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Spotlight

por Andrusca ღ, em 14.12.10

Capítulo 21

Frente-a-frente

 

Seth

 

As gravações já tinham começado há uma semana, e ainda não a tinha visto. Ouvi dizer que está hospedada no mesmo hotel que da outra vez, mas não tenho coragem de lá. E além disso Sam tem-me vigiado de perto a cada minuto.

Pensei em telefonar-me, mas não ia servir de nada. Ouvir a sua voz e não poder ver o seu rosto seria uma tortura ainda maior que esta.

Saí de casa e vi Sam ao longe, na sua forma de lobo. “Perfeito”, pensei.

Caminhei até ao bosque, e transformei-me também.

- Algum problema? – Perguntei-lhe.

- Não – e depois começou a pensar numa conversa que teve com Emily, mas foi obviamente sem querer, porque sei que ele não quer que eu saiba destas coisas.

- A Leah fez o quê?! – Não lhe dei tempo para pensar nada – Quem é que ela pensa que é para assustar a Alyson assim?

- Seth, tem calma.

- E porque é que não me tinhas dito? Já sei, deixa-me adivinhar! Era para o meu bem?!

- Sim, era.

- Isso é um absurdo Sam! Primeiro o Quil vai a LA e ninguém me diz. Depois a Alyson retorna a La Push e ninguém me diz. E agora a Leah rosna-lhe?! E também ninguém me diz?! Estou-me a sentir como um palhaço qualquer Sam!

- Seth, controla-te!

- Não! Ela é a minha marcação. Eu tenho todo o direito de saber o que se passa com ela e com a alcateia! E bolas, tenho todo o direito de a ver se quiser!

- E depois o quê? Achas que ela vai correr para os teus braços?! Às vezes o imprinting é uma maldição, mas temos que viver com isso! Nem sempre podemos ter o que queremos Seth.

- Para ti é fácil falar. Tu tens a Emily. Eu também quero isso.

Comecei a correr para mais dentro do bosque e ele não me seguiu. Li na sua mente que ficou a resmungar, mas que no fim pensou “faz o que quiseres”.

E assim fiz. Comecei a correr sem rumo. Só precisava de espairecer.

 

Alyson

 

- Não estás a fazer isso bem! – Gritou o produtor, pela milionésima vez.

E de pensar que estive tão perto de não ter que voltar a trabalhar com este homem outra vez…

Tom pousou-me no chão e o director veio ter connosco.

- Alyson, esta é uma cena comovente! Tu ama-lo e não o vês há dois meses! Ele finalmente te veio visitar! Eu preciso de ver sentimentos, saudade, amor… percebes?!

- Não é por estar a gritar comigo que vou conseguir – disse-lhe.

- Já tentei pedir com simpatia. Também não resultou. Esta é uma das cenas mais simples deste filme Alyson. Se não estás concentrada, concentra-te!

Mas como é que ele quer que me concentre aqui?! É completamente impossível. Não consigo concentrar-me quando estou a olhar de frente para o bosque onde sei que algures, provavelmente, Seth está.

Não me consigo declarar a outro rapaz ao saber que ele está tão perto e não lhe posso dizer como me sinto.

E muito menos pensar sequer nas falas que tenho que dizer ao saber que já se passou uma semana e ainda não lhe pus os olhos em cima.

- Vá lá Ally – disse-me Tom.

Respirei fundo de novo e afastei-me poucos metros. “Vá lá Ally, tens que te concentrar, concentra-te!”, pensei.

- Acção – disse o produtor.

Comecei a correr para Tom como se tivesse qualquer coisa a perseguir-me. E aos poucos imaginei que não era para ele que corria, mas sim para Seth, o que me fez correr ainda mais depressa. Quando cheguei ao pé dele, abraçámo-nos e ele, ao levantar-me, andou comigo à roda, até voltarmos a parar. Apoiei os braços nos seus ombros enquanto ele me agarrava pela cintura e sorrimo-nos.

- Estava a ver que nunca mais estava contigo outra vez – disse-me ele, fazendo com o visse de novo como Tom.

- Esquece isso – disse-lhe, com o tom mais inocente que consegui – O que importa é que agora estamos aqui. Estamos juntos.

Abraçámo-nos e ao olhar para o bosque, atrás dele, vi-o. Estava escondido por trás dos ramos das árvores e dos arbustos, mas era sem dúvida ele. E estava a olhar para mim. Queria largar Tom e desatar a correr em direcção a Seth, mas não conseguia. Estava completamente petrificada, e os poucos segundos em que os nossos olhares se cruzaram, valeram por anos. Ele vestia apenas uma t-shirt e os calções, mas agora já sei porque não tem frio.

Não era a minha imaginação. Ele estava mesmo aqui. E o mundo parou todo por completo até que Tom falou.

- Amo-te Natalie – disse-me.

- E eu amo-te Seth – disse-lhe.

- O quê? – Perguntou Tom.

- Corta! – Ouvi. Tinha sido um grito enorme e só então é que percebi o que tinha dito.

- Oh Deus… - murmurei, afastando-me de Tom e fechando os olhos com força.

- “E eu amo-te Seth”?! – Disse o produtor a berrar, com uma voz a tentar imitar a minha – Mas quem raios é o Seth?!

- Desculpe… eu estava distraída – disse eu.

- Vamos partir do abraço, vá lá pessoal, estamos a perder tempo! – Gritou ele.

Voltei a abraçar-me a Tom e os meus olhos seguiram logo para o bosque à procura de Seth. Porém, já não o avistei. O calor que tinha sentido ao vê-lo foi embora completamente, e voltei a sentir o frio e a escuridão que me acompanhavam todos os dias.

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