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Déjà Vu Sobrenatural

por Andrusca ღ, em 11.11.10

Finalmente chegaram as explicações sobre a Melanie xD

Espero que sejam do vosso agrado ;)

Beijinhos

 

Capítulo 21

O verdadeiro eu

 

É o terceiro dia que estou fechada no quarto. Não tenho fome, não tenho sede, não tenho sono, apenas medo. Medo de que volte a explodir alguma coisa, medo que essa “coisa” seja um dos meus amigos, medo de que me esteja a tornar numa aberração como aquelas que caço, medo de tudo o que se passou e especialmente, medo do futuro, do que ainda se vai passar.

Depois de explodir a demónia, perdi os sentidos e o esgoto veio abaixo. Jason e Bryan conseguiram tirar-me de lá antes disso e trouxeram-me de volta a casa de Phil, onde estou. Desde então que não saio, nem quero que ninguém entre. Não quero explodir mais nada. Consigo ouvi-los atrás da porta, todos eles, a decidirem se devem ou não entrar, mas não me consigo mover, tenho medo que se me mexer muito, mande a casa pelos ares.

Estou sentada na cama, com as pernas juntas ao peito, a olhar para as minhas mãos. Parecem tão normais, tão vulgares, e no entanto, fizeram com que um esgoto desmoronasse. Como?

Não sei o que fazer, não sei como sair deste quarto sabendo que se me sobressaltar um pouco, mando as coisas pelos ares. Eu sabia que não estava maluca quando dizia que as correntes em que Crowllang, o vampiro, me amarrou se tinham soltado sozinhas, ou quando na reunião de caçadores, a corda começou a vir na minha direcção para que me agarrasse a ela, para que me salvasse. Era tudo criado por mim, tudo feito por mim. Mas como? Como é possível que, tal como nos meus sonhos, possa explodir coisas com as mãos?

- Posso entrar? – Perguntou Bryan, pondo a cabeça dentro do quarto.

- Não. – A minha voz estava melancólica e não tirei os olhos das mãos.

- Boa. – Entrou e sentou-se aos pés da cama, com um tabuleiro com comida. – Trouxe-te o almoço.

- Não tenho fome. – Levantei-me e aproximei-me da janela.

- Bem, disseste isso ontem, e anteontem, hoje vais ter que comer Melanie. – Aproximou-se de mim e tocou-me num ombro.

Apressei-me a desviar-me e passei para o outro lado da cama, para ao pé da porta. Ele ficou a olhar para mim.

- Não precisas de fazer isso Mel… - Disse ele. – Não me vais magoar.

- Como é que podes ter tanta certeza?

- Porque confio em ti.

- Eu não. Já não. Eu não estou maluca pois não? Eu explodi mesmo aquela demónia…

- Não, não estás maluca. Mas, tu sabes, seja o que for que esteja a acontecer, nós vamos lidar com isso. Além disso, se não fosse por isso, a esta hora estávamos todos mortos. E não estarmos devemos-te a ti. – Já estava perto demais, encontrava-se em frente a mim e preparava-se para me dar um abraço.

- Eu vou comer. – Disse eu, desviando. – Podes ir.

- Eu não tenho medo de ti…

- Eu tenho. Bryan, vai, por favor…

Suspirou.

- Tudo bem. Vê se melhoras.

“Quem me dera”, lamentei, por dentro. Comi a fatia de pizza que Bryan me tinha levado e depois voltei à minha posição dos últimos dias. Como é que podia explodir coisas com as mãos e ao mesmo tempo tocar em coisas tão finas como copos e não os partir?

- Posso entrar? – Perguntou Vicky, espreitando.

- Adianta dizer que não?

- Não. – Entrou e sentou-se ao pé de mim, na cama. – Como é que estás?

- O que é que se está a passar Vicky?

- Que queres dizer?

- Tu sabias. Todo este tempo, tu sabias que eu ia explodir coisas com as mãos, da mesma maneira que nunca duvidaste dos meus sonhos. Tu sabias e não me disseste nada. Porquê?

- Não estavas pronta para saber. – Respondeu ela, depois de uma pequena pausa. – E além disso, eu não tinha a certeza. Há montes de profetas pelo mundo… não havia maneira de ter a certeza que eras tu até que acontecesse.

- Que era eu o quê?

- Dormiste alguma coisa?

- Não mudes de assunto.

- Descansa um bocado, e não te preocupes, vai-se tudo resolver. Nós falamos mais tarde, estou a falar a sério.

Não me deu tempo para dizer nada, levantou-se e foi-se embora.

Todos eles iam-me fazer daquelas visitas curtas, apesar de eu resmungar que não os queria ali. Todos iam. Todos, excepto Jason. Ele era o único que ainda não tinha cá posto os pés, e por um lado sinto-me aliviada por saber que ele está fora do meu alcance, mas por outro, acho que estava à espera que se preocupasse um pouco mais.

Eu finalmente disse que o amava, e tenho a certeza que ele ouviu, tenho 80% de certeza que tinha sido o que o fez acordar da hipnose. Porque é que ele não me vinha ver? Bem, essa era só uma das milhões de perguntas que corriam na minha cabeça.

Deixei-me de dormir durante a tarde, o que fez com que o tempo passasse muito mais rápido que os outros dias. Acordei com uma imagem na cabeça, de Jason, a ser torturado no submundo, como quando sonhei com ele pelas primeiras vezes. Levantei-me e comi o que lá tinham deixado enquanto dormia.

Vesti o fato de treino, umas calças azuis claras e uma blusa azul escura, de alças. Calcei os meus ténis brancos da nike e dirigi-me à porta, já estava farta de estar fechada. Ia a pôr a mão no puxador quando me veio mais um turbilhão de perguntas à cabeça. E se saísse do quarto e os magoasse? E se não fosse seguro? Podia explodi-los num abrir e fechar de olhos, não estaria a ser egoísta em querer sair daquele quarto? Abanei a cabeça para afastar estes pensamentos e abri a porta.

Dei um passo, muito lentamente para fora do quarto e ouvi que eles estavam a falar no quarto de Phil, pelo que percebi, ouvi as vozes de todos. Aproximei-me lentamente e quando ia a abrir a porta, vi que o assunto era eu, para variar.

- Eu só quero saber que ela vai ficar bem. Eu preciso que me prometam que vão tratar bem dela. – Ouvi Jason dizer.

- Não acredito que fizeste essa estupidez outra vez. Tu nunca aprendes pois não?! – Bryan soava extremamente aborrecido.

- Ele fez o que era preciso para a manter a salvo, não teve culpa de ser enganado. E agora vai pagar um preço caro demais por isso. – Disse Gabriel.

Do que é que eles estavam a falar?!

- Podia ao menos ter pedido uma opinião! – Insistiu Bryan.

- Eu só queria que ela acordasse. – Sabia que Jason se referia a mim.

- Mas ela ia acordar sozinha, não precisavas de ter feito esse acordo. – Disse Vicky.

- Mas eu não sabia! Estava preocupado e desesperado ao pensar que ela não ia acordar! – Disse Jason.

- Perguntavas as coisas! – Disse-lhe Phil, rudemente.

- O demónio enganou-me, ok? Agora não há nada a fazer. Por isso, por favor, tomem conta dela.

- Ela não está bem. – Disse Vicky, referindo-se a mim. – Está com medo dela própria, e quando descobrir que voltaste para o Submundo…

- Acho que foi mesmo uma estupidez. – Disse Jason, em tom de desabafo. – Depois de tanto tempo a fazer com que ela finalmente dissesse o que sentia por mim e agora… ainda vai ser pior.

O Jason fez outro acordo?! Ele sabia perfeitamente que ia voltar para aquele sítio infernal e sabe perfeitamente o que sofreu da primeira vez e agora voltou a cair na mesma asneira? Mas esta gente nunca aprende?! Mas eu sabia porquê. Por minha causa. Ele pensou que eu não ia acordar depois de ter explodido Kelly, por isso tratou de garantir que acordava mesmo.

Voltei para o meu quarto, com cuidado para que não me ouvissem e peguei na minha Desert Eagle, apesar de agora, as minhas mãos serem mais perigosas. Mas de novo, eu não sabia como as usar, como as controlar.

Saí pela janela e comecei a correr, quando saí do campo de visão deles, abrandei o passo. Eram dez e meia, tinha uma hora e meia para impedir que Jason fosse parar ao Submundo. A cidade estava muito agitada, não sei porquê. Quando ia a fazer uma curva, veio um cão a ladrar para mim, que fez com que assustasse e que explodisse uma bomba de incêndio.

- Oh meu Deus! – Gritei, a observar o que tinha feito, olhando depois para as minhas mãos.

Recomecei a correr até um descampado.

- Olá! Demónio dos contratos! Estás aí? Estou interessada… olá?! – Gritei eu.

- Sabes que não é assim que se invoca um demónio de contratos. – Reclamou um demónio, que apareceu segundos depois.

- Temos pena. Eu quero fazer um acordo.

- Deixa-me adivinhar. A tua vida, em troca da de Jason, estou certo?

- Estás.

- Vocês humanos são tão previsíveis, porém… humana não é uma palavra adequada para ti pois não?

- Vais aceitar o acordo ou não?

- E o que te faz pensar que és suficientemente importante para substituíres o Jason, um temível caçador?

- Porque ainda aqui estás, a falar comigo.

- Tenho receio que apenas te consiga uma semana, para te despedires…

- Eu não preciso disso. Posso ir já.

- A sério? Isso é interessante…

Estalou os dedos e de súbito encontrava-me no que parecia ser o interior de um vulcão, olhei para baixo e vi lava, a fervilhar.

- Bem-vinda ao Submundo querida. Nada de truques. – Disse-me ele.

- Tu é que és o demónio. Como é que fazemos isto?

- Tu assinas aqui. – Deu-me um pergaminho para as mãos. – Com sangue.

- Vocês podiam ser ainda mais nojentos? – Perguntei, ao que ele fez uma careta.

Pus o pergaminho em cima da secretária de pedra que lá estava e piquei o dedo, com um pequeno punhal que se encontrava lá em cima. Quando as pingas do meu sangue caíram sobre a linha em que tinha que assinar, formou-se o meu nome.

- Está feito. A minha parceira irá mandar-te para o Submundo. – Disse ele, metendo o contrato debaixo de uma pilha de outros pergaminhos.

Vi outra demónia a dirigir-se a mim, e os meus instintos diziam que estava pronta para me mandar para a lava incandescente, comecei a sentir um calor no corpo, e sem pensar muito, ou nada, estendi os braços para ela e fechei e abri as mãos, explodindo-a.

- Raios! – Reclamei, logo a seguir. Virei-me para o outro demónio. – Eu lamento muito, eu não quis fazer isto, foi um reflexo… - Por incrível que fosse, era verdade.

- Eu disse sem truques! – Gritou ele, furioso, dirigindo-se a mim.

Senti outra onda de calor, mas esta, porém, era mais fraca. Olhei para as minhas mãos e lembrei-me de como me tinha sentido quando estava amarrada por Crowllang e quando não tinha sítio nenhum por onde ir, como quando salvei Jason e Bryan dos outros caçadores. Sentia-me encurralada, desesperada, incapaz. Voltei a olhar para o demónio. Estiquei um braço na sua direcção e, sem pensar muito, mas na esperança de que resultasse, fiz um pequeno movimento com o braço para a esquerda, fazendo com que o demónio fosse mandado contra a parede.

Ele levantou-se ainda mais enfurecido que antes e começou a andar rapidamente na minha direcção. Deitou-me ao chão, fazendo com que arranhasse o cotovelo e voltei a mandá-lo para longe. Voltei a olhar para as minhas mãos. “Pensa Melanie!”, exigi. O que é que tinha sentido quando explodi a irmã de Stolas? Raiva, saudade, ódio, amor, tristeza, pena… tinha que estar tudo conectado, tinha que haver uma espécie de gatilho que fizesse com que explodisse coisas. Quando destruí a boca-de-incêndio estava assustada e agora, com esta demónia, foi um reflexo para me proteger. Olhei para o demónio, que já se encontrava a menos de cinco metros de mim e estiquei os braços, “Vá lá, por favor”, implorei, para dentro. Fiz o movimento com as mãos e… ele explodiu.

Não me senti nem de perto nem de longe, tão fraca como da primeira vez, mas sentia-me, ainda assim, um bocado atordoada. Olhei para um relógio que estava na secretária, onze e meia. Procurei na pilha dos contratos pelo meu e pelo de Jason. Mandei-os para dentro da lava e observei-os a queimar, instantaneamente. À medida que os contratos queimavam, comecei a sentir-me mais fraca. Houve uma coisa que me chamou a atenção em cima da secretária, um contrato de um nome conhecido. Peguei e pus no bolso de trás das calças do fato de treino. Caí para o chão e acordei, no descampado de onde tinha sido levada pelo demónio. Levantei-me, ainda desnorteada e levei a mão ao bolso de trás do fato de treino, verifiquei que tinha o contrato lá. Comecei a andar e quando cheguei à cidade vi que eram dez para a meia-noite. Comecei a correr até chegar à casa e Phil e entrei, batendo com a porta. Subi as escadas a correr e fui interceptada por Vicky, Gabriel, Bryan e Phil, no corredor de cima.

- Tu saíste da casa? – Vicky parecia muito surpreendida, mas feliz.

- Saí. – Respondi, abrindo caminho. Fui até ao quarto de Phil, onde Jason ainda de devia encontrar e comecei a bater à porta. – Jason, abre a porta! – Disse eu, enquanto batia.

- Ele está a descansar. – Disse Bryan, com uns olhos muito tristes. Não lhe liguei.

- Jason! Abre a porta, eles não vêm! – De súbito ficaram todos a olhar para mim. – Eu sei, ok? Acerca do acordo.

- Melanie, vai-te embora. – Ouvi Jason dizer. – Estou cansado, preciso de dormir.

- Não me faças arrombar a porta. – Gritei.

- Não a consegues arrombar. – Disse Phil. – É madeira maciça.

- Óptimo, talvez a possa explodir. Jason!!! – Ele abriu a porta e eu apressei-me a entrar para o quarto, com uma cama de solteiro com uma colcha azul e uma pequena cómoda a um canto.

- Eles não vêm. – Repeti, encarando Jason.

- O que é que fizeste? – Perguntou ele, um bocado transtornado.

- Um acordo.

- Mel… - Suspirou Vicky.

- Não. Eu fiz um acordo. A minha vida em troca da tua, mas depois eu explodi uma demónia e o demónio dos contratos virou-se contra mim e depois acabei por explodi-lo a ele, foi tudo uma grande confusão, mas bem, no fim, queimei os nossos acordos.

- Estás a falar a sério? – Perguntou ele, já com um brilho no olhar.

- Mas há mais. – Estendi-lhe a mão, com o terceiro contrato. – Encontrei outro, mas não me pertencia a mim para o queimar. É uma coisa que vocês devem fazer os dois.

Jason agarrou no papel e desdobrou-o vendo em seguida a assinatura do seu pai, Tom Whickmonth. Ele e Bryan queimaram o contrato com um isqueiro que têm, apesar de nenhum deles fumar, e depois fomos para a sala, todos.

- Gabriel… há uma coisa que mereço saber… - Disse eu.

- Melanie, eu não acho que estejas preparada…

- Ok, sabes que mais? Eu quero saber o que se está a passar e não quero que venhas com essas tretas do momento certo e da pergunta certa Gabriel, porque eu expludo coisas com as minhas mãos! Eu não sei qual é a pergunta certa, mas quero saber o que se está a passar, quero saber quem é que sou, quero saber como e porque é que faço estas coisas e quero saber porque é que era tão importante para o demónio dos contratos! E tu vais-me dizer isso agora, porque estou farta de esperar e estou farta desse joguinhos de anjos de não dizerem às pessoas implicadas o que é que se está a passar!

- Muito bem. Não o podia dizer antes, porque também não tinha a certeza. Só a tive quando tu, de facto, explodiste aquela demónia. – Começou Gabriel. – Até à altura em que apareceste, aclamando que sonhavas com estas coisas, eu nunca acreditara que eras real, sempre pensei que essas histórias fossem mitos.

- Tu és poderosa. – Disse Vicky. – Não és uma aberração, como pensas… tu és uma bruxa, uma bruxa boa.

- Não existem bruxas boas… - Disse eu.

- E o sangue dela é normal, quer dizer… - Disse Jason, porém, foi interrompido.

- Ela é meia bruxa, meia humana. – Continuou Gabriel. – Isso é o que a torna tão especial. Há muitos milhares de anos, aconteceu um apocalipse, uma bruxa aprisionou Lúcifer. Ela podia mover coisas, explodi-las, e mais outras coisas… essa bruxa morreu depois de aprisionar o diabo, devido ao esforço, mas deixou uma bebé. Esse dom tem passado de geração para geração até chegar a ti. Nenhuma bruxa da tua família é tão poderosa como tu, nem de perto nem de longe, mas têm também os seus poderes defensivos.

- Espera, estás a dizer que há bruxas na minha família?

- Sim.

- Tu és tão poderosa porque… estás destinada a lutar contra o Diabo. Estás destinada a matar Lúcifer. – Disse Vicky.

Destinada a matar Lúcifer, eu? Desta não estava mesmo nada à espera. Foi como se me tivessem mandado com dez baldes de água fria todos seguidos.

- Mas… não há bruxas nenhumas na minha família… - Disse eu, ainda a assimilar a informação.

- Tem que haver. – Disse Gabriel.

Depois de muito conversarmos, chegámos a uma conclusão, estava na altura de eu fazer uma busca, “A Busca”. Os anjos podem-nos mandar até onde precisamos de ir, para descobrirmos as respostas às perguntas que precisamos de descobrir. Jason achou demasiado perigoso para eu ir sozinha, por isso disse que ia comigo. Num piscar de olhos, depois de Gabriel estalar os dedos, estávamos num parque.

- Que sítio é este? – Perguntei.

- Não tenho ideia. – Respondeu ele.

Aproximei-me dos arbustos e desviei-os.

Vi três crianças a brincar e duas mães sentadas num banco, uma delas era a minha. Eu era uma das crianças, a única rapariga, e na altura devia ter uns cinco anos. Os outros rapazes aparentavam ter aproximadamente a minha idade.

- Aquela sou eu. – Pronunciei, baixinho.

- E aquele sou eu… e o Bryan… - Disse Jason, ao meu lado, apontando para os rapazes.

Virei-me para ele.

- Mas isso não é possível, eu só vos conheci quando se mudaram para L.A., quando foram para a mesma escola onde eu estava…

- E aquela é a minha mãe… o problema é que… eu com esta idade, ela já estava morta. E a tua mãe, que está viva, está a falar com a minha, que está morta…

- Isto não é possível. – Murmurei, vendo-me a mover uma bola que Jason, o pequeno, tinha mandado. – Eu não tinha poderes com aquela idade… tinha?

A bola veio na minha direcção e eu agarrei-a. Vi a pequena eu a vir buscá-la e dei-lhe a bola às mãos.

- Olá. – Disse eu, sorrindo.

- Oi. – Respondeu ela.

- Quem são os teus amigos? – Perguntei.

- São o Jason e o Bryan. O Jason deu-me isto. – Mostrou-me a sua mão direita, que tinha um anel com uma pedrinha no dedo do meio. – Eu vou-me casar com ele um dia.

Troquei um olhar com Jason. Aquele anel, eu lembrava-me dele, apesar de não me lembrar como o tinha adquirido. Chamava-lhe amuleto da sorte.

- Querida… tu… moveste esta bola como se… fosse magia? – Perguntei, com cuidado com as palavras que escolhia.

- Eu não posso falar sobre isso.

- Ei! – Gritou a minha mãe, chegando-se ao pé de nós. – Afastem-se da minha filha.

- Nós só estávamos a falar com ela. – Disse Jason.

- Eles sabem mamã, que eu sou uma bruxa. – Disse a pequena eu.

A minha mãe fez um gesto brusco, que me mandou a mim e a Jason ao chão. Levantei-me, recompondo-me do choque e fiquei pasmada a olhar para ela. Aproximei-me do banco.

- Eu não acredito nisto. – Murmurei. Virei-me para ela. – Tu és uma bruxa?! E nunca me contaste.

- Oiça moça, eu não sei quem você é…

- Tu mentiste-me. – Não acredito que me mentiu desta maneira. – Tu falas com fantasmas e moves coisas com a mente… o que é isto? – Agarrei num papel que estava em cima do banco, que dizia “Anulamento de poderes” e “Remoção de Memória ”. A mãe de Jason permanecia quieta. – Tu vais-me anular os poderes e apagar a memória, por isso é que não me lembro de nada…

- Ok Mel. – Sussurrou Jason, agarrando-me. – Ouve, isto ainda não aconteceu… elas não podem saber que somos do futuro… não te podes chatear com esta tua mãe, só com a do futuro, a do nosso tempo, a que já fez isto.

- Mel… como em Melanie? – Perguntou a minha mãe, confusa.

- Eu sei. Acredita que o vou fazer. – Respondi a Jason. Virei-me de novo para a minha mãe, ignorando a sua pergunta. – Ela vai descobrir. O que você fez, ela vai descobrir e não vai gostar.

As coisas começaram a ficar brancas e acordei sentada no sofá de Phil, com Jason ao lado e o resto do pessoal a observar-nos. Jason acordou ao mesmo tempo que eu.

- Então, como é que foi? – Perguntou Vicky.

- Descobriste o que querias? – Perguntou Bryan.

- Descobri. – Respondi.

- Como é que estás? – Perguntou Jason.

- Eu digo-te mais tarde. Agora temos que ir.

- Onde é que vamos? – Perguntou Bryan.

- Los Angeles. – Respondi, levantando-me.

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