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Espinhos de Rosas

por Andrusca ღ, em 16.09.10

Capítulo 9

Esclarecimentos

 

Cá estou eu, numa casa com três vampiros, e tenho-os aos três à minha frente, prontos a atacar a qualquer minuto. Respirei fundo e olhei para eles.

- Vocês disseram que eram vampiros bons. Eu duvido. Mas se são mesmo, então eu não preciso de me defender – disse-lhes.

- Boa resposta – disse Verónica, perdendo a cara dura e o aspecto de má.

Derek aproximou-se da mesa e pegou no jornal.

- Não fomos nós – disse ele, segundos depois. Que típico, é claro que se fosse eu também não ia admitir. Ele percebeu que eu não acreditei – A sério, não fomos nós.

Vou morder a isca…

- Quem foi? – Perguntei.

- Não sei – parecia sincero.

Num piscar de olhos Gary estava ao seu lado, também com o olhar preso ao texto.

- Talvez sejam vampiros de passagem… - ouvi-o dizer.

- Então… o que é que fazemos? – Perguntei. É esta parte que odeio, se eu não soubesse desta história, não tinha que fazer nada – Não podemos deixá-los continuar a matar pessoas.

- Deixa connosco. Vamos procurá-los e falar com eles – pediu Verónica.

- Ok.

Dei meia volta e dirigi-me à saída.

- Vais já embora? – Derek parecia desiludido.

- Já fiz o que vim cá fazer. Tenho que ir para casa – respondi, ainda a andar.

Parei bruscamente porque o vi à minha frente, vindo do nada.

- Não podes ficar nem mais um bocado? – Tentei passar à volta dele mas ele não deixava.

- Derek sai – mandei.

- Ou?

- Ou eu… vou dizer a toda a gente que vocês são vampiros.

Ele franziu o sobrolho.

- Achas que alguém vai acreditar em ti?

- Pois… sai da frente! – E tentei empurrá-lo, mas ele não se mexeu nem um centímetro. Era o mesmo que estar a empurrar uma rocha. Quando parei de o tentar afastar, ele desviou-se, libertando-me o caminho. Olhei para ele de esguelha e saí de lá.

- Vejo-te na escola – ouvi-o dizer, mas não respondi.

O caminho para casa foi fácil, já sabia onde tinha que virar.

Quando cheguei Abby e Dylan já estavam a jantar, tinham encomendado comida chinesa.

- Onde é que estiveste? – Perguntou Abby.

- Por aí – respondi-lhe, sentando-me numa cadeira, ao lado de Dylan.

- E só por acaso esqueceste-te que nós tínhamos que comer? – Agora Dylan soava amuado.

- Tu não comeste ontem, sabia lá se ias comer hoje – respondi-lhe.

- Então e a Abby? Ela podia ter morrido à fome – Ok, agora estava só a ver se me chateava a sério.

- Vê lá se ela não se arranjou.

- Pois, mas então e…

- Dylan faz-me um favor, cala-te. Come e cala-te – pedi. Não estou com qualquer pachorra para estas conversas da treta. Enquanto está na bebedeira ou na droga não se importa, por isso agora também não tem esse direito.

Depois jantar lavei a loiça à mão porque já não havia espaço na máquina, que também pus a trabalhar. Subi para o quarto e sentei-me no parapeito da janela a olhar para o céu. Agora estava sem quaisqueres nuvens, e estava completamente estrelado. Devo ter ficado a olhar para as estrelas durante quase uma hora, porque quando finalmente parei, Abby já estava deitada. Desci as escadas para desligar a máquina da loiça e depois fui vestir o pijama e enfiar-me na cama.

 

 

 

***

 

Acordei com o sol a bater-me na cara. O sol… coisa que já não via há algum tempo.

Levantei-me, abri as persianas e desviei as cortinas, para o sol me iluminar o quarto. Fui para a casa de banho lavar a cara e os dentes. Enquanto lavava os dentes, vi a cortina da banheira mexer-se, como se houvesse alguém lá dentro. Passei a boca por água e aproximei-me. Aproximei a mão, completamente a tremer, e desviei a cortina. Nada, devo andar mais paranóica do que pensava.

Voltei para o quarto e ouvi passos que pareciam seguir-me. Olhei para trás mas também não vi nada.

Abri o roupeiro para escolher o que ia vestir e decidi-me por uma saia castanha e uma blusa bege. Abri a porta do quarto para sair e saltou-me um vulto para cima.

- Ahh! – Gritei, enquanto era mandada contra uma parede com toda a força.

Era um homem, e impulsionava-me contra a parede com uma força sobrenatural.

- Tu descobriste – disse, com uma voz rouca e distorcida, difícil de perceber – Agora vais pagar.

Olhou para cima e quando voltou a olhar para mim tudo o que consegui ver foram os enormes e pontiagudos caninos.

- Ahh! – E mordeu-me. Mas de repente parou e quando olhei para ele, já estava na outra ponta do quarto.

Fugi até à porta, mas depois vi outra pessoa, que o estava a impedir de vir ter comigo. Aquela face, aqueles olhos… e depois, aqueles dentes. Era Derek. O outro homem lutava para se soltar, mas Derek continuava a agarrá-lo.

Eu queria fugir, esconder-me. Mas não conseguia. Não sei porquê, mas não o conseguia deixar para trás.

O homem olhou para mim e sorriu, em seguida impulsionou-se para a janela, quebrando-a e caindo para a estrada, com Derek atrás.

- Não – foi um grito abafado. Corri até à janela e espreitei. Eles estavam os dois no chão. As suas expressões mostravam sofrimento, tortura. E depois olhei para cima. Sol. Estava a queimá-los, e não ia parar.

Uma pessoa aproximou-se deles, e o homem mordeu-a instantaneamente, mas Derek continuou a contorcer-se de dor. Um grupo aproximou-se, pela sombra das árvores, e o reflexo dos seus longos dentes petrificou-me. O céu encheu-se de nuvens e em menos e um segundo Derek parou de se mexer. Tudo no meu corpo me dizia que ele estava morto, mas como? O sol não os mata, só os magoa…

Ouvi um barulho atrás de mim e virei-me. O homem estava lá. Ele veio até mim com uma velocidade extraordinária e mandou-me também para a estrada. Gritei durante a queda, e quando atingi o chão senti os meus ossos a partirem-se. Não sei se foi alucinação, mas posso jurar que ouvi estalinhos.

Olhei para Derek. Era o fim. E na sua mão, estava uma rosa murcha.

 

***

 

Acordei ao cair da cama. Levei a mão à cabeça e resmunguei.

- Auch… - Bocejei. O que é que se anda a passar comigo?!

Olhei para o tecto e uma memória veio-me à mente. Eu já tive este sonho. Foi entre os dez e os onze, mas desta vez tinha caras visíveis, e da outra não havia nenhuma que me lembre. Eu tive um período quando era mais pequena que tinha pesadelos com vampiros todas as noites, é claro que tinha uma boa desculpa para isso. Chamava-se trauma.

Levantei-me e voltei para cima da cama. Olhei para o relógio, oito e…

- Oh meu Deus!

Levantei-me num pulo e acordei os meus irmãos à pressa. Estávamos mais que atrasados, e só com um milagre é que íamos chegar a horas à escola.

Quando cheguei à escola já nem me incomodei em ir à primeira aula, ia acabar em dez minutos. Sentei-me nas escadas do corredor e esperei que saíssem da sala de aula. Gwen foi das primeiras a sair e veio ter comigo mal me viu.

- Estás bem? Porque é que faltaste? – Perguntou-me.

- Estou, deixei-me de dormir – respondi, com um sorriso forçado.

- Tens a certeza? É que não estás com muito boa cara…

- A sério Gwen, eu estou bem – na verdade dói-me a cabeça e estou sem paciência, mas pronto, eu aguento-me. Que outro remédio tenho?

Depois das aulas fui almoçar a casa, já não tinha escola à tarde. Vesti uma roupa mais confortável e tocaram à campainha. Eu espreitei antes de abrir. Fiquei a pensar durante uns segundos se ia ou não abrir, mas acabei por abrir.

- Olá – disse-me, com simpatia a mais.

- Olá – respondi – O que é que estás aqui a fazer?

- Eu precisava de falar contigo – e entrou.

- Ok… - fechei a porta.

- Olha, eu sei que me pediste para ficar longe mas… vá lá Chloe, eu sei que ainda sentes alguma coisa.

- Não, e eu pensava que já tínhamos esclarecido tudo.

- Chloe… - e começou-se a aproximar – Não sejas assim.

- Josh, afasta-te – ele não ligou e agarrou-me – Josh, não! – Mas ele começou a apertar-me e a tentar beijar-me – Larga-me!

- Vá lá, eu sei que também queres.

- Ei! – Ouvi – Larga-a. Ela já disse para te afastares.

- E olhem quem cá está – Josh desviou a sua atenção agora para Derek.

Mandou-me para cima do sofá e aproximou-se de Derek. Eu levantei-me e olhei, aterrorizada com o que pudesse acontecer.

- Sai daqui Josh – mandou Derek.

- Ou o quê? – Ele não devia ter dito isto, não devia não… - Esta casa não é tua – Pôs a mão em punho e deu um murro a Derek, que num movimento rápido agarrou a mão de Josh e a começou a empurrar.

Ouvi Josh estremecer, mas Derek não estava a aliviar a força.

- Derek, larga-o – pedi, mas ele não ligou. Aproximei-me mais e pus-me mesmo à frente dele – Estou a falar a sério, larga-o!

Derek olhou para mim e obedeceu, largando Josh com uma força que o fez dar três passos para trás. Josh olhou para mim e ia começar a falar, mas eu adiantei-me.

- Josh… - Cheguei-me ao pé dele e dei-lhe uma chapada – Sai da minha casa imediatamente.

Ele baixou a cabeça e dirigiu-se à porta, sem resmungar, batendo-a quando saiu. Agora era a vez de Derek. Virei-me para ele.

- O que raios é que estás aqui a fazer?!

- Eu… estava a ajudar – disse-me.

- A ajudar? Tu ias-lhe partindo a mão! – Ele desviou o olhar para o chão e ficou sem reacção – O que é que vieste cá fazer?

- Nós não conseguimos falar com grupo de vampiros que anda a cometer esses homicídios – explicou – Posso-me sentar?

- Não, tu não se cansas.

- Ok… bem, o Gary teve um plano, e eu e a V concordámos.

- Porque é que preciso de saber?

- Porque tu és o plano.

Não se avizinha nada de bom…

- O que é que queres dizer?

- Tu fazes de isca e depois nós apanhamo-los – e sorriu no fim da frase, como se fosse uma coisa normal de se fazer.

- Nem pensem nisso – respondi, decidida.

Ele voltou a olhar para baixo e abanou a cabeça. Depois agarrou-me e pôs-me no seu ombro.

- Derek larga-me! – Gritava, enquanto esperneava para ele me largar. Estar assim em cima dele era semelhante a estar deitava no chão ou em cima de uma rocha. Ele não me ligou nenhuma, como era de esperar. Meteu-me dentro do seu carro e começou a conduzir. Desta vez eu ia à frente. Mantive os meus olhos na estrada e não abri a boca. Estava amuada.

- Não vais dizer nada? – Perguntou, com um sorriso vencedor – Nem chamar-me nomes?

- É a segunda vez que me raptas – acusei – Não faças uma terceira.

- Uh, que medo – e fingiu uma cara de pânico que lhe ficava bastante cómica.

Quando chegámos à casa dele ele voltou a carregar-me porque eu me recusava a sair do carro, e pousou-me no sofá, com Verónica e Gary a olhar para mim.

- Ela não quer falar nem mexer-se – anunciou.

- Posso falar com ela? A sós… - Pediu Verónica.

Os outros dois abandonaram a sala em três tempos e Verónica sentou-se ao meu lado. Eu continuava a olhar em frente, e sem mostrar qualquer índice de que sabia que ela estava ao meu lado. Façam o que fizerem, eu não vou ser o brinquedinho deles.

- Eu sei o que deves estar a pensar – começou ela, com a conversa do “blá blá blá” – Mas nós também não queremos que te magoes, e vais estar em total segurança, prometo – Pois sim, e eu sou o Bill Clinton. – Tu não queres que ninguém se magoe, pois não? – Isso, apela à minha consciência – Porque eles vão continuar a matar pessoas se ninguém os impedir – Suspirei de impaciência. – Se mais alguém morrer, e se não ajudares, então a culpa vai ser…

- Se disseres “tua” juro que te dou um estalo – a minha voz não saiu nem um pouco amistosa, mas mesmo assim ela esboçou um sorriso.

- Eu ia dizer “dos vampiros que tanto odeias”. Tu dizes que nós somos todos maus, dá-nos uma chance de provar que é mentira. Por favor…

Ela esteve com estas conversas da treta por volta de vinte minutos, e levou-me completamente à exaustão. Acabei por aceitar, senão acho que ia ouvir este discurso até morrer. Ela disse que eu tinha que mudar de roupa, porque aparentemente os meus calções e t-shirt de andar por casa não são bons o suficiente para atrair um vampiro.

Ela desapareceu por meio minuto e voltou com montes de roupas na mão. Chamou Derek e Gary e disse que tinha que sair. Estes dois levaram-me até ao andar de cima e disseram para eu mudar de roupa no quarto de hóspedes.

- Podes mudar de roupas aí – disse-me Derek, abrindo uma porta. Era um quarto apenas com um sofá e uma cómoda – Eu espero cá fora.

Ele não parecia lá muito confortável…

- Ok – respondi, entrando para o quarto.

Gary seguiu-me para dentro do quarto e eu parei e voltei-me de novo para Derek.

- Porque é que ele ainda cá está? – Perguntei.

- Oh, não te preocupes, ele é gay – respondeu-me, muito naturalmente.

- Gay?

- Sim, ele… ele gosta de homens.

- Eu sei o que é gay! Isso é suposto fazer-me sentir bem ao mudar de roupa em frente dele?

- Vá lá, tu não gostas do plano, isto é só para não fugires.

Ele só pode estar a gozar com a minha cara.

Aproximei-me dele e olhei-lhe directamente. Ele percebeu perfeitamente que eu pensava que estava a gozar a comigo, mas quando ia a falar, comecei eu.

- Eu estou numa casa com dois vampiros – disse-lhe. – Achas mesmo que vou conseguir fugir?! Ou vocês ouvem extremamente mal, o que duvido, ou são muito cegos, o que também não acredito, ou são muito despistados, o que também não me parece como uma característica de vampiros.

- Tens razão – esta resposta apanhou-me desprevenida. Ele disse-me que estava certa? Assim, logo à primeira? Não me posso esquecer de jogar na lotaria…

Eles saíram do quarto e eu remexi a roupa que Verónica me tinha entregado. Decidi-me por umas calças cinzentas e uma blusa azul-turquesa. Verónica chegou com umas botas curtinhas, castanhas, que eram o meu número. Ainda vinham dentro da caixa.

- Aqui tens – disse-me, entregando-mas uma a uma.

- Foste comprar-me botas? – Perguntei, estupefacta.

- Sim. As minhas não te servem…

- Tu sabes que eu tenho roupa e sapatos, certo?

- Não discutas, é só uma prenda – pois, o problema é que têm sido demasiadas – E nem te atrevas a devolver-mas.

O sol já se estava a pôr quando saímos para a rua. Eles deixaram-me num beco sozinha, e foram-se embora não sei para onde.

- Perfeito – resmunguei, enquanto olhava à procura deles – Isto é o que se ganha por se confiar em vampiros.

Comecei a andar de um lado para o outro até que um homem apareceu e se aproximou de mim.

- Estás bem? – Perguntou-me.

- Estou – respondi, um bocado atrapalhada.

- Não estás perdida? Estás sozinha?

- Não… a ambas – a minha voz começou a tremer.

- Tens a certeza? – A cara dele começou a modificar-se e os dentes desceram e os olhos ficaram acinzentados, com os vasos sanguíneos a vermelho carregado.

Engoli em seco. Eles descobriram o sítio perfeito para me colocar, e depois deixaram-me. Como é que ainda querem que goste deles?!

- Espera. Tu não me vais querer comer – disse-lhe. – Eu sou magrinha e… - estou a ficar sem ideias – Eu… posso ter uma doença qualquer… mas tu estás morto, por isso não importa… - e continuou a andar.

- Pára aí mesmo – era a voz de Derek.

O vampiro virou-se para ele e sorriu.

- Não sabia que tinha companhia. Não faz mal, eu posso dividir – disse, glorioso.

- Esse é o problema – agora era Verónica. E também via Gary ao seu lado, atrás do vampiro, que olhava para eles.

O vampiro virou-se completamente para eles, virando-me as costas, e permaneceu calado.

- Este território está ocupado – foi a vez de Gary falar – Não queremos chatices, mas tens-nos dado vários problemas com a caça.

- Oh, não fazia ideia. De qualquer maneira estou de passagem, vou embora amanhã – eles falam tal e qual como pessoas normais… credo, isto dá-me arrepios – Estava só à procura de um último lanchinho – Um “lanchinho”? É isso que eu sou?!

Peguei numa tábua de madeira que estava caída, muito lentamente, e dei com ela na cabeça do vampiro, vendo-a partir-se. Ele virou-se para mim e levantou-me com uma única mão. Isto já tinha acontecido, tenho que me lembrar que os vampiros têm a cabeça dura, literalmente.

- Se algum de vocês se aproximar, parto-lhe o pescoço – ameaçou ele.

- Larga-me – Gritei, enquanto esperneava.

- Querias isso, não querias? – Credo, os olhos dele equivalem aos de um psicopata, mas acho que neste momento estão piores…

- Sim – respondi.

Num movimento brusco, ele mandou-me contra a parede do beco e eu caí no chão.

- Auch – murmurei, enquanto levei uma mão à cabeça.

Olhei para ele, estava virado para mim pronto a atacar. Nem o vi dar o primeiro passo e já estava a agarrar-me outra vez. Vi-lhe as narinas a abrirem e calculei logo o mais provável: eu magoei-me e estou a deitar sangue de qualquer lado.

Ele olhou-me intensamente e quando estava prestes a cravar os dentes na minha pele, foi impelido para trás, largando-me. Tentei acompanhar os movimentos todos, mas eram demasiado rápidos para os meus olhos acompanharem. Vi-o encostado à parede, com Derek a apertar-lhe o pescoço e Verónica e Gary ao seu lado.

- Nós fomos simpáticos – disse Derek – Agora já não vamos ser. Tu vais parar a caça, e vais-te embora, e olha que se não, nós encontramos-te e já sabes o que acontece a seguir.

Em seguida largou-o e mandou-o de novo para o chão. Não o vi levantar-se, mas no segundo a seguir a cair, já lá não estava.

Os irmãos aproximaram-se de mim e ficaram à espera que lhes dissesse alguma coisa. Se não fui mordida pelo vampiro desconhecido, vou ser mordida por eles? É que eu estou a deitar sangue, será que são assim tão controlados?

Eles continuaram imóveis durante um período de tempo e depois Derek estendeu-me a mão. Fiquei a olhar para ele, desconfiada.

- Não te vou aleijar – disse-me – Vá lá, vamos-te levar a casa.

Eles deixaram-me em casa, agradeceram-me e pediram-me desculpa milhões de vezes, especialmente Verónica, por eu me ter magoado.

Fico feliz que não me tenham mordido, e ainda mais que não tenham deixado o outro morder-me, mas… eu só não consigo confiar neles. Enquanto estava no beco, foi fácil demais pensar que me tinham abandonado, que me iam deixar morrer. Confiança não se trata disso. Eles são vampiros, e mesmo que me esforçasse ao máximo, nunca vou parar de pensar assim, a não ser que um milagre aconteça.

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