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Spotlight

por Andrusca ღ, em 10.12.10

Capítulo 16

Infelicidade

 

Três meses depois…

 

Seth

 

- Vá lá mano, anda lá – insistiu a chata da minha irmã, enquanto me tentava puxar para fora do sofá.

- Leah, deixa-me em paz! – Senti-me mal por lhe ter gritado. Afinal, ela não tinha culpa nenhuma da minha desgraça de vida.

Mas desde que Alyson se foi embora que não consigo pensar em mais nada. Talvez se não lhe tivesse mostrado o que sou. Talvez assim ela ainda estivesse comigo. Talvez… mas então estaria a viver uma mentira completa. E não quero viver uma mentira. Mas quero-a a ela. E agora nunca a poderei ter. Tudo porque sou um estúpido monstro. Um lobisomem.

Nunca vou esquecer o olhar nos seus olhos, quando me viu transformar-me. Nunca.

 

*Flashback*

 

Fomos até à falésia de onde costumávamos saltar, eu e a alcateia, e tinha o bosque por trás. Fiquei de costas viradas para ele, de frente para Alyson. Ia precisar de espaço para me transformar.

Ela estava a olhar para mim, tinha que ser agora. Tinha que conseguir.

- Olha Ally… eu gosto mesmo de ti – se calhar esta não foi a melhor maneira de começar, porque posso jurar que quase vi o brilho de lágrimas nos seus olhos.

- Eu sei, eu também gosto muito de ti e…

- Espera. O que eu sinto por ti, não é… não é normal. É como este… vínculo sobrenatural. E eu… bem, fica mais fácil mostrar-te do que explicar. Depois posso responder a tudo o que queiras perguntar.

Ela não parecia estar a perceber. Também, como a posso culpar? Isto está a sair tudo ao contrário.

Mas tenho que lhe dizer. Depois de amanhã ela vai-se embora e então nunca saberei como as coisas poderiam ter sido entre nós. Como deviriam ter sido entre nós.

- Do que é que estás a falar? Seth, eu vou-me embora amanhã.

Amanhã? Mas isso é ainda mais cedo do que previsto. Eu não posso ficar sem a Alyson, não posso. Mostrar-lhe é a minha última opção. “Vá lá Seth, tu consegues”, pensei, num acto desesperado, antes de começar a falar.

- Então é mais uma razão para eu fazer isto hoje. Eu sei que ao dizer-te isto, provavelmente estou a deitar tudo a perder e vou-te perder para sempre mas… tenho mesmo que fazer isto. Por favor, por favor, não tenhas medo.

Dei uns quantos passos atrás e cuidadosamente, transformei-me em lobo, a uma distância considerável dela. Nunca iria arriscar magoá-la.

Não consegui decifrar o seu rosto, tinha um misto de emoções enorme. E então uma lágrima começou a escorrer-lhe pela face.

Agora sabe a verdade, e já parece completamente devastada. Mas o que é que eu fui fazer?!

- Nunca poderemos estar juntos – murmurou, ao limpar outra lágrima.

- O quê? Não! – Gritei interiormente – Não Alyson! Isto não muda nada, ainda podemos ficar juntos.

Aproximou-se de mim, lentamente, e afagou-me o pescoço

- Eu amo-te, e lamento… mas nunca poderemos estar juntos… - disse, agora já mais alto.

Começou-se a desviar até à sua mão já não tocar no meu pêlo e começou a correr. Queria ir atrás dela. Atrás do que me faz feliz. Mas não consegui. As palavras dela não me deixavam mover. Senti-me a cair num abismo frio e escuro. E sobretudo, sem fim.

 

*Flashback*

 

Alyson

 

- Estive a analisar as propostas todas e… - Sarah não parava de falar, mas eu já não a conseguia ouvir. Divagava completamente. Não tinha paciência para a ouvir a ela, ou a qualquer outra pessoa.

Tem sido assim desde a última vez que vi Seth.

Ainda não acredito em tudo o que vi em La Push. Não acredito que pessoas se podem mesmo transformar em lobisomens. Mas que é verdade, é. E Seth é uma dessas pessoas.

Senti de novo aquela irritante necessidade de chorar, mas tentei aguentar-me.

- Então, que achas? – Perguntou o meu pai, para mim. Sinceramente já nem sei do que é que estávamos a falar.

- O que quer que vocês achem, está bem – disse eu, enquanto me levantava do sofá.

- Onde vais? – Perguntou Sarah.

- Para o meu quarto, não me estou a sentir bem.

Aguentei as lágrimas até subir as escadas, mas ainda antes de chegar ao meu quarto, elas começaram a escorrer-me pela cara com uma força tremenda.

Entrei no quarto, e ao fechar a porta vi a garrafa de vodka em cima da secretária. Aproximei-me dela e lembrei-me da noite anterior.

 

*Flashback*

 

Levei a garrafa de vodka para o quarto e sentei-me na cama com ela. Estava sozinha em casa e as lágrimas não cessavam. Hoje foi o pior dia de aguentar. Porque há exactamente três meses, foi o último dia em que vi Seth.

Apertei mais a garrafa enquanto pensava que precisava de um escape. Uma pequena escapadela da realidade. E estava mesmo aqui. A vodka ia-me ajudar a esquecer os problemas por um tempo. Claro, eles iam voltar, mas então era simples: mais vodka. Porque não? Reabilitação? É fácil de evitar, basta não ser apanhada.

Tirei a tampa da garrafa e levei-a à boca dando um gole. O líquido queimou-me um pouco a garganta, já não estava habituada a beber, nem que fosse apenas vodka.

As lágrimas não pararam, por isso dei outro gole. Talvez assim parassem.

Mas então lembrei-me de novo de Seth. De como acreditava em mim, e me amava como eu era. Amava sim, porque agora deve detestar-me. Mostrou-me o que era, contou-me a verdade, e eu simplesmente fugi. Nunca o quis magoar, mas não soube como evitar. E agora ambos temos cicatrizes para provar o que passámos juntos.

Respirei fundo e voltei a tapar a garrafa. Não ia dar nem mais um único gole. Esta não era a pessoa que me queria tornar.

Acho… acho que vou simplesmente ter que disfarçar esta dor que sinto dentro de mim, para todo o sempre, e sem ajudas.

 

*Flashback*

 

Uma vez mais aproximei-me da garrafa de vodka e agarrei-a, pousando-a em seguida. Mandei-me para cima da cama e fechei os olhos. Com o que sinto, mais valia fingir que não existia. Que estava morta.

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