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Déjà Vu Sobrenatural

por Andrusca ღ, em 26.11.10

Finalmente, a primeira (verdadeira) aparição de Lúcifer xD

Espero que gostem :D

 

Capítulo 37

Noiva

 

Uma semana antes

 

Jason e eu decidimos ir jantar fora, precisávamos de um tempo a sós, por isso Jason marcou uma mesa num restaurante super fino e arranjámo-nos todos. Quando entrei para o carro lembrei-me que faltava a minha mala e voltei a entrar na casa de Phil para a ir buscar.

Ouvi uns pequenos ruídos na sala e aproximei-me, até porque era lá que tinha deixado a mala.

- Oh meu deus. – Murmurei.

Bryan e Vicky, meio atrapalhados, levantaram-se do sofá e dirigiram-se a mim.

- Nós podemos explicar. – Disse Vicky.

- Não têm que explicar nada. – Afirmei.

- Não, sim temos. – Disse Bryan. – Nós namoramos.

- Ok… bem, podiam ter dito mais cedo mas, parabéns. – Proclamei.

- Obrigado, é que… tu não podes… contar ao Jason. – Disse Bryan.

- O quê? – A coisa tinha acabado de perder a graça.

- Sabes que ele é contra estas coisas todas de criaturas místicas e isso, e não ia receber bem a notícia e…

- Bryan, ele não é estúpido, vai acabar por descobrir.

- Nós sabemos. – Interferiu Vicky. – E vamos-lhe contar, não sabemos é como.

- Perfeito, namoro com ele há cinco meses e já lhe ando a mentir… - Murmurei. – Ele vai ficar fulo quando descobrir…

- Não te preocupes, nós dizemos que não tiveste culpa de nada e…

- Não interessa. – Agarrei na minha mala. – Digam-lhe depressa. Eu não vi nada, vim só buscar a minha mala.

Dirigi-me à porta.

- Divirtam-se. – Gritei.

A Vicky e o Bryan, nunca esperei, até porque os anjos não têm autorização de namorar nem nada disso, mas pronto, se eles estão felizes, eu fico feliz por eles.

 

Ano de 2010 (Presente)

 

- Tens a certeza que é aqui? – Perguntou Jason, tão pasmado quanto eu ou Bryan.

- Pelo menos é a morada que arranjei… - Justificou-se Bryan.

- Não a arranjaste num catálogo qualquer pois não? – Gozei.

- Não tem graça. O que é que fazemos agora? Como é que entramos?

- Não entramos. Só convidados ou com bilhetes, que já estão esgotados… - Disse eu, ao apontar para uma das grandiosas janelas onde tinha um papel afixado a dizer que os bilhetes estavam esgotados.

- É uma pena… - Lamuriou-se Jason. – Ia adorar ver aquelas modelos todas.

Dei-lhe com a mão devagarinho no peito.

- Essa teve tanta graça… - Murmurei.

Avancei até a porta, deixando-os confusos a olhar para mim, e comecei a espreitar. Era uma sala enorme e estava muito bem enfeitada. Tinha um palco comprido em forma de “T” e muitos focos de luz vindos do tecto sobre ele. Havia mesas e cadeiras também muito chiques, com castiçais em tons de prateados.

Chegou-se um segurança ao pé de mim.

- Posso ajudá-la? – Perguntou.

- Sim é que… isto é tão embaraçoso… - Revirei os olhos. – Eu perdi o bilhete.

- Claro que perdeu. – Pôs-me as mãos nos ombros e fez com que desse meia volta. – Não há nada para ver aqui.

Voltei para junto de Jason e Bryan e pouco depois vimos uma limusina branca chegar. Saíram de lá várias modelos que se dirigiram para dentro do espaço, e uma mulher de cabelos encaracolados, castanhos-claros, pelos ombros. Vinha muito bem vestida, com um vestido branco e uns sapatos de salto alto. Assim que tirou os óculos de sol da cara reconheci-a. Kimberly Adams, uma ex-colega minha do New York Times.

- Kim. – Disse eu, aproximando-me dela.

- Melanie, oh meu Deus. Estás aqui! – Ela parecia felicíssima.

- Também tu. O que é que estás aqui a fazer?

- Um desfile.

- Espera… isto é tudo teu?

- Bem… os vestidos são meus.

- Então conseguiste. Tornaste-te numa estilista!

- Bem… tudo depende de como isto correr… mas espero que sim. – Estava eufórica. – Mas e tu, o que é que estás aqui a fazer?

- Bem eu… eu e os meus amigos gostávamos de assistir ao espectáculo mas não arranjámos bilhetes…

- Não faz mal, óptimo, quantos mais melhores.

Entrámos que depois separámo-nos. Kim foi para os camarins enquanto eu, Bryan e Jason ficámos à procura de pistas.

Dei uma volta e passados poucos minutos vi Kim sentada a um canto e pouco depois anunciaram ao microfone que tinha havido um imprevisto e que o espectáculo ia começar um pouco mais tarde. Aproximei-me dela.

- O que é que aconteceu? – Por favor que não tenha sido o demónio, por favor.

- Uma modelo desistiu. – Ela parecia aflita.

- Oh graças a Deus. – Notava-se claramente alívio na minha voz.

- O quê?!

- O quê? Não! Não é isso, eu é que pensava que tinha sido uma coisa mais grave ou assim. Mas não há problema, podes arranjar outra modelo certo?

- Os vestidos foram desenhados à medida… seria um milagre encontrar alguém a quem caísse bem.

- Vá lá, não deve ser assim tão complicado.

- Mel, cada vestido de noiva se identifica com a pessoa que o veste e este… já sei! – Levantou-se num pulo.

- Perfeito! – Disse eu cheia de entusiasmo.

- Vestes tu!

- Não é perfeito. – Exclamei lentamente, perdendo o entusiasmo.

- Oh, vá lá, por mim. – Ela estava quase a implorar. – A modelo desistiu à última hora e eu preciso de alguém que use o vestido. Vá lá Mel, tu tens a estrutura perfeita… experimenta o vestido e vemos como te fica, depois dizes a resposta. Please.

- A sério, isso não é para mim Kim. Desculpa.

- Por favor… - Ela notou que hesitei numa possível resposta. – Eu não te quero obrigar a nada, e respondas o que responderes, já estás cá dentro, não te preocupes que ninguém te vai expulsar é só que… esta é a minha oportunidade. A minha grande oportunidade de brilhar…

- Eu sei. Mas de certeza que encontras melhor que eu. Eu não tenho experiência nenhuma neste tipo de coisa…

- Tu és perfeita. Mel, tu nasceste em L.A., viveste numa das melhores zonas de Beverly Hills, a tua mãe é uma vítima da moda e desfilaste várias vezes no liceu.

- Na verdade foi só uma… e era para a caridade. E o que é que isto tem a ver com a minha mãe?

- Nada.

- Então porque é que falaste nela?

- Porque ela ia amar ver-te a desfilar. Por favor…

Suspirei.

- Suponho que não me faça mal... só… deixa-me dizer ao Jason e ao Bryan…

- Óptimo. Toma isto. – Deu-me um cartãozinho. – É para entrares nos bastidores e nos camarins. Não te demores.

Procurei por Jason e Bryan e encontrei-os encostados à parede.

- Tu não estás com muito boa cara… - Observou Bryan.

- Eu vou desfilar… - Murmurei, entre dentes.

- O quê? – Perguntou Jason. – Eu pensava que vínhamos à caça Mel.

- E viemos. Mas ela é minha amiga, e se não houverem modelos, não há desfile, se não houver desfile não há ataque, se não há ataque…

- Nós percebemos. – Disse Bryan. – Mas não acredito que alinhaste em desfilar com aquelas roupinhas curtas e provocadoras…

- Esperem lá, pausa. – Jason não parecia estar a gostar muito. – Estás-me a dizer que vais desfilar naquele palco com estes homens todos a olhar para ti.

- Estás com ciúmes? – Perguntei, aproximando-me. – Porque não precisas. Só estou interessada num dos espectadores.

- Mesmo assim, as roupas nestes desfiles são sempre tão… as modelos andam mais nuas que vestidas Melanie…

- Pois, acerca disso… vão ter uma grande surpresa… mas agora tenho que ir. Assim vejo se há alguma coisa suspeita nos bastidores.

Fui para o camarim e as outras modelos já estavam vestidas, maquilhadas e penteadas. Kim apareceu e fez-me sinal para que fosse ter com ela.

- Aí não. Vamos para a minha salinha.

Fomos para um compartimento em que estavam caixas, cabides e depois um enorme espelho, duas mesas pequenas e um candeeiro lindíssimo.

Kim dirigiu-se a um cabide e tirou de lá um vestido lindíssimo.

- Veste-o. – Pediu-me. – Chama-me quando acabares… - E saiu porta fora.

Olhei para o vestido, era de tirar o fôlego. Vesti-o muito cuidadosamente e depois chamei Kim, que me encaminhou para o espelho.

- Uau! – Exclamei, suavemente.

Tinha um lindo vestido branco e comprido. A parte de cima era justa, cai-cai, mas em vez de ser direito não, era redondo, contornava o peito com um decote em forma de coração. Apenas a parte do peito era branca opaca, a outra parte da barriga era com um branco mais transparente. Tinha duas flores com seis pétalas cada uma, com tecido também branco opaco, por baixo do peito e depois saiam várias ramificações para cima e para baixo, que cobriam a barriga e o tecido branco opaco do peito e que saíam um pouco do tecido para a pele, talvez um centímetro. Da cintura para baixo era rodado e tinha folhos muito juntos uns aos outros até mais ou menos ao joelho. No fim desses folhos começam outros, mais afastados uns dos outros, onde tem um conjunto de três flores chegadas para o lado esquerdo, feitas do mesmo tecido das outras duas por baixo do peito.

Tinha calçadas umas sandálias de tiras e salto alto, prateadas.

- Fica-te perfeito. – Disse Kim. – Como se tivesse sido desenhado para ti.

- Kim é… é lindo.

- Faz-te pensar não faz? Casar, construir família… - Ela notou um certo desconforto da minha parte. – O que foi? Não pensas nisso?

- Não muito.

- O Jason parece um tipo porreiro.

- E é.

- Mas não está comprometido o suficiente. – Revirou os olhos.

- Não ele… ele está. Eu é que… essa ideia do casamento assusta-me um bocado…

- Porquê?

- Bem… não sei bem, é que quando namoramos parece que as coisas são mais calmas, mais tranquilas, sem pressão… mas com o casamento as coisas ficam mais sérias e… de repente temos que nos provar coisas e…

- Querida, um casamento não faz uma relação. É apenas um pedaço de papel.

- Acho que tens razão… é uma estupidez minha.

- Mas sobre o vestido: tu ficas uma brasa. Mas agora vamos ter que fazer qualquer coisa a esse cabelo… - Abanou a cabeça e depois sorriu. – Tenho uma ideia.

Sentei-me numa cadeira e depois agarrou-me no cabelo e puxou-o todo para um lado, deixando apenas umas farripas no outro. Prendeu-o por baixo com uma mola com pedrinhas preciosas e depois deixou-o cair por cima da mola.

Depois pôs-me sombra nos olhos, risco e rímel, e por fim batom. Quando terminou e me olhei ao espelho, parecia uma princesa.

- Uau… eu não sei o que dizer… - Disse eu, emocionada. – Estou… uau…

- Não tens que dizer nada. E agora, um último toque. – Agarrou num colar com uma fita branca e uma flor igual às que estão no vestido e prendeu-o ao meu pescoço. Depois virou-o para que a flor ficasse de lado. – É isto. Estás pronta.

- Quando é que vou para o palco?

- Daqui a pouco, vais ser quase das últimas, mas isto já começou há um bocado. Devem-te estar quase a chamar.

Notei que ela estava um bocado inquieta.

- Ei, vai correr tudo bem. Tu vais ser famosa. – Ri-me.

- Pois vou… - Soltou uma gargalhada. – Estou tão perto de concretizar o meu sonho…

Passado pouco tempo vieram-nos chamar e depois eu preparei-me para entrar e desfilar no palco. Quando a modelo que lá estava em cima saiu pela esquerda, eu entrei pela direita. Comecei a andar lentamente até ao fim de onde pude observar Bryan e Jason de bocas abertas. Pus a mão na cintura e andei até uma extremidade, e depois à outra e voltei a parar no meio. Dei uma volta e depois voltei para trás, e saí pelo lado esquerdo, tal como tinha observado a outra modelo fazer.

Ao sair ouvi um barulho de uma coisa a cair dentro de uma sala e fui ver o que era. Abri a porta e entrei lentamente, até que ela se fechou atrás de mim.

- Quem está aí? – Perguntei.

- Adivinha. – A voz era rouca e um com um grande tom de maldade em cima.

- Astaroth… - Murmurei.

- Adivinhaste mesmo. – Apareceu à minha frente com uma cara surpresa.

Tinha apenas uma tanga e exprimia uns músculos extremamente bem desenvolvidos. Tinha o cabelo até aos ombros, castanho-escuro e ondulado. Tinha uma cara bastante angelical. Era o tipo de homem que mete uma mulher inconsciente só de olhar para ele.

- Duque do Inferno… ou devo dizer, um dos duques?

- Podem haver mais, mas eu sou o mais bonito.

Esticou o braço para me acertar mas eu desviei-me, dei meia volta e preparei-me para sair dali. Assim vestida não ia conseguir lutar nada de jeito. Ele pisou o meu vestido o eu voltei a virar-me para ele.

- Tem cuidado com o vestido! – Disse eu, num tom quase ofendido.

- Eu tenho uma mensagem para ti, do meu imperador, o mais forte dos mais fortes, o…

- Pois, já percebi. Qual é a mensagem?

- A morte virá. – Fez uma cara assustadora ao pronunciar.

- Ah sim, isso é muito original… - Sorri e explodi-o em seguida, o que não fazia a mínima ideia se ia ou não resultar.

Saí de lá e fui imediatamente puxada para o palco, desfilámos todas juntas e depois fomos para os camarins mudarmos de roupa. Despi o lindo vestido de sonho e vesti as minhas calças de ganga, a minha blusa bordô e o meu casaco preto, curtinho. Calcei os meus ténis e troquei o lindo colar com a flor pelo meu colar habitual, com o coração. Soltei o cabelo.

Quando ia a sair fui interceptada por Kim.

- Espera. Eu quero que fiques com ele. – Disse-me. Sabia perfeitamente a que se referia.

- O quê? Não Kim, não posso aceitar.

- Podes sim. – Agarrou no vestido e trouxe-o até mim. – Ele fica-te a matar, e quem sabe, talvez venhas a precisar dele. – Passou-mo para as mãos.

- Eu não sei o que dizer.

- Não tens que dizer nada. Deste-me o meu espectáculo, foi tudo o que eu queria.

Depois de me despedir dela fui ter com Bryan e Jason, encaminhámo-nos para o carro e fomos para a casa de Phil.

Jason convidou-me para jantar fora e tudo correu às mil maravilhas até que quando chegámos a casa apanhámos Vicky e Bryan aos beijos no sofá. “Isto não é bom”, pensei.

Jason não quis ouvir explicações e subiu para o quarto. Eu aproximei-me deles.

- Eu avisei-vos. – Disse eu. – Ele vai-se passar quando souber que lhe menti.

- Desculpa. – Disse Vicky. – Devíamos ter sido mais cuidadosos.

- Mas eu digo-lhe que a culpa não foi tua. – Prontificou-se Bryan.

- Deixa, eu vou lá acima amansar a “fera”… - Comecei a subir as escadas.

Atravessei o corredor e bati à porta, abri-a e observei Jason. Estava sentado na cama, virado para a janela, inclinado e com os braços apoiados nas pernas.

- Posso entrar? – Perguntei, ainda à porta. Ouvi uma respiração profunda.

- Podes. – Virou-se para mim. – Eu sei o que vieste aqui fazer, e não vais conseguir.

- O que é que vim cá fazer? – Pus-me de joelhos em cima da cama e enrolei os meus braços no seu pescoço.

- Vieste tentar acalmar-me e mudar a minha opinião.

- Boa. Isso é exactamente o que vim cá fazer. – Brinquei. – Jason… ele é teu irmão.

- Eu sei.

- E ele está feliz…

- Como é que ele pode estar feliz? Ele está com a Vicky!

- Isso não significa nada. Ele é feliz com ela. Não é como se ele tivesse escolhido.

- A sério Mel? Ela não é humana, e tu sabes como me sinto em relação a isso.

- Pois mas… não é uma decisão tua. Eles estão bem juntos. Gostam um do outro…

- Ele namora com um anjo!

Rastejei pela cama e sentei-me ao lado dele. Observei-o durante uns segundos até que finalmente olhou para mim.

- E tu namoras com uma bruxa. – Ripostei.

- Vá lá, tu não tens absolutamente nada a ver com ela.

- Mas tenho. Tu não gostas da situação porque ela não é humana. Eu também não sou, não completamente, e ainda assim tu estás comigo, e o Bryan nunca se opôs a isso…

- Mesmo assim. – Ele parecia irredutível.

- Porque é que achas que eles não disseram nada? Não foi por mim, ou pelo Phil, e definitivamente não foi pelo Gabriel. Foi por ti.

Voltou a olhar para mim.

- Jason, o Bryan não ia querer ter que escolher entre a namorada e o irmão…

- Por isso mentiu. Foi uma ideia de génio. – Voltou a baixar a cabeça. – E tu ajudaste-o nisso, sim, porque de certeza que já sabias disto.

- Eu sei. Desculpa. – Pus as mãos na sua cara e virei-a para a minha. – Eu imploro-te, não como uma bruxa, não como tua namorada, mas como amiga do Bryan, por favor, não o faças escolher. – Ele ficou imóvel a olhar para mim. – Dá-lhes uma oportunidade, quem sabe, até te podem surpreender.

- Como é que consegues?

- O quê?

- Fazer com que as pessoas não consigam ficar chateadas por muito tempo.

- É um dom especial. – Ri-me.

- Eu pensava que esses eram conseguires explodir coisas e imobilizá-las… e movê-las…

- Mas este é mais especial. – Continuei, com um tom de gozo. – Este permite-me lidar contigo. – Beijei-o.

Adormecemos e de manhã quando acordei, Jason não estava lá. Desci e também não o vi em lado nenhum. Encontrei Bryan na cozinha.

- O Jason? – Perguntei.

- Pensava que estava contigo. – Respondeu.

- O que é aquilo?

Tínhamos um bilhete colado na janela.

«Casa velha perto da doca. Vem, ou ele morre.»

Fomos para a doca e só vimos uma casa velha lá ao pé. Era de madeira e tinha o aspecto de estar abandonada. Tentei abrir a porta, e depois Bryan, mas nada. Tentei explodi-la, movê-la, mas nada resultou.

- Talvez devêssemos pensar sobre quem é o demónio. – Disse Bryan, enquanto eu tentava sucessivamente explodir a porta.

- Eu sei exactamente quem o demónio é. – Respondi, enquanto continuava a explodir a porta.

Sei que se entrar ali dentro vou estar a enfrentar um dos meus piores pesadelos, ou talvez o pior mesmo, e posso não sair daqui viva, mas é o Jason, por isso tenho que tentar, tenho que conseguir.

Depois de quase dez minutos a explodir a porta, esta abriu-se. Entrei de rompante, com Bryan atrás e percorri a casa até encontrar Jason. Estava encostado a uma bancada, a olhar para a frente. Aproximei-me, pus-lhe a mão no ombro e olhei para o mesmo sítio que ele. Bryan fez o mesmo.

À nossa frente estava um homem, com a barba por fazer e cabelo curto, muito escuro. Podia ser uma pessoa completamente normal, mas os seus olhos denunciavam-no. Transmitiam ódio, raiva, desejo de matar, de derramar sangue, desejo… de malvadez.

Engoli em seco.

- Olá. – Pronunciou. Até a sua voz transmitia as mesmas sensações que os olhos. – Estou feliz por nos conhecermos finalmente. – Eu estava sem voz. – Infelizmente este não é o meu verdadeiro corpo, mas não te preocupes, eu vou encontrá-lo até à nossa batalha.

Era óbvio que falava directamente para mim, ignorando por completo Bryan e Jason.

- Tenho que dizer, pareces mais… temível, nas histórias. – Dizia ele. – Na vida real pareces… como a Barbie Malibu, excepto que não és loira… e não estás de fato de banho. – Ele parecia estar a divertir-se imenso.

Vá lá Melanie McKensie, diz qualquer coisa, não geles agora, não deixes que ele tome vantagem, que tome controlo.

- Não sabia que conhecias Barbies… - Disse eu, num tom de gozo. – Então… se este não é o teu corpo verdadeiro… significa que por agora és apenas fumo, como o que me possuiu quando me tentaram converter para a má bruxaria. – Ele ficou calado. – O que significa que até a Barbie Malibu é mais assustadora.

- Sim, agora consigo ver de onde tiraram as histórias sobre ti. – Deu um passo em frente. – Até és engraçadinha.

Fiz um gesto que normalmente o faria dar um voo enorme, mas só o desviou talvez dois metros. Deu uma gargalhada e começou a abanar o dedo.

- Não te esforces tão cedo. Ou melhor, não te esforces de todo, porque não vais conseguir ganhar esta luta.

- Pois… posso sempre tentar.

- Crianças vão sempre ser crianças. Depois não digas que não te avisei. – Estalou os dedos e desapareceu.

Levámos Jason para casa e passei o resto do dia a tentar reunir informações sobre o diabo, mas nada. Jason falou com Bryan e Vicky e concordou que eles namorassem, chegando ainda a dizer que o importante era que estivessem felizes.

Chegou a noite e como não conseguia dormir fui para a cozinha e preparei um copo com chocolate quente e marshmellows. Sentei-me numa cadeira e agarrei no copo com uma mão e comecei a soprar para arrefecer o chocolate quente.

Jason chegou e sentou-se ao meu lado.

- Vem aí uma grande luta. – Disse-me.

- Eu sei. – Respondi, sem grande esperança na voz.

- Estás com medo? – Perguntou-me, pousando a sua mão em cima da minha.

- Não, tu? – Olhei para os seus olhos.

- Aterrorizado…

- Também eu. – Admiti, pousando a caneca de leite em cima da mesa.

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