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Spotlight

por Andrusca ღ, em 15.12.10

Capítulo 23

Desabafos * Parte 2

 

Seth

 

Quando Leah chegou já era tarde. Eu e a minha mãe já tínhamos jantado e esta já tinha ido ter à casa de Billy fazer não o quê. Mal Leah pôs um pé dentro de casa, puxei-a logo para o meu quarto e fi-la sentar-se na cama.

- O que é que aconteceu? O que é que ela disse? Falaram de mim? Como é que ela está? – Perguntei logo – Não lhe rosnaste, pois não?

- Ei, tem lá calminha! Não, não lhe rosnei. Ora bem… ela esteve a falar que não tem andado concentrada, que La Push lhe trás recordações que a fazem não prestar atenção a mais nada… não falou de ti directamente, mas era óbvio que estavas em cada frase que saía da boca dela… e ela não me parece estar nada bem. Está tipo tu… mas ao contrário de ti, ela consegue disfarçar.

- Ela ainda me ama?

- Como é que queres que saiba? Eu não podia fazer perguntas, ela não percebe “lobo”.

- Está bem… - deixei-me cair na cama ao lado da minha irmã. Sinto-me mal por Alyson não andar bem. E tomei uma decisão. Vou falar com ela. Agora já é tarde, mas de amanhã não passa. Ela pode tentar fugir, pode mandar-me embora ou até chamar-me aberração, mas eu não vou ligar e vou-lhe dizer tudo o que penso.

- Bem, eu vou sair – disse-me Leah, do nada.

- Agora? Vais onde? Já é super tarde.

- A vida é minha Seth, não te metas.

 

Alyson

 

Depois de falar com Leah… bem, falar para Leah, voltei para o hotel. A partir do momento em que me afastei dela, gelei completamente. Ela é tão quentinha… mas o Seth é mais. Ou então é o efeito que tem sobre mim que me faz pensar isso. É capaz de ser mais isso.

Tomei um duche de água bem quente, vesti o meu pijama quentinho e meti-me na cama. Estava quase a adormecer quando me bateram à porta.

Saí do quentinho da minha cama e arrastei-me até à porta. Não espreitei antes de abrir, a esta hora só podia ser uma pessoa: o meu pai.

Abri a porta e fiquei especada a olhar. Não estava nada à espera de ver a pessoa que vi.

- Leah! – Exclamei, surpresa.

- Agora é a minha vez de falar. Importas-te? – Perguntou.

- Entra.

Ela entrou e ficámos as duas em pé a olhar uma para a outra feitas parvas.

- Queres dizer alguma coisa? – Perguntei.

- Posso passar cá a noite?

- Hum… claro…

Ela não esperou, deitou-se na minha cama – que era de casal – e tapou-se.

Acho que ainda fiquei meio aparvalhada a olhar para ela. Não sei descrever a minha relação com Leah. Acho que é tipo amor-ódio, com mais ódio que amor. No momento em que a conheci deu para perceber que era minha fã. Mas depois magoei o irmão dela, e compreendo perfeitamente que me odeie por isso.

Bem, o que terá que ser, será.

Deitei-me ao lado dela e tapei-me com o lençol e a carrada de cobertores, enquanto ela só ficou com o lençol e mandou o resto da roupa para cima de mim.

- Queres falar? – Perguntei-me, olhando-a pela última vez antes de desligar a luz. Estava de barriga para cima.

- Não.

- Ok.

Apaguei a luz e enrosquei-me bem enquanto absorvia o calor da cama e do corpo de Leah. Fechei os olhos e ao ouvi-la suspirar abri-os de novo. Mas não se ouviu mais som nenhum por isso voltei a fechá-los, amanhã tinha que acordar cedo para ir gravar. Mas então outro suspiro invadiu o quarto. Abri os olhos de novo e nada. E quando os fechei mais outro. Parecia que fazia de propósito. Abri-os de novo, acendi a luz e virei-me para ela.

- Tens a certeza que não queres conversar? O que é que se passa? – Perguntei.

Ela encolheu os ombros.

- Espera aí – disse-lhe.

Levantei-me e da minha mala tirei uma tablete de chocolate, que levei de volta para a cama. Voltei a deitar-me, agora também de barriga para cima, e passei a tablete para Leah.

- Vai-te fazer bem – disse-lhe. Ela pôs um pedacinho na boca – Vá, conta lá porque é que estás assim.

- O Sam vai-se casar com a Emily.

- E isso é mau?

Leah contou-me sobre como Sam a trocou por Emily por causa do imprinting, e que por muito que a pudesse amar, amaria sempre mais Emily. Em todas as maneiras possíveis.

- Isso é terrível. Mas pensava que tinhas namorado – disse eu, no fim.

- E tenho – um sorriso apareceu-lhe nos lábios – Mas mesmo assim dói um bocado. E ninguém se preocupa. Agora é sempre “coitadinho do Seth” e “Seth para aqui, Seth para ali”.

- Pois… desculpa por isso.

- Sabes… eu pensava que eras daquelas raparigas fúteis e isso, e depois de partires o coração ao meu irmão – senti um aperto no meu próprio coração ao ouvi-la dizer isto – ainda tive mais certezas. Mas parece que estava enganada, afinal também estás a sofrer.

- Pois…

- Queres chocolate?

- Claro.

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