Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Déjà Vu Sobrenatural

por Andrusca ღ, em 29.11.10

E aqui está o último capítulo da fanfic do Sobrenatural...

Espero não desiludir, deixem os vossos comentários ^^

 

Image and video hosting by TinyPic

 

Capítulo 40

Mundo Antigo

 

Agarrei no meu casaco, pus o punhal ao lado da Desert Eagle, no cinto, e agarrei numa espingarda. Akhu teletransportou-me e num piscar de olhos estava na Turquia.

- Chegámos. – Disse-me ele. – Sabes o sítio exacto onde a luta vai acontecer?

- Acho que sim, no templo de Artemis. – Respondi.

- Porquê aí?

- Não sei. Mas sei que é uma das sete maravilhas do mundo antigo, e que já deve estar em ruínas… além disso foi para onde o colar apontou.

- Bem, boa sorte. – E preparou-se para estalar os dedos.

- Espera. Não vens?

- Fiz a minha parte, trouxe-te. Agora tu tens que fazer a tua. Au revoir. – E desapareceu.

Andei pela rua durante pouco tempo à deriva, mas mais pareciam séculos. Não conseguia encontrar ninguém que falasse inglês, e eu não fazia a mínima ideia de como me conectar com turcos.

Perguntei a várias pessoas se falavam inglês, mas elas ou fugiam por causa da espingarda, ou simplesmente não percebiam a minha pergunta.

Depois de andar por ali às voltas, deixei-me cair num banco, derrotada. Apesar de ter conseguido sair do quarto sentia-me como se ainda estivesse presa.

- Está perdida? – Perguntou uma mulher que se aproximou. Finalmente alguém que fala inglês! Aleluia.

- Sim, na verdade sim. Sabe-me dizer onde fica o Templo de Artemis?

- Já não existe esse templo, foi-se destruindo ao longo dos anos. Sobrou apenas um pilar da sua construção original, no meio das ruínas.

- Eu sei, eu sei, mas olhe, é muito importante eu chegar lá. Por onde é que vou?

- Está bastante perto, na verdade. Estamos na 1063. Sk, tudo o que tem que fazer é seguir em frente, atravessar a rua Antonb Kallinger Cd para a Artemis Tapinagr. Basicamente segue em frente, passa a rua, vira à esquerda, anda até ao fim dessa rua até ver umas ruínas e é aí.

- Obrigadíssimo. Não tem ideia do quanto acabou de contribuir para o planeta. – E desatei a correr.

Devo ter andado durante quase hora e meia hora nas ruas e não consegui encontrar nada que se parecesse com umas ruínas.

- Yô, M&M. – Ouvi, mas não fiz caso, continuei a andar.

Senti uma mão a puxar-me e virei-me para um indivíduo que ainda me agarrava no braço.

- Não me ouviste chamar? – Perguntou, indignado. – Yô, Melanie McKensie.

- Yô… tipo esquisito. – Disse eu, desconfiada. – O que é que queres?

- Quero-te guiar, sou um anjo da guarda, que mais?

- Tu és um anjo da guarda?

O seu fato branco, em cima da sua pele negra, com a gravata vermelha e os ténis também brancos, davam-lhe um ar um bocado estranho, e isso a somar com os óculos de sol vistosos e chamativos, ninguém diria que é um anjo, e que como a maioria deles, queria passar despercebido.

- Eu sei, eu sei, tenho estilo demais para estar preso a este emprego, mas infelizmente é o que tenho. E agora tenho que te ajudar.

- Mas eu sei para onde vou. – Fez um estalido com a boca e começou a abanar a cabeça. – Não sei?

- Lamento.

- Era um demónio… - Concluí. – Ei… isso é um piercing? – Perguntei, notando no enorme piercing na orelha dele.

- Shh, não digas a ninguém. Não é permitido.

- Pois, boa sorte a esconderes isso.

- Agora tens que bazar. Ouve miúda, se lá fores, morres. Tu não consegues matar o Lúcifer agora.

- O plano não é matar o Lúcifer. É trazer os meus amigos de volta.

Revirou os olhos e mandou os braços ao ar como se estivesse diante um caso perdido.

- Ouve, se lá fores, ou morres tu, ou ele.

- Bem então… reza para que seja ele. Tu és um anjo, és bom nisso. – Virei-me e recomecei a andar.

- Eu quero que derrotes o Lúcifer. Quero. Por isso deixa-me ajudar. Ele vai-te encher de porrada, mas não gosto dele nem uma beca.

Voltei a virar-me para ele.

- Vais-me dar o feitiço que a minha antepassada usou?

- Não está na minha posse. Mas posso-te indicar o caminho certo. A não ser que queiras continuar perdida na Turquia.

- Mostra-me o caminho.

- Fecha os olhos.

Obedeci e quando os abri estava numa espécie de descampado, havia muito pouca vegetação, a maior parte das ervas estavam secas. Conseguia ver vestígios das muitas colunas que em tempos tiveram vinte metros de altura cada uma, mas apenas uma se encontrava intacta, apesar do incêndio que destruiu a construção original e dos terramotos e roubos. Este foi em tempos o maior templo do mundo antigo, e nutre imensa história. Além da única coluna que lá estava, do pequeno lago que se lá formara ao pé, e das poucas ervas vivas que conseguia ver, vi ainda, ao longe, o que parecia ser um castelo.

Vi também Jason, Bryan, Vicky, Gabriel e Phil presos dentro de uma jaula. A jaula era grande, eles estavam lá dentro à vontade, mas devia ter qualquer coisa mágica, para que Vicky e Gabriel não fugissem.

Mais à frente estava um homem virado de costas para mim, com as mãos cruzadas e as pernas um pouco afastadas, como quem esperava pacientemente por alguma coisa.

Agarrei na espingarda, fiz pontaria e quando estava prestes a disparar fiz um pequeno som ao pisar uma erva seca.

- Solta isso. – Ouvi. A voz de Lúcifer era inconfundível. – As crianças não deviam brincar com armas.

Não o ia deixar vencer, mas também não ia arriscar que matasse os meus amigos assim e agora. Pousei a arma no chão e ele virou-se para mim.

- Melanie McKensie. – Disse, soltando um pequeno mas rasgado sorriso endiabrado. – Já estava a pensar que não vinhas.

- O quê? E perder esta festa? – Perguntei, retoricamente enquanto me aproximava dele.

- Não trazes reforços?

- Tu trazes?

- Querida, eu sou o Diabo, tenho todos os reforços que quiser.

- Não me chames “querida”. E eu não preciso de reforços.

- Pois, porque és tão forte e invencível.

- Não. Porque não quero que morram comigo. – Custa dizer, mas é a realidade, e a verdade é que a probabilidade de sair dali viva era de um em dez milhões.

Fiz um gesto com a mão e Lúcifer fez um pequeno voo. Aproveitei e corri até à jaula.

- Mel vai-te embora. – Pediu Jason. – Por favor.

- Não vos vou deixar. – Afirmei. – Vou-vos tirar daqui.

Ouvi uma gargalhada sonora e quando me virei Lúcifer já estava praticamente atrás de nós.

- Com esses truquezitos não vais conseguir nada fofa. – Disse-me. – Deixa-me mostrar-te como se faz.

Ergueu a mão e quando dei por mim já estava estendida a talvez trinta metros deles, mas dorida como se tivesse sido mandada de um avião. Levantei-me e olhei para mim, já tinha começado, os joelhos, os cotovelos… já estava toda esfolada e a deitar sangue.

Dirigi-me até ele e explodi-o, porém mal o afectei e ele reconstruiu-se de novo. Riu-se de novo. Por muito que me custasse, ele era demasiado poderoso, e eu estava a fazer o máximo que podia.

Ele fez um pequeno movimento com um dedo e eu fiquei elevada no ar, depois “voei” na sua direcção e fiquei parada a flutuar à sua frente. Ele abanou a cabeça.

- Devias ter ouvido os teus amigos. Ainda não estás pronta. Assim nem dá gozo acabar contigo.

- Vá lá, estás a mentir. Tu sabes, eu sei, tu vais amar acabar comigo. É pena que não te dê a oportunidade… - E explodi-o de novo, caindo no chão.

Levantei-me rapidamente e ele já estava de novo reconstruído, porém, atrás de mim. Puxou-me o cabelo e fez-me cair com uma força tremenda, fazendo com que deslizasse talvez cinco metros.

Levei a mão à minha Desert Eagle e dei-lhe um tiro, mas não o afectou em qualquer parte. Ele dirigiu-se para mim e tirou-me a pistola das mãos, mandando-a para longe. Depois deu-me um murro e fez-me cair de novo.

Estava completamente derrotada. Deitava sangue por tudo quanto era lado e por incrível que parecesse, apesar de estar a lutar com ele há apenas quase quinze minutos, parecia um dia inteiro. A escolha mais razoável seria desistir, implorar para que ele não me torturasse e me matasse logo, mas não o ia fazer, não ia desistir de tudo, não ia desistir de viver. Ele aproximou-se de novo de mim e deu-me outro murro enquanto ainda estava no chão, mas eu desviei-me e quando a mão dele bateu no chão puxei-o, fazendo com que caísse, espetei-lhe com o punhal no braço e levantei-me. Dei-lhe um pontapé mas ao segundo ele desviou-se, desapareceu e apareceu por trás de mim, virei-me e vi-o a remover o punhal cravado no seu braço, e mandou-o também para longe. Estava oficialmente sem armas, visto que nem as minhas letais mãos o matavam.

- Está na hora de te mostrar como são as coisas na realidade. – Disse-me.

Elevou as mãos ao céu e o chão começou a tremer. Abriu-se uma enorme fenda a vinte metros de mim, que se foi alargando. Perdi o equilíbrio e voltei a cair, devido ao tremor de terra.

Olhei para Lúcifer, permanecia quieto, com as mãos elevadas ao céu, e pelo que parecia os seus olhos estavam completamente brancos, com finos vasos sanguíneos, mas em vez de serem vermelhos, eram pretos. Como se não fosse sangue que estivesse nas suas veias, como se fosse pura maldade. Passados poucos mas aterradores segundos daquela demonstração, ele virou o seu olhar para mim, ainda com os olhos brancos com os fiozinhos pretos.

- Já estás assustada? – Perguntou-me.

Eu não tinha resposta, não ia, de modo nenhum dar-lhe o prazer de admitir que sim, pelo menos à sua frente. Ele também não esperou pela resposta, com outro gesto com a mão voltou a mandar-me para metros de distância. Estava a começar a ficar sem forças, já tremia toda ao levantar-me e cambaleava ao andar. Usar os poderes nele era bastante exaustivo, mesmo que não lhe fizessem nem um arranhão, e ser mandada tanta vez ao chão também não era nada agradável.

Isto repetiu-se durante mais tempo, até que pensei em não me levantar, em apenas deixar-me levar pelo que quer que fosse que se encaminhava. Mas não. Pus os joelhos no chão e as mãos um pouco mais à frente e tentei levantar-me, mas tive uma fraqueza e voltei a cair estampada no chão. Voltei a repetir isto e levantei-me muito desengonçada.

Era difícil perceber o que havia naqueles olhos aterradores, mas posso jurar que vi um pouco de surpresa.

- Porque é que te continuas a levantar?! – Perguntou. – Não achas que já apanhaste o suficiente?

Ele tinha razão, se este fosse o meu primeiro dia no trabalho, já estava morta há muito tempo.

- Por causa deles. – Respondi, debilmente. – Por causa deles.

- Porquê?

- Porque eu não desisto. Se hoje me matares, não foi por falta de esforço meu para continuar viva. Por isso não esperes que te implore para o fazeres.

Os meus amigos não diziam uma palavra, aguardavam até que o confronto acabasse, apesar de estarem sem pinga de sangue de assistirem. Sabia perfeitamente que neste momento se deviam estar a culpar por eu estar aqui a levar tanta pancada, por estar frente-a-frente com o Satanás. Mas também sei que tinham fé em mim, porque neste momento, eu era a única coisa em que a podiam ter.

Lúcifer voltou a fazer um pequeno gesto com a mão e desta vez caí a talvez dez metros do enorme buraco que ele formou. Apoiei as mãos no chão, elas falharam-me e voltei a cair, de barriga para baixo.

Acordei neste túnel que já era mais como a minha segunda casa. Sabia o que tinha acontecido, o porquê de estar aqui. Já nem precisava do meu lindo colar para me dizer quem se encontrava comigo, sabia perfeitamente quem era o homem à minha frente. Deus.

- Oh porra! Estou morta outra vez! – Pronunciei, num tom de voz extremamente desagradável.

- Tu não estás morta.

- Não estou? Então o que é que estou aqui a fazer?

- Estás desmaiada, mas só por uns instantinhos. Olha para ti… estás uma desgraça.

- Sim… bem, eu tenho que ir, continuar a ser usada como saco de pancada.

- Eu estou orgulhoso de ti.

- O quê? Porquê? Eu só estou a fazer asneiras ali em baixo, não acerto uma, e os meus amigos, o mundo, vai tudo acabar por minha causa!

- Acreditas mesmo nisso?

- Eu sei que disse sempre que estava pronta mas… não acho que esteja… estou com medo e…

Começou-se a aproximar de mim e pousou as suas mãos nos meus ombros.

- Isso é exactamente a razão de eu saber que estás pronta.

- Você acha que eu consigo fazer isto?

- Eu sei que sim. Vê, os heróis são retratados como pessoas que não sentem medo, dor, que conseguem tudo no fim por alguma obra miraculosa e que nunca desistem. Mas as coisas não são bem assim na vida real. Na vida real, o mais importante não são os músculos, ou as armas, o mais importante é a vontade que têm em lutar, é o coração. E digo-te, tu tens coração e alma para dar e vender.

- Então eu sou…

- Uma verdadeira heroína. Por muito que precises de segundas ou terceiras tentativas, por muito que sejas deitada abaixo várias vezes, nunca desistes, e isso sim, é ser um verdadeiro herói. Por isso eu sei que consegues fazer isto.

- Obrigado. Não faz ideia de como foi importante ouvir isto.

- Todos o pensam, e um dia vão-to dizer, tenho a certeza.

- Eu tenho que ir, tenho que acordar, tenho que continuar a lutar.

- Boa sorte.

Quando acordei estava de novo no espaço que em tempos esteve uma maravilha do mundo antigo, e Satanás estava a observar-me.

Não sei o que aconteceu, e apesar de continuar com as feridas, com as dores, com os medos, e de ter a certeza que Deus não me fez nada, sentia-me diferente, sentia-me bem, sentia-me pronta.

Levantei-me normalmente e dei um passo em frente. Elevei o braço e mandei Lúcifer para longe, ele levantou-se e fez-me o mesmo, mandando-me para dentro do enorme buraco cheio de lava a fervilhar. Gritei à medida que ia caindo.

- Não! – Ouvi Vicky.

- Melanie! – Gritou Jason.

Todos eles disseram coisas, desesperadas, enraivecidas, e depois seguiram-se os insultos a Lúcifer que ainda nenhum tinha tido a coragem de fazer.

Agarrei-me a uns bocados saídos daquela parede de pedra e feita à pressa e olhei para baixo. Não me podia descuidar, qualquer passo em falso e mergulhava para dentro daquela lava toda.

Comecei a trepar muito lentamente, e quando estava quase no topo agarrei um bocado solto e ia caindo para trás. Voltei a agarrar-me e a respirar fundo.

Apoiei as mãos no topo e depois fiz impulso para apoiar também os joelhos. Levantei-me mesmo a tempo de ver Jason a voar em direcção a uma fogueira gigante. Imobilizei-o e todos os olhos se viraram de novo para mim.

- Sentiste saudades? – Perguntei sarcasticamente.

- Não é possível. – Disse Lúcifer, incrédulo.

Dei uma olhadela rápida aos meus amigos e vi que o único que não estava na jaula era, de facto, Jason.

Sem me mexer, usando apenas a mente, pousei Jason no chão e desmobilizei-o.

- Tens que começar a ter uma mente mais aberta. – Disse eu. – Imagina lá a quantidade de coisas que eu pensava serem impossíveis e que já vi.

Vi Jason a dirigir-se para a jaula para libertar o resto do pessoal por isso continuei a empatar Lúcifer.

- E queres que acredite que ressuscitaste por uma obra qualquer de Deus? – E riu-se.

- Não desta vez. – Ficou a olhar para mim. – Demónios mais fracos já me chegaram a matar… mas tu não passas dos arranhões.

A expressão dele tornou-se séria de novo e voltou a mandar-me para o chão e voltei a levantar-me.

- Porque é que simplesmente não te deixas ir?! Porque é que insistes em apanhar mais? – Isto parecia uma parvoíce completa para ele.

- Já disse, por causa deles. Porque sei que aconteça o que acontecer, não estou sozinha. Eles estão comigo. Ao contrário de ti, que não tens nem nunca terás ninguém!

- Eles deixaram-te. – Surpreendi-me a mim própria quando ao ouvir isto não senti aquela dor aguda no peito que costumava sentir, apesar de eu nunca o confirmar. Não sentia nada, como se nada tivesse acontecido.

- Pois deixaram. – Concordei. – Mas isso foi passado. E isto é agora. – Dei um passo em frente. – Queres mesmo ver o que é magia? – Perguntei, mandando-o de novo ao ar. – Eu mostro-te.

Sentia-me mais forte, mais segura, mais livre. Ninguém esperava que eu saísse dali viva, mas o que é que isso importa? O que é que importa que não acreditem que sou suficientemente boa para o derrotar? Nada. Porque eu sei que sou. Agora sei que sou forte o suficiente para destruir Lúcifer, e mais, sei que nunca fui aquela rapariga indefesa que todos pensam que fui. Eu sempre fui uma caçadora, porque sempre tive o coração, e sempre tive a alma, apesar de não parecer.

Sorri e antes que Lúcifer se pudesse levantar explodi-o. Ele recriou-se milésimas de segundos depois e levantou-se.

- Isso não foi bom. – Disse-me, abanando o indicador.

- Tens razão… - Concordei. Mandei-o mais alto e mais longe. – Este foi melhor! – Gritei.

Em poucos segundos ele agarrou-me por trás e começou a apertar-me, inclinei-me para a frente e ele caiu.

Vi que os meus amigos já tinham saído da jaula e dirigiam-se para nós, mas não sabia se a minha ideia ia resultar, ou se ainda ia piorar as coisas. Agora que estavam soltos e ainda longe, era o momento ideal, era o momento em que tinha que o fazer.

Levei a mão ao bolso de trás das calças enquanto Lúcifer ainda estava no chão e tirei de lá um papelinho já um bocado rasgado e maltratado.

- Estamos aqui esta noite, em que Lúcifer reina, mas nesta noite as coisas mudam, e Lúcifer queima. – Comecei a ler. – Ele nunca voltará, porque no Inferno sempre reinará!

Pensei que se o feitiço que a outra bruxa o tinha aprisionado, talvez o meu também o pudesse fazer. Como não me davam o feitiço original tive que improvisar, e sendo o meu primeiro feitiço e feito à pressa, não ficou tão mal como esperava.

E de um momento para o outro ele começou a gritar e a desfazer-se em pequenas partículas vermelhas que se iam tornando acinzentadas. Houve uma explosão enorme que me deitou abaixo e depois, de um momento para o outro, estava tudo acabado. Lúcifer estava morto. O mundo estava a salvo. E mais importante, tínhamos todos sobrevivido.

Vi Jason ao longe e comecei a correr em seu encontro. À medida que me ia aproximando a fúria que tinha em relação a terem-me deixado para trás e a vontade que tinha em dar-lhe uma chapada bem merecida desvanecia-se, porque agora só me apetecia apertá-lo e ter a certeza de que não estava a sonhar, ter a certeza que ele estava bem, que todos estávamos bem. Agarrou-me com os seus enormes braços e abraçou-me, enquanto me elevou e começou a dar voltas comigo. Conseguia ver nos seus olhos que estava aliviado e no seu sorriso que estava fora de si com tanta felicidade. Quando finalmente parou de rodopiar comigo pousou-me no chão e beijou-me apaixonadamente.

- Casa comigo. – Pediu.

- O quê? – Ao contrário do que pensei que iria sentir quando e se alguém me pedisse em casamento, sentia-me feliz por ter acontecido, e sentia que era na realidade a coisa certa a fazer. Mas aparentemente ele não percebeu a minha pergunta nesse aspecto.

- Eu sei que nunca pensaste nisso e que… - Pus-lhe o indicador na boca de modo a calá-lo e aproximei os meus lábios dos seus, olhando-o nos olhos.

- Adorava. – Respondi, beijando-o em seguida.

Ele voltou a levantar-me e a andar comigo às voltas.

- Ai, ai, ai. – Queixei-me. Pôs-me no chão instantaneamente.

- Desculpa, magoei-te?

- Não, o Diabo magoou, tu só tocaste nas feridas. – Respondi, dando um primeiro olhar ao meu estado. Estava arranhada em todo o lado e sentia a minha bochecha do lado esquerdo a ferver, provavelmente de outro arranhão.

Foi exactamente aí que Jason passou com a mão, enquanto me olhava nos olhos.

- Foste muito corajosa. – Disse-me.

- Sim, e vocês foram muito estúpidos. Já deviam saber que não ia ficar sem fazer nada.

Depois de falarmos todos e de mostrarmos a nossa felicidade reparei que o “campo de batalha” não estava exactamente como estava quando a batalha começou.

- Oh não. – Disse eu. – Destruímos o último pilar…

- Só agora é que percebeste? – Perguntou Vicky. – O Lúcifer mandou-te contra ele, deitando-o abaixo.

- Pois… depois de tanta vez a ser mandada já nem sabia onde batia. – E rimo-nos todos.

Vicky e Gabriel teletransportaram-nos para casa de Phil e já estava a amanhecer. Entrámos na casa e deixei-me cair no sofá, esgotada.

- Que carta é esta? – Perguntou Jason, referindo-se à carta que lhe tinha deixado em cima da mesa da cozinha.

Levantei-me e fui ter com ele. Tirei-lhe a carta das mãos antes que a lesse.

- É só uma carta que te deixei para o caso de morrer. – Disse-lhe. – Com coisas que queria que soubesses, e que não te ia conseguir contar de outro modo.

- Ok, deixa ver.

- Não. – Rasguei a carta. – Vais ter tempo para as descobrires por ti próprio.

Depois de um longo e relaxante banho, fechámos as persianas e deitámo-nos todos, excepto Vicky e Gabriel, e dormimos quase até à hora do jantar.

Depois do jantar vesti umas calças pretas com uma blusa azul-turquesa cai-cai e vesti um casaco curtinho, preto. Calcei umas sandálias de salto alto e pus espuma no cabelo. Pus umas pulseiras e olhei-me ao espelho. Ajeitei o meu colar do coração, que agora já nem tirava para dormir e desci as escadas.

Queria festejar esta nossa vitória, e eles apesar de não admitirem, também queriam. Convenci-os a irmos a um bar e quando lá chegámos sentámo-nos numa mesa e pedimos bebidas. Troquei a habitual cerveja por um martini.

- Nós temos uma novidade. – Disse Jason.

- O quê? – Perguntou Phil.

- Por favor não me digas que já procuraste trabalho para amanhã. – Implorou Bryan.

- Nada disso… - Disse eu.

- Então o que é? – Perguntou Gabriel.

- Se a deixares acabar ela diz. – Refilou Vicky.

- Nós vamo-nos casar. – Pronunciei, por fim.

Ficou tudo numa satisfação capaz de se ver ao longe e deram-nos os parabéns de todas as maneiras possíveis e imaginárias.

Decidi que uma coisa destas merecia um festejo especial, e como abriram karaoke, Jason empurrou-me para o palco.

A verdade é que já não cantava há muito tempo, por muito que quisesse negar a vida de caçadora tinha-me mesmo mudado. Aquela rapariga que via o mundo como se apenas lá vivessem pessoas boas e gentis e que pensava que todos tinham motivos para fazer o que faziam morreu quando fiz dez anos, aquela rapariga ingénua que acreditava que podia confiar em todos morreu quando tinha dezassete anos, mas aquela rapariga que vivia constantemente a mentir-se e a afirmar que era feliz morreu quando tinha vinte e dois anos. Porque apesar de todos dizerem que a vida de caçador não presta e que muda as pessoas para pior, para mim foi exactamente o contrário. Porque me fez abrir os olhos, porque me fez desejar voltar a ser aquela criança com menos de dez anos que acreditava na bondade das pessoas e a rapariga com dezassete que pensava que ninguém se aproximava dela para a magoar e que tinha amigos verdadeiros. Porque até me fez desejar voltar a ser a rapariga com vinte e dois anos e trabalhar no maior jornal de Nova Iorque. Mas mais importante, porque me mostrou o quão importante são as pequenas coisas na vida. Os sorrisos simples, uma noite com os amigos… porque nada disso tem o valor que merece.

Começar a lutar com monstros e ver o mundo por olhos que ninguém quer ver, fez-me perceber o quanto eu tinha, tenho, e fez-me apreciá-lo ainda mais. Por isso, e apesar de esta vida ser mais que complicada, estou feliz por tê-la.

Subi ao palco e enquanto as palavras saiam da minha boca observava-os. Tudo o que algum dia podia pedir, o máximo que alguma vez poderia receber. Os meus amigos. Fizeram más escolhas, todos eles, mas quem não fez? Eles são as únicas pessoas por quem alguma vez daria a vida, por quem saltaria de um penhasco só para os tentar agarrar.

Tornaram-se importantes na minha vida, tornaram-se tudo. Cada um deles ocupa um espaço no meu coração, deixando-o completo.

Phil tornou-se no pai emprestado que está sempre cá quando preciso e que sei que vai ter sempre fé em mim. Gabriel tornou-se naquele amigo quieto e pouco sociável mas que também se preocupa e ajuda. Com Vicky reaprendi a ser uma melhor amiga, tal como ela era para mim. Bryan fez-me lembrar os tempos em que éramos mais novos e nunca havia nada de mal, e com ele voltei a esses tempos, voltámos a ser inseparáveis como lá. E Jason, Jason tornou-se na razão número um de fazer o que faço, de lutar, de sobreviver. Jason tornou-se tudo.

Por isso cá estou eu, pronta para qualquer luta que venha a seguir, porque sei que não estou sozinha, que nunca vou estar sozinha.

 

 

Nome: Melanie McKensie                                              Idade: 23 anos

 

Estatuto: Noiva, Caçadora profissional & Bruxa

17 comentários

Comentar post

Pág. 1/2