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Spotlight

por Andrusca ღ, em 13.12.10

Capítulo 20

Compreensão

 

Alyson

 

Ainda antes de a minha crise de choro ter passado completamente, o meu pai e Tom levaram-me para o hotel onde tínhamos ficado hospedados da outra vez, e íamos ficar de novo agora.

Não pronunciei uma única palavra, e muito menos um som. Usava todos os meus esforços para conter as lágrimas, mas não conseguia e elas continuavam a escorrer. Tom e o meu pai também não disseram mais nada.

Assim que chegámos ao hotel, e o meu pai me disse o número da suite – que desta vez era só para mim – fui logo trancar-me lá dentro.

Como é que esperam que me concentre para gravar? Como é que querem que aja natural aqui?

Bolas, que azar! No meio de tantos sítios trazem-me logo para aquele que mais me magoou. Mas eu já devia ter adivinhado. Para não me deixarem ver o caminho já devia estar à espera de vir parar aqui.

Mandei-me para cima da cama enquanto as lágrimas escorriam e deixei-me ficar assim até que adormeci.

Quando acordei eram quatro horas e as lágrimas já tinham secado. Pelo menos por agora.

Olhei-me ao espelho: estava horrível. Tinha os olhos vermelhíssimos do choro, e umas olheiras piores que sei lá o quê.

Também estava completamente gelada.

Decidi tomar um banho de espuma e água quente para ver se relaxava. Enchi a banheira de água e de sais e espuma e meti-me lá dentro, com a cabeça apoiada no fim da banheira.

Enquanto deixava a água aquecer-me o corpo, regressava aos pensamentos que me assombravam. Agora que aqui estava, era inevitável encontrar-me com Seth. E o que é que acontecia depois? Eu amo-o, mas às vezes amar só não chega. Às vezes é preciso mais. E é isso que nos falta. E além disso, não ia aguentar ver o olhar acusatório vindo dele, aquele olhar magoado que diz que sofreu por minha causa. Não conseguia aguentar.

Agora ainda ia ser mais difícil fingir à frente de toda a gente que está tudo bem.

A água começou a arrefecer e por isso dei o banho por terminado.

Vesti umas calças do fato de treino, bem quentinhas, uma blusa de gola alta e o casaco do fato de treino. Não me apetecia estar a empinocar-me toda. Fiz apenas uma trança e calcei os ténis.

Tinha tomado uma decisão. Tinha que ver Seth. Ia acontecer mais cedo ou mais tarde, por isso mais valia ser agora. Claro que quando o vir as lágrimas vão escorrer e vou sentir tudo e mais alguma coisa, mas não consigo evitar. Vou estar em La Push durante os próximos dois meses pelo menos, e não os vou passar a fugir dele.

Saí do quarto e enquanto ia a passar pela entrada no hotel, o meu pai chamou-me e eu parei. Virei-me e fui ter com ele – estava sentado num cadeirão a ler o jornal.

- Onde é que vais? – Perguntou-me.

- La Push – disse.

- Vais-me dizer porque é que foi aquela crise de choro?

Respirei fundo e apelei à actriz que há em mim que não me desiludisse.

- Não foi nada pai. Eu senti a falta deste sítio, e eu só… bem, na verdade nem consigo explicar. Mas eu estou bem, a sério, melhor que nunca.

Ele levantou-se e ficou a encarar-me.

- Estás a ficar melhor a cada dia que passa – murmurou, um pouco abatido – Já nem sei quando me estás a mentir…

E foi-se embora.

- Diverte-te – disse-me, enquanto se afastava.

- Pois… - murmurei – Melhor a cada dia.

Chamei um táxi que me levou até perto da casa de Emily e depois fiquei especada. Era como se quisesse andar mas as minhas pernas não o permitissem. Bem… na verdade não queria avançar. Mas tinha que ser. Não podia ser cobarde agora. Depois do que fiz Seth passar, não tinha qualquer direito em me armar em cobarde. Devia-lhe ao menos uma explicação.

Dei uns quantos passos e poucos minutos depois já se avistava a casa. Ouvi um rugir atrás de mim e estagnei completamente. Ouvi de novo. Era um lobo. Senti um arrepio varrer-me a espinha e voltei-me muito lentamente. Era enorme, tal como Seth ficou quando se transformou, mas sei que não era ele.

- Olá… - murmurei, engolindo em seco – Quil? Embry? Jacob? Sam? – Comecei a balbuciar os nomes dos amigos de Seth na esperança que este fosse um deles, mas o lobo continuava a rugir-me e com um ar bastante ameaçador.

- Leah! – Ouvi alguém exclamar, e o lobo deu um passo atrás. Era a voz de Emily, e ela apareceu ao meu lado pouco depois – Leah, pára. Vai patrulhar. Vai.

Leah? Ela também é um lobo? Ou… uma loba…

Leah virou-se de costas e começou a andar em direcção ao bosque.

- Lamento – disse-me Emily – Entra, aqui está muito frio.

Ela viu que eu estava reticente, e sorriu-me.

- Não te preocupes, o Seth não está – acrescentou.

- Como é que tu…

- Olha… a alcateia percebe-se, é por isso que estão todos do lado do Seth. Mas eu também te percebo a ti. Já aí estive. Sei como é estar desse lado do jogo. Anda lá, eu faço um chá quentinho.

Sorri-lhe e começámos a dirigir-nos para a porta.

- O que é que o Sam fez para te deixar na minha situação? – Perguntei.

- Ele chateou-se por breves momentos e… bem, o meu rosto diz o resto.

Entrámos e eu sentei-me na cadeira enquanto ela fazia o chá.

- Isso foi o Sam que fez? Uau, deves mesmo amá-lo.

- Amo. E mesmo se quisesse ter ficado chateada com ele não conseguia. Ele é tudo.

- Pois…

- Não te preocupes. O destino há-de juntar-vos outra vez. Se estiver mesmo destinado, mais tarde ou mais cedo acontece.

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