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Espinhos de Rosas

por Andrusca ღ, em 17.09.10

Olá...

Tenho que dizer que este capítulo foi dos que menos trabalho me deu, porque assim que comecei não consegui parar.

Prontos para descobrir porque é que a Chloe detesta vampiros?

Espero que gostem, e não se esqueçam de comentar ;)

 

Capítulo 10

História de Família

 

- Chloe, Chloe, estás-me a ouvir?! – Gwen estava literalmente a gritar-me aos ouvidos.

- Sim! – Respondi – Só porque não estou a olhar não quer dizer que não consiga ouvir.

- Credo, desculpa. Continuando, eu estava a andar e ele chocou contra mim, quer dizer, esse tipo de coisas só acontece nos filmes, certo?

- Gwen… ele é o Tom Gurriet, ele é um filme – olhei para ela.

- O que é que queres dizer com isso?

- Gwen… ele é aquele tipo de rapaz.

- Que tipo de rapaz?

- O tipo de rapaz que te faz sentir especial durante um tempo e depois te trata como lixo. Tu mereces melhor.

- Mas ele…

- Não está a ser real. Ele tem sempre aquelas falas perfeitas planeadas e o guarda-roupa, e até a maneira de andar. Achas mesmo que os rapazes normais são assim? Porque é que achas que metade das raparigas desta escola estão atrás dele?

- O Derek é assim. Ele é lindo e fala bem. E tem um bom andar. Ele é forte. Ele também é o filme, como tu dizes.

- Só se for de terror – murmurei.

Embarrei num dos bancos do corredor, acertando-me exactamente na ferida feita há três noites, quando me armei em Buffy a Caçadora de Vampiros, e ajudei os meus… amigos não é a palavra certa… conhecidos à força, a intimidar um vampiro. Estremeci por causa da dor.

- Ainda não me explicaste como é que fizeste isso – disse ela, apontando-me para o joelho.

- Expliquei sim, eu caí.

- Certo. E a nódoa negra no ombro?

- Gwen, eu disse-te. Eu caí das escadas. Foi só isso.

Íamos a virar quando Gwen esbarrou num rapaz, que ao virar-se, vimos que era Tom Gurriet. Que conveniente, lugar certo à hora certa. Tom é aquele tipo de rapaz mimado e popular a quem nunca ninguém diz não, e que tem sempre o que quer. Não sei se são os olhos azuis e o cabelo preto, mas ele consegue fazer com que as raparigas enlouqueçam à sua volta.

- Tom! – Exclamou Gwen, corando de imediato.

- Gwen, olá, que bom ver-te. Nós continuamos a encontrar-nos assim… - pois, grande coincidência – E tu deves ser a melhor amiga…

- Bem adivinhado – disse eu, sem muita alegria na voz.

- Bem, eu sei que é um bocado em cima da hora mas Gwen, queres ir comigo mais logo à nova discoteca, OuT ClUb? – Perguntou ele.

Gwen olhou para mim, no seu olhar consegui ver que estava radiante. Ela estava a cair direitinha na armadilha dele. Mas não me vou meter, eu avisei-a, e ela já é grandinha para fazer as escolhas dela. Não me vou meter…

- Claro – respondeu-lhe, entre risos, com as bochechas quase da cor de um tomate.

- Vejo-te depois. Adeus… Carol – disse ele, desviando-se.

“Carol”? Vá lá, é tão óbvio que este tipo está a jogar uma espécie de jogo em que nenhuma de nós se devia de meter.

- Tu ouviste aquilo? – Perguntou Gwen, eufórica – Ele convidou-me para sair!

- Sim… - na minha voz não estava uma única ponta de alegria, estava preocupação.

- Não sejas assim, eu mereço ter a minha história de amor. E quem melhor para ser um príncipe que o Tom?

Derek e os irmãos passaram por mim e olharam para mim. Não falava com nenhum deles desde que me deixaram em casa, depois do pequeno encontro com o vampiro.

- Vou-te dar um conselho: namorar com o Tom deve ser similar a namorar um vampiro, perigoso e devastador.

- A não que seja um vampiro bom.

- Podia ser… se eles existissem.

A aula de Informática foi das mais lentas da manhã, especialmente porque a Gwen não parou de falar do seu “encontro” com o Tom. Não sei como é que ela não consegue ver. Ele é um jogador, e ela é o seu prémio. Pelo andar da carruagem, ela está a facilitar o jogo demasiado.

Quando a aula acabou fui para o refeitório e sentei-me apenas com Gwen numa mesa. Começámos a comer e ela continuou com o tópico preferido do dia. Vi Verónica aproximar-se e comecei logo a pensar no que queriam agora. Será que desta vez vou fazer de isco para dois vampiros em vez de um? Não, se calhar querem-me atirar contra uma parede a mais de dez metros de distância para ver se eu continuo a respirar.

- Chloe… - disse Verónica, ao meu lado. Virei a cara para ela e esperei que continuasse – Nós não temos falado… - Graças a todos os santinhos lá de cima – E nós queríamos saber como estás, depois do encontro com o “nosso amigo”.

- Estou bem – respondi.

- Tens a certeza? É que…

- Verónica, eu estou bem, ok? Nós estávamos a falar, por isso…

- Oh, claro. Vejo-te por aí.

Esperemos que não.

A seguir tive Filosofia e depois fui para casa. Ainda faltavam duas horas até que Abby saísse, e a mãe de uma colega dela disse que a trazia, e Dylan também estava na escola, mas mesmo que não estivesse, de certeza que não ia estar em casa.

Subi para o quarto e sentei-me na cama. O pesadelo que tive com Derek e o outro homem aqui no meu quarto, e Derek caído na rua, imóvel, com uma rosa murcha na mão e eu a seu lado, não me sai da cabeça. A pior parte é que o pesadelo não me é estranho. Eu já o tive. Entre muitos outros, já tive este pesadelo.

Pode doer bastante, mas há certas feridas que nunca cicatrizam como deve de ser, e que acabam por se abrir.

Fui buscar a pequena caixinha quadrada com a tampa dourada ao meu roupeiro e tirei de lá um diário que escrevi quando ela mais pequena, pouco depois de o meu pai ter morrido.

Comecei a lê-lo, com esperança que me explicasse quando e porquê tive este pesadelo.

Vi o que a minha letra mudou até hoje, mas infelizmente, não vi nada que me ajudasse, e percorri o diário de capa a capa.

Ouvi a campainha e desci as escadas à pressa para abrir a porta. Espreitei e vi Derek. Afastei-me da porta muito lentamente, não a queria abrir.

- Eu sei que estás aí – disse-me. – O carro está estacionado, e além disso consigo ouvir-te. Podes abrir? Por favor…

- Raios – reclamei.

Suspirei e fui abrir a porta. Ele entrou e olhou para mim.

- A Verónica disse-me como a trataste hoje… - começou.

- Oh vá lá, uma vampira sensível? Estás a gozar? – Isto está a começar a ultrapassar o ridículo.

- Devias pedir desculpa. Ela não te fez nada.

- Ela é uma vampira e basta! O que é que estás aqui a fazer? Pensava que tinha sido clara quando disse que não queria que viesses cá a casa.

- E foste.

- Sabes que mais? Eu vou para o quarto, tu vais sair, ok?

Comecei a subir as escadas e ouvi a porta a fechar-se. Deixei aparecer um sorriso de vitória mas… será assim tão simples? Terá ele desistido assim sem mais nem menos?

Entrei no quarto e assustei-me ao vê-lo sentado na minha cama. Se o olhar matasse, ele já estava estendido no chão, isto claro se ele já não estivesse morto.

- O que foi? Eu saí e entrei pela janela – justificou-se.

- O que é que queres?! – Vi as coisas da caixa em cima da cama e olhei para ele, furiosa – Tu mexeste nas minhas coisas?! Não tens esse direito!

Comecei a meter as coisas todas dentro da caixa à balda e tapei-a.

- Eu…

- Cala-te e sai da minha casa! – Gritei.

- Qual é o teu problema com vampiros, hã?! O que é que nós te fizemos?! Viste um filme de vampiros quando eras mais nova e não dormiste durante uma semana?!

Por momentos fiquei petrificada, mas depois veio-me uma fúria enorme e dei-lhe uma chapada, mas recuei logo, a agarrar na mão. Não estava partida nem nada, mas doía-me a valer.

- Deixa-me ver – pediu, enquanto me agarrava na mão para a examinar.

- Eu estou bem – afirmei, tirando a mão das dele. – Não preciso da tua piedade.

- A sério? Tu é que sabes – e revirou os olhos. – Tenho que dizer, para alguém que parece saber tanto de vampiros, devias saber que eles são duros como pedras.

- Mais como diamantes… - resmunguei.

- Mas a sério… - o tom de voz agora estava diferente, estava… preocupado. – O que é que os vampiros te fizeram?

- Porque é que achas que me fizeram alguma coisa? – Perguntei, tentando não dar a parte fraca.

- Porque vi a maneira que agiste, depois de te perguntar. É obvio que já sabias da existência de vampiros antes de te dizer… por favor, deixa-me ajudar. Ouve, eu já percebi que este assunto te deixa desconfortável, triste até, mas acho que te fazia bem se falasses…

Não sei se foi o implorar ou os seus olhos que transpareciam preocupação, ou até o som suave da sua voz, mas a verdade é que me apetecia contar-lhe.

Estremeci. Detesto este tipo, está a dificultar-me imenso odiá-lo. Sentei-me na cama e cruzei as pernas.

- Eles mataram o meu pai – foi pouco mais que um murmúrio, mas eu sei que ele ouviu perfeitamente.

- Como é que sabes?

Esforcei-me para que as lágrimas não começassem a cair desalmadamente e apertei os lábios com força. Só recomecei a falar quando tive a certeza que a voz ia sair.

- Porque vi…

- Chloe…

- A polícia nunca encontrou quem foi, claro.

- Como é que viste? Ele não te atacou?

- Era o aniversário do Dylan, ia fazer oito anos, por isso a minha mãe levou-o às compras. Eu tinha dez, e a Abby tinha três. Ambas vimos, mas ela não se lembra. Estávamos na cozinha com o meu pai, íamos almoçar… então ouvimos um barulho no andar de cima e ele disse-nos para nos escondermos. Levei a Abby e entrámos para a despensa, mas ao contrário do que o meu pai mandou não fechámos a porta, ficou só encostada. Vi-o agarrar numa faca, e então, vindo do nada, apareceu um homem. Ele era um trinca espinhas e o meu pai, se fosse numa luta justa, tinha dado cabo dele… - Fiz uma pausa para respirar fundo e olhei para Derek, ele estava a ouvir a história com a mais atenção possível – O homem, num ataque a alta velocidade, mandou-o contra uma parede e foi logo apanhá-lo antes de bater no chão. Foi aí que a Abby começou a chorar. Tapei-lhe a boca com a mão e continuei a observar. Ela só soluçou, mas eu sabia que ele tinha ouvido. Ele apanhou a faca que estava no chão, que o meu pai tinha antes de ser atacado, e espetou-lha no abdómen. Quando o sangue começou a cair ele molhou o dedo e levou-o à boca. Depois fez-lhe um corte na garganta, e o sangue escorreu para um copo que não estava lá nem há meio segundo atrás. Ele começou a bebê-lo como se fosse água – Fiz um barulho de repugnância. – Foi aí que as minhas lágrimas começaram a cair. Ele virou-se para a despensa e começou a andar muito lentamente, até que alcançou a porta e a abriu por completo. A Abby estava tapada, mas tenho a certeza que ele sabe que eu não estava sozinha. Ele inclinou-se sobre mim e os seus caninos estavam enormes e pontiagudos, e os olhos estavam acinzentados, com os vasos sanguíneos vermelhos-vivos. Não sei porque é que não me atacou, eu estava lá, era indefesa, e mesmo assim, ele não me atacou. Lembro-me de o ver a piscar-me o olho e a dizer qualquer coisa, mas não me lembro o quê, e depois deu meia volta e fugiu. Acho que voltou atrás, mas veio pelo outro lado, e voltou a olhar para nós, depois desatou a correr. E nem meio segundo demorou até eu e Abby ficarmos sozinhas em casa. A parte mais frustrante é que não me consigo lembrar da cara…

- Lamento…

- A minha mãe fugiu pouco depois disso. Nós ficámos a viver com a nossa tia, que mora nos arredores, mas quando eu fiz dezasseis anos ela adoeceu muito e acabou por morrer, por isso voltámos para esta casa, que íamos pagando com o dinheiro da minha mãe. Vou fazer dezoito anos no próximo ano, e depois podemos respirar, porque posso pedir a custódia deles.

- Tu passaste por imenso…

Limpei as lágrimas que entretanto fugiram ao meu controlo e olhei directamente para ele.

- É por isso que não gosto de vampiros. Desculpa se te ofendi, mas em todos estes anos sempre pensei numa coisa: vampiros são vampiros. E não sei até que ponto é que podem existir vampiros bons.

- Ok – estendeu-me a mão – Posso pelo menos tentar mostrar-te que há vampiros bons?

Pus a mão em cima da dele e ele apertou-ma.

- Ai, pára! – Pedi, tirando a mão.

- Que foi? – Perguntou, alarmado.

- Magoei esta mão, lembras-te?

- Oh sim, ao dar-me uma chapada – e apareceu aquele sorriso de gozo que só ele sabe fazer.

Dei uma pequena gargalhada. Ficámos quietos durante o que parecia bastante tempo, mas passaram-se apenas minutos, até que as lágrimas secassem por completo.

- Posso perguntar-te uma coisa? – Perguntei.

- Claro, o quê?

- Tu alguma vez… - como é que digo isto? - Mataste alguém? Eu sei que a Verónica disse que não mas… eu também ia dizer, se fosse ela.

Ele deixou escapar um sorriso muito leve, que rapidamente se desvaneceu.

- Já – respondeu – A minha mãe – Ao olhar para mim, viu o quanto chocada estava – Ela teve um ataque cardíaco ao ver-me com a mesma aparência, vinte anos depois.

Uf, assim fico mais aliviada.

- Bem, tu não a mataste… ela é que… morreu…

- Sim, eu sei. E… ela já era velhinha. Pensou que eu era um fantasma…

- Porque é que nunca mataste ninguém? – Sei que parece estúpido, mas gostava mesmo de saber. Se um vampiro é um monstro, e Derek é um vampiro, porque é que não age como um?

- Porque… ao contrário do que tu achas, eu não sou um monstro.

- Então, não há razão nenhuma no mundo que te faria matar alguém?

- Há duas, mas nenhuma delas é sede.

- Quais são?

- Eu mataria alguém… para proteger alguém que amo, ou para vingar alguém que amo.

Olhei para o chão e comecei a corar involuntariamente. “Monstros vão sempre ser monstros” lembrei-me.

- Estás a corar… queres perguntar-me mais alguma coisa? – Perguntou ele.

- Só mais uma: Alguma vez me quiseste morder?

Desta vez a gargalhada que soltou foi bem sonora.

- Sim, a toda a hora – respondeu.

- Como… como é que te controlas?

- Com dificuldade – Olhou para mim. – Mas vale a pena.

Os seus olhos brilhavam de uma maneira contagiosa e eu conseguia ver-me reflectida neles, pude ver o quão corada estava.

- Obrigado… – desde que descobri que ele é um vampiro, que esta é a primeira vez que lhe digo isto, e que é de verdade – por não me morderes – Ele voltou a dar outra gargalha – E por tudo o resto.

- Uau, Chloe Simms, estás a gostar um bocadinho de vampiros?

Dei-lhe um pequeno empurrãozinho no ombro e sorri-lhe.

- Nem por perto.

- Óptimo. Porque… eu tenho mais uma pergunta, e não sei qual vai ser a tua reacção.

- Credo, tinhas que estragar tudo. Pergunta lá.

- Eu vi uma carta, na caixa. O que é?

- Não sei, nunca abri.

- Porquê?

- Eu encontrei-a debaixo da minha cama dias depois de o meu pai… morrer – respirei fundo – É dele. Ele deixou-me uma carta, e isso só pode querer dizer uma coisa…

- Que ele sabia que ia morrer.

Começou a escorrer-me uma outra lágrima pela cara, mas antes que a pudesse limpar, o seu dedo frio já o tinha feito.

- Sim… e… eu acho que estou com medo do que posso encontrar.

- É compreensível mas eu acho que ele não te ia deixar nada que te magoasse ainda mais.

- Talvez, talvez não – olhei para a caixa – Ajudas-me a descobrir?

- Tens a certeza? Quer dizer, podias pedir à Gwen ou…

- Eu quero agora. Ela não está aqui agora.

- Ok.

Alcancei a caixa e abri-a de novo. Retirei de lá o envelope branco, com o meu nome escrito com a letra do meu pai. Abri-o lentamente e retirei o pedaço de papel, mas o envelope não ficou vazio. Virei-o para baixo e um colar caiu para a minha mão. Tinha uma cruz de prata, com vários detalhes e nas pontas era como se fizesse três pétalas. Onde a cruz se cruzava, estava um pentagrama. A cruz estava presa numa corrente, também de prata. Nunca vi nenhum colar deste género, mas Derek pareceu reconhecê-lo. Desdobrei o papel e comecei a lê-lo lentamente, depois de respirar fundo.

 

«Chloe, querida

Se encontraste esta carta, então algo aconteceu ao pai.

Eu sei que isto deve estar a ser um grande choque para ti, mas tens que ser forte querida. Agora é a tua vez de tomar conta da tua mãe e dos teus irmãos. Não queria partir desta maneira, mas estar-te a deixar isto é a maneira de te fazer perceber que apesar de tudo, não foi uma surpresa para mim. Lamento imenso e tu és demasiado nova para passares por uma coisa destas. Por uma dor destas. Chloe, não odeies o mundo. O que aconteceu foi apenas culpa minha. Eu meti-me com o tipo errado de “pessoas” e a coisa deu para o torto. Eu sei que agora provavelmente não percebes, mas um dia quando fores mais velha vais entender. Quero que saibas que vou sentir muito a tua falta, da tua mãe, e dos teus irmãos, mas que nunca vou estar longe. Vou estar sempre a olhar por ti, esteja onde estiver. Tu és o meu anjinho, a minha estrela da sorte, e eu desejo-te tudo de bom.

Estou a dar-te este colar porque tem “poderes especiais” e deves usá-lo sempre. Ele consegue proteger-te das “pessoas” que me magoaram. Ele consegue afastar as pessoas que te desejam mal, não deixa que te magoem, e protege-te.

Nunca, mas nunca mesmo, pares de sonhar, e por favor, sê feliz.

Beijos, pai»

 

Quando acabei de ler a carta já tinha a garganta a arder, de fazer tanta força para conter as lágrimas, que eventualmente começaram a cair. Larguei a carta, deixando-a cair para cima da cama e fiquei em silêncio durante o que parecia ser uma eternidade, enquanto Derek lia a carta. Apesar de ele não estar a olhar directamente para ela, eu sei que ele a está a ler.

- Ele sabia que ia morrer – murmurei, com a voz rouca do choro. – Foi por isso que insistiu com a minha mãe para ela sair connosco, mas ela não quis e foi só com o Dylan.

- Lamento – foi pronunciado baixo, mas foi sincero. Ele pegou no colar, que estava ao meu lado em cima da cama, e olhou para mim – Mas ele tem razão, este colar… eu não diria “poderes especiais”, mas impede os vampiros de se aproximarem o suficiente para te morder, para te magoar.

- A sério? – Perguntei, enquanto limpava a cara.

- Sim, devias usá-lo – ele levantou-se e foi para trás de mim – Podes levantar o cabelo?

Obedeci e ele pôs-me o colar, voltando depois a sentar-se à minha frente.

- Obrigado – acho que hoje lhe estou a dizer isto vezes a mais…

Ele sorriu.

- Acho que hoje me estás a dizer isso vezes a mais – disse-me.

- Exactamente o que eu estava a pensar.

Derek ficou mais um bocado cá em casa, até eu me acalmar um bocado. A Abby já deve estar a chegar e eu estou numa pilha de nervos e com os olhos mais vermelhos que os de Derek, quando ele se transforma.

Quando olhei para o relógio, vi que já eram quase seis e meia, Abby estaria em casa em três minutos, se não se atrasasse.

- Estás mais calma, eu vou andando – disse-me ele, levantando-se da cama.

- Ok.

Levantei-me, levei-o até à porta e abri-a.

- Chloe… eu estou muito contente que tenhas desabafado, e que tenha sido comigo – disse-me.

Engoli em seco. Neste momento, não posso dizer que sinto o mesmo ou não.

- Ok – foi o melhor que arranjei.

Ele ia-se embora mas deu meia-volta e abraçou-me. Ele era duro e frio, mas sabia bem.

- Uma pergunta – disse-lhe, enquanto ainda estávamos abraçados.

- Se o colar afasta os vampiros, porque é que estás abraçado a mim?

- Porque eu não tenho más intenções.

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