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Spotlight

por Andrusca ღ, em 01.12.10

Capítulo 3

Marcação

 

Seth

 

Quando acordei e me levantei, Leah e a minha mãe já estavam sentadas a tomar o pequeno-almoço. Sentei-me ao lado da minha irmã, depois de as cumprimentar às duas com um beijo, e servi-me. Pus os cereais na tigela e depois o leite ainda quente. Elas olhavam as duas para mim com uma cara estranha.

- O que foi? – Perguntei, por fim.

- Estás bem maninho? – Perguntou Leah.

- Sim, acho que estou normal, porquê? – Insisti.

- É que… querido, ultimamente tens andado tão deprimido e agora estás para aí a sorrir – disse a minha mãe.

- Ah, não é nada mãe. Sabem, eu ontem percebi uma coisa enquanto vinha para casa.

- Queres dizer enquanto empatavas para vires para casa – ouvi Leah dizer, mas ignorei.

- Eu não preciso de uma marcação – concluí – Quando acontecer, tudo bem, mas enquanto não acontece vou mas é aproveitar, porque depois fico logo agarrado à miúda e depois não tenho liberdade…

- Não queres liberdade – interrompeu Leah – Queres apenas estar com essa pessoa.

- Vês? Exacto. Depois fico todo lamechas – a minha irmã deitou-me a língua de fora, mas voltei a ignorar – Pode ser hoje, amanhã, ou para o ano. Não interessa. Há-de acontecer.

- É esse o espírito – disse a minha mãe – E já que estás tão feliz, o Paul vem cá.

- Desde quando é que preciso de estar feliz para o Paul vir cá? Ele passa cá a vida.

- Porque podes usar toda essa boa energia para irem os dois a Forks fazer-me um recado.

- Ai, ai – revirei os olhos, mas foi a gozar, elas perceberam – O que é que precisas?

- Preciso que vão dar uma coisa à Rose, uma amiga minha. Eu ia de bom grado, mas o Billy pediu-me ajuda para uma coisa e não posso dizer que não.

- E não dá para ires noutro dia? – Perguntei, não que me importasse de lá ir.

- Não querido, ela precisa.

- Ok, eu vou lá com o Paul.

- Lindo menino – disse Leah –, assim é que gostamos de ti.

- Estás a abusar – ela voltou a deitar-me a língua de fora.

 

Alyson

 

- Ally – senti um abanão ao de leve depois de ouvir o meu nome muito suavemente e abri os olhos.

- Diz pai.

- Chegámos.

- Voámos a noite toda? – Não sabia que era tão tarde.

- Sim querida. Vá lá, vamos.

Peguei nas duas malas que tinha levado e saímos do jacto. O frio atingiu-me logo e espirrei.

- Já? – Perguntou o meu pai – Bolas, és mesmo sensível.

- Que graça – disse eu, sem qualquer ponta de humor.

Apanhámos um táxi que nos levou até um hotel de cinco estrelas. Tenho que admitir que pelo que vi pelas ruas, não pensei que houvesse um hotel assim nesta terra. Esta parece aquelas terras mesmo pacatas e simples. E por um lado é bom, é normal, exactamente o que preciso.

Saímos do táxi e entrámos para o hotel. Ficámos com uma suite com dois quartos e uma sala linda de morrer. O que mais gosto nos hotéis é que deixam-me sempre de boca aberta com a decoração.

- Então, gostas? – Perguntou o meu pai.

- Estás a gozar? Adoro.

- Eu sabia que ias gostar. Agora tenho que sair.

- Onde é que vais?

- Bem…

- Trabalhar – deduzi – Não vieste aqui de férias, pois não?

- Bem… mais ou menos.

- Pai… duas semanas, tu e eu, era tudo o que tinhas que fazer – disse, desapontada.

- É só uma sessão de autógrafos – disse ele.

- Quando?

- Numa hora.

- E?

- E o quê?

- O que mais?

- Ok, tudo bem, algumas outras sessões e entrevistas…

- Não acredito nisto.

- Mas a última semana vai ser apenas nossa. Prometo.

- Óptimo, então vou ficar sozinha aqui durante uma semana – murmurei, para mim.

- Claro que não – ups, ele ouviu – Podes sair, ver se arranjas amigos.

Ele deu-me um beijo na testa e saiu sem me deixar dizer mais nada. Mandei a minha mala que trazia ao ombro para o sofá com toda a raiva que sentia. Já devia saber que uma viagem com ele por duas semanas não ia ser nada de jeito.

Passou-se meia hora e já estava cheia de tédio, na televisão não estava a dar nada de jeito.

Aproximei-me da janela e espreitei para a rua. Bem, não havia paparazzis à vista. Decidi que antes de sair ia ter que mudar de roupa, senão ainda apanhava uma hipotermia. Vesti umas calças de ganga justas e uma blusa de gola alta com outra mais fininha por baixo. Calcei umas botas e usei-as por cima das calças. Vesti ainda um casaco com um capucho.

Agarrei na minha mala e saí.

Dei uma volta, mas não havia muito para ver e não me queria afastar muito, senão ainda me perdia. Sou terrível com orientações.

Encontrei um café e pela montra vi montes de chocolates. Deus, como tenho saudades de comer chocolates. Mas a minha agente está sempre a dizer que tenho que tomar cuidado com a linha e blá-blá-blá… mas ela não estava aqui agora… e o meu pai disse-me que podia fazer o que quisesse… também, um bocadinho não ia fazer mal.

Entrei no café e comprei uma tablete de chocolate preto. Nem comprei desse chocolate por ser o que menos engorda, comprei porque é o que mais gosto.

 

Seth

 

- Não acredito que a tua mãe fez aquele drama todo por causa de uma forma para o bolo – queixou-se Paul.

- Acredita, nem eu, mas pronto, já está.

- Vamos voltar já para La Push? É que…

- Já sei Paul. A tua amada espera-te.

- Exacto.

- Vamos lá então.

Íamos a passar a estrada quando vi uma rapariga sair de um café a poucos metros. Tinha um cabelo castanho-escuro com alguns jeitos e uma cara de anjo. Era linda. Era como se o meu mundo tivesse parado de repente e mudado completamente. O meu mundo agora era ela e apenas ela. Aquela bela estranha. Aquela… aquela minha bela estranha.

- Meu, ainda aqui estás? – Só então reparei que Paul me abanava.

- Paul… - murmurei, enquanto olhava para a razão da minha existência.

- Boa meu! – Disse ele, dando-me uma chapada no ombro – Deste-te bem, tantas lamúrias e sai-te uma daquelas hã?

- Uau… - não consegui murmurar mais nada, estava completamente vidrado nela. E ela também me fitava. Era como se ambos tivéssemos ido parar a uma realidade paralela em que nada mais importa.

E depois ela desprendeu o seu olhar do meu e começou a andar na direcção contrária da minha.

- Volta para La Push, falamos depois – disse a Paul, enquanto começava a andar num passo apressado à espera de a conseguir alcançar. Tinha que a alcançar.

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