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Spotlight

por Andrusca ღ, em 07.12.10

Capítulo 13

Conversas Escutadas

 

Alyson

 

Estava sentada no sofá, a olhar para a televisão, e suspirei. A primeira semana já se tinha passado, e apesar de o meu pai me ter prometido que a partir do inicio da segunda semana se ia dedicar a mim, não o cumpriu. Não que eu estivesse à espera.

Há três dias que não falo com Seth. Tenho saudades dele. Daquele sorriso que também me faz sorrir, daqueles olhos castanhos brilhantes, do modo como me faz sentir quando estou ao pé dele…

- Acorda rapariga – exigi-me, enquanto apagava a televisão e me recostava e olhava para o tecto.

Acho que é oficial. Aquele rapaz de dezassete anos, moreno, lindo de morrer, e um pouco misterioso, conquistou-me. Mesmo que não fosse a sua intenção, de alguma maneira, Seth fez com que me fosse impossível não sentir a sua falta.

Não falamos desde o incidente da festa da fogueira, em que a mãe dele quase que o ia fazendo ter um ataque qualquer de ansiedade, por minha culpa, e o meu pai insinuou que não confiava nele. Será que ficou chateado? Quer dizer, até pode estar normal e eu não significar nada para ele, até posso estar a exagerar, até… se em vez de me estar aqui a lamuriar interiormente fizesse alguma coisa, era melhor. Ao menos passava a descobrir se estava, ou não, chateado.

Peguei no casaco e chamei um táxi. Enquanto esperei que ele chegasse, esfreguei as mãos. Isto é perfeito por causa de Seth, mas horrível por causa do clima. Credo, quero sol e calor.

O táxi levou-me até perto da casa de Emily, e como o resto do caminho sabia a pé, disse ao taxista para me deixar aqui.

Segui para a casa dela a pé, enquanto pensava no que dizer quando lá chegasse. Se isto fosse um filme, provavelmente nem lá ia chegar, provavelmente encontraria Seth a meio do caminho e a história desenvolveria a partir daí… mas isto é a realidade.

Finalmente avistei a pequena casa, e senti o meu ritmo cardíaco acelerar bastante. Só a ideia de voltar a ver Seth metia-me fora de mim.

Bati à porta, que foi aberta por Emily, que me mostrava um doce sorriso.

- Olá – disse eu, um bocado envergonhada. Sim, eu sou envergonhada, lá por ser actriz não quer dizer que no dia-a-dia não seja como uma pessoa normal.

- Olá Alyson – disse ela – Entra.

Obedeci e ela deixou a porta aberta. Credo, assim a casa gela completamente.

- O Seth está? – Ela fez uma cara confusa – Eu sei que ele não mora cá, mas quando vinha a caminho é que me lembrei que não sei onde é que mora, e este era o único sítio que pensei que ele pudesse estar…

- Bem, ele foi… - fez uma pausa inesperada mas depois recompôs-se – foi dar um passeio com os amigos. De certeza que já estão quase a chegar, já saíram há algum tempo. Entretanto, queres um chá, um bolo, qualquer coisa?

- Não, obrigada. Estou bem.

- Bem, senta-te.

Obedeci de novo e ela sentou-se na cadeira à minha frente. Parecia aquele tipo de pessoa reservada e simpática. Mas aquelas cicatrizes na cara incomodavam-me um pouco. Parecia que tinha sido atacada por alguma coisa. Mas como boa actriz que sou, tentei ao máximo não agir chocada nem encarar aquelas marcas.

- Então, queres falar com o Seth sobre alguma coisa em particular? – Perguntou-me.

- Não, nada de especial… apetecia-me estar com ele – ela sorriu. “Apetecia-me estar com ele?! Mas porque raios que fui dizer isto?!”.

- Estou a ver… - disse, com um tom insinuador.

Ia responder, não sei o quê, mas ia, quando ouvimos gargalhadas vindas do exterior.

- Parece que chegaram – disse Emily, sorrindo de novo.

Ouvimos mais gargalhadas, e depois comecei a conseguir distinguir o que eles vinham a dizer, ainda que meio ao longe.

- Ele só está assim porque a Hollywood ainda não o veio ver – parecia-me a voz de Quil, seguida de um grande riso não sei de quem.

- Muito engraçado – esta voz sim, não confundia com mais nenhuma. Era Seth – Para tua informação, só não fui ter com ela porque não quero forçar nada. Ainda pensa que sou um perseguidor qualquer ou assim.

- E não és? – Este parecia-me Paul.

- Claro que não! Ela… ela é diferente – senti-me a corar. Porque é que Seth estava a dizer isto? E diferente em que aspecto?

- Pois sim. Malta… devia ir, não devia ir? E se ela não me quiser ver? E se quiser? – E este era definitivamente Embry, a imitar uma voz que suponho ser a de Seth. Senti-me a corar ainda mais. Fogo, eu devia saber controlar estas coisas.

As vozes estavam-se a aproximar e Emily aproximou-se da porta.

- Olá amor – ouvi. Era Sam, de certeza absoluta.

Saí também e vi Seth especado a olhar para mim, posso jurar que os seus olhos brilhavam, e por momentos não soube o que fazer ou o que dizer. Ia-me dando um ataque ao ver os seus abdominais!

- Vocês não têm frio? – Mas que pergunta tão parva! Só mesmo eu para perguntar coisas destas nestas alturas.

Seth sorriu e veio até mim. Até tremi. Desta vez de frio. Bem, mais de frio do que do resto, mas o resto também influenciou um pouco. Seth estava apenas com uns calções e uns ténis, tal como o resto do seu grupo.

- Não – disse ele, muito naturalmente – Nós temos estado a correr. Todos se riram, mas eu não percebi a piada – O que é que estás aqui a fazer?

- Eu… - isso é uma óptima pergunta. Nesta altura, eu ia dizer uma fala toda bem preparada, ia representar e inventar qualquer coisa que me fizesse parecer bem, mas para quê? Porque não dizer apenas a verdade por agora? – Eu... eu não tinha nada para fazer… e como esta é a minha última semana aqui, bem… pensei que a podia aproveitar contigo. Isto se não estiveres ocupado, claro.

A sua pele morena ficou com uma tonalidade avermelhada. Tinha corado. Bastante. E sorria do nada. Estava nervoso, tal como eu.

- Que tal um passeio pela praia? – Perguntou.

- Soa lindamente.

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