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Spotlight

por Andrusca ღ, em 12.12.10

Capítulo 19

Retorno

 

Alyson

 

Nas duas últimas semanas tem estado tudo completamente agitado. São os guiões para decorar, as provas de roupas, tudo. E ainda não consegui que me dissessem onde vamos gravar. Mas já não falta muito para descobrir.

- Falta muito para chegarmos? – Perguntei, já farta de estar sentada sem fazer nada.

- Um bocado – respondeu-me o meu pai.

- Alyson, tu vais adorar o sítio – disse Tom, cheio de entusiasmo.

- Só gostava que me dissessem onde era – murmurei.

Já estávamos no jacto há quase cinco horas, e já tinha amanhecido.

Quando chegámos, puseram-me uma venda. Mas que exagero, qual é o problema desta gente?

Fomos numa limusina não sei para onde, porque continuava com a venda.

- Isto é mesmo necessário? – Perguntei, já farta.

- É – disse o meu pai – Acredita querida, quando descobrires onde estamos, vais saltar de alegria.

- Só espero que não seja na China – murmurei. Tive uma má experiência lá.

- Relaxa, não é – disse Tom, rindo-se.

- Já posso tirar a venda? – Insisti.

- Não. Estamos quase – disse o meu pai, com uma voz já enfadada.

- Ainda vamos começar a gravar hoje? – Perguntou Tom.

- Não. Pedi à produção para dar este dia à Alyson – disse o meu pai. Mas que raios? Para onde é que me levam?

Senti o carro parar e o meu pai tirou-me o cinto. Assim que a porta do carro se abriu, espirrei e comecei a tremer por tudo quanto era lado. Estava um frio de morte, era horrível. Na volta vim parar à Antárctica e não sei.

O meu pai deu-me a mão para sair do carro e um cheirinho a orvalho pela manhã invadiu-me o nariz. Era um cheiro super agradável, o frio é que estragava tudo.

- Alyson, querida – disse o meu pai – Aguenta aí só um bocadinho.

Fiz o que me pediu e fiquei à espera, depois ele agarrou-me na mão, enquanto Tom agarrou na outra, e começámos a andar não sei para onde.

Tropecei uma pedra e ia caindo, mas o meu pai amparou-me. Credo, não sabia que na Antárctica havia pedras assim tão grandes.

- Estás bem? – Perguntou o meu pai.

Ainda me cheirou mais a natureza e a partir desse momento não senti, ouvi ou cheirei mais nada. O frio, o cheirinho a orvalho, as horas no jacto… eu sabia onde estava. Senti-me a entrar em pânico por dentro e tive que tirar a venda, para verificar o que já sabia. À minha frente estava um bosque, mas não era um bosque qualquer. Este bosque eu conhecia em qualquer altura.

- Oh meu deus – murmurei, enquanto uma lágrima me caiu.

- Alyson? – Perguntou Tom.

- O que é que se passa querida? – Perguntou o meu pai, já preocupado.

Já ambos me tinham largado as mãos.

Senti de novo um aperto no coração ao lembrar-se de Seth. Não tardaria a encontrá-lo, e quando encontrasse, o que é que ia acontecer? Tentei não pensar nisso, tentei ser uma boa actriz, mas cheguei a um ponto que não consegui e deixei simplesmente as lágrimas cair. Estava farta de fingir, farta de chorar no escuro, completamente sozinha. Agora já não conseguia representar e dizer que estava bem.

Deixei-me cair de joelhos naquela relva verde e ainda um pouco molhada da humidade e levei as mãos à cara enquanto as lágrimas me caíam com a força de um vulcão.

 

Seth

 

- Oh Sam! – Gritou Embry, ao entrar pela cabana de Emily. Virei-me para ele, tal como Jacob, Sam e Leah.

- O que foi? – Perguntou Sam.

- O que é que se passa lá fora? – Perguntou Embry – Parece um circo autêntico.

- Como assim? – Perguntou Leah, enquanto se levantava para ir espreitar.

- O que é que há lá fora? – Perguntou Jacob.

- Repórteres, câmaras… querem ver que descobriram o nosso segredo? – Embry agora parecia em pânico, e todos nós nos exaltámos por um bocado. Até eu, que ando sem me interessar por nada, me obriguei a acordar para prestar atenção à conversa.

- Não é nada disso Embry – disse Sam, calmamente.

- Então o que é? – Perguntou Leah – É que ele tem razão, está ali uma grande confusão.

- Vão filmar um filme aqui – respondeu Sam.

- Um filme? – Perguntou Jacob – Já sabias disto? Isto pode ser perigoso para nós.

- Sim, já sabia – disse Sam, ainda calmo – Eu sei que pode ser perigoso, mas não pudemos recusar sem nos expormos. A verdade é que não há nada que os impeça de gravar aqui.

- Porque é que não nos disseste antes? – Perguntou Embry.

- Porque… - Sam deitou-me um olhar e interrompeu-se. Percebi momentaneamente e levantei-me em direcção à porta com uma velocidade impressionante – Seth não! – Gritou-me.

Voltei-me para ele.

- Sam, eu tenho que a ver – disse-lhe.

- Não, não tens. Não a podes ir ver agora – disse-me ele.

O quê? Não a posso ver? Depois deste tempo todo quem é que Sam pensa que é para me dizer que não a posso ir ver? Agora que está tão perto de mim, como se atreve a dizer-me isto?

- Não a vais ver Seth – agora usou o seu tom autoritário comigo. Não era o tipo de tom que usava para nos obrigar a obedecer, era o tom que usava antes de usar esse. Era o tom que nos avisava que se não obedecêssemos de livre vontade, ele iria usar esse.

- Mas Sam… - insisti.

- Não! – Gritou-me – Seth, podes sair daqui, mas não para a ver, estamos entendidos? Vai-te magoar mais.

Não lhe respondi, virei costas e vim-me embora. Eles tinham razão, havia câmaras em montes de sítios, e montes de gente, mas não a vi a ela. Não que a pudesse procurar, mesmo assim.

Talvez Quil soubesse disto há mais tempo e não me tivesse dito nada. Afinal, não é ele que lhe fez uma visitinha? Na volta andou-me a esconder isto também. Mas não, não posso começar com isto. Exaltei-me com ele e ficámos mal por causa disse, mas agora já está tudo resolvido, ele já me explicou que queria que ela voltasse por causa de mim… mas mesmo assim, não devia ter agido pelas minhas costas.

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