórter. Estava lá montes de gente, era uma festa de arromba, se não se fosse tornar numa carnificina. Pedi a Jason que agisse naturalmente e eu também o fiz.

Tatum pediu-me para ir com ela à garagem e eu fui, apesar de já saber o que ia acontecer. A luz falhou e a porta fechou-se. Tatum teve a maravilhosa ideia de sair pela portinhola do cão, no portão que dava para o exterior. Eu ia-a impedir, mas era um filme, não era real, por isso, e por muito mal que soe, o filme tinha que tomar o seu rumo, para que pudéssemos voltar para a nossa vida real.

Quando ela ficou presa pela cintura na porta do cão, o portão começou a subir e ela acabou com a cabeça esmagada, virei o olhar. Era uma pena, pela primeira vez que conhecia a Rose McGowan, ainda que não fosse a verdadeira, via-a a morrer. Eu gostava dos trabalhos que ela fazia, gostei imenso de quando fez de Cherry Darling, em “Greendhouse – Planeta Terror” ou de quando fez de Paige Matthews em “As Feiticeiras”, mas obviamente, não fazia a mais pequena ideia que aquelas coisas tipo monstros e fantasmas existiam. É incrível a quantidade de séries e filmes que se fazem baseados nestas coisas, que a maior parte das pessoas não acredita.

Vi o homem mascarado a vir direito a mim com uma faca, sei perfeitamente que era a próxima vítima, mas também que ele não me ia apanhar ali. Abri a porta e voltei para a festa. O resto das pessoas estava a ver o corpo de Tatum, ainda preso no portão da garagem.

Jason e Bryan não estavam lá, quase de certeza que estavam a levar o rumo das personagens e eu tinha que levar o da minha, fui até um roupeiro e tirei de lá o “meu pai”. Fomos para a cozinha e fomos interceptados por Billy e o homem da máscara, Stuart, como já estava à espera.

Eu encostei-me a um balcão e vi que Billy tinha uma pistola. Ele e Stuart, ainda com a máscara brincavam um com o outro, a fingir que estavam à luta, Stuart até esfaqueou Billy no estômago, mas para eles, era como se não se passasse absolutamente nada fora do normal. Eram psicopatas, completamente. Passado um pouco Stuart tirou a máscara e eu fingi estar completamente chocada, depois amarraram o “meu pai”a uma cadeira. Ouvimos um barulho e Stuart foi ver o que era, deixando-me a sós com Billy.

- Não te vais safar sabes? Nem tu, nem o teu papá. – Disse ele.

- Não me digas. – Eu permanecia calma, apesar de estar ciente do perigo que corria.

- Não és virgem, e estiveste na festa, bebeste um bocadinho…

- Não disse “volto já” ou “quem está aí?”. Billy… - Aproximei-me. – Os maus raramente ganham. Especialmente quando os bons sabem o que estão a fazer. – Dei-lhe um pontapé e corri para a sala. Escondi-me atrás do sofá e ouvi passos na minha direcção, vi pelo espelho que era Stuart.

Fui de rastos até à televisão. “Se todos morrem de maneira igual, vamos certificarmo-nos que acontece mesmo até aos maus”, pensei. Pus-me atrás do móvel da televisão, que não estava encostado à parede e quando Stuart se inclinou para espreitar para baixo do sofá, mandei-lhe a televisão para cima, electrocutando-o.

Ouvi passos apressados a virem para cá e apressei-me a pôr-me atrás do sofá. Agarrei num chapéu-de-chuva que estava no chão e ia espetá-lo em Billy, que se encontrava de costas, mas este virou-se, ficando com ele cravado no peito. Caiu para o chão. Dei-lhe um pontapé para ver se ele se mexia e peguei na pistola que estava ao lado. Virei as costas e fui deitada ao chão. “Não acredito nisto, fiz o mesmo que a protagonista! Virar costas nunca é um bom sinal, temos que nos certificar que ele morreu mesmo!”, pensei. Ele começou a tentar pegar a arma mas eu dei-lhe um tiro no ombro. Ele voltou a cair no chão. Levantei-me e apontei-lhe a arma, disparei, atingindo-o mesmo entre os olhos.

De súbito tudo mudou, estava agora no meu quarto, com as minhas roupas e a minha idade. Jason e Bryan entraram, um bocado atrapalhados.

- Estás bem? – Perguntou Jason.

- Sim. Estamos de volta. Isso é bom. Eu nunca mais vou ver um filme de terror. – Disse eu. – Ainda por cima… matei o Skeet Ulrich…

- Pois sim. Melanie McKensie, nunca mais vai ver um filme de terror… - Brincou Bryan. – Mas temos um problema, quem ou o quê é que nos pôs lá?

- Eu tenho uma ideia mas… chamem a Vicky e o Phil. Há uma coisa que tenho que vos dizer.

Reunimo-nos todos em volta da mesa da cozinha, eles pareciam impacientes, todos eles, mas eu estava atrapalhada, sem saber bem que coisas dizer.

- Ok… quando o Gabriel foi apanhado… aconteceu uma coisa… - Comecei por dizer.

- Espera. – Disse uma voz conhecida, vindo de trás de mim. Era Gabriel. – Eu falo. Tens razão, é melhor ser eu a dizer.

Sorri e sentei-me.

- Como sabem, eu fui torturado… por Stolas, o príncipe do Inferno.

- Quem é que… - Ia Phil a dizer.

- Deixa-o acabar. – Pedi, interrompendo.

- Ele tem mais de vinte e seis legiões de demónios a seu dispor, para ele perder os que vocês mataram não foi nada. Ele ficou a ganhar, especialmente porque ganhou informações sobre vocês, informações valiosas, de todos vocês, e conseguiu-as através de mim. Eu disse-lhe sobre as vossas fraquezas, os vossos desentendimentos… tudo o que ele pode usar para chegar a vocês.

- E agora ele vem atrás de nós? – Perguntou Jason.

- Esse é o plano dele. Eu disse-lhe sobre o sangue de vampiro do Bryan… disse que Vicky era um anjo e que vos ajudava… disse-lhe sobre… o que Mel pode fazer…

- Queres dizer os sonhos? – Perguntou Bryan.

- Também.

- Isso quer dizer que ela pode fazer mais coisas… como o quê? – Perguntou Phil.

- Saberão quando for o momento apropriado… não antes, não depois. Vocês estão vulneráveis agora. Estão a mercê dele, porque eu vos pus e por isso lamento imenso.

- Antes de julgarem. – Disse eu. – Não foi fácil para ele.

- Já sabias sobre isto? – Perguntou Jason.

- Sonhei com isto. Foi como soube que ele estava em apuros.

- Enfim… isto pertence-te. – Gabriel levou a mão ao bolso e tirou e lá um fio preto, com um coração de prata pendurado. Deu-mo. – Não me vai ajudar a encontrar Deus. Eu percebi que não é ele que vai parar o apocalipse. Há outra pessoa.

- Quem? – Perguntou Phil.

- Tu saberás. – Respondeu Vicky, que se encontrara calada durante toda a conversa.

Fiquei a olhar para o colar durante um tempo indefinido e quando voltei à realidade, já tinha acabado a “reunião”. Aquele colar já significara tanto. Pergunto-me o que significaria agora. E principalmente, porque o tinha continuado a usar mesmo depois de Jason me deixar.

Subi as escadas, pousei o colar na mesa-de-cabeceira e fui tomar um duche. Enrolei-me na toalha e pus outra mais pequena a enrolar o cabelo e quando voltei para o quarto estava lá Jason, a olhar para o colar.

- Não o vais pôr? – Perguntou.

- Não sei. Tenho medo que penses que significa um pouco mais do que significa.

- Não te preocupes, eu tenho os pés bem assentes na terra. Mas devias pô-lo. – Agarrou no colar e dirigiu-se a mim. – Fica-te bem. – Pôs-se atrás de mim e pôs-me o colar.

- Obrigado.

- Não tens de quê. Bem… estou estafado, vou dormir um bocado, amanhã temos um grande dia pela frente. Boa noite.

- Boa noite.

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