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Spotlight

por Andrusca ღ, em 08.12.10

Capítulo 14

Praia

 

Alyson

 

Estávamos a andar pela praia quando o vento começou a levantar-se ainda mais. Seth já tinha vestido uma t-shirt. Uma t-shirt! Apenas isso, com este frio todo! Não sei como é que ainda não teve nenhum ataque de hipotermia. Acho que eu estava mais perto disso que ele.

Estávamos os dois calados, acho que nenhum de nós sabia bem o que dizer. Eu estava embrenhada nos pensamentos sobre a conversa que ouvira há poucos minutos atrás. Será que a rapariga de quem os amigos de Seth falavam era eu? Parecia, mas e se não fosse?

Vi pelo bico dos olhos que ele tinha olhado para mim, mas desviou a cara logo a seguir.

Decidi quebrar o silêncio.

- Desculpa pelo que o meu pai fez – disse, não muito alto – Ele tem… problemas em confiar nas pessoas.

- Não faz mal. Afinal, a minha mãe também não foi lá muito acolhedora contigo.

- Bem, não a culpo.

- Posso-te perguntar uma coisa?

- Claro.

- Mesmo que seja pessoal? Não precisas de responder.

- Ok… pergunta.

- O teu pai mencionou alguma coisa sobre uma vez em que confiaste em alguém e as coisas saíram mal. Podes-me dizer o que se passou ou…

- Bem… não é nenhum segredo. Ele era da minha idade… e conheci-o por acaso. Ou pelo menos era o que eu pensava. Eu confiei nele instantaneamente, ele sabia o que eu gostava, fazia-me rir… e houve uma vez que o levei à minha casa. Jantámos com o meu pai, mas era só um amigo, e tivemos conversas normais de jantar. Ele foi à casa de banho, e depois foi-se embora.

- E depois?

- No outro dia, em grande parte das revistas, havia fotografias da minha casa, toda ela, e declarações, e partes da conversa do jantar, que ele distorceu. Fez com que parecesse que o meu pai estava a falar mal de um produtor, e por causa disso foi despedido do filme que estava a gravar. Ele não o diz mas… eu sei que me culpa por não ter ficado no filme.

- Bem, não foi culpa tua. Foste enganada.

- Sim, mas mesmo assim… e por isso, desde então, ele tem problemas de confiança.

Seth soltou um pequeno riso.

- Tu obviamente não tens – disse-me.

Ri-me também mas então senti o frio a apertar e arrepiei-me. Seth notou e encostou-me a ele, pondo o seu braço à minha volta. Ele estava tão quente, sabia tão bem, e o meu coração estava a andar a mil à hora.

 

Seth

 

Nem acredito que aquele cretino traiu a confiança do meu mais que tudo assim, sem mais nem menos. Eu nunca faria isso. Nunca.

Reparei que ela tremeu de frio e senti uma enorme vontade de a abraçar. E porque não? Era agora ou nunca, vá lá Seth, tu consegues, vá lá.

Ainda um pouco reticente, puxei-a para mim e pus o meu braço à sua volta, sentindo um choque eléctrico percorrer-me o corpo todo em seguida. Ela ainda se chegou mais, estava-se a sentir bem. E ainda bem. Finalmente tinha-a nos meus braços.

Por momentos posso jurar que ouvia o meu próprio coração a palpitar.

Agora estávamos parados, e ela abraçava-me também. Cheirava tão bem, punha-me fora de mim.

Ela parou de tremer, aposto que se continuássemos agarrados, em breve estaria com calor.

Desencostou-se de mim e ficámos apenas mergulhados no olhar um do outro. Completamente hipnotizados.

- Seth? – Perguntou ela, a aproximar-se cada vez mais a sua cara da minha.

- Diz – falei baixo, e não me mexi. Não me ia mexer agora.

- Sabes que só posso ficar por mais uma semana, certo? – Agora até já conseguia sentir o seu hálito. Sim, eu sabia isso. Mas também sabia que sem ela nunca seria nada.

Não consegui aguentar mais tempo, puxei-a para mim e fiz com que os nossos lábios finalmente se tocassem. Ela não lutou, pelo contrário, cada vez mais me puxava para ela, como se me desejasse tanto quanto eu a desejo a ela.

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