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Spotlight

por Andrusca ღ, em 11.12.10

Capítulo 18

Directo

 

Seth

 

Quil já tinha aparecido, mas não disse a ninguém onde tinha estado. Quando nos transformávamos em lobos, ele tinha todo o cuidado para não pensar nisso. E surpreendentemente, conseguia.

Já estava farto de andar a correr de um lado para o outro, e nem um daqueles vampiros sanguessugas nojentos se cheirava, nem que fosse ao longe. A minha mente voltou a divagar até ao momento mais doloroso da minha vida. Era como se revivesse tudo de novo.

- Oh Seth, pensa noutra coisa puto, assim é pior – transmitiu-me Embry, por pensamento.

- Desculpa – pensei, permitindo-lhe ouvir – Não vos queria aborrecer.

- Não é por nós. Assim só te estás a magoar a ti – pensou Quil.

- E onde é que tu foste quando desapareceste? – Pensou Embry, era para Quil.

- Coisas minhas – pensou este, ainda sem se descair em nada.

- Bem, estou farto disto, vou mas é ver televisão – pensei, enquanto corria em direcção à minha casa.

Eles já não me transmitiram mais nada. Voltei à minha forma humana, vesti uns calções e uma t-shirt, agarrei num pacote de batatas fritas e deixei-me cair no sofá. Estava sozinho em casa.

- Se soubesse que não ia dar em nada nunca tinha saído daqui – murmurei, ao ligar a televisão.

A verdade é que agora não há acção nenhuma em La Push, e só fui fazer a patrulha com Quil e Embry porque sei que se não tivesse ido, Sam ia-me dar na cabeça. E agora não estava com disposição para isso.

Não estava a dar nada de jeito, por isso mudei de canal vezes sem conta. Quando estava prestes a desligá-la, começou um programa que a minha mãe costumava ver, era um daqueles programas em directo parvos que só falam da vida das pessoas e de fofocas. Todos os episódios tinha um convidado especial. E o de hoje… era Alyson. Ao vê-la quase que deixei cair as lágrimas. Sei que não é o mesmo que tê-la ao pé de mim, mas mesmo assim é melhor que ler sobre ela nas revistas. Vi-a dar uma risada e pôr o cabelo para trás. O seu cabelo estava maior, e o riso não parecia muito verdadeiro. Mas também, pode ser apenas a minha grande vontade de não querer que seja verdadeiro, que me pode fazer pensar que não é.

Apesar de saber que ia sair muito magoado ao assistir a isto, não resisti, e recostei-me no sofá enquanto levantava o volume da televisão.

- Fala-nos do teu novo filme Alyson – pediu a apresentadora.

- Bem… ainda não tenho muito a dizer. Recebi o guião hoje, e como vocês sabem vai contar com a aparência do meu pai.

- E do Tom McCallin, correcto?

- Sim.

- Como vai ser para ti protagonizares este filme de novo com o Tom? Vai ser muito difícil fazer as cenas românticas.

- Bem… hum… o Tom e eu já somos amigos há uns anos, por isso estamos confortáveis com o outro. Mas não acho que vão haver cenas íntimas neste filme, apesar de sermos o par romântico.

- Então e o romantismo na tua vida real? Algum candidato?

- O quê? – Ela pareceu desprevenida. Detestei esta apresentadora agora. Não sabia se queria ouvir a resposta de Alyson, sei que se ela dissesse que sim, o mundo acabava aqui e agora.

- O público quer saber se tens alguém especial na tua vida neste momento – insistiu a apresentadora.

- Hum… - agora parecia sobretudo pouco à vontade – Não. Estou completamente solteira.

Uf, ao menos isso. Senti um alívio enorme ao ouvi-la dizer que ainda estava solteira. Isso tinha que querer dizer qualquer coisa, certo? Talvez ainda não me tivesse esquecido, talvez ainda houvesse uma chance.

- Nesse caso, podes-nos explicar o que fazias com este belo jovem na semana passada? – Quando a apresentadora fez esta pergunta senti um aperto enorme no coração ainda antes sem ver a imagem que apareceu no ecrã por trás de onde elas estavam sentadas.

Fui completamente apanhado desprevenido e Alyson também não parecia estar nada à espera. Mas para mim foi pior.

Desde quando é que o Quil vai a LA? E mais: porque é que a foi ver a ela?

Comecei a tremer por tudo quanto era sítio mas decidi que tinha que me acalmar. Ela estava a falar em directo, agora queria ver o que dizia sobre isto.

 

Alyson

 

Quando a fotografia minha de Quil a caminho da minha casa apareceu no grande ecrã, ia tendo um ataque cardíaco. Malditos repórteres, malditos programas televisivos, maldita vida!

Não consegui falar e nem sei bem porquê. A apresentadora ficou a olhar para mim expectante, tal como os telespectadores que estavam sentados no público.

- Ele é só um amigo – disse-lhe.

- Tens a certeza? Porque existem rumores que ambos se conheceram nas duas semanas em que estiveste em Forks, uma pequena cidade de Washington.

- Eu tenho a certeza.

Fiz um esforço muito maior do que aquele que devia ser permitido a alguém, para que as lágrimas não me começassem a escorrer em directo. Só pensava em Seth e em mais nada.

Quando nos filmes as imagens aparecem em câmara lenta, indicando que as personagens não se estão a sentir bem, são apenas montagens. Mas agora eu estava a sentir isso. Via os lábios da apresentadora moverem-se mas não ouvia o que de lá saía. Via-a a mexer-me mas não tomava atenção a nada. Estava completamente apática do mundo.

- Alyson, está-se a sentir bem? – Ela praticamente que me berrou.

- Sim, desculpe – disse-lhe, disfarçando com um sorriso tudo menos verdadeiro – É como eu disse, ele é só um amigo. Sim, eu conheci-o em Forks, e agora ele esteve cá a visitar família, por isso decidiu dizer olá.

- Muito bem. Também há pessoas com a opinião de que o dono do teu coração é o galã Tom. O facto de terem protagonizado um filme romântico ainda alimenta essas expectativas. O que é que dizes a essas pessoas?

- Bem… eu digo: vocês querem mesmo arranjar-me namorado à força, não querem? Bem, esqueçam. Estou solteira, e vou ficar assim. Por quanto tempo? Não sei. Mas por agora? Por agora encostem-se nos sofazinhos, relaxem, e parem de me impingir namoros.

- Uau, alguém partiu muito bem o teu coraçãozinho, não partiu?

Olhei para ela perplexa. Como é que se atreve a dizer-me uma coisa destas? Se não estivéssemos em directo já lhe tinha dado uma chapada. Mas não posso arruinar tudo agora. Respirei fundo e contei até dez, mentalmente. “Estás em directo Ally, não estragues tudo, pensa bem, respira fundo”, repetia para mim mentalmente, vezes sem conta.

- Pois bem… isso significa que alguém já me amou o suficiente para o partir – disse eu, calmamente e com um tom um pouco de gozo, apesar de não ter achado graça nenhum – Aparentemente o teu coração nunca foi partido assim.

Agora foi ela a ficar chocada a olhar para mim, enquanto eu lhe sorri, de novo falsamente. Faltavam poucos segundos para o programa acabar quando ela olhou para a câmara e forçou um sorriso.

- Bem, e isto foi tudo por hoje. Obrigada por teres vindo Alyson, e espero que tudo te corra. Até amanhã. Eu sou a Marisol Turner, e isto foi o “Em Directo”.

Deram sinal que o programa tinha acabado e Marisol virou-se de novo para mim.

- Bem jogado – disse-me.

- Marisol, que raios foi aquilo?! – Perguntei-lhe, chateada, enquanto me levantava.

- Vá lá Ally, estava só a dizer o que as pessoas gostam de ouvir. Não estás zangada, pois não?

- O que é que achas?!

Ela levantou-se também e agarrou-me no braço, impedindo-me de ir embora.

- Desculpa. Vá lá, vamos a um bar beber uns copos, desanuviar… - disse-me.

- Eu já não bebo.

- Vá lá, era só esta noite.

- Não Marisol! Nunca é só uma noite. Foi por isto que me afastei de ti, tu nunca respeitas as pessoas!

- Se soubesse que ias ficar tão chateada não tinha dito aquilo. Desculpa…

- Esquece. Estavas a fazer o teu trabalho. E eu tenho que ir para casa para fazer o meu. Tenho centenas de frases para decorar e ainda tenho que preparar as coisas para ir viajar por causa do filme.

- Já sabes para onde vais?

- Não… adorava saber, mas ninguém me diz nada.

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