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Déjà Vu Sobrenatural

por Andrusca ღ, em 23.11.10

Capítulo 34

Troca

 

Sinto-me perdida, a andar à deriva no meio do nada, e depois do que passei nesta última semana, e sobretudo depois do que passei para sair de lá, sei para onde tenho que ir, sei onde vou conseguir ajuda. Tenho fome, sede, sono… mas não me vou render, não vou comer, beber ou descansar até saber se eles estão bem, não vou fazer nada disso até os encontrar.

Bati à porta e uma cara conhecida, que depressa se tornou desconfiada, abriu.

- Quem és? – Perguntou Phil.

- Que queres dizer Phil? Sou eu, a Mel.

Esticou o braço e deu-me um murro. Estou fraca, com pouca energia para ripostar, mas mesmo que a tivesse, lutar com Phil seria o meu último recurso.

- Eu acabei de falar com ela. – Ele parecia extremamente aborrecido, e eu estava, sem sombra de dúvidas, confusa.

- O quê?

Ele ia-me dar outro murro mas eu imobilizei-o, desmobilizando-lhe em seguida apenas a cabeça.

- Eles vão saber que me mataste. – Disse ele, em tom de ameaça. – Vão-te caçar, e matar.

- Do que é que estás a falar?

- Tu não és a Melanie. Ela não está nem perto daqui. – Ele parecia seguro naquilo que dizia, mas como? Como é que eu podia não estar aqui?

- Eu estou aqui Phil! Sou eu.

- Prova.

- Está bem. Já morri duas vezes e fui salva por Deus.

- Não chega. Todos podem saber disso.

- Salvei-te de um demónio invisível pouco depois de te conhecer.

- Não chega.

Explodi duas pedras que estavam a talvez dez metros de nós.

- Acabei de explodir duas pedras e imobilizei-te!

- Como?

- Porque sou uma bruxa!

- Não. Como é que estás aqui e no Kansas ao mesmo tempo?

- O quê? Eu não estou no Kansas. Phil… eu tenho estado no Maine até agora.

Desmobilizei-o.

- Se tu és mesmo tu e estás aqui…

- Quem é que está no Kansas com eles?

Entrámos e Phil foi buscar os primeiros socorros. Eu estava uma lástima, cotovelos, joelhos, costas… estava completamente arranhada.

- Estás uma desgraça. – Disse-me ele, quando acabou de me ajudar a desinfectar as feridas. – Isso é uma mordidela? Não me queres contar o que aconteceu?

- Nós fomos combater uma bruxa. Mas afinal eram duas e enquanto uma delas morreu, a outra trancou-me num sítio cheio de wendigos. Um deles mordeu-me. Quando finalmente consegui sair o Jason e o Bryan já lá não estavam. Vim para aqui porque não sabia para onde tinham ido.

- Ela deve ter copiado a tua imagem e anda-se a fazer passar por ti. Mas por agora não magoou ninguém, falei com eles há bocado e está tudo bem.

Vicky apareceu e deu um salto enorme ao ver-me, não devia estar à espera por causa do que Phil me acabou de dizer. Depois de lhe contarmos a história de eu insistir que não queria esperar nem ficar de braços cruzados enquanto aquela bruxa estava com o meu namorado e com o meu melhor amigo, concordámos num plano.

- Querida… queres um chá? – Perguntou-me caridosamente.

- Preferia uma cerveja…

Estavam ambos a tentar acalmar-me, mas eu não precisava de me acalmar, precisava de começar com o plano. Vicky saiu para comprar o que precisávamos e não demorou nem dez minutos a voltar.

- Mas não tínhamos concordado que poções são tipo… más? – Perguntei, enquanto examinava os ingredientes em cima da mesa. – É que eu não me quero transformar num sapo.

- Tu és uma bruxa Mel. Está-te no sangue fazer poções. Há uma probabilidade muito pequena de errares. – Disse-me Vicky.

- Mas existe…

- Vai correr bem. Além disso, foi o melhor plano que conseguimos elaborar e uma poção é a única maneira de mudares completamente o teu aspecto. – Phil estava a tentar incentivar-me e tinha razão naquilo que dizia, afinal era mesmo a única maneira de chegarmos aos resultados que precisávamos.

Depois da poção feita, bebi-a e imaginei como me queria parecer. Quando abri os olhos em frente ao espelho, tinha o cabelo comprido, ondulado e ruivo. Tinha praticamente a mesma estrutura mas os olhos estavam azuis, e tinha algumas sardas.

- Irreconhecível. – Disse Vicky. – Vá, muda-te de roupa para pormos o plano a andar.

Vesti uma saia azul até aos joelhos e uma blusa branca de manga curta com um colete castanho por cima. Calcei umas botas castanhas sem salto e deixei o meu lindo e enorme cabelo, agora ruivo, solto.

Fui ter com Vicky à sala e despedimo-nos de Phil, que nos desejou boa sorte e disse que ia telefonar várias vezes e que queria que eu lhe telefonasse também a dar notícias.

Vicky teletransportou-nos para um quarto de hotel lindíssimo, decorado em tons de bordô e branco, com uma cama de casal no meio, duas mesas-de-cabeceira e um roupeiro. Mas o melhor no quarto eram Jason e Bryan, ambos sentados na cama, com a bruxa, igualzinha a mim, ao seu lado. Mal nos viram levantaram-se.

Não sei até que ponto é que consigo manter esta fachada, mas Vicky e Phil têm razão, não podíamos avançar às cegas, esta bruxa é perigosa.

- Quem é esta? – Perguntou Jason.

- Encontrei-a quando cinco vampiros estavam de roda dela. – Respondeu Vicky. – Eles provaram-na. – Não ia ser nada difícil de acreditar, visto a quantidade de arranhões que tenho e a mordidela do wendigo no meu braço.

- Os vampiros de quem andamos à procura? – Perguntou a bruxa.

- Acredito que sim. – Respondeu Vicky, muito naturalmente.

- Pobrezinha… - e começou-se a aproximar de mim. – Deves estar cheia de medo…

Concentra-te Mel, não deixes que o facto desta impostora se estar a fazer passar por ti te faça deitar tudo a perder.

- Estou. Foi… não consigo descrever… - Respondi.

- Bem… acho que ela pode ficar connosco até os apanharmos. – Disse Bryan. – Fica mais segura assim.

- Exactamente o que eu pensei. – Respondeu Vicky.

- Como é que te chamas? – Perguntou-me Jason.

Nome, tínhamos pensado em tudo menos num nome.

- Jamyra. – Respondeu Vicky.

- Lindsay. – Respondi eu, ao mesmo tempo. Ficaram todos a olhar para nós e nós ficámos sem saber o que dizer. – Lindsay Jamyra. – Acabei por dizer.

Pouco depois Vicky foi-se embora, desejando-me boa sorte e eu fiquei com Jason e Bryan enquanto a bruxa foi buscar jantar.

A minha barriga começou a roncar e senti-me a corar quando eles olharam para mim. Notaram o meu desconforto.

- Há quanto tempo é que não comes? – Perguntou Bryan.

Não podia dizer que há vários dias que não comia nada de jeito, senão iam começar a apertar comigo para saberem a verdade.

- Desde o pequeno-almoço. – Menti. – Então… vampiros existem mesmo? – Tentei basear-me nas pessoas que salvávamos e faziam este tipo de perguntas.

- Lamento informar, mas sim. – Respondeu Jason. – Tu pareces estar mesmo mal… não queres desinfectar isso? – Referia-se às minhas feridas.

- Não é preciso, já desinfectei.

- O jantar chegou. – Disse a bruxa, entrando pela porta com duas pizzas.

O jantar correu razoavelmente até à parte em que a bruxa começou aos beijos com o meu namorado. Como é que ele não notava que aquela não era eu?! Pior, como é que eu me aguentava sem saltar para cima dela?

- Eu preciso de ar. – Pronunciei, enquanto me levantava e saía de lá.

Quando finalmente saí pela porta do hotel ouvi uns passos atrás de mim e quando me virei vi Bryan.

- Não devias sair sozinha. – Disse-me. – É perigoso.

- Acho que era preferível a estar lá dentro. – Murmurei baixinho.

- O quê?

- Nada, disse que estava uma noite agradável.

- Pois está. Posso-te fazer uma pergunta pessoal?

- Claro, diz. – Não verdade não dava jeito nenhum visto que esta pessoa que eu estava a encarnar não existe, mas vá, lá terei que dizer mais uma mentira.

- Tu não pareces confortável… estás com mais algum problema tirando aquele dos vampiros?

- Acho que se pode dizer que tive uma semana dos diabos… - Ficou a olhar para mim. – No trabalho…

- Ahh, ok, se é só isso…

- Sim, é só isso. – Afinal até nem foi preciso mentir.

Quando chegou a hora de dormir tive que observar aquela ignara ir para o quarto com o Jason enquanto eu fui para o do Bryan.

- Eu durmo no sofá. – Disse-lhe.

Olhei para o sofá, era minúsculo.

- Nem penses, eu fico com o sofá.

- Não. O quarto é teu, tu ficas com a cama.

- Tecnicamente o quarto é do hotel… - É mesmo típico de Bryan, quando não consegue o que quer através de um diálogo normal, começa a fazer piadas.

- Ou ficas com a cama ou eu fujo e depois se for apanhada por alguma coisa culpo-te a ti. – Sorri.

- Tu fazes-me lembrar uma pessoa. – Disse, apontando o dedo.

Acabámos por adormecer os dois na cama, enquanto estávamos a jogar às cartas. Acordei de manhã toda torta e levantei-me.

Fui à casa de banho e olhei-me ao espelho. Aquela não era eu, e eu não gosto nem um bocadinho deste plano estúpido.

Vicky apareceu por trás de mim, aparecendo o reflexo no espelho e dei um salto e levei logo as mãos à boca, evitando um grito.

- O que é que estás aqui a fazer? – Sussurrei.

- Vim saber coisas. Há alguma novidade?

- Não, a não ser que contes que a bruxa andou aos beijos com o meu namorado e que dormiu com ele esta noite!

- Oh querida… eles…

- Não sei. Acho que nem quero saber. Vicky, ela não se parece comigo nem um bocadinho, a não ser o aspecto!

- Mas estás-te a aguentar?

- Por pouco…

- Lindsay, estás aí? – Perguntou Bryan, enquanto batia à porta.

Assustei-me e dei um pulo.

- Sim. – Respondi.

- Está tudo bem? Pensei ter ouvido vozes…

- Não. Não há vozes. Está tudo bem. Vou já sair.

Vicky desapareceu e eu saí da casa de banho. Jason já estava no quarto com a falsa eu e disse para eu ir com a falsa eu buscar roupa, que ela me emprestava.

Vesti umas calças vermelhas com uma blusa preta e um casaco fininho às riscas na horizontal, pretas e cinzentas. Calcei as mesmas botas que tinha trazido da casa de Phil.

Fomos todos tomar o pequeno-almoço a um café e enquanto a bruxa e Jason foram à procura dos vampiros, Bryan ficou comigo no hotel.

- Então… a Melanie parece simpática… - Comecei.

- E é.

- Parece… destemida.

- Sim, é verdade.

- E extrovertida…

- Está muito mais calma agora.

- A sério? Desde quando?

- Desde que a reencontrámos… porquê esse interesse na Mel? – Ele já estava a ficar desconfiado.

- Bem, porque… porque ela é uma mulher, e isto não deve ser fácil de fazer, o que vocês fazem… só por isso.

- Sim, ela é muito corajosa.

- Então e… notaste alguma mudança nela? Ultimamente?

- Nem por isso. Era suposto ter notado?

Sim!!

- Que eu saiba não, não a conheço…

O resto da tarde foi insuportável, quer dizer, eu adoro passar tempo com o Bryan, mas não desta maneira, não quando ele pensa que eu sou outra pessoa.

Quando Jason finalmente chegou fiquei a saber que não tinham encontrado nada.

Fomos jantar fora e eu ia-me a levantar da cadeira quando o empregado chegou e ia a pousar a travessa com a comida, o que fez com que batesse nele e que o fizesse largar a travessa. Os meus instintos foram esticar os braços e imobilizar tudo, mas seria muito estranho que depois daquilo tudo, uma rapariga que tinha sofrido um ataque de vampiros conseguir ter reflexos para agarrar a travessa sem derrubar nada. Usei todas as reservas do meu corpo para contrariar o meu instinto e a travessa caiu no chão.

- Lamento imenso. – Desculpei-me. – Sou uma desastrada…

Depois do jantar voltámos para o hotel e Jason voltou para o seu quarto com a bruxa, que não fazia a mínima ideia que eu era eu. Eu fui para o de Bryan e este deixou-se de dormir mal caiu no sofá.

Não consegui dormir nada. Decidi levantar-me e entrei à socapa na cozinha do hotel para ir fazer um chocolate quente e, depois de muito procurar, encontrei marshmellows. Fui para a parte de trás do hotel, para um pequeno pátio e sentei-me numa poltrona a beber o meu chocolate quente e pouco depois vi Jason a chegar por trás de mim e a sentar-se ao meu lado.

- Não devias estar aqui fora sozinha. – Advertiu-me.

- Agora já não estou.

Não conseguia deixar de pensar como é que ele não via que havia algo de diferente em mim.

- Problemas? – Perguntou-me, apontando para o copo de chocolate quente.

Ups, a Melanie McKensie é que bebe chocolate quente com marshmellows, já dei barraca…

- Alguns.

- Sabes, a Mel é que bebe muito disso… - Suspirou. – A Mel…

De súbito a voz dele mudara, parecia um pouco entristecida. Talvez o tivesse julgado mal.

- Qual é o problema? – Perguntei-lhe.

- Ela anda diferente… mais distante… mas deve ser só da minha cabeça.

Ou então não.

- Isso é bom. – Sorri. – Conhecê-la ao ponto de saberes que anda diferente.

- Pois…

Sem me aperceber, durante a conversa fui-me aproximando dele e estávamos prestes a beijar-nos quando desviou a cara.

- Já é tarde, devíamos entrar.

- Tens razão. Vamos.

Acordei em sobressalto e tinha Bryan a observar-me de uma maneira muito pensativa. Lembrava-me nitidamente do que tinha sonhado, mas será que tinha falado durante o sono? Não me costumava acontecer, normalmente suava e gemia, mas Jason nunca me disse nada sobre falar. Da maneira que Bryan estava a olhar para mim parecia que tinha visto um fantasma.

- Bom dia. – Pronunciei, tentando permanecer casual.

- Tiveste um pesadelo? – Perguntou-me.

Não havia como mentir por isso achei melhor afirmar.

- Tive.

- Sobre o quê? – Quem sabe até os ajude a encontrar os vampiros mais depressa.

- Vampiros. Estão numa casa abandonada ou assim…

- Isto acontece-te muitas vezes? Sonhares com coisas destas?

- Não… - Estava a ficar à rasca, sem argumentos.

- Não faz mal se acontecer. Podes ser uma profeta… não eras a primeira que conhecemos. A Mel por exemplo, também tem pesadelos…

- Mas é uma bruxa. – Completei.

- Literalmente.

- Exacto. Ela é definitivamente e literalmente uma bruxa. – Sorri.

Da parte da manhã consegui convencê-los a deixarem-me participar e fomos a uma casa abandonada mas não deu em nada. Bryan foi com a falsa eu para um lado e eu fui com Jason para outro, pelas ruas, para ver se encontrávamos alguma pista. Jason evitava a todo o custo olhar para mim e eu sabia perfeitamente o porquê.

- Desculpa por ontem à noite. – Acabei por pedir. Era muito mau poder estar tão perto dele e mesmo assim não lhe poder dizer quem era nem beijá-lo.

- Não é contigo que estou chateado. – Respondeu. Parecia ser sincero e quando parei e olhei bem para ele vi culpa estampada na sua cara.

- Não aconteceu nada Jason, não tens que te culpar. – Comecei por dizer, quando percebi que se culpava a ele.

- Por pouco… e o pior é que… eu queria que tivesse acontecido.

- O quê?

- Eu sei que tenho a Mel e eu amo-a mas… ela não está ela ultimamente… parece uma pessoa completamente nova e depois conheci-te e… tu lembras-me muito a rapariga por quem me apaixonei.

Fiquei sem saber o que dizer. Ele ama-me a mim, independentemente se sou morena ou ruiva, ama-me por mim e não pelo meu aspecto e percebe quando algo muda, quando eu mudo. Ele não me quer trair, isto não pode ser considerado trair, porque no fundo ele está à minha procura.

- Jason eu…

O seu telemóvel tocou, interrompendo-me quando lhe ia dizer que debaixo daquele disfarce era eu e ele atendeu.

- Sim… boa, ok. Encontramo-nos lá. – Desligou. – Era o Bryan, eles encontraram o sítio.

Fomos ter com eles e era decididamente o lugar com que tinha sonhado, uma casa abandonada e a cair de podre. Entrámos e encontrámo-nos instantaneamente rodeados por talvez dez vampiros ou mais. Vieram contra nós e começámos a lutar contra eles. Bryan e Jason concentravam-se em defender-me, apesar de eu dizer vezes sem conta que não precisava. A falsa eu ia contra os vampiros como se nada fosse e para piorar, parecia que se divertia com aquela situação. Acabámos por ser apanhados, levados para o primeiro andar e amarrados a uma cadeira cada um.

- Que raio foi aquilo Mel?! – Jason estava furioso. – Nós somos uma equipa!

- Quando é que paraste de agir como um “nós” para começares com um “eu” – Perguntava Bryan, enlouquecido.

- Vocês têm que relaxar. – Dizia ela, a rir-se. – Levam as cenas demasiado a sério.

- Se eu morrer por tua causa vais-te arrepender sua bruxa! – Murmurei, baixinho, enquanto tentava desamarrar as cordas.

Não dava, sem usar os meus poderes não ia conseguir soltar aquelas cordas nem que estivesse ali o resto do dia. Que se dane, se não saíssemos dali éramos literalmente comidos. Soltei as cordas mas continuei com as mãos atrás das costas da cadeira.

- Oh sanguessuga! – Chamei. Bryan e Jason olharam para mim com cara de pânico. Um dos vampiros aproximou-se e deu-me uma estalada. – Tem cuidado, não estragues a refeição…

- Estás a tentar matar-te?! – Perguntou Jason, pior que estragado.

- Confia em mim. – Sussurrei.

O vampiro voltou a aproximar-se e eu explodi-o. Ficaram a olhar para mim, incluindo a bruxa. Levantei-me e os outros vampiros dirigiram-se a mim numa velocidade sobrenatural mas eu imobilizei-os.

- Não tão depressa. – Murmurei.

Soltei Bryan e Jason e fiquei a olhar para o “meu” corpo.

- Sabes, roubar a identidade das pessoas é crime… - Sussurrei, enquanto finalmente lhe desatava a corda. – E elas ficam muito chateadas quando o fazem. Nós vamos ter uma conversinha.

Ela pôs-se em pé e Jason e Bryan cortaram as cabeças aos vampiros que estavam imobilizados. Eles não estavam a perceber patavina do que se estava a passar.

Dirigimo-nos para a saída e o prédio começou a tremer e a cair bocados do tecto. Abriu-se um buraco no chão e no varandim perto das escadas e Jason ficou empoleirado, prestes a cair. Eu, Bryan e a bruxa estávamos a talvez vinte metros dele porque tínhamos recuado quando começou tudo a tremer. Continuavam a cair bocados de tecto em tudo quanto era lado e apensar de querer ajudar Jason, não sabia até que ponto conseguia. Ele não se ia conseguir aguentar durante muito tempo. A falsa eu estava quieta ao lado de Bryan que a segurava, à espera que ela se mandasse para a frente e passasse por aquelas pedras todas para ir segurar Jason, como eu faria, mas ela não mostrava qualquer índice de que iria fazer isso.

Ao contrário dela, eu procurava por qualquer coisa que me ajudasse a passar, porque imobilizar aquilo tudo seria impossível por causa do bloqueio que ela criava nos meus poderes. De estar ao pé dela, e apesar de continuar a poder usá-los, sentia os meus poderes muito mais fracos.

Mas eu não ia perder o homem que amo, não desta maneira. Encostei-me bem à parede, dei balanço e comecei a correr em direcção a Jason, que já só se agarrava pela ponta da mão e observava o que se passava com muito esforço.

- Mel não! – Gritou, quando eu avancei. – Volta para trás.

Mel… ele chamou-me Mel… ele sabe. Não liguei ao que ele disse, não iria de modo algum voltar atrás, não sem ele. Continuei a correr na sua direcção e parei bruscamente quando vi uma pedra enorme que caiu a talvez trinta centímetros de mim. Contornei-a e continuei a correr, atirei-me para o chão para agarrar as suas mãos.

- Estás louca. Eu disse-te para voltares para trás. – Disse-me, enquanto o ajudava a puxar-se para cima.

- Pois bem, eu não sou lá muito boa a seguir ordens. – Rimo-nos.

Voltámos para ao pé de Bryan que agora agarrava a falsa eu mas para não a deixar fugir e saímos todos de lá. Descemos as escadas em passo de corrida e saímos daquela casa decomposta. Passámos para o outro lado da rua, que estava deserta.

- Como é que soubeste que era eu? – Perguntei a Jason.

- Eu ia-te reconhecer mesmo que estivesses transformada em macaca. Posso ter demorado mas…

- Eu sei que ias. – Sorri e puxei-o para mim, beijando-o em seguida. – Nossa, já me tinha esquecido do quão bom era beijar-te.

- Eu já tinha saudade dos teus beijos. Os dela não me dizem nada. – Sorrimos e depois voltámos à realidade.

Virei-me para a bruxa e para Bryan, que confuso, ainda a segurava.

- Porquê eu? – Perguntei. – Porquê a minha vida?

- Porque eu queria-a. E se eu quero, eu tenho. – Ela soava extremamente arrogante.

- É pena que nem tudo seja bem assim… - Estiquei os braços e explodi-a. Afinal não era tão poderosa como pensávamos, afinal bastava ter-me logo dirigido a ela e explodi-la. Aguentei tanto para nada…

- Então… tu és a Mel e ela era uma bruxa… - Disse Bryan, pensativo.

- Exacto. Ela mudou a aparência magicamente para se parecer comigo, por isso eu fiz o mesmo para me aproximar dela.

- E não estás a pensar em voltar a ser a Melanie habitual? É que ficas linda de qualquer maneira, mas eu tenho saudades de ti, ti. – Disse Jason.

- Assim que chegarmos à casa de Phil e que Vicky me dê os ingredientes para a poção.

- Uma poção? Mel… tu podes ser transformada em sapo… - Jason, tal como eu ao início, não pareceu gostar muito da ideia.

- Relaxa. – Disse-lhe. – Eu sou uma bruxa. Está-me no sangue.

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