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Déjà Vu Sobrenatural

por Andrusca ღ, em 24.11.10

Achei que era giro ver-mos como a Mel e o Jason começaram a namorar, por isso...

 

Capítulo 35

Maus Presságios

 

- Este sítio faz-me arrepios. – Queixei-me.

- Já estivemos em tantos cemitérios Mel… é de estranhar que ainda te dêem arrepios. – Observou Bryan.

- Normalmente não dão. Mas este dá.

- Vamos sair daqui. – Finalmente as palavras pelas quais estava à espera, vindas de Jason. – Já fizemos tudo o que podíamos ter feito aqui.

Tínhamos ido queimar uns ossos, mas não sei porquê, este cemitério fazia-me sentir qualquer coisa, dava-me arrepios à farta.

Voltámos para o hotel e enfiei-me logo na cama. Estes últimos dias tinham sido esgotantes e mal tivemos tempo para descansar, entre caçadas e pesquisas para mais caçadas.

Acordei no cemitério, estava deitada no chão e estava escuro, ainda era de noite, e estava um vento horrendo. Haviam vários corvos em várias árvores e outros a seguirem-me. Eu usava um vestido até aos pés todo preto, sentia que não tinha costas e era de atar ao pescoço. Tinha o cabelo preso num carrapito, um lindo colar de diamantes ao pescoço em vez do que usava habitualmente e estava descalça. Comecei a andar pelo cemitério não sei bem a fazer o quê.

- Olá! – Ia gritando ao longo do caminho. – Está aí alguém? Olá?!

Ninguém me respondia. Ouvi um corvo a grasnar que, naquele estranho clima, parecia que me estava a pedir que o seguisse. Corvos sempre me fizeram arrepios, corvos trazem más notícias, maus presságios… numa palavra, a morte. Segui o corvo e ele parou em cima de uma árvore. Olhei para baixo e fiquei aterrorizada com o que vi. «Melanie McKensie, querida por todos. 1987 até 2010». Era uma campa, era… a minha campa.

Acordei sobressaltada e caí da cama. Jason apressou-se a vir ter comigo. Estava bem, tinha sido apenas um sonho, apenas… um sonho.

Vesti umas calças de ganga com uma blusa cor-de-laranja e uns ténis e fomos tomar o pequeno-almoço.

Enquanto Jason e Bryan preparavam as coisas para sairmos dali, eu fui dar uma volta pela cidade.

Enquanto andava sentia-me observada, sentia-me acompanhada. Olhei para trás várias vezes e a única coisa igual que vi em todas essas vezes foi… um corvo. «Isto não é nada bom…»

Continuei a andar e quando me virei de novo para ver se o corvo continuava atrás de mim senti uma pancada na cabeça.

Acordei num sítio muito apertado e muito quente. Era difícil de respirar. Estava deitada de barriga para cima e conseguia ver terra pelas espessas paredes de vidro. Estava terra em todo o lado, nos lados, em cima… provavelmente em baixo também. Lembrei-me do meu sonho. Oh não, eu estou… enterrada.

O pânico tomou controlo de mim e desatei aos murros à tampa de vidro do caixão na esperança que alguém me ouvisse e me viesse salvar.

- Socorro! – Gritava, enquanto batia no tampo do caixão. – Alguém! Jason, Bryan!

O ar era cada vez mais escasso e devido ao meu pânico, estava a ficar sem oxigénio cada vez mais depressa. Não conseguia usar os meus poderes, o pânico era demasiado para me conseguir controlar tempo suficiente para explodir o caixão. Parei de gritar e comecei, ainda sobressaltada, a tentar respirar mais devagar para que o oxigénio durasse mais tempo. Estava a começar a sentir-me tonta. Sei que eles me vão encontrar, mas será que me encontram a tempo?

Ano de 2004

 

Amanhã vamos acampar, está tudo combinado e tenho a certeza de que vai ser um acampamento para nunca esquecer.

- Menina Melanie. – Disse Consuela, esbarrando em mim. Eu ia a virar para subir as escadas do meu enorme casarão e ela vinha do outro lado, também para ir para o andar de cima. – Tem que ter mais cuidado, senão vai para lá para o meio do mato e ainda parte uma perna.

Consuela… Consuela é e sempre será aquela pessoa preocupada mas também querida, será sempre daquelas pessoas que sabem o que dizer para consolar as pessoas e, apesar de ser minha empregada, é muito mais do que isso, é considerada uma segunda mãe. Não sei se é do seu aspecto, gorduchinha, baixinha e sorridente, mas consegue sempre pôr-nos de bom humor.

- Desculpa, estava distraída… - Desculpei-me.

- Pois, pois, não está sempre? … Olhe, vou já fazer a sua mala para levar amanhã, não se preocupe com nada.

- Não é preciso, obrigada, não te preocupes, eu faço-a.

- Tem a certeza? Não me custa nada. – Ela detestava que os outros fizessem o trabalho dela, apesar de fazer-me a mala não ser o trabalho dela.

- Absoluta! Não me vai cair um bracinho por fazer uma mala.

O dia passou a correr e a noite então nem se fala. Levantei-me às sete da manhã na segunda-feira, finalmente dia 11 de Abril de 2004 e vesti umas calças de ganga rasgadas, com uma blusa de meia-manga azul-turquesa com uns brilhantes e calcei uns All-Star pretos. Deixei o cabelo solto.

Desci para tomar o pequeno-almoço e quando lá cheguei, os meus pais já estavam sentados nos respectivos lugares e a comer.

- Bom-dia. – Cumprimentei, sentando-me.

- Bom-dia querida. – Responderam-me.

- Então, pronta para os grandes cinco dias? – Perguntou o meu pai, cheio de entusiasmo.

- Eu acho que ela não aguenta. Ao segundo dia está-nos a pedir para a irmos buscar. – A minha mãe detestava o campo, e pensava que eu era como ela nesse aspecto.

- Relaxa mãe, eu aguento os cinco dias e se for preciso até fico lá um sexto para te provar que aguentava mais. – Pus doce de morango numa tosta e comi. O meu pai piscou-me um olho.

- Então e a Maddison passa por cá? – Perguntou a minha mãe.

- Fazer o quê? – A minha voz soou inocente, e eu realmente não sabia do que é que ela estava a falar.

- Buscar-te… não vais com ela para o acampamento? – A minha mãe parecia confusa.

Desde que me comecei a dar com o Jason e o Bryan, os dois novos alunos do liceu e os mais giros que já conheci, que me afastei do grupo rico da escola, porém a minha mãe está-me sempre a empurrar para lá. Há uma semana mais ou menos chateei-me de novo com a Maddison por causa das suas criancices e, por acaso, disse à minha mãe, mas claro, como é da Maddison que estamos a falar não faz mal eu estar chateada ou não.

A minha mãe adora demasiado as pessoas que eu tento evitar e odeia aquelas que eu quero perto de mim, juro que não a percebo.

- Eu vou com o Bryan e o Jason, o Jason leva-nos no carro dele. – Respondi, dando um gole no leite.

- Esses delinquentes outra vez Melanie McKensie?! Quantas vezes é que tenho que te dizer que quero que te afastes deles?! – Odeio quando ela começa com isto, como se eu não tivesse idade suficiente para escolher as minhas amizades.

- Mãe, hoje não me apetece discutir, por isso vou subir e confirmar se tenho tudo na mala.

Levantei-me e como ninguém ripostou fui para o quarto.

Revistei a mala para ver se tinha tudo e resolvi pôr mais umas blusas, senão ou tinha frio, ou calor. Na minha mala havia de tudo um pouco, ia desde um biquíni até um sobretudo. Eram quase oito e meia quando finalmente fechei a mala, com dificuldade.

Bateram à porta e entraram em seguida.

- Então, pronta? – Perguntou Jason, enquanto entrava com o seu constante sorriso.

Aquele sorriso deixava-me completamente derretida, era como se o meu coração me fosse sair pela boca, como se me apertassem e não conseguisse respirar, e depois visse tudo a andar à roda e… mas nada disto importava porque sei que ele gosta de alguém, apesar de ele não me dizer quem.

Há uns dias apanhei-o a pesquisar coisas na internet sobre o que as raparigas gostam, o que achei estranho, visto que um rapaz como ele não tem qualquer tipo de problema em conquistar corações, mas também querido mas… enfim, quando percebeu que o vi, pediu-me ajuda para a conquistar e eu não podia recusar sem me expor.

- Prontíssima. – Sorri e agarrei na mala.

Dirigi-me a ele mas os meus braços fraquejaram em seguida, por causa do peso e a mala ia a cair. Ele amparou-a.

- Whoa, calma. – Disse-me, tirando-me a outra alça da mão e agarrando-a. – Bem, levas montes de tralha…

- Pois… acho que me excedi…

- Então pessoal, tudo pronto? – Perguntou Bryan, ao entrar também pelo quarto.

Descemos e Jason pôs a mala no porta-bagagens do carro. Despedi-me da minha mãe, que não foi nem um pouco simpática com os meus amigos e do meu pai, que os tratou como as duas pessoas normais que são, e entrei para o banco de trás. Rumámos para o parque de campismo.

- Então, e não te vamos a ouvir a gritar por causa dos bichos? – Perguntou-me Bryan, a fazer conversa.

- Depende dos bichos… mas eu gosto disto, é tudo normal, sem stresses… - Respondi.

Jason deu uma gargalhada.

- Eu não sabia que as raparigas giras também gostavam de acampar, ainda por cima tu, que tens dinheiro para comprar uma caravana de sonho. – Disse-me.

- A graça de acampar é dormir em tendas e ficar acordado até altas horas a falar, e ter contacto com a natureza. Não é dormir numa roulotte e não aproveitar as coisas pequenas. – Respondi, inclinando-me para a frente.

- Olha-me para aquilo! – Exclamou Bryan, quando Jason estacionou o carro.

Saímos do carro e depois Bryan apontou para três riquíssimas roulottes, uma mais do que as outras, a que se encontrava no meio. Eram as três em tons de prateados e com vários brilhantes. Só podiam ser de três pessoas.

- Aquilo é da Maddison? – Perguntou Bryan, quase gago.

- Yap. – Respondi. – Estou surpreendida por não ter trazido a cor-de-rosa. – Eles ficaram a olhar para mim com cara de quem não percebeu.

Maddison saiu da caravana nesse segundo e dirigiu-se a nós.

- Então, que acham da minha roulotte? – Perguntou, toda peneirenta.

- É… - Começou Bryan.

- Diferente. – Acabou Jason.

- Pois, tanto faz. Então e tu Mel, onde é que vais dormir? – Estava toda sorrisinhos hoje. Deve estar a tramar alguma.

- Numa tenda. – Respondi, a tentar não dar azo a mais conversas, porém, não resultou.

- Tipo com os bichos e… mais bichos? – Fez uma cara de repugnância. – Olha que estas roulottes são bem melhores, têm um plasma, sofás, aparelhagem… e não têm bichos…

Vi que lhe estava no aranha a subir para o ombro e dei um passo em frente, ficando mais próxima dela.

- Madd… olha para o teu ombro… - Pisquei-lhe o olho e dirigi-me a um sítio para ajudar Leilla, a minha companheira de tenda e a pessoa que a tinha levado, a montar a tenda.

Consegui ouvir os gritos histéricos de Maddison e as gargalhadas sonoras de Jason e Bryan.

Ajudei Leilla a montar a tenda e estendemos os sacos camas. Pusemos as malas lá dentro e depois ela foi-se juntar aos professores que já tinham chamado duas vezes, e ao resto dos alunos, enquanto eu fiquei à procura de um elástico, o que se mostrou um trabalho difícil, porque decidi que não valia a pena o tempo que estava a desperdiçar a procurá-lo.

Aproximei-me deles, muito sorrateiramente e pus-me ao lado de Jason e Bryan. No meio daquela gente toda era praticamente impossível que os professores tenham dado pela minha falta.

- Perdi muito? – Perguntei, inclinando a cabeça para Jason.

- Não, o básico, estiveram a dizer para nos portarmos bem, não sujarmos isto… - Respondeu ele.

- Então é isso! – Continuou o professor. – Podem fazer o que quiserem até à hora de jantar.

Íamos dispersando quando oiço o meu nome.

- Melanie! – Gritou o professor, atrás de nós. – Boa entrada, muito sorrateira.

Fiquei um bocado atrapalhada.

- Ela estava connosco ‘stôr, eu é que lhe pedi para me ir buscar uma coisa. – Disse Jason.

Ele olhou para mim e para Jason, sucessivamente e finalmente começou a falar.

- Estou de olho em vocês. Um passo em falso e são recambiados. Entendido?

- Sim. – Respondemos ao mesmo tempo.

O professor de educação física era o tipo de homem que quanto menos trabalho tivesse, melhor. E tenho a certeza absoluta que está aqui no acampamento contrariado.

O dia passou a correr e à noite vesti um fato de treino para dormir. Já deviam ser quase duas da manhã quando começam a mexer na tenda.

Saí do saco cama, abri a tenda e espreitei. Era Jason.

- O que é que estás aqui a fazer? – Sussurrei.

- Anda comigo. Quero-te mostrar uma coisa.

- Agora?

- Sim, anda lá.

Jason levou-me até um descampado, com dois cavalos no meio e montou-se num.

- Tu disseste que adoravas o campo… vamos ver. – Desafiou-me.

- Tu estás completamente maluco Jason. Se nos apanham estamos mortos.

- Então é melhor montares-te. Os cavalos correm mais que eles. – Ele parecia estar-se a divertir imenso com isto.

Respirei fundo e dirigi-me para o outro cavalo, alcei a perna e subi para cima dele. Fiz-lhe uma festa no focinho.

- Ela sabe subir. – Disse Jason, convencidamente. – Vamos ver se também sabe correr…

E nisto deu um pequeno toque no seu cavalo e este começou a correr em direcção ao bosque. Eu soltei uma gargalhada e abanei a cabeça, depois fiz o mesmo ao meu cavalo que começou a correr atrás do de Jason.

Jason parou mais à frente, já dentro do bosque à minha espera e quando o alcancei começámos a andar devagarinho.

- Nada mal. – Elogiou.

- Obrigado. Digo o mesmo.

A noite foi de sonho, andámos a cavalo durante muito tempo e depois Jason deixou-me ao pé da tenda e dirigiu-se para a sua, que era dividida com Bryan. Dormi que nem um anjinho no resto da noite.

Quando acordei, Leilla já não estava na tenda. Fui para os balneários e vesti umas calças pretas, uma blusa roxa de manga comprida e calcei uns All-Star também roxos. Fiz um rabo-de-cavalo e voltei para o local das tendas.

Comemos todos juntos e depois começaram as actividades, jogámos à caça ao tesouro e fizemos escalada durante a manhã. Houve um grupo que cozinhou e depois eu, Bryan, Jason e infelizmente Christy Dawson, tivemos que lavar a loiça, e esta pensa que lá porque o seu pai é um produtor de cinema, não precisa de sujar as mãos.

Fomos os quatro para os balneários e Christy começou a lavar a loiça obrigada por nós, enquanto nós falávamos e depois foi a minha vez e em seguida a Jason, mas este não estava a acertar com nada.

- Estás a fazer isso mal. – Disse-lhe, aproximando-me.

- Ai sim? – Perguntou, olhando para mim com um ar travesso.

- Jason nem sonhes! – Disse eu, porém tarde demais.

Tinha-me mandado água. Aproximei-me do lavatório e mandei-lhe também. Ele não se ficou e voltou a mandar, molhando Bryan e Christy, que ficou logo enjoadinha. Fez queixa ao professor (que por sorte não era o de educação física) que acreditou facilmente, visto que estávamos todos molhados. Acabámos por levar um raspanete enorme.

O resto do dia foi calmo e quando chegou a noite fomos para junto das tendas, que estavam postas em círculo com uma fogueira no meio.

Sentámo-nos à volta da fogueira e uns começaram a tocar viola enquanto outros cantarolavam. Pouco a pouco foram-se todos deitar, até sobrar apenas eu, Jason e Bryan.

- Sabes que mais? Estou um bocado cansado. – Disse Bryan. – Vou dormir, até amanhã.

- Tchau, boa noite. – Respondi.

- Até já. – Disse Jason.

Ficámos a conversar durante um bocado, e a contar anedotas, até que ele voltou a fazer-me perguntas sobre como conquistar raparigas estragando o romance todo à cena. Passado esse momento infeliz, começámos novamente a rir e apareceu o professor que me tinha repreendido no dia anterior.

- Vocês outra vez… - Disse entre dentes. – Já passa da hora de deitar. Vão para as tendas.

Ficámos a olhar para ele e levantámo-nos. Parecia que nos ia dizer mais qualquer coisa, mas arrependeu-se por fim.

- Imediatamente! – Reforçou.

Acordei toda torcida. Leilla ainda lá estava e ainda não havia barulho do lado de fora. Ainda dei mais umas voltas na cama mas não consegui dormir, por isso decidi levantar-me. Vi no telemóvel que ainda eram seis e meia da manhã. Saí da tenda embrulhada num cobertor e sentei-me num ramo caído que lá estava a talvez dez metros das tendas.

Vi uma figura conhecida dirigir-se a mim.

- Já acordada?

- E tu… é de estranhar, depois das horas que te deitaste…

- Mas acho que tu ainda te deitaste mais tarde.

- Verdade. Mas eu não sou muito de dormir.

- Nem eu.

- E o Jason, ainda está a dormir?

Bryan bocejou.

- Está.

Fomos o dia para uma praia cá ao pé e apesar de não estar calor suficiente para biquínis nem fatos de banho, foi toda a gente de calçõezinhos e tops. Jogámos voleibol e rugby.

Quando regressámos ao acampamento estávamos todos de rastos.

- Um banho de jacuzzi é que vai saber lindamente. – Disse Maddison.

- Onde é que vais encontrar um jacuzzi Maddison? – Perguntou Bryan, convencido de que não havia ali nenhum.

- Grande erro. – Murmurei eu, dando-lhe um pequeno toque no peito. – Devias ter ficado calado.

- Na minha roulotte. – Respondeu, convencidamente.

- Não acho que possas chamar àquilo uma roulotte… - Disse eu. – Aquilo é uma casa…

Depois de tomarmos banho e de jantarmos ficámos acordados durante pouco tempo porque tínhamos tido um dia esgotante. Acordei pouco depois de me ter deitado com um assobio na parte de fora da tenda. Abri o fecho e vi Jason do lado de fora.

- Acordei-te? – Perguntou.

- Não. – Menti.

- Queres vir ver uma coisa?

- O quê?

- Não tem graça se te disser.

Estava esgotada e mal me conseguia aguentar em pé, mas era completamente irresistível não ir com ele.

Fomos até uma lagoa muito perto do local das tendas e vi que havia várias canoas. Ele dirigiu-se a uma e pô-la na água.

- Nem penses. – Disse eu.

- Vá lá. Eu prometo que não te deixo afogares-te. – Gozou. Ele sabia perfeitamente que eu nadava como um peixe, tirando as barbatanas e as guelras.

- Eu não acredito nisto. – Murmurei, de uma maneira boa.

Entrámos para a canoa e começámos a remar até mais ou menos ao meio da lagoa onde parámos.

- Então, nada mau hã? – Perguntou-me.

- É lindo. – Respondi, referindo-me à vista. – E tão calmo…

- Eu sei. Sabia que ias gostar. Por isso é que te chamei.

- Fizeste bem.

- Eu sei. – Fez uma cara muito convencida que mudou rapidamente e agora estava com um ar muito travesso.

Começou a abanar a canoa devagar.

- Jason pára, ainda caímos à água! – Dizia eu, sem que ele me fizesse caso.

- Não te preocupes, tenho tudo… - Caímos à água. – Controlado… - Murmurou, quando voltámos à superfície.

Mandei-lhe água.

- Eu avisei-te! – Disse-lhe, mandando-lhe mais água.

- Ai queres luta… - Disse ele, dando braçadas para ao pé de mim.

Agarrou em mim e fez força para que ficássemos submersos.

Pouco depois viemos a puxar a canoa até à margem e saímos de lá de dentro. Inclinei-me enquanto estava a escorrer o cabelo e depois a roupa. Espirrei.

- Uuh. – Murmurei, arrepiando-me. – Vais-te arrepender tanto…

- Desculpa. – Disse ele. – Não queria que te constipasses.

- Amanhã já não tenho nada, mas não penses que me esqueço.

Finalmente amanheceu, já é o último dia em que vamos cá estar. Amanhã praticamente não conta, é arrumar as coisas de manhã, almoçar e ir embora. Cinco dias e quatro noites, e já foi muito bom.

Fomos investigar o sítio e jogámos ténis e golfe no campo que eles lá tinham. Quando chegou a noite vestimos roupas de festa e fomos para o bar/discoteca que lá estava.

Eu vesti uns calções roxos, justos, com uma blusa preta e os All-Star pretos. Prendi o cabelo.

A discoteca estava a bombar mas de um momento para o outro parei de ver Jason. Saí de lá à sua procura e acabei por o encontrar no estacionamento, com o rádio ligado. A vista era maravilhosa, era um lago enorme que brilhava com a luz das estrelas. Ele estava sentado a observar uma coisa na sua mão. Parecia pensativo.

- Que colar tão giro. – Observei, sentando-me ao seu lado.

Nas suas mãos estava um colar lindo, com fio preto e um pendente em forma de coração de prata, com três pedrinhas pequenas num lado na diagonal.

- E barato… - A voz dele estava um bocado pessimista.

- Jason, o preço é só um número… valor é uma coisa completamente diferente. É para a rapariga especial de quem tanto tenho ouvido falar? – Senti uma dor enorme ao fazer esta pergunta, porque no final, já sabia a resposta.

- É.

Engoli em seco mas recompus-me.

- Vais finalmente dizer-me o nome dela?

Ele olhou-me intensamente e passados poucos segundos sorriu.

- Vou.

- Então… - Incentivei.

- Fecha os olhos.

- Porquê?

- Para que possas saber quem a rapariga é. Vá lá.

Obedeci e ouvi-o a levantar-se. Segundos depois senti uma coisa muito leve a pousar pouco abaixo do meu pescoço, e antes que pudesse abrir os olhos, ele pediu-me para não o fazer até mo dizer. Obedeci e depois ouvi-o de novo a movimentar-se.

- Abre. – Pediu.

Obedeci e levei a mão ao peito, onde tinha, agora, um lindo colar com um coração em prata com um valor incalculável.

- Eu… não sei o que dizer… - Depois de tanto tempo a ouvir maravilhas sobre a rapariga de quem Jason dizia gostar, agora ao descobrir que era eu, parecia que nada do que pudesse dizer ia sair bem.

- Eu estou apaixonado por ti, Melanie McKensie, por ti. – Senti-me a corar, mas mantive-me calada, porque percebi que ele ia continuar. – Desde o primeiro segundo em que te vi.

Começou a aproximar-se lentamente de mim e depois de me perder durante segundos nos seus olhos, senti-o a beijar-me. Começámos a dirigir-nos lentamente e sem nos largarmos para o seu carro e entrámos para o banco de trás. Continuámos a beijar-nos mas foi breve, ele desviou a cara segundos depois. Parecia, agora, um bocado desconfortável.

- Tu sabes que eu não quero só estar contigo por estar, certo? Sabes que quero mais…

- Eu sei. – Pronunciei por fim, sorrindo em seguida. – É por isso que gosto de ti como gosto.

 

Ano de 2010 (Presente)

 

Estou a perder as forças, estar aqui fechada, sinto-me claustrofóbica, sinto-me impossibilitada e indefesa. Não sei há quanto tempo aqui estou, e não sei quanto tempo mais me vou aguentar.

Estou prestes a apagar de vez. Eles não me vão conseguir encontrar, não a tempo de me salvarem.

O oxigénio está mesmo a acabar e o calor é horrível. Continuo a bater no vidro, porém não faço força, não tenho força para fazer.

Ouvi passos e vozes familiares.

- Jason… - Murmurei, quase sem voz. – Bryan…

- Mel! Onde estás? – Perguntavam eles, enquanto me procuravam.

- Estou aqui. – Respondia, com uma voz muito debilitada. – Aqui!

- Não desistas ainda. – Ouvi. Era uma voz muito suave, muito amigável e muito tranquila.

- Não consigo respirar… - Murmurei lentamente.

- Eles estão perto. É agora, faz barulho. – Obedeci e comecei a bater muito fragilmente no tampo de vidro. Nem eu conseguia ouvir o barulho que fazia. – Com mais força.

- Jason. – Chamei. Eles não me iam ouvir assim, quase que nem eu me ouvia. – Jason, Bryan! – Agora estava mais alto, mas não alto o suficiente.

Reuni todo o oxigénio que ainda tinha nos pulmões.

- Estou aqui! Enterrada! Jason, Bryan! – Gritei.

A minha respiração começou a ficar irregular de novo e os meus olhos a pesarem demasiado. Não sei que voz era aquela que ouvia, há pessoas que dizem que em situações de pânico o nosso subconsciente, o nosso espírito fala para nós, para nos ajudar.

Não vi muito bem as coisas, apenas que Bryan e Jason tiraram a areia e abriram o tampo. Quando dei por mim já estava nos braços de Jason, que me apertava contra o seu peito.

- Não consigo respirar. – Murmurei, com esforço.

- Desculpa. – Pediu Jason, parando de me apertar.

Levei a mão ao pescoço e tentei regularizar a respiração.

- Nunca duvidei de vocês. – Disse, quando a minha respiração começou a normalizar. Eles ficaram os dois a olhar para mim com ar de dúvida. – Bem, talvez só um bocadinho. Têm que admitir que podiam ter chegado mais cedo…

- Estivemos ocupados a matar o demónio que te enterrou. – Respondeu Bryan, num tom de graça. – Mas pregaste-nos um susto de morte Mel. Andas-te a habituar demais a isso.

Jason ajudou-me a levar, e eu, muito desengonçada, dei um abraço a Bryan.

- Eu sei. – Sussurrei. – Espero que pare…

Vi um corvo enquanto estava abraçada a Bryan e ele começou a voar na direcção contrária a mim.

 

Ps: Este foi o post nº100 *_*

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